Que podem sem comprovadas, 200 milhões de mulheres já passaram pelo terror da mutilação genital. A ONU já adotou mais de uma vez uma resolução para acabar com a mutilação genital feminina (também conhecido pela sigla FGM: Female Genital Mutilation) e manter a agenda de atingir a equidade de gêneros e empoderamento de todas as mulheres até 2030.
Atualmente há quatro tipos de mutilação genital feminina, todas chamadas erroneamente de ‘circuncisão feminina’. Erroneamente porque as sequelas são estrondosas e tenebrosas pra vida de uma criança/mulher que sobrevive a esse tipo de procedimento.
O primeiro tipo de FGM, retira-se a parte de fora do clitóris (o clitóris é enorme, vide). Os instrumentos utilizados normalmente não são higienizados e são utilizados de forma bárbara: giletes de barbear enferrujadas, facas não esterilizadas, cacos de vidro, isso tudo depende do país onde é realizado o procedimento, que ainda, por muitas culturas, infelizmente é considerado cultural.
O segundo tipo de FGM, é retirado o clitóris e os lábios pequenos. Lembrando que muitas vezes sem anestesia, as crianças que são submetidas a esses procedimentos tem idades variadas, desde nenens até pré adolescentes e sangram muito. Essas crianças estão expostas a diversos tipos de infecção e doenças como a AIDS por causa da falta de higienização nos instrumentos, sendo utilizado o mesmo em cada criança, como uma linha de produção.
O terceiro tipo de FGM é o pior que existe, se é que é possível fazer uma mínima distinção de atos tão brutais. No tipo 3, além do corte do clitóris e dos pequenos lábios, a vagina é costurada, deixando apenas um micro buraco na parte de baixo. Isso acarreta muitos problemas de saúde, extrema dor em urinar, extrema dor em menstruar, altos níveis de infecção urinária e vaginas acarretando muitas vezes em infertilidade da mulher. Mas ainda é possível engravidar e o sexo é insuportável e o nascimento da criança pode chegar a matar a mãe e o bebê.
O quarto tipo de FGM é um tipo que não é classificado. Podem acontecer algumas alterações na região vaginal, tatuagens, introdução de materiais corrosivos, cortar a base da vagina, e qualquer outra bizarrice que um ser humano seja capaz de fazer com um genital feminino. Porém, nesse tipo, as alterações são aleatórias.
Muitas mulheres nem associam os vários problemas de saúde posteriores à prática da mutilação que aconteceu em sua infância, o que torna a causa mais invisível. A ONU diz que a os números não são bons, e que em 15 anos, pode ser que aumentem os casos,então é preciso agir com firmeza para que a prática seja eliminada, com conscientização e políticas públicas.
A prática da mutilação tem raízes misóginas, desigualdade de gênero, de inferioridade da mulher, de pureza, castração, controlar sexualidade e até estética. Não há NENHUM benefício médico encontrado (quer dizer, alguém ainda foi tentar buscar por isso). Infelizmente a prática é realizada, na maioria das vezes, por mulheres e em mulheres, com medo de exclusão social.
Sabemos que há urgências no feminismo e eu não poderia concordar mais que essa é uma delas. Na resolução expedida pela ONU no último dia 29 foram formalizadas e numeradas 12 possíveis ações para que a agenda de equidade de gêneros pudesse ser cumprida até 2030, das quais resumidamente são:
Pedem para que os estados coloquem ênfase na educação, principalmente na juventude, pais e religiosos, líderes tradicionais e comunitários sobre o efeito nocivo da mutilação e que incitem os homens e meninos a se tornarem mais envolvidos e informados, fazendo campanhas de conscientização e se tornarem agentes de mudança.
Apoio nacional e internacional para eliminar a prática e organizar eventos que conscientizem nesse âmbito durante o Dia Internacional da Tolerância Zero Para a Mutilação (dia 6 de fevereiro) com a participação de religiosos e autoridades locais comunitárias.
De acordo com a lei dos Direitos Humanos, é pedido para que os Estados instituam leis contra esse tipo de prática e que tomem medidas para garantir a aplicação restrita dessa lei.
Incentiva os Estados a desenvolver políticas abrangentes para combater a FGM, envolvendo o governo, o parlamento, o judiciário, a sociedade civil, a juventude, os meios de comunicação, o setor privado e todas as partes interessadas.
