Quem convive comigo no dia-a-dia fora de ambientes de labuta, nos quais eu posso expressar minhas facetas com maior liberdade, certamente ouviu falar de Undertale. E ouviu que tinha que jogar. Agora. Nesse exato minuto. Juro, vai, tá só 20 pila no Steam e eles aceitam boleto, cartão, etc.!
É difícil explicar porque você precisa jogar Undertale. Falar sobre o jogo é risco sério de dar spoilers – algo que eu geralmente não me importo. Nunca senti que spoiler realmente estragava alguma coisa. Aí joguei Undertale – e foi mais uma coisa que esse jogo mudou na minha vida.
Então, sem estragar o jogo: Undertale é certamente o melhor RPG do ano. Ele é metalinguístico de uma maneira não punhetada, ele tem personagens super carismáticos que você pode escolher conhecer, ele tem um sabor de infância sem ser infantil, ele tem vários cachorros e você pode ir num date romântico com um esqueleto. O que mais você poderia querer?
Se você for jogar um jogo esse ano, jogue Undertale. Especialmente se você gosta de jogos. Se você é uma pessoa que ama, consome e pensa essa mídia, você irá aproveitá-lo ainda mais.
Se você não é ligada em jogos, não fica falando “ai, gente, o potencial dessa mídia” e discursando por horas sobre isso, jogue Undertale. É um jogo muito divertido. Você vai ter uma ótima experiência. Você não precisa amar, consumir e pensar essa mídia para amá-lo.
E, se você não jogou Undertale…
Ok.
…
COMEÇANDO OS SPOILERS!!!
Sério.
Ok.
Undertale é um RPG sobre jogos e sobre ser o jogador. A princípio, tanto sua arte quanto mecânica parecem simples: um pixel art nostálgico, tantas vezes presente em jogos indies, e um sistema de turnos clássico somado a mecânicas de bullet hell. Ele de cara apresenta uma novidade que faz toda a diferença, porém: a possibilidade de não matar seus “inimigos”, mas agir de modo persuadi-los a não lutar. Isso torna agredir uma escolha – e o jogo vai te fazer pensar sobre ela.
Em Undertale suas escolhas tem consequências. Até mesmo apertar o botão de Reset ou escolher investigar outros finais. Suas ações são, de certo modo, permanentes – ou ao menos impregnantes. O mundo de Undertale não é para nós, do modo que tantos jogos são. Seus personagens não estão ali para prover nossa experiência, mas habitando um mundo.
Talvez por isso quando me dei conta que teria de enfrentar um personagem eu acabei batalhando entre lágrimas. O jogo conseguiu me tocar de modo que ferir aquele personagem tinha um significado que nenhuma batalha em jogo já teve. Aquele não era meu momento épico de glória, como essas lutas costumam ser: era uma necessidade feita com pesar.
Eu não consegui “ver tudo” de Undertale ao jogar. Não matei ninguém na minha Neutral Run (afinal, se o jogo me dava essa novidade era ela que eu queria conhecer) e depois fiz o Pacifist Ending. Abrir o jogo novamente me fez dar de cara com a consequência de re-jogar: tirar daqueles personagens seu final feliz. Pra que? Apenas pelo meu prazer.
Como tantas coisas que fazemos em jogos: apenas porque podemos, apenas porque nosso prazer manda.
Fechei o jogo. Não abro mais. Quero aquele pessoal feliz pra sempre nos meus saves. – Eu tinha outros recursos, afinal, como vídeos de gameplay de outros.
Só assim tive contato com a violência que é matar aqueles personagens, especialmente na trágica Genocide Run – na qual você elimina absolutamente todos os monstros. Ruas vazias, sem a alegria que encontrei quando joguei.
Mas você não precisa matar todo mundo pra que existam efeitos, também. Um personagem que some já faz falta para outros. Sua ausência não é indiferente. Assim como no mundo.
Undertale te ensina sobre empatia e bondade através das consequências de sê-lo ou não. Ele delicadamente supera todos sistemas de moralidade e escolhas “relevantes” que jogos com muito mais dindin nos oferecem.
E, acima de tudo, palpável em cada monstro, em cada música, em cada cenário, sente-se: Undertale é feito com profundo amor e atenção.
Bem, caso alguém lá de cima que não jogou tenha ignorado meus pedidos, não vou me adentrar em mais detalhes. Você ainda pode ter o gosto de conhecer os personagens dessa história sozinha – mesmo que vá entrar nela cheia de avisos agora, né?
