Ouça: Petite Meller

Petite Meller em seu controverso clipe para a música 'Baby Love'
"Baby love, you don't know what that means"

Petite Meller é uma artista francesa peculiar, com uma voz doce e infantil e um som jazzy-pop, com batidas que entregam uma influência do breguíssimo Euro-pop (herança da sua antiga banda, Terry Poison) e elementos do Afrobeat. A cereja do bolo é sua persona: sua aparência traz um estilo bem marcado, sempre com as bochechas e nariz lotados de blush pink na vibe Maria Antonieta; seu estilo é bastante Lolita – é comum vê-la apenas de sutiã e calcinha em seus clipes ou mesmo usando roupas coloridas e extravagantes. Ela é como se fosse a versão mais fofa e ingênua da Yolandi Visser ou uma versão da Brigitte Bardot hipster dos anos 2010.

Ela não é exatamente uma novidade musical. A revista NYLON já falava dela em 2013. O single ‘Baby Love’ foi eleito pelo jornal britânico The Guardian como a “canção do verão” de 2015. É divertido, ritmado, cheio de coros e com um refrão fácil – perfeito para jogar as mãos pra cima e dançar. O clipe da música gerou um bafafá por ser um pouco controverso: nele, Petite caminhou, tomou chá e dançou em torno de um santuário de girafas no Quênia, sempre rodeada por crianças da escola local. O uso de pessoas negras para compor a estética dos seus clipes já foi apontado desde o vídeo da música ‘NYC Time’. Sua estética colonial dividiu opiniões, mas este foi apenas o pontapé inicial de uma série em que Petite apresenta suas influências musicais de todo o mundo no novo álbum ‘Lil Empire‘, uma viagem que a leva do Senegal para a Mongólia. Assista ‘Baby Love’:


 
Ela nasceu na França, cresceu em Tel Aviv, morou em Nova Iorque e agora vive em Londres. Cresceu ouvindo Dizzy Gillespie (figura singular do jazz afro-cubano) e Chantal Goya. Mas suas influências vão muito além das musicais. Ela tem um apelo estético em seus clipes que traz referências de diversos diretores, como Alfred Hitchcock, Godard e David Hamilton. Ela também aprecia muito a filosofia (área em que é pós-graduada) e a psicanálise de Freud, o que pode explicar um pouco seu visual peculiar.


 
Petite Meller tem uma estética apaixonante, mas ao mesmo tempo é criticada por muitos que dizem que ela faz apropriação cultural em seus clipes. Ela tem um som marcante e dançante, mas que ao mesmo tempo pode soar grudento e cansativo por sua voz tão aguda. Uma artista que muitos amam e outros detestam, mas que está firmando seu lugar na cena da música pop atual (mesmo que ainda um tanto indie).

Petite Meller fotografada por Jean-Baptiste Mondino para a Interview Magazine
 

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