Também incentiva os Estados a desenvolver, apoiar, e promover a educação, conforme apropriado, incluindo matérias de saúde sexual e reprodutiva que claramente desafia os estereótipos de atitudes e práticas nocivas para as crianças e mulheres.
Enfatiza que os Estados precisam sistematizar, conforme apropriado, a coleta de dados sobre FGM para encorajar e prestar apoio financeiro à investigação principalmente em níveis universitários para que usem os resultados para tornar mais forte a a opinião pública e conscientização sobre o assunto. E também para conseguirem medir o progresso das campanhas.
Exorta os Estados a prestar assistência às vítimas de FGM, incluindo tratamentos físicos e psicológicos.
Encoraja os Estados a apresentarem as avaliações submetidas periodicamente e recomendações de medidas para a eliminação da FGM.
Encoraja a comunidade internacional a manter a questão da FGM na agenda das políticas de desenvolvimento e uma dedicação especial para a implementação dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Exorta os Estados a continuar a aumentar a assistência técnica e financeira para implementação de políticas eficazes, programas e planos de ação para eliminar a prática da FGM nos níveis nacional, regional e internacional.
Convida o alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os órgãos de tratado de direitos humanos pertinentes, em particular o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e os Direitos Culturais, a Comissão de Direitos Humanos, o Comitê sobre os Direitos da Criança, o Comitê para a Eliminação da discriminação contra a Mulher, o Comitê contra a Tortura e o Comitê para a proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, para continuar a dar especial atenção à questão da eliminação da FGM.
Decide continuar a análise da questão da FGM de acordo com o seu programa de trabalho.
Pessoalmente achei muitos desses tópicos redundantes mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que se você não deixa muito explícito e especificado, sempre há uma forma de ser alterado, por isso existem contratos minuciosos e enfim, resoluções como essa. Às vezes vemos causas como essas e não sabemos como ajudar, mas todo tipo de militância como procurar saber mais sobre o assunto, dar visibilidade, é um ato solidário, uma forma de ajudar.
Há uma matéria muito boa da BBC que fala sobre o assunto, deixo aqui linkada. Há muitos documentários no YouTube também, só procurar tanto em português como inglês que aparecerão diversos vídeos sobre o assunto. Está sendo difícil demais finalizar esse texto, muita força para nós.
#EndFMG
Que podem sem comprovadas, 200 milhões de mulheres já passaram pelo terror da mutilação genital. A ONU já adotou mais de uma vez uma resolução para acabar com a mutilação genital feminina (também conhecido pela sigla FGM: Female Genital Mutilation) e manter a agenda de atingir a equidade de gêneros e empoderamento de todas as mulheres até 2030.
Atualmente há quatro tipos de mutilação genital feminina, todas chamadas erroneamente de ‘circuncisão feminina’. Erroneamente porque as sequelas são estrondosas e tenebrosas pra vida de uma criança/mulher que sobrevive a esse tipo de procedimento.
O primeiro tipo de FGM, retira-se a parte de fora do clitóris (o clitóris é enorme, vide). Os instrumentos utilizados normalmente não são higienizados e são utilizados de forma bárbara: giletes de barbear enferrujadas, facas não esterilizadas, cacos de vidro, isso tudo depende do país onde é realizado o procedimento, que ainda, por muitas culturas, infelizmente é considerado cultural.
O segundo tipo de FGM, é retirado o clitóris e os lábios pequenos. Lembrando que muitas vezes sem anestesia, as crianças que são submetidas a esses procedimentos tem idades variadas, desde nenens até pré adolescentes e sangram muito. Essas crianças estão expostas a diversos tipos de infecção e doenças como a AIDS por causa da falta de higienização nos instrumentos, sendo utilizado o mesmo em cada criança, como uma linha de produção.
O terceiro tipo de FGM é o pior que existe, se é que é possível fazer uma mínima distinção de atos tão brutais. No tipo 3, além do corte do clitóris e dos pequenos lábios, a vagina é costurada, deixando apenas um micro buraco na parte de baixo. Isso acarreta muitos problemas de saúde, extrema dor em urinar, extrema dor em menstruar, altos níveis de infecção urinária e vaginas acarretando muitas vezes em infertilidade da mulher. Mas ainda é possível engravidar e o sexo é insuportável e o nascimento da criança pode chegar a matar a mãe e o bebê.