Manda um abraço pro Papyrus por mim.
Quem convive comigo no dia-a-dia fora de ambientes de labuta, nos quais eu posso expressar minhas facetas com maior liberdade, certamente ouviu falar de Undertale. E ouviu que tinha que jogar. Agora. Nesse exato minuto. Juro, vai, tá só 20 pila no Steam e eles aceitam boleto, cartão, etc.!
É difícil explicar porque você precisa jogar Undertale. Falar sobre o jogo é risco sério de dar spoilers – algo que eu geralmente não me importo. Nunca senti que spoiler realmente estragava alguma coisa. Aí joguei Undertale – e foi mais uma coisa que esse jogo mudou na minha vida.
Então, sem estragar o jogo: Undertale é certamente o melhor RPG do ano. Ele é metalinguístico de uma maneira não punhetada, ele tem personagens super carismáticos que você pode escolher conhecer, ele tem um sabor de infância sem ser infantil, ele tem vários cachorros e você pode ir num date romântico com um esqueleto. O que mais você poderia querer?
Se você for jogar um jogo esse ano, jogue Undertale. Especialmente se você gosta de jogos. Se você é uma pessoa que ama, consome e pensa essa mídia, você irá aproveitá-lo ainda mais.
Se você não é ligada em jogos, não fica falando “ai, gente, o potencial dessa mídia” e discursando por horas sobre isso, jogue Undertale. É um jogo muito divertido. Você vai ter uma ótima experiência. Você não precisa amar, consumir e pensar essa mídia para amá-lo.
E, se você não jogou Undertale…
Ok.
…
COMEÇANDO OS SPOILERS!!!
Sério.
Ok.
Undertale é um RPG sobre jogos e sobre ser o jogador. A princípio, tanto sua arte quanto mecânica parecem simples: um pixel art nostálgico, tantas vezes presente em jogos indies, e um sistema de turnos clássico somado a mecânicas de bullet hell. Ele de cara apresenta uma novidade que faz toda a diferença, porém: a possibilidade de não matar seus “inimigos”, mas agir de modo persuadi-los a não lutar. Isso torna agredir uma escolha – e o jogo vai te fazer pensar sobre ela.
Em Undertale suas escolhas tem consequências. Até mesmo apertar o botão de Reset ou escolher investigar outros finais. Suas ações são, de certo modo, permanentes – ou ao menos impregnantes. O mundo de Undertale não é para nós, do modo que tantos jogos são. Seus personagens não estão ali para prover nossa experiência, mas habitando um mundo.
Talvez por isso quando me dei conta que teria de enfrentar um personagem eu acabei batalhando entre lágrimas. O jogo conseguiu me tocar de modo que ferir aquele personagem tinha um significado que nenhuma batalha em jogo já teve. Aquele não era meu momento épico de glória, como essas lutas costumam ser: era uma necessidade feita com pesar.
Eu não consegui “ver tudo” de Undertale ao jogar. Não matei ninguém na minha Neutral Run (afinal, se o jogo me dava essa novidade era ela que eu queria conhecer) e depois fiz o Pacifist Ending. Abrir o jogo novamente me fez dar de cara com a consequência de re-jogar: tirar daqueles personagens seu final feliz. Pra que? Apenas pelo meu prazer.
Como tantas coisas que fazemos em jogos: apenas porque podemos, apenas porque nosso prazer manda.
Fechei o jogo. Não abro mais. Quero aquele pessoal feliz pra sempre nos meus saves. – Eu tinha outros recursos, afinal, como vídeos de gameplay de outros.
Só assim tive contato com a violência que é matar aqueles personagens, especialmente na trágica Genocide Run – na qual você elimina absolutamente todos os monstros. Ruas vazias, sem a alegria que encontrei quando joguei.
Mas você não precisa matar todo mundo pra que existam efeitos, também. Um personagem que some já faz falta para outros. Sua ausência não é indiferente. Assim como no mundo.
Undertale te ensina sobre empatia e bondade através das consequências de sê-lo ou não. Ele delicadamente supera todos sistemas de moralidade e escolhas “relevantes” que jogos com muito mais dindin nos oferecem.
E, acima de tudo, palpável em cada monstro, em cada música, em cada cenário, sente-se: Undertale é feito com profundo amor e atenção.
Bem, caso alguém lá de cima que não jogou tenha ignorado meus pedidos, não vou me adentrar em mais detalhes. Você ainda pode ter o gosto de conhecer os personagens dessa história sozinha – mesmo que vá entrar nela cheia de avisos agora, né?
