Guia Ovelha para o Planejamento Financeiro

Puppycat! Colagem digital feita por Bárbara Malagoli (Baby C)
Em um relacionamento sério com os boletos a pagar

Você tem a impressão de que nunca sobra dinheiro? Você gasta mais do que ganha? Gostaria de começar a poupar ou investir e não sabe como começar? Nós da Ovelha não somos especialistas, mas servimos como uma irmã mais velha que pode te dar uns toques pra quem tá começando.

São seis passos iniciais que podem parecer óbvios, mas que muita gente não segue. E, pra quem vive nessa sociedade do capital, essas dicas MUDAM A VIDA DE UMA PESSOA, falo por mim. Com GIFs fofénhos da animação Bee and Puppycat, leia ouvindo essa música igualmente fofinha, que faz parte da OST da série, com nome temático “Rent Due” (traduzindo: aluguel devido).
 

1. Use a regra do 50-15-35

Quanto você recebe por mês? Se você é a abençoada da saudosa CLT, seu ganho é provavelmente fixo e regular. Porém, se você é freela/terceirizada/empreendedora, aí o bicho pega e o recebimento pode variar muito mês a mês. Mas fato é que dá pra ter uma ideia de quanto se ganha por mês, mínimo. A partir daí, dá pra organizar os gastos do mês direitinho. A regra 50-15-35 nada mais é do que dividir as despesas do mês em três grandes grupos:

  • 50% para gastos essenciais
    Antes de mais nada, é preciso saber quais são seus gastos essenciais e fixos, aqueles que você PRECISA ter dinheiro pra pagar todo o mês, como comida, aluguel, transporte, gastos com saúde e contas residenciais. Ou seja: se você recebe R$ 4000 por mês, os gastos essenciais não podem passar de R$ 2000.
  • 15% para prioridades financeiras
    Não, miga, comprar aquela brusinha não é prioridade no seu mês. Esses 15% podem variar dependendo do status da sua saúde financeira. Se você está endividada, esses 15% (ou mais, se preciso) serve para quitar as dívidas. Se você está “no verde”, destine esses 15% em um investimento (que, por favor, não pode ficar na poupança). Isso é para futuras conquistas de médio e longo prazo (uma viagem, por exemplo) e também para servir de emergência. A gente nunca sabe o dia de amanhã, então é importante guardar de três a seis salários para os momentos de incerteza.
  • 35% para manter seu estilo de vida
    Depois de você pagar todas as contas, dívidas e boletos fundamentais, garantindo ainda um investimento básico, você está LIBERADA para gastar com o que bem entender! Supérfluos mil como restaurante, academia, cabeleireiro e compras não vão ter retrogosto de culpa quando a vida financeira já está em ordem ;)
  •  

    2. Reflita sobre seus gastos

    Tenha o hábito de checar seu extrato e ver no que, quanto e como tem gastado dinheiro. Por exemplo, é super comum a gente se iludir que é RYCA assim que recebe o salário e o Vale-Refeição, mas se vê chorando de desespero na terceira semana do mês. É olhando para os gastos que a gente percebe nossas tendências, como uma preferência por gastar com roupas, em restaurantes ou dando presentes. Assim, é mais fácil prever esses comportamentos e entender onde dá pra enxugar despesas.

     

    3. Cuidado com o “leve agora e pague depois”

    O cartão de crédito é aquela cartada que nos salva de situações emergenciais e que também possibilita a aquisição de um sonho que não temos o montante necessário para obter à vista. Porém, é mais difícil administrar seus gastos porque caímos no famoso “tenha o que deseja agora e pague só depois”. Depois, depois… mas nesse interim vamos gastando aqui e ali com outras coisas e, na hora que chega a fatura, muitas vezes somos pegas de surpresa.

    O banco e a operadora do cartão sempre vão se fazer de bacanas, oferecendo empréstimos e parcelamento de fatura. Mas sabe o que isso acarreta? Em juros ferrados que acabam virando monstros enormes e nos escravizando por completo. Quando a gente vê, está trabalhando para pagar dívidas, não contas. Fuja do cheque especial que é cilada, Bino! Algumas dicas de ouro pra quem vive mais apertada:

    • Prefira pagar no débito sempre que possível
    • Se for parcelar, que sejam mínimas e sem juros
    • Inclua as parcelas/prestações dentro dos seus gastos essenciais
    • Não deixe que o limite do seu cartão maior do que consegue pagar
    • Nunca, nunca mesmo atrase ou deixe de pagar seu cartão
    • Nunca, em hipótese alguma, fique no vermelho (seu banco cobra depois)

     

    4. Deixe de preguiça e planeje suas finanças

    É importante registrar seus ganhos, gastos e investimentos. Com um pouquinho de organização, a vida pode ficar um pouco mais fácil de se viver e de se planejar. Seja numa planilha, como o bom e velho Excel ou Google Spreadsheets, seja na forma de aplicativo. Existem hoje muitos aplicativos que facilitam muito o controle e organização da vida financeira. O mais conhecido é o GuiaBolso, que se conecta com as suas contas bancárias e operadoras de cartão de crédito para acompanhar os gastos e movimentos (é super seguro). Esse indicamos pois é o que a gente usa e conhece. Mas existem também outros aplicativos parecidos e interessantes, como o Organizze.
     

    5. Escolha serviços que facilitam a vida

    Cuidado para não pagar por serviços de banco que não funcionam pra você ou que vão dar mais gastos que retorno ou utilidade prática. Mas tem coisas boas que ajudam bastante no dia-a-dia. Muitos bancos já oferecem contas com administração 100% digital, o que elimina uma série de tarifas e outras coisas desnecessárias, como cheques (oi, que ano é hoje). Além disso, há facilidades como por contas em Débito Automático – mas atenção: se você vive apertada, cuidado pra não ficar no vermelho sem perceber com as contas pagas automaticamente. Além disso, essa facilidade faz com que a gente perca o hábito de conferir a conta antes de pagar, pra ver se teve algum serviço ou taxa inclusa na conta que não somos obrigadas a pagar.
     

    6. Aprenda a dizer NÃO

    Aqui estamos falando simplesmente da importância de saber brecar qualquer impulso de gastos desnecessários, tendo plena consciência de seus limites financeiros. Por exemplo, não é porque uma marca está na liquidação que vale a pena comprar alguma coisa. Tem que fazer aquela pergunta básica: eu preciso realmente disso? Se a resposta foi “sim”, tudo bem. Mas se for uma compra apenas para satisfazer sua vontade de comprar, cuidado com o impulso.

    Além de saber dizer NÃO para si mesma, isso pode se estender para seus rolês. Por exemplo, seus amigos vão ao cinema? Lembre-se que, além do custo do ingresso, tem muita coisa envolvida. Só de transporte, isso pode envolver taxi/Cabify ida e volta ou gasolina + estacionamento. Um jeito de poupar é pegando carona ou indo de transporte público. Além disso, seus amigos podem querer jantar num restaurante, gerando outro gasto. Saiba quais são os possíveis gastos e quanto você pode se comprometer. Na próxima, chame todo mundo pra pipoca e Netflix em casa ;)
     

     

    “… adulto gosta mesmo é de pagar conta em dia”

    A gente já sabe que dinheiro não cai do céu, então planejar é o começo de uma vida financeira mais tranquila. Dói fazer tantas concessões, ficar freando os desejos de consumo, ser a pão-dura do rolê, etc. Mas é uma importante parte do amadurecimento como *cof cof* ~ADULTAS~.
     
    Arte feita com exclusividade por Bárbara Malagoli (Baby C).
     

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