O quarto tipo de FGM é um tipo que não é classificado. Podem acontecer algumas alterações na região vaginal, tatuagens, introdução de materiais corrosivos, cortar a base da vagina, e qualquer outra bizarrice que um ser humano seja capaz de fazer com um genital feminino. Porém, nesse tipo, as alterações são aleatórias.
Muitas mulheres nem associam os vários problemas de saúde posteriores à prática da mutilação que aconteceu em sua infância, o que torna a causa mais invisível. A ONU diz que a os números não são bons, e que em 15 anos, pode ser que aumentem os casos,então é preciso agir com firmeza para que a prática seja eliminada, com conscientização e políticas públicas.
A prática da mutilação tem raízes misóginas, desigualdade de gênero, de inferioridade da mulher, de pureza, castração, controlar sexualidade e até estética. Não há NENHUM benefício médico encontrado (quer dizer, alguém ainda foi tentar buscar por isso). Infelizmente a prática é realizada, na maioria das vezes, por mulheres e em mulheres, com medo de exclusão social.
Sabemos que há urgências no feminismo e eu não poderia concordar mais que essa é uma delas. Na resolução expedida pela ONU no último dia 29 foram formalizadas e numeradas 12 possíveis ações para que a agenda de equidade de gêneros pudesse ser cumprida até 2030, das quais resumidamente são:
Pedem para que os estados coloquem ênfase na educação, principalmente na juventude, pais e religiosos, líderes tradicionais e comunitários sobre o efeito nocivo da mutilação e que incitem os homens e meninos a se tornarem mais envolvidos e informados, fazendo campanhas de conscientização e se tornarem agentes de mudança.
Apoio nacional e internacional para eliminar a prática e organizar eventos que conscientizem nesse âmbito durante o Dia Internacional da Tolerância Zero Para a Mutilação (dia 6 de fevereiro) com a participação de religiosos e autoridades locais comunitárias.
De acordo com a lei dos Direitos Humanos, é pedido para que os Estados instituam leis contra esse tipo de prática e que tomem medidas para garantir a aplicação restrita dessa lei.
Incentiva os Estados a desenvolver políticas abrangentes para combater a FGM, envolvendo o governo, o parlamento, o judiciário, a sociedade civil, a juventude, os meios de comunicação, o setor privado e todas as partes interessadas.
Também incentiva os Estados a desenvolver, apoiar, e promover a educação, conforme apropriado, incluindo matérias de saúde sexual e reprodutiva que claramente desafia os estereótipos de atitudes e práticas nocivas para as crianças e mulheres.
Enfatiza que os Estados precisam sistematizar, conforme apropriado, a coleta de dados sobre FGM para encorajar e prestar apoio financeiro à investigação principalmente em níveis universitários para que usem os resultados para tornar mais forte a a opinião pública e conscientização sobre o assunto. E também para conseguirem medir o progresso das campanhas.
Exorta os Estados a prestar assistência às vítimas de FGM, incluindo tratamentos físicos e psicológicos.
Encoraja os Estados a apresentarem as avaliações submetidas periodicamente e recomendações de medidas para a eliminação da FGM.
Encoraja a comunidade internacional a manter a questão da FGM na agenda das políticas de desenvolvimento e uma dedicação especial para a implementação dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Exorta os Estados a continuar a aumentar a assistência técnica e financeira para implementação de políticas eficazes, programas e planos de ação para eliminar a prática da FGM nos níveis nacional, regional e internacional.
Convida o alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os órgãos de tratado de direitos humanos pertinentes, em particular o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e os Direitos Culturais, a Comissão de Direitos Humanos, o Comitê sobre os Direitos da Criança, o Comitê para a Eliminação da discriminação contra a Mulher, o Comitê contra a Tortura e o Comitê para a proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, para continuar a dar especial atenção à questão da eliminação da FGM.
Decide continuar a análise da questão da FGM de acordo com o seu programa de trabalho.
Pessoalmente achei muitos desses tópicos redundantes mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que se você não deixa muito explícito e especificado, sempre há uma forma de ser alterado, por isso existem contratos minuciosos e enfim, resoluções como essa. Às vezes vemos causas como essas e não sabemos como ajudar, mas todo tipo de militância como procurar saber mais sobre o assunto, dar visibilidade, é um ato solidário, uma forma de ajudar.
Há uma matéria muito boa da BBC que fala sobre o assunto, deixo aqui linkada. Há muitos documentários no YouTube também, só procurar tanto em português como inglês que aparecerão diversos vídeos sobre o assunto. Está sendo difícil demais finalizar esse texto, muita força para nós.
