Girl Crush: Arvida Byström

A essência do que chamam de Tumblr girl

Arvida Byström é modelo, fotógrafa, musicista, diretora de arte e artista feminista que ganhou fama por seu rosto angelical, cabelo arco-íris e um estilo e atitude que vem para confrontar qualquer ideal sobre o feminino. Muito mais que um “rostinho bonito” (frase típica que costumo repetir sobre nossas girl crushes), Arvida apresenta fortes posicionamentos políticos e costuma usar seu trabalho para criticar normatizações sociais – e tudo isso está relacionado com sua própria vivência como mulher lésbica (bastante consciente dos seus privilégios por ser branca, cis, magra, não-deficiente e de boa aparência para os padrões sociais). Seu trabalho aborda temas como menstruação, sexualidade, pêlos, feminilidade e monogamia, já tendo colaborado com diferentes marcas e revistas, como Vice, Rookie, Nasty Gal, Monki, Wonderland Magazine, Lula Magazine e Polyester Zine.

cherries makes me think of balls and they still mainly tied to cis female sexuality 👀 #🍒

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trying to show off some cellulites and a dimpled cherry 🍒

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Nascida em 4 de outubro de 1991, numa cidade sueca próxima a Estocolmo, Arvida começou a tirar fotos aos 12 anos com uma câmera digital. Através das selfies, ela buscou encontrar a verdade além da imagem que a sociedade projetava sobre ela. Ela se inspirava nas imagens, referências e comunidade do Tumblr, e foi na plataforma que ela começou a publicar suas fotos também a participar de um grupo de artistas feministas que questionavam os padrões de feminilidade e gênero, se apropriando de uma estética “girly” e tudo o que fosse codificado como feminino – porque isso sempre foi visto de forma pejorativa pela sociedade.


 
Em 2012, a amiga e fotógrafa Valerie Phillips a convidou para um ensaio, capturando o cotidiano colorido da artista sueca. As fotos foram clicadas com a alegria e sutileza de quem a conhece na intimidade. Foram dois anos de cliques que se transformaram no livro “Hi you are beautiful how are you” (traduzindo: oi você é linda como você está). Mais recentemente, Arvida também está presente no novo livro da fotógrafa, “Another Girl Another Planet“, de 2016. Além dos livros, as duas fizeram juntas quatro zines: “Meow“, “A Fantastic Kitten“, “It’s not him you see at night in your dreams” e “This Is My Drivers License“.

Livro “Hi you are beautiful how are you” (via)
 
Depois de crescer na Suécia e viver com seus pais, mudou-se para Londres para ter mais independência. Lá, ela fez seu primeiro editorial de moda para a Monki, marca sueca do grupo H&M. Na mesma época, criou sua própria galeria e espaço criativo, GAL, com a fotógrafa e amiga Hanna Antonsson. Através da GAL, as duas organizaram exposições e eventos com outras artistas emergentes.

Exposição da Galeria GAL (via)
 
Como membro do coletivo feminino The Ardorous, Arvida Byström apresentou algumas de suas fotografias no livro Babe – publicado em maio de 2015, que inclui o trabalho de outras 30 artistas feministas, com curadoria da fotógrafa Petra Collins.

Capa de “Babe” e foto de Arvida Byström presente no livro
 
No mesmo ano, Arvida participou da exposição “Girls At Night On The Internet“, com curadoria de Grace Miceli, juntamente com artistas como Petra Collins, Molly Soda e Maggie Dunlap. A exposição tratou da falsa representação de jovens artistas mulheres, bem como elas próprias no mundo da arte, na primeira exposição IRL da maioria das artistas.

Exposição “Girls At Night On The Internet”, na Art Baby Gallery
 
Uma das coisas que Arvida Byström sempre apresenta em seu trabalho é o poder das selfies como forma de expressão, amor próprio e arte. Essa documentação da própria vida é, aliás, uma das maiores expressões da sua geração – e uma ferramenta de expressão e empoderamento das mulheres. Um dos seus projetos, feito junto com a artista Maja Malou Lyse, é o Selfie-Stick Aerobics, de 2015. O vídeo é uma aula de como tirar selfies com um selfie-stick que as levou até o museu Tate Modern, em Londres, para um workshop.


 
Arvida Byström explora sua própria identidade, feminilidade e sexualidade fotografando seu corpo e provocando os limites do pudor e do NSFW. Por conta disso, muitas das suas fotografias foram censuradas pelo Instagram. Por justamente questionar o que é e o que não é “aceitável” mostrar do corpo da mulher, Arvida decidiu reunir as fotos censuradas de diversas artistas em um livro, chamado “Pics or It Didn’t Happen: Images Banned From Instagram“, em parceria com Molly Soda. O livro foi lançado em março de 2017.

Ela é tão legal que este ano a Adidas a convidou para estrelar a nova campanha do tênis Superstar, chamada “Icons of Tomorrow” (ícones do amanhã, em português). Sim, porque Arvida é role model! Além dela, a campanha foi estrelada por outros jovens que estão comprometidos em mudar a sociedade, como o rapper Khalif e Barbie Ferreira, modelo plus size.

A participação dela foi neste vídeo acima e em fotos para a campanha. Nada demais, não? Mas, para a sociedade tradicional amedrontada pelas disrupções que a juventude pode provocar, é um absurdo uma mulher aparecer numa campanha com as pernas cabeludas. Oi? Sim, este detalhe, os pêlos da sua perna, gerou uma série de comentários de ódio nas redes sociais.

Mas quem conhece seu trabalho sabe que ela questiona a necessidade da depilação associada com o ideal desejável de feminilidade há muito tempo. Ela sempre se aproveitou de sua imagem lolita para fotografar os pêlos da virilha, da axila e das pernas:

what seems like an excessive show of armpit is actually me trying to hold my choker tight

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Só que a Adidas pegou essa artista “indie” e “alternativa” e a colocou no mainstream. Graças a essa campanha, ela chegou em pessoas que nunca ouviram falar sobre Arvida Byström. Tinha tudo pra ser um sucesso, pra ser bom para sua carreira. Mas Arvida, naquele momento, saiu da sua bolha artística e ficou exposta ao horror do conservadorismo da sociedade que repudia tudo que é novo e estranho com ódio. Ela desabafou no Instagram dizendo que além das críticas que inundaram seu perfil, ela também recebeu diversas ameaças de estupro via inbox. Assustada (como qualquer mulher ficaria), Arvida deu um tempo das redes sociais e até mesmo seu site foi substituído apenas pela mensagem “brb” (be right back – traduzindo: já volto), para que evitasse novos ataques até a poeira baixar.


 
Mas Arvida não pára. Ela continuou fazendo seu trabalho como diretora de arte, modelo e fotógrafa. Porque ninguém pode silenciá-la! E isso é um incentivo e tanto a todas nós.

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Arvida para a Polyester Zine
 

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Encontre Arvida Byström nos livros:

 

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