Quem convive comigo no dia-a-dia fora de ambientes de labuta, nos quais eu posso expressar minhas facetas com maior liberdade, certamente ouviu falar de Undertale. E ouviu que tinha que jogar. Agora. Nesse exato minuto. Juro, vai, tá só 20 pila no Steam e eles aceitam boleto, cartão, etc.!
É difícil explicar porque você precisa jogar Undertale. Falar sobre o jogo é risco sério de dar spoilers – algo que eu geralmente não me importo. Nunca senti que spoiler realmente estragava alguma coisa. Aí joguei Undertale – e foi mais uma coisa que esse jogo mudou na minha vida.
Então, sem estragar o jogo: Undertale é certamente o melhor RPG do ano. Ele é metalinguístico de uma maneira não punhetada, ele tem personagens super carismáticos que você pode escolher conhecer, ele tem um sabor de infância sem ser infantil, ele tem vários cachorros e você pode ir num date romântico com um esqueleto. O que mais você poderia querer?
Se você for jogar um jogo esse ano, jogue Undertale. Especialmente se você gosta de jogos. Se você é uma pessoa que ama, consome e pensa essa mídia, você irá aproveitá-lo ainda mais.
Se você não é ligada em jogos, não fica falando “ai, gente, o potencial dessa mídia” e discursando por horas sobre isso, jogue Undertale. É um jogo muito divertido. Você vai ter uma ótima experiência. Você não precisa amar, consumir e pensar essa mídia para amá-lo.
E, se você não jogou Undertale…
[infobox maintitle="PARE DE LER AGORA!" subtitle="Se você ainda não jogou Undertale, é melhor parar por aqui. Eu vou começar a falar porque eu amei o jogo. E VAI ESTRAGAR UM POUCO DO ROLÊ PRA QUEM AINDA NÃO JOGOU. E eu não quero isso. Eu quero que você aproveite e descubra cada pedacinho de Undertale. Então vai lá desembolsar 20 contos e 6 horinhas do seu dia pra então voltar depois e ler o resto, ok?" bg="red" color="black" opacity="on" space="30" link="http://store.steampowered.com/app/391540/?l=portuguese"]
Ok.
…
COMEÇANDO OS SPOILERS!!!
Sério.
Ok.
Undertale é um RPG sobre jogos e sobre ser o jogador. A princípio, tanto sua arte quanto mecânica parecem simples: um pixel art nostálgico, tantas vezes presente em jogos indies, e um sistema de turnos clássico somado a mecânicas de bullet hell. Ele de cara apresenta uma novidade que faz toda a diferença, porém: a possibilidade de não matar seus “inimigos”, mas agir de modo persuadi-los a não lutar. Isso torna agredir uma escolha – e o jogo vai te fazer pensar sobre ela.
Em Undertale suas escolhas tem consequências. Até mesmo apertar o botão de Reset ou escolher investigar outros finais. Suas ações são, de certo modo, permanentes – ou ao menos impregnantes. O mundo de Undertale não é para nós, do modo que tantos jogos são. Seus personagens não estão ali para prover nossa experiência, mas habitando um mundo.
Talvez por isso quando me dei conta que teria de enfrentar um personagem eu acabei batalhando entre lágrimas. O jogo conseguiu me tocar de modo que ferir aquele personagem tinha um significado que nenhuma batalha em jogo já teve. Aquele não era meu momento épico de glória, como essas lutas costumam ser: era uma necessidade feita com pesar.
Eu não consegui “ver tudo” de Undertale ao jogar. Não matei ninguém na minha Neutral Run (afinal, se o jogo me dava essa novidade era ela que eu queria conhecer) e depois fiz o Pacifist Ending. Abrir o jogo novamente me fez dar de cara com a consequência de re-jogar: tirar daqueles personagens seu final feliz. Pra que? Apenas pelo meu prazer.
Como tantas coisas que fazemos em jogos: apenas porque podemos, apenas porque nosso prazer manda.
Fechei o jogo. Não abro mais. Quero aquele pessoal feliz pra sempre nos meus saves. – Eu tinha outros recursos, afinal, como vídeos de gameplay de outros.
Só assim tive contato com a violência que é matar aqueles personagens, especialmente na trágica Genocide Run – na qual você elimina absolutamente todos os monstros. Ruas vazias, sem a alegria que encontrei quando joguei.