Uma mulher mostra a navalha que utiliza para cortar a genitália de meninas em Mombasa, Quênia. 25 de junho de 2015. Foto de Ivan Lieman—Barcroft Media
Que podem sem comprovadas, 200 milhões de mulheres já passaram pelo terror da mutilação genital. A ONU já adotou mais de uma vez uma resolução para acabar com a mutilação genital feminina (também conhecido pela sigla FGM: Female Genital Mutilation) e manter a agenda de atingir a equidade de gêneros e empoderamento de todas as mulheres até 2030.
Atualmente há quatro tipos de mutilação genital feminina, todas chamadas erroneamente de ‘circuncisão feminina’. Erroneamente porque as sequelas são estrondosas e tenebrosas pra vida de uma criança/mulher que sobrevive a esse tipo de procedimento.
O primeiro tipo de FGM, retira-se a parte de fora do clitóris (o clitóris é enorme, vide). Os instrumentos utilizados normalmente não são higienizados e são utilizados de forma bárbara: giletes de barbear enferrujadas, facas não esterilizadas, cacos de vidro, isso tudo depende do país onde é realizado o procedimento, que ainda, por muitas culturas, infelizmente é considerado cultural.
[caption id="attachment_11308" align="aligncenter" width="634"] tipo 1[/caption]
O segundo tipo de FGM, é retirado o clitóris e os lábios pequenos. Lembrando que muitas vezes sem anestesia, as crianças que são submetidas a esses procedimentos tem idades variadas, desde nenens até pré adolescentes e sangram muito. Essas crianças estão expostas a diversos tipos de infecção e doenças como a AIDS por causa da falta de higienização nos instrumentos, sendo utilizado o mesmo em cada criança, como uma linha de produção.
[caption id="attachment_11309" align="aligncenter" width="631"] tipo 2[/caption]
O terceiro tipo de FGM é o pior que existe, se é que é possível fazer uma mínima distinção de atos tão brutais. No tipo 3, além do corte do clitóris e dos pequenos lábios, a vagina é costurada, deixando apenas um micro buraco na parte de baixo. Isso acarreta muitos problemas de saúde, extrema dor em urinar, extrema dor em menstruar, altos níveis de infecção urinária e vaginas acarretando muitas vezes em infertilidade da mulher. Mas ainda é possível engravidar e o sexo é insuportável e o nascimento da criança pode chegar a matar a mãe e o bebê.
[caption id="attachment_11310" align="aligncenter" width="633"] tipo 3[/caption]
O quarto tipo de FGM é um tipo que não é classificado. Podem acontecer algumas alterações na região vaginal, tatuagens, introdução de materiais corrosivos, cortar a base da vagina, e qualquer outra bizarrice que um ser humano seja capaz de fazer com um genital feminino. Porém, nesse tipo, as alterações são aleatórias.
[caption id="attachment_11311" align="aligncenter" width="635"] tipo 4[/caption]
Muitas mulheres nem associam os vários problemas de saúde posteriores à prática da mutilação que aconteceu em sua infância, o que torna a causa mais invisível. A ONU diz que a os números não são bons, e que em 15 anos, pode ser que aumentem os casos,então é preciso agir com firmeza para que a prática seja eliminada, com conscientização e políticas públicas.
A prática da mutilação tem raízes misóginas, desigualdade de gênero, de inferioridade da mulher, de pureza, castração, controlar sexualidade e até estética. Não há NENHUM benefício médico encontrado (quer dizer, alguém ainda foi tentar buscar por isso). Infelizmente a prática é realizada, na maioria das vezes, por mulheres e em mulheres, com medo de exclusão social.
Sabemos que há urgências no feminismo e eu não poderia concordar mais que essa é uma delas. Na resolução expedida pela ONU no último dia 29 foram formalizadas e numeradas 12 possíveis ações para que a agenda de equidade de gêneros pudesse ser cumprida até 2030, das quais resumidamente são:
Pedem para que os estados coloquem ênfase na educação, principalmente na juventude, pais e religiosos, líderes tradicionais e comunitários sobre o efeito nocivo da mutilação e que incitem os homens e meninos a se tornarem mais envolvidos e informados, fazendo campanhas de conscientização e se tornarem agentes de mudança.
