Ouça: Cooly G.

Wait’Til Night é o segundo álbum em que Merrisa Campbel, conhecida como Cooly G., mostra seu talento no estilo bedroom music. Com uma voz suave e sexy, uma batida lenta lembra um pouco de clubmusic e R’n’B, a produtora inglesa de Brixton constrói uma atmosfera sensual perfeita para uma experiência entre quatro paredes.

A música foi o jeito que a produtora e mãe solteira de duas crianças – um menino e uma menina – encontrou para dizer: “olha só, eu ainda sou sexy, ainda tenho fantasias e quero expressá-las!” É essa força que faz o álbum gostoso de ouvir. Dá para sentir, em cada faixa, sua confiança e o lado sexy da cantora renascerem. Hyperdub

Filha de mãe nascida na Guiana e pai na Jamaica, Merrisa Campbel herdou deles sua paixão por slow jams e House. A mãe gostava de Acid House e era frequentadora de Raves, enquanto o pai era admirador de Reggae, Dub e Rare Groove. Não é à toa que Cooly G. gosta de experimentar com esses ritmos. Isso tudo resultou em suas letras e melodia cheias de uma Sexy Vibe bem gostosinha.

Em entrevista para a revista alemã, Missy Magazine, ela conta que a faixa que deu nome ao álbum é uma criação antiga, de um tempo em que ela se sentia feliz e muito atraente. “Nos últimos anos, perdi esse sentimento. Agora estou tentando ganhar isso de volta e ser a mulher sexy que eu sou”.
 

 
E está conseguindo. Em faixas bem diretas como “Your Sex”, “Fuck with You”, “Freak You”, Cooly G. revela suas fantasias e sua vontade de go out there and date. “Eu pude explorar minhas fantasias porque eu sou uma mãe solteira e não tenho um parceiro, então, sim, eu me sinto sexual às vezes. Eu sinto que eu posso me tornar eu mesma de novo, e isso é muito bom”, disse Cooly G. à revista britânica online The Quietus.
 
[caption id="attachment_3802" align="aligncenter" width="1024"]Cooly G - Wait 'til Night Cooly G – Wait ’til Night[/caption]  
O primeiro vídeo de Cooly G. é o da Wait’Til Night, em que ela está num encontro com lindo rapaz e eles caminham pelas ruas de Londres, trocando carícias, risadas e olhares. Enquanto isso ela canta “The way you got me last night. You’re so sweet” com sua voz cheia de presença em um slow-jam que faz a própria ouvinte fantasiar altas coisas. É, com certeza, a soundtrack perfeita para o bedroom.
 

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Mais de Débora Backes

Chicas na luta contra a exploração sexual

Ao ler um jornal tradicional de Madri, a diretora espanhola Mabel Lozano se deparou com um estranho anúncio: “Chicas Nuevas 24 horas”. Já era claro do que se tratava. Esses tipos de anúncios não são incomuns nas páginas de jornais espanhóis. Era um bordel que oferecia a seus clientes a possibilidade de encontrar ali meninas jovens, disponíveis a qualquer hora do dia.

Depois do breve choque – afinal, qual mulher não se sentiria chocada a ver esse tipo de anúncio no seu jornal diário? –, Mabel teve uma ideia para um novo documentário sobre tráfico de mulheres. Foi daí que começou a surgir o filme “Chicas Nuevas 24 horas”, exibido durante a Semana de Cinema Feminista de Berlim de 2016.

A diretora espanhola já é engajada com o tema desde 2007, quando lançou o seu primeiro longa documental “Voces contra la trata de mujeres” (Vozes contra o tráfico de mulheres, em português), em que denuncia a compra e venda de mulheres e meninas com fins de exploração sexual. No último documentário, Mabel quis abordar a prática criminosa desde sua fonte, ou seja, desde o rapto de jovens em cidades pobres na América Latina até a chegada à Europa.

Segundo dados revelados em “Chicas Nuevas 24 horas”, Madri é o terceiro lugar do mundo em que mais se paga por sexo, somente atrás de cidades na Tailândia e Porto Rico. Muitas das prostitutas nesses lugares foram trazidas até ali contra a vontade. Estima-se que o tráfico de pessoas gera só na Espanha 5 milhões de euros por dia. No mundo, é o terceiro negócio ilícito mais lucrativo, depois da venda de armas e do contrabando de drogas.

Chicas Nuevas 24 horas 3

A diretora compara o tráfico de pessoas com qualquer outro comércio lucrativo para explicar como seu funcionamento se assemelha ao de uma grande empresa. O documentário começa com uma cena ficcional. Em uma sala de reuniões, uma palestrante ensina aos ouvintes os segredos para montar um negócio que possa gerar US$ 32 bilhões ao ano – estimativa do que o tráfico de pessoas gera ao ano no mundo todo. O primeiro passo é pensar como transformar o produto bruto (jovens vulneráveis) em produto de consumo (escravas em bordeis europeus). A mesma palestrante aparece várias vezes ao longo do documentário e toca em pontos importantes para montar um negócio de sucesso: agradar o cliente, fazer boa propaganda, fazer a mercadoria render ao máximo e descartá-la quando houver defeito, afinal esses objetos são substituíveis.

