Venha para o bonde das newsletters

Colagem feita com exclusividade por Bárbara Malagoli (Baby C)

Já perdi a conta de quantas vezes já decretaram a morte dos blogs. Ou de quantas vezes o e-mail foi dado como morto, ultrapassado, coisa de gente velha que só usa pra trabalhar.

Mas talvez tenham esquecido de avisar aos blogs, ao e-mail – e ao texto! – que eles deveriam estar mortinhos, porque, apesar de todas as dificuldades e das novas tecnologias, eles não só persistem como vêm se transformando.

Uma dessas transformações que me chama a atenção é a gostosa onda que vem trazendo para as caixas de entrada a linguagem íntima, pessoal e criativa que já foi exclusiva dos blogs. Aquele blog raiz, o blog moleque, agora ganhou espaço no formato de e-mail, para a alegria de quem ama uma boa leitura.

As maravilhosas newsletters unem o melhor de dois mundos: o conteúdo autoral do universo dos blogs e a pessoalidade do e-mail. Ok, ok, eu sou suspeita para falar, afinal, não sou apenas uma ávida consumidora de newsletters, mas meu amor por elas também vem do fato de que eu também faço uma. Fui desmascarada!

Minha experiência ao escrever semanalmente a newsletter Bobagens Imperdíveis, que criei em fevereiro de 2014 e atualmente chega à marca de 2500 assinantes e 80 edições, fez com que eu transformasse minha forma de escrever, minha relação com as pessoas leitoras e minha forma de consumir conteúdo na internet.

Pode não parecer grande novidade, considerando que blogs surgiram como um tipo de diário e o e-mail é o dinossauro da internet, mas minha experiência escrevendo nesse formato me mostrou como é possível restabelecer um contato mais humano e verdadeiro, não pelas redes sociais, que hoje são usadas em seu máximo, mas justamente por meios considerados mortos, ultrapassados.

Enviando uma nova edição de Bobagens a cada sábado, e vendo a reação e o interesse dos leitores, posso dizer que a escrita, o blog e o e-mail estão vivinhos sim!

 

“Por que a newsletter merece minha atenção?”

  1. Para quem escreve, é uma forma mais direta de entrar em contato com as pessoas que leem, estabelecer um contato mais profundo e verdadeiro, que vá além de um mecânico “joinha” nas redes sociais.
  2. Em tempos em que o Facebook limita o alcance das publicações a não ser que o dono da página pague pela divulgação, é libertador ter a certeza de que o público está vendo seu conteúdo em um santuário tão íntimo quanto a caixa de entrada do e-mail.
  3. Para quem lê, é a garantia de poder ler algo com calma, no seu tempo, e não ter aquele conteúdo soterrado por um mar de propaganda, memes e chorume que inundam as redes sociais.
  4. Newsletter não tem caixa de comentários! Melhor. Coisa. E a gente bem sabe como esses espaços estão cada vez mais inóspitos e tóxicos, né?
  5. Você responde diretamente ao autor por e-mail, de fato conseguindo criar um diálogo! A qualidade das críticas e mensagens que recebo dos leitores da newsletter foi algo que eu nunca consegui apenas com o blog.
  6. Colecionar newsletters, descobrir novas e indicar suas preferidas acaba se tornando um hobby. Isso me faz até lembrar da época em que eu colecionava papel de carta e ficava trocando com azamiga. <3

 

“Quero entrar no bonde, como faz?”

Dá uma olhada na coleção de newsletters que eu acompanho e fique à vontade para pegar as que você achar interessante (e não deixe de assinar a minha!):

 

Vida de escritor:

As mais antigas que assino são as newsletters dos escritores Alex Castro, do Alessandro Martins e daOlivia Maia. Eles mandam textos inéditos e exclusivos, compartilham suas reflexões, falam de literatura e da vida – afinal, não dá pra separar as duas coisas, né?
 

Blogando por e-mail:

A mais pura essência dos blogs pessoais e criativos não desapareceu, como provam algumas newsletters. A escrita pela Ágda fala de literatura, de cultura pop, de filmes, da vida. A da Lilian Silva também tem textos muito pessoais e íntimos. A da Mari Pimenta traz crônicas, as histórias que ela inventa e fala de cachorros de vez em quando!

O Alex Luna é um veterano dos blogs que se rendeu à maravilhosidade das newsletters. Até falando de cortador de unhas é interessante, mas se eu for falar bem do que ele escreve, ele vai negar até a morte.
 

Arte e literatura:

A newsletter da Confeitaria e a do Jornal Relevo são muito cultas, muito educadas, não chegam na caixa de entrada fazendo escândalo, exigindo atenção. São finas, cheias de referências, arte e um apanhado de textos interessantes.
 

Comunicação e design:

A newsletter do MF (que é praticamente coautor de Bobagens Imperdíveis) traz suas reflexões sobre o mundo do design, mas também sobre filmes, lembranças, cultura pop e tudo o mais que ele ache interessante. A política dele é simples: “envio quando tenho algo interessante a dizer”.

O Bruno Leo também fala do seu trabalho e seus projetos (que são muitos), de comunicação e propaganda e, o que eu especialmente adoro, sobre a vida na Finlândia. Aliás, ele até aparece no episódio sobre Helsinki da série “O Mundo Segundo os Brasileiros”.
 

Tecnologia:

A newsletter do site Ada traz links e notícias voltadas para internet e tecnologia. A do Ramon Kayo era sobre produtividade e empreendedorismo, com referências muito inteligentes, mas faz tempo que recebi a última. O Rodrigo Ghedin envia a dele frequentemente, com um apanhado dos últimos textos do Manual do Usuário, sobre tecnologia e comportamento.
 

Doideiras deliciosas:

Tem a da Alliah, que bem, como definir? Não se define, se sente. Recentemente adicionei o Abacaxi Fabuloso à coleção, e espero que venha novas edições porque é um nome bom demais para não continuar. A Shibbo sumiu, mas ela tem (tinha?) uma das newsletters mais maravilhosamente doidas que eu já vi.
 

Quadrinhos:

Assinei recentemente a da Bianca Pinheiro, que tem a proposta incrível de ensinar um pouco de quadrinhos a cada edição. É aulinha mesmo, com planejamento. Na primeira, por exemplo, ela falou sobre como aprender a ler quadrinhos com o olhar de quadrinista.

 

O texto pode não ter o sex appeal dos vídeos e de outros conteúdos mais atraentes e mais rápidos de consumir nesses novos tempos, mas ele persiste. Nem que tenha que correr muito mais do que os outros formatos para conseguir chegar nas pessoas.

Parafraseando o Dr. Malcolm de Jurassic Park, o texto, assim como a vida, sempre encontra um jeito. Nem que esse “jeitinho” seja chegar de mansinho no seu e-mail e não sair mais de lá.

 

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