Apoio nacional e internacional para eliminar a prática e organizar eventos que conscientizem nesse âmbito durante o Dia Internacional da Tolerância Zero Para a Mutilação (dia 6 de fevereiro) com a participação de religiosos e autoridades locais comunitárias.
De acordo com a lei dos Direitos Humanos, é pedido para que os Estados instituam leis contra esse tipo de prática e que tomem medidas para garantir a aplicação restrita dessa lei.
Incentiva os Estados a desenvolver políticas abrangentes para combater a FGM, envolvendo o governo, o parlamento, o judiciário, a sociedade civil, a juventude, os meios de comunicação, o setor privado e todas as partes interessadas.
Também incentiva os Estados a desenvolver, apoiar, e promover a educação, conforme apropriado, incluindo matérias de saúde sexual e reprodutiva que claramente desafia os estereótipos de atitudes e práticas nocivas para as crianças e mulheres.
Enfatiza que os Estados precisam sistematizar, conforme apropriado, a coleta de dados sobre FGM para encorajar e prestar apoio financeiro à investigação principalmente em níveis universitários para que usem os resultados para tornar mais forte a a opinião pública e conscientização sobre o assunto. E também para conseguirem medir o progresso das campanhas.
Exorta os Estados a prestar assistência às vítimas de FGM, incluindo tratamentos físicos e psicológicos.
Encoraja os Estados a apresentarem as avaliações submetidas periodicamente e recomendações de medidas para a eliminação da FGM.
Encoraja a comunidade internacional a manter a questão da FGM na agenda das políticas de desenvolvimento e uma dedicação especial para a implementação dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Exorta os Estados a continuar a aumentar a assistência técnica e financeira para implementação de políticas eficazes, programas e planos de ação para eliminar a prática da FGM nos níveis nacional, regional e internacional.
Convida o alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os órgãos de tratado de direitos humanos pertinentes, em particular o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e os Direitos Culturais, a Comissão de Direitos Humanos, o Comitê sobre os Direitos da Criança, o Comitê para a Eliminação da discriminação contra a Mulher, o Comitê contra a Tortura e o Comitê para a proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, para continuar a dar especial atenção à questão da eliminação da FGM.
Decide continuar a análise da questão da FGM de acordo com o seu programa de trabalho.
Pessoalmente achei muitos desses tópicos redundantes mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que se você não deixa muito explícito e especificado, sempre há uma forma de ser alterado, por isso existem contratos minuciosos e enfim, resoluções como essa. Às vezes vemos causas como essas e não sabemos como ajudar, mas todo tipo de militância como procurar saber mais sobre o assunto, dar visibilidade, é um ato solidário, uma forma de ajudar.
[caption id="attachment_11329" align="aligncenter" width="565"] Waris Dirie, embaixadora da causa[/caption]
Há uma matéria muito boa da BBC que fala sobre o assunto, deixo aqui linkada. Há muitos documentários no YouTube também, só procurar tanto em português como inglês que aparecerão diversos vídeos sobre o assunto. Está sendo difícil demais finalizar esse texto, muita força para nós.
Não vou mentir, fui assistir Wild porque uma amiga e minha terapeuta além de me recomendarem, disseram que se lembraram de mim. Apesar da Reese Witherspoon ter feito papéis fortes como June em Walk The Line, eu não tinha uma memória afetiva dela pra querer assistir a um filme seu, talvez por não associar a filmes bons. Mas não me alonguei, acendi um e assisti o filme. Com certeza já posso virar essa página sobre Reese por muitos motivos.
A trama é auto-biográfica, Cheryl Strayed teve uma infância relativamente difícil e sofre com a morte prematura de sua mãe por causa de um câncer. Depois de alguns anos lidando com esse sentimento, decide fazer a trilha Pacific Crest Trail, apelidada de PCT, como um ato simbólico de ressurreição e empoderamento pessoal. A atuação de Reese está arrebatadora. Não é a toa que foi indicada em mais de 15 prêmios diferentes.
O filme, apesar de não fazer corte de classe e raça (e eu só perdôo porque é auto-biográfico), é feminista por algumas razões, não curto listar, mas acho que hoje é um bom dia pra fazer isso, haha.
1) Lida com a sexualidade de forma natural.
2) Retrata disfunções da vida de forma natural.
3) Mostra o corpo de uma forma real, não objetificada ou sexualizada.
4) Respeita a história e não transforma em um filme sobre mulheres, não universaliza experiências.