Mas você não precisa matar todo mundo pra que existam efeitos, também. Um personagem que some já faz falta para outros. Sua ausência não é indiferente. Assim como no mundo.
Undertale te ensina sobre empatia e bondade através das consequências de sê-lo ou não. Ele delicadamente supera todos sistemas de moralidade e escolhas “relevantes” que jogos com muito mais dindin nos oferecem.
E, acima de tudo, palpável em cada monstro, em cada música, em cada cenário, sente-se: Undertale é feito com profundo amor e atenção.
Bem, caso alguém lá de cima que não jogou tenha ignorado meus pedidos, não vou me adentrar em mais detalhes. Você ainda pode ter o gosto de conhecer os personagens dessa história sozinha – mesmo que vá entrar nela cheia de avisos agora, né?
A primeira vez que eu considerei não continuar com essa tal “vida” eu tinha seis anos. Eu havia brigado com a minha irmã mais velha e me sentido muito culpada por isso. Sentindo-me não merecedora de continuar, misturei detergente (que, na minha imaginação, seria capaz de me matar) no leite do sucrilhos e comecei a tomar. O gosto ruim me impediu de continuar e só então fui tomada pela culpa da dor que poderia estar causando à minha mãe – dor que segurou minha mão e minha cabeça diversas vezes.
Depois dessa foram poucas tentativas, mas muitos e muitos planos, numa batalha interna exaustiva. Por vezes, quando agir contra minha vida me parecia extremo ou dramático, eu celebrava adoecimentos internamente e negligenciava minha saúde, como maneira de, quem sabe, deixar a própria morte chegar, ajudando-a a acelerar o passo.
A verdade é que existir me é uma coisa muito cansativa com a qual nunca me dei bem – e parar para olhar as flores ou os grafites da cidade, que me agradam mais, não reduz em nada essa fadiga. Não importa quais planos ou projetos eu tenha pro futuro, eles nunca parecem compensar um dia-a-dia de estar num mundo que muito me incomoda – não importa meu humor ou quão bem eu esteja.
Setembro, coincidentemente mês do meu aniversário, é também mês da prevenção ao suicídio (conhecido como Setembro Amarelo). Muitas campanhas que vejo pela internet me incomodam porque parecem partir de pessoas que não sabem o que é considerar morrer, desejar morrer. Porque isso não é, definitivamente, questão de parar para cheirar as flores ou apreciar as pequenas coisas. Se você está namorando a única porta de saída é porque o perfume da flor deixou de compensar tem um tempo.
Decidi escrever sobre isso, então, como aconselhamentos de quem sabe o quanto essa briga dentro da nossa cabeça é difícil.
Não é sempre que eu considero suicídio. Eu tenho crises em que, repentinamente, acho a vida ou demasiadamente insuportável ou me acho não merecedora da vida, entrando numa espiral de culpa e autodestrutividade. É difícil, mas é importante aprender a romper com a espiral.
Você pode tentar se distrair. Enganar sua cabeça pra que ela foque em outra coisa. Às vezes isso é possível. Ler um livro, ver um filme, uma série, olhar o tumblr, jogar videogame. Tem vez que tudo que você precisa é esquecer essas ideias. Mas eu sei que nem sempre isso é possível.
Lembre-se das coisas que te mantém aqui. Você tem um sonho para o futuro e tem enfrentado as dores para realizá-lo? Pense nele. Se pensar nos seus sonhos te levar a pensar na impossibilidade deles, pense no quanto você já tem feito para atingi-los e no quão injusto contigo seria parar agora.
Se você é como eu e fica no mundo pela companhia, pense nas pessoas que você ama. É muito fácil, quando entramos nessa espiral, que pensar nessas pessoas nos faça nos sentirmos egoístas por querermos abandonar a vida e sabermos que isso causará dor a elas – o que pode piorar ainda mais a culpa e autodestrutividade – então tente pensar nos motivos pelos quais aquelas pessoas te amam. Pense no que elas valorizam em você. Pense que você tem valor pra elas – e que elas não podem estar tão erradas sobre você, afinal, você também gosta delas, você sabe que elas são pessoas inteligentes.
Pense nas coisas que você faz e que você valoriza. Você as tem. Você não se odeia sempre. É difícil lembrar-se disso nessas horas, mas o esforço é importante. O que você gosta em você? O que é bom em você? O que você pode fazer pra mudar aquilo que você não gosta em você?
