O caos é a nossa essência

Perpetuar conformismo não traz mudança

Ah, o caos… O mito carregado junto à sua palavra transmite medo e relutância. Por que temer o caos? Afinal, quantas vezes já nos encontramos no meio de resíduos e destroços de algo que agora já é passado? E não importa mais. A partir do fim, só existe outro começo.

Ciclos não são únicos, mas sim multiplicáveis. Ou por outro ponto de vista, se transformam.

É compreendido que a ordem não existiria sem o caos. Por outro lado, controladores tentam aplicar infindáveis ideias de organizações por meio de doutrinas seletivas e rígidas. Ou pensam, no contra fluxo do que é natural, ter poder sobre ações e reações no intuito de manter sua ordem.

Mas não devemos negar que o caos tem um papel fundamental na humanidade – para não falar de outras amplitudes espaciais. Ele traz a percepção do que se era e daquilo que vai se tornar. Possibilita a compreensão de que mesmo nas turbulências devastadoras e nos tumultos assustadores, do pó há origem. A imprevisibilidade do caos está presente em toda natureza, mesmo que minimamente e até ordenada, moldando a essência de tudo.
 

Ilustração que fiz para a zine ‘Catbloc’ – 2014
 

O medo do fim acaba sendo apenas um apego ao que já é conhecido e por isso confortável. Mas sempre existe perigo e às vezes ele pode se esconder debaixo de nossas cobertas, sem percebermos. Assim, na ilusão da segurança estável também fica estagnada a ignorância. Além disso, perpetuar conformismo não traz mudança.

Aquilo que se originará a partir do caos parece desconhecido, o que torna tudo mais interessante. Gosto de lembrar de uma amiga da escola que costumava desfazer todas as minhas dobraduras para refazê-las e assim aprender recomeçando do zero. Sem medo da desordem, um novo processo começava.

A vida é cheia de pequenos e grandes conflitos, internos e externos. Devemos olhá-los com consideração, pois os seus vestígios serão as primeiras peças de um próximo ciclo – a base do novo.
 

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