5) Não menospreza a experiência de uma mulher que viaja sozinha (não tô dizendo que personagens não o fazem, afinal, é uma história verídica).
Eu me entreguei. Amo viajar, nunca fiz com o mesmo propósito, mas querendo ou não é sempre empoderador e eu amo viajar sozinha. Também tive problemas com a minha mãe, quem não teve? Até onde chequei, Freud ainda está sendo bem requisitado, hahaha. Mas é completamente diferente da vida de Cheryl. A aproximação acontece por afidamento. A própria trilha não acontece sem aperreio, claro, situações de misoginia latente, medo de ser abusada e/ou estuprada, sentir-se sozinha num mundo que te pressiona pra ter bom humor todos os dias da sua vida, acontecem. Então é natural se identificar e sentir empatia.
Cinematograficamente me foi surpreendente. A direção de arte e a fotografia são boas, mas senti bastante falta de tomadas abertas, que mostrassem mais a trilha e a pequenez da personagem diante da imensidão da natureza, das dificuldades da trilha, correlacionando à muitas questões da vida e história da personagem, foi uma onda minha. A trilha sonora não é nada demais, achei ok. Gostei bastante de terem colocado First Aid Kit e Portishead, uma das minhas bandas favoritas. Gostei do filme não ter o selo Hollywoodiano. Creio que a maioria já associa Reese à Hollywood, mas é um filme indie.
Agora, a página que eu tinha da Reese virou completamente quando eu soube que ela havia produzido o filme. E muito mais do que isso, ela sentiu a necessidade de há algum tempo atrás criar a produtora Pacific Standard Productions com a Bruna Papandrea. A decisão veio para criar e gerar material de conteúdo feminino no cinema. Quando Reese se tocou em algum momento que havia apenas um estúdio recrutando mulheres acima de 30 anos para um papel, decidiu “se ocupar”. E ainda bem que se ocupou, a produtora já conta com três filmes produzidos em três anos de existência, entre eles o polêmico Gone Girl, e pelo que eu pude pesquisar, a lista de produções futuras é extensa. Vida longa à Pacific Standard Productions! Abaixo, palavras da miss Witherspoon:
Minha filha tinha 13 anos, eu queria que ela visse filmes com líderes femininas e heroínas e histórias de vida
resolução para acabar com a mutilação genital feminina (também conhecido pela sigla FGM: Female Genital Mutilation) e manter a agenda de atingir a equidade de gêneros e empoderamento de todas as mulheres até 2030.
Atualmente há quatro tipos de mutilação genital feminina, todas chamadas erroneamente de ‘circuncisão feminina’. Erroneamente porque as sequelas são estrondosas e tenebrosas pra vida de uma criança/mulher que sobrevive a esse tipo de procedimento.
O primeiro tipo de FGM, retira-se a parte de fora do clitóris (o clitóris é enorme, vide). Os instrumentos utilizados normalmente não são higienizados e são utilizados de forma bárbara: giletes de barbear enferrujadas, facas não esterilizadas, cacos de vidro, isso tudo depende do país onde é realizado o procedimento, que ainda, por muitas culturas, infelizmente é considerado cultural.
O segundo tipo de FGM, é retirado o clitóris e os lábios pequenos. Lembrando que muitas vezes sem anestesia, as crianças que são submetidas a esses procedimentos tem idades variadas, desde nenens até pré adolescentes e sangram muito. Essas crianças estão expostas a diversos tipos de infecção e doenças como a AIDS por causa da falta de higienização nos instrumentos, sendo utilizado o mesmo em cada criança, como uma linha de produção.
O terceiro tipo de FGM é o pior que existe, se é que é possível fazer uma mínima distinção de atos tão brutais. No tipo 3, além do corte do clitóris e dos pequenos lábios, a vagina é costurada, deixando apenas um micro buraco na parte de baixo. Isso acarreta muitos problemas de saúde, extrema dor em urinar, extrema dor em menstruar, altos níveis de infecção urinária e vaginas acarretando muitas vezes em infertilidade da mulher. Mas ainda é possível engravidar e o sexo é insuportável e o nascimento da criança pode chegar a matar a mãe e o bebê.
O quarto tipo de FGM é um tipo que não é classificado. Podem acontecer algumas alterações na região vaginal, tatuagens, introdução de materiais corrosivos, cortar a base da vagina, e qualquer outra bizarrice que um ser humano seja capaz de fazer com um genital feminino. Porém, nesse tipo, as alterações são aleatórias.