Se você sente que não fará falta, lembre que você está mentindo pra si mesmo. Você faz falta – e se for pra uma pessoa já é muita coisa. O nosso mundinho capitalista muitas vezes nos faz pensar quantitativamente ou associar nosso valor a coisas estúpidas – mas você tem muito valor. Você é uma pessoa única com potencialidades únicas. E, num mundo cheio de gente, isso pode não parecer muita coisa, mas é.
Conte para alguém em quem você confia. Ligue para a pessoa e diga: “eu estou pensando em me matar, me ajuda”. Eu sei que isso é muito difícil – a gente tem medo de não ser compreendida ou de machucar a outra pessoa – mas ter ajuda e companhia nessas horas pode fazer toda a diferença.
Se a vida está muito, mas muito difícil, lembre que por um fim nela acaba com a possibilidade de você viver tempos melhores. A fase em que eu mais tive ideações suicidas – ou seja, desejei e planejei me matar – foi na minha adolescência, um tempo bastante complicado da minha história. Eu sou uma pessoa muito mais feliz hoje (e sim, mesmo que eu ainda tenha uma série de crises e uma série de questões de saúde mental, eu me considero uma pessoa muito feliz. Pode parecer contraditório, mas eu acho que existir como humana é uma contradição mesmo, haha). Eu conheci pessoas com as quais me dou muito bem. Conheci o amor da minha vida, com quem estou já há sete anos. Eu conheci causas pelas quais eu quero lutar. Eu estou me tornando uma pessoa da qual eu me orgulho.
E, nos aspectos de pensar uma vida melhor, um conselho que eu acho fundamental é: livre-se das pessoas que te fazem mal. Saia dos relacionamentos abusivos. Se afaste de pessoas que querem que você seja outra. Eu sei que nem sempre isso é possível, pois muitas vezes essas pessoas são da sua família e você precisa conviver com elas, morar com elas. Mas reduza ao máximo essas pessoas e se aproxime ao máximo daquelas que te aceitam e te amam. Eu sei que cortar relacionamentos é algo difícil e a gente pode pensar “poxa, mas fulana não faz por mal” – foda-se. Você está protegendo a sua vida e não importa quão bem intencionada a sua prima é quando diz que você deveria ser x ou y, se ela está potencializando ideias negativas tuas, isso precisa acabar.
Procure ajuda. Procure acompanhamento psicológico – e, o mais importante nisso, procure uma profissional com a qual você se sinta confortável, em quem você confie. Terapia só funciona quando você se sente à vontade. A depender do teu caso e situação, pode ser que você precise de ajuda psiquiátrica. Não há nada de errado com isso. A gente precisa das ajudas que precisa e precisar de ajuda não faz ninguém ser fraca.
Eu sei que nem todo mundo vive as ideações da mesma maneira. Esses conselhos são apenas o que funciona pra mim e como cada pessoa é uma pessoa, cada cabeça é uma cabeça e cada caso é um caso. Mas se funcionar e ajudar duas ou três pessoas eu já me sinto bastante feliz.
Se você ama alguém que sofre de ideações suicidas, esteja do lado dela e demonstre estar lá pra ela. Escute os choramingos, desabafos, crises. Mas não se culpe se você não aguentar ou não der conta de vez em quando. Nós todos temos que cuidar da nossa própria saúde mental e cuidar de alguém em profundo sofrimento pode ser cansativo.
Mais importante: não se culpe se a pessoa eventualmente perder essa luta. É uma luta dela e, por mais que pessoas ao nosso redor possam ajudar ou apoiar, no fim quem tem que derrotar nossos monstros somos nós. E a última coisa que nós desejamos é que vocês se sintam culpados. Mesmo.
Suicídio não é uma questão fácil de lidar, de se conversar. É um tema rodeado de estereótipos, de medos, de tabus. Mas é um tema que a afeta a vida de muitas pessoas, de maneiras extremamente dolorosas e sobre o qual precisamos falar. Precisamos conversar e assumir nossas experiências para que mais pessoas possam sentir-se confortáveis em se abrir sobre o tema, procurar ajuda. Precisamos nos unir, nos fortalecermos.
E, por fim, se você estiver pensando: “afe, mas psicóloga e com esses problemas?” deixe-me responder que psicólogos são pessoas, humanas, imperfeitas, sujeitas a todo tipo de sofrimento e adoecimento – e que isso não reduz em nada nossa capacidade de ouvir, compreender, esclarecer e auxiliar a jornada dos outros. Talvez isso até garanta que, na hora em que você estiver sofrendo, saibamos que parar para cheirar flores não resolve tudo.