As cenas ficcionais constróem a narrativa para a entrada das entrevistas e dados. A diretora percorreu países sul americanos, como Peru, Colômbia, Argentina e Paraguai e entrevistou vítimas atuais e recuperadas, integrantes de ONGs, Ministérios e Secretárias, policiais, jornalistas… Enfim, gente que também trabalha para dar um fim ao tráfico de pessoas.

As histórias dos entrevistados revelam aos poucos o sistema complexo por trás da prostituição de meninas jovens: o convencimento de jovens que precisam de dinheiro para suas famílias, o transporte dessas garotas, a chegada, a pressão para que vendam seus corpos e o “descarte”, quando já não conseguem mais trabalhar. Tudo funciona muito bem interligado, em uma rede que conta muito com a corrupção de autoridades tanto nos países “fontes” quanto nos “receptores”.

Algumas das vítimas conseguem retornar – deportadas ou escapando – a seus países de origem, mas ali sofrem com preconceitos, são criminalizadas por terem se prostituído e culpadas por terem se deixado cair nessa armadilha. Algumas conseguem fugir, mas não conseguem voltar para casa, pela falta de dinheiro ou por dívidas que ainda tem que pagar nos países de origem – dívidas, inclusive, às pessoas que lhes pagaram a passagem para a Europa.

4,5 milhões de mulheres e crianças são vítimas desse negócio por ano. Na União Europeia, só em 2014, foram identificadas 30 mil vítimas do tráfico sexual. O conceito “mulher objeto” é levado ao pé da letra no tratamento dessas mulheres e meninas. Elas são como mercadorias que se valorizam conforme cresce o desejo dos clientes. Estes que querem chicas nuevas à sua disposição 24 horas por dia. É a lei de oferta e procura aplicada à venda de seres humanos.

Sobre a diretora

Antes de fazer filmes, Mabel Lozano trabalhava como atriz, mas decidiu mudar sua carreira de rumo ao conhecer Irena, uma mulher que vivia na Espanha e havia sido vítima desse grande business que se tornou o tráfico de mulheres e meninas. Irena foi atraída por seu namorado da época até Madri. Lá, ele a levou a um lugar onde a trocou por um envelope cheio de dinheiro. Irena entendeu, então, que havia sido vendida e foi obrigada a se prostituir.

Essa triste história inspirou Mabel a fazer seu primeiro documentário e a se engajar na causa contra o tráfico de mulheres. Seus documentários e outros trabalhos de curta-metragem são usados por organizações públicas e não governamentais na conscientização sobre o problema. Recentemente a diretora ganhou o prêmio Mujeres em Unión na 25ª premiação da Unión de Actores e Actrices, promovido pelo sindicado de atores e atrizes em Madri.

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Filha de mãe nascida na Guiana e pai na Jamaica, Merrisa Campbel herdou deles sua paixão por slow jams e House. A mãe gostava de Acid House e era frequentadora de Raves, enquanto o pai era admirador de Reggae, Dub e Rare Groove. Não é à toa que Cooly G. gosta de experimentar com esses ritmos. Isso tudo resultou em suas letras e melodia cheias de uma Sexy Vibe bem gostosinha.

Em entrevista para a revista alemã, Missy Magazine, ela conta que a faixa que deu nome ao álbum é uma criação antiga, de um tempo em que ela se sentia feliz e muito atraente. “Nos últimos anos, perdi esse sentimento. Agora estou tentando ganhar isso de volta e ser a mulher sexy que eu sou”.
 

 
E está conseguindo. Em faixas bem diretas como “Your Sex”, “Fuck with You”, “Freak You”, Cooly G. revela suas fantasias e sua vontade de go out there and date. “Eu pude explorar minhas fantasias porque eu sou uma mãe solteira e não tenho um parceiro, então, sim, eu me sinto sexual às vezes. Eu sinto que eu posso me tornar eu mesma de novo, e isso é muito bom”, disse Cooly G. à revista britânica online The Quietus.
 

 
O primeiro vídeo de Cooly G. é o da Wait’Til Night, em que ela está num encontro com lindo rapaz e eles caminham pelas ruas de Londres, trocando carícias, risadas e olhares. Enquanto isso ela canta “The way you got me last night. You’re so sweet” com sua voz cheia de presença em um slow-jam que faz a própria ouvinte fantasiar altas coisas. É, com certeza, a soundtrack perfeita para o bedroom.
 

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