Muitas mulheres nem associam os vários problemas de saúde posteriores à prática da mutilação que aconteceu em sua infância, o que torna a causa mais invisível. A ONU diz que a os números não são bons, e que em 15 anos, pode ser que aumentem os casos,então é preciso agir com firmeza para que a prática seja eliminada, com conscientização e políticas públicas.
A prática da mutilação tem raízes misóginas, desigualdade de gênero, de inferioridade da mulher, de pureza, castração, controlar sexualidade e até estética. Não há NENHUM benefício médico encontrado (quer dizer, alguém ainda foi tentar buscar por isso). Infelizmente a prática é realizada, na maioria das vezes, por mulheres e em mulheres, com medo de exclusão social.
Sabemos que há urgências no feminismo e eu não poderia concordar mais que essa é uma delas. Na resolução expedida pela ONU no último dia 29 foram formalizadas e numeradas 12 possíveis ações para que a agenda de equidade de gêneros pudesse ser cumprida até 2030, das quais resumidamente são:
Pedem para que os estados coloquem ênfase na educação, principalmente na juventude, pais e religiosos, líderes tradicionais e comunitários sobre o efeito nocivo da mutilação e que incitem os homens e meninos a se tornarem mais envolvidos e informados, fazendo campanhas de conscientização e se tornarem agentes de mudança.
Apoio nacional e internacional para eliminar a prática e organizar eventos que conscientizem nesse âmbito durante o Dia Internacional da Tolerância Zero Para a Mutilação (dia 6 de fevereiro) com a participação de religiosos e autoridades locais comunitárias.
De acordo com a lei dos Direitos Humanos, é pedido para que os Estados instituam leis contra esse tipo de prática e que tomem medidas para garantir a aplicação restrita dessa lei.
Incentiva os Estados a desenvolver políticas abrangentes para combater a FGM, envolvendo o governo, o parlamento, o judiciário, a sociedade civil, a juventude, os meios de comunicação, o setor privado e todas as partes interessadas.
Também incentiva os Estados a desenvolver, apoiar, e promover a educação, conforme apropriado, incluindo matérias de saúde sexual e reprodutiva que claramente desafia os estereótipos de atitudes e práticas nocivas para as crianças e mulheres.
Enfatiza que os Estados precisam sistematizar, conforme apropriado, a coleta de dados sobre FGM para encorajar e prestar apoio financeiro à investigação principalmente em níveis universitários para que usem os resultados para tornar mais forte a a opinião pública e conscientização sobre o assunto. E também para conseguirem medir o progresso das campanhas.
Exorta os Estados a prestar assistência às vítimas de FGM, incluindo tratamentos físicos e psicológicos.
Encoraja os Estados a apresentarem as avaliações submetidas periodicamente e recomendações de medidas para a eliminação da FGM.
Encoraja a comunidade internacional a manter a questão da FGM na agenda das políticas de desenvolvimento e uma dedicação especial para a implementação dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Exorta os Estados a continuar a aumentar a assistência técnica e financeira para implementação de políticas eficazes, programas e planos de ação para eliminar a prática da FGM nos níveis nacional, regional e internacional.
Convida o alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os órgãos de tratado de direitos humanos pertinentes, em particular o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e os Direitos Culturais, a Comissão de Direitos Humanos, o Comitê sobre os Direitos da Criança, o Comitê para a Eliminação da discriminação contra a Mulher, o Comitê contra a Tortura e o Comitê para a proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, para continuar a dar especial atenção à questão da eliminação da FGM.
Decide continuar a análise da questão da FGM de acordo com o seu programa de trabalho.
Pessoalmente achei muitos desses tópicos redundantes mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que se você não deixa muito explícito e especificado, sempre há uma forma de ser alterado, por isso existem contratos minuciosos e enfim, resoluções como essa. Às vezes vemos causas como essas e não sabemos como ajudar, mas todo tipo de militância como procurar saber mais sobre o assunto, dar visibilidade, é um ato solidário, uma forma de ajudar.
Há uma matéria muito boa da BBC que fala sobre o assunto, deixo aqui linkada. Há muitos documentários no YouTube também, só procurar tanto em português como inglês que aparecerão diversos vídeos sobre o assunto. Está sendo difícil demais finalizar esse texto, muita força para nós.