Ilustrações feitas com exclusividade por Fernanda Garcia (a.k.a. Kissy)
20 pila no Steam e eles aceitam boleto, cartão, etc.!
É difícil explicar porque você precisa jogar Undertale. Falar sobre o jogo é risco sério de dar spoilers – algo que eu geralmente não me importo. Nunca senti que spoiler realmente estragava alguma coisa. Aí joguei Undertale – e foi mais uma coisa que esse jogo mudou na minha vida.
Então, sem estragar o jogo: Undertale é certamente o melhor RPG do ano. Ele é metalinguístico de uma maneira não punhetada, ele tem personagens super carismáticos que você pode escolher conhecer, ele tem um sabor de infância sem ser infantil, ele tem vários cachorros e você pode ir num date romântico com um esqueleto. O que mais você poderia querer?
Se você for jogar um jogo esse ano, jogue Undertale. Especialmente se você gosta de jogos. Se você é uma pessoa que ama, consome e pensa essa mídia, você irá aproveitá-lo ainda mais.
Se você não é ligada em jogos, não fica falando “ai, gente, o potencial dessa mídia” e discursando por horas sobre isso, jogue Undertale. É um jogo muito divertido. Você vai ter uma ótima experiência. Você não precisa amar, consumir e pensar essa mídia para amá-lo.
E, se você não jogou Undertale…
Ok.
…
COMEÇANDO OS SPOILERS!!!
Sério.
Ok.
Undertale é um RPG sobre jogos e sobre ser o jogador. A princípio, tanto sua arte quanto mecânica parecem simples: um pixel art nostálgico, tantas vezes presente em jogos indies, e um sistema de turnos clássico somado a mecânicas de bullet hell. Ele de cara apresenta uma novidade que faz toda a diferença, porém: a possibilidade de não matar seus “inimigos”, mas agir de modo persuadi-los a não lutar. Isso torna agredir uma escolha – e o jogo vai te fazer pensar sobre ela.
Em Undertale suas escolhas tem consequências. Até mesmo apertar o botão de Reset ou escolher investigar outros finais. Suas ações são, de certo modo, permanentes – ou ao menos impregnantes. O mundo de Undertale não é para nós, do modo que tantos jogos são. Seus personagens não estão ali para prover nossa experiência, mas habitando um mundo.
Talvez por isso quando me dei conta que teria de enfrentar um personagem eu acabei batalhando entre lágrimas. O jogo conseguiu me tocar de modo que ferir aquele personagem tinha um significado que nenhuma batalha em jogo já teve. Aquele não era meu momento épico de glória, como essas lutas costumam ser: era uma necessidade feita com pesar.
Eu não consegui “ver tudo” de Undertale ao jogar. Não matei ninguém na minha Neutral Run (afinal, se o jogo me dava essa novidade era ela que eu queria conhecer) e depois fiz o Pacifist Ending. Abrir o jogo novamente me fez dar de cara com a consequência de re-jogar: tirar daqueles personagens seu final feliz. Pra que? Apenas pelo meu prazer.
Como tantas coisas que fazemos em jogos: apenas porque podemos, apenas porque nosso prazer manda.
Fechei o jogo. Não abro mais. Quero aquele pessoal feliz pra sempre nos meus saves. – Eu tinha outros recursos, afinal, como vídeos de gameplay de outros.
Só assim tive contato com a violência que é matar aqueles personagens, especialmente na trágica Genocide Run – na qual você elimina absolutamente todos os monstros. Ruas vazias, sem a alegria que encontrei quando joguei.
Mas você não precisa matar todo mundo pra que existam efeitos, também. Um personagem que some já faz falta para outros. Sua ausência não é indiferente. Assim como no mundo.
Undertale te ensina sobre empatia e bondade através das consequências de sê-lo ou não. Ele delicadamente supera todos sistemas de moralidade e escolhas “relevantes” que jogos com muito mais dindin nos oferecem.
E, acima de tudo, palpável em cada monstro, em cada música, em cada cenário, sente-se: Undertale é feito com profundo amor e atenção.
Bem, caso alguém lá de cima que não jogou tenha ignorado meus pedidos, não vou me adentrar em mais detalhes. Você ainda pode ter o gosto de conhecer os personagens dessa história sozinha – mesmo que vá entrar nela cheia de avisos agora, né?