Assista: 3%, a série brasileira da Netflix

Nossa mãe, que rebuliço que deu essa primeira série brasileira original da Netflix, não é mesmo? Como tudo que tem sido a vida e o nosso dia a dia brasileiro, todas as opiniões foram pautadas num maniqueísmo só, ou as pessoas odiaram ou amaram. E eu, mesmo com todas as minhas críticas, estou no ~ time ~ das pessoas que amaram.

Sei esse já é um assunto da década passada para assuntos de internet, peço desculpas pelo atraso, mas ainda assim gostaria de falar sobre ele. Principalmente agora que a segunda temporada foi confirmada.

 
[infobox maintitle="Aviso de spoiler" subtitle="Contém spoiler? Contém mais sobre as partes técnicas da série e não muito sobre a história, mas contém sim, haha. :)" bg="red" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]  

Bom, talvez a maioria já saiba do mote da série: em um mundo pós apocalíptico, há um sonho coletivo, ir para uma sociedade alternativa, um oasis em meio a todo o caos. O lugar se chama Maralto e a medicina é super avançada. Rola todo um estereótipo primeiro mundista, pessoas ~ civilizadas (como odeio essa palavra) ~, construções lindas, ordem e progresso (expressão não meramente ilustrativa e ilusória).

Anualmente, há um processo seletivo para adentrar ao Maralto. Na transição da adolescência para a idade adulta, aos 20 anos, você pode participar, ou melhor, você tem a chance de participar do Processo (agora com letra maiúscula). Como a sociedade pós apocalíptica é o antagonismo do Maralto, rola o estereótipo de uma sociedade esculhambada, mais ou menos o que a gente vive hoje, porém, um pouco mais olho por olho, dente por dente. Sem muitas condições básicas de sobrevivência, diria melhor.

 
3porcento
 

Claro que nesse momento você já faz comparações mil com Jogos Vorazes, Divergente, até mesmo Maze Runner, pelo mote, claro. A série passa pela parte filosófica da construção do herói, que, pessoalmente, eu adoro, por mais que seja uma fórmula tão repetida diversas vezes, mas enfim, sou uma ~ aficcionada ~ em ~ ficção ~ científica. E olha que isso é bem construído. Há uma parte com testes e é muitíssimo interessante,  as locações foram bem escolhidas, não são extremamente futuristas e bem acabadas mas passou muito bem.

O interessante é que, apesar de não ser muito subjetivo, o mote da série faz uma grande alusão à meritocracia na nossa sociedade brasileira (e por que não, mundial, se saindo do eurocentrismo e Estados Unidos?) e isso eu achei que fez a diferença. É praticamente desenhado para o espectador como é estar numa sociedade meritocrática, para uma minoria. A representatividade na série é a mais incrível, no núcleo principal temos mulheres brancas e negras, cadeirante, muitas pessoas negras na série no geral, pessoas de vários lugares do Brasil, sotaques diferentes e uma realidade só, passar por um processo injusto em que só 3% de milhares de pessoas poderão ~ ascender socialmente ~, ou, ter acesso ao Maralto.

 
[caption id="attachment_12654" align="aligncenter" width="700"]screen-shot-2016-11-27-at-19-22-59 Viviane Porto, Rihanna brasileira <3 ~[/caption]  

Agora, é impossível passar batido pelos pontos baixos (e põe baixos nisso) da série. Há muitíssimos problemas de execução, direção e figurino, todos são muito fracos. Meu companheiro é figurinista e não quis assistir mais a partir do segundo capítulo. Eu respeito.

Não sou especialista no assunto e fiquei muitíssimo incomodada. Em peças teatrais de escolas, já vi figurinos muito melhores e mais trabalhados no sentido de, não serem tão clichê em se tratando de roupas que denotam pobreza, por exemplo. Senti vergonha alheia. Parece que quem fez o figurino está em uma bolha muito isolada. :(

Nas roupas das pessoas do Maralto, há uma abertura no braço, para mostrar a marca de uma vacina. Na abertura da roupa, não havia acabamento algum. Você vê claramente que cortaram a peça de roupa e não deram acabamento. Dá para ver os fiapos sem costura. Uó.

A atuação de atores incríveis que já conhecemos ficou super engessada, sem uma fluidez. Foi incômodo. Era notável que a direção e preparação dos atores não estava boa, sendo muito eufemista. Ainda assim, durante a narrativa, eu esqueci completamente dessa atuação arrastada, na minha cabeça, depois de uns 3 ou 4 episódios, virou uma chavinha e virou uma linguagem. Parou de incomodar. Porém, o figurino incomodou até o final.

 
3-porcento-netflix-faltoufoco
 

A série não só deu o que falar depois que foi lançada, não. Antes mesmo da estreia, ainda na seleção de atores, a empresa que foi contratada para fazer a seleção foi extremamente racista e por isso desligada do projeto. Infelizmente, pelo que pude averiguar, ninguém deu parte na polícia. Confiram o caso clicando aqui.

Pra não terminar a resenha falando das partes ruins da série, gostaria de elogiar muito a escolha da trilha sonora, que não é nada mais, nada menos que A Mulher do Fim do Mundo, de Elza Soares, rainha da porra toda.

 

 

No final, até que não dei tanto spoiler, vai? Falei sobre o mote e as minhas impressões boas e ruins sobre as partes técnicas da série. Espero que para a próxima temporada, leiam bastante as críticas e reformulem algumas coisas porque 3% tem absolutamente tudo para dar (mais) certo. Agora, é preciso sim falar um pouco sobre o final da série. QUE FINAL FOI ESSE, BRASEEL? Joanna rainha da porra toda (sei que repeti, mas é merecido, sim), estou aguardando ansiosamente a segunda temporada. Caso você já esteja com saudade, pode conferir o episódio piloto, disponível no YouTube, pode deixar que eu deixo aqui pra você! ;)

 

 

Mais de Bárbara Gondar

O filme Coherence e o Teste Bechdel

Provavelmente eu só vá fazer resenhas de filmes que passem no Teste Bechdel porque não sou obrigada, hahaha. Senão vou ficar falando mal do filme o tempo todo e acho que ninguém curte só ler crítica ruim, né? Se você não sabe o que é o teste Bechdel, hoje é um ótimo dia pra saber! Alison Bechdel é uma escritora e quadrinista estadunidense, e quando ela fazia a tirinha Dykes for Watch Out For, ela apresentou o teste por uma de suas personagens, então para um filme passar, são necessários três requisitos bem básicos:

 

1) O filme precisa ter duas personagens mulheres
que tenham nomes (e não sejam figurantes).
2) Que essas duas personagens falem uma com a outra.
3) E que o assunto seja sobre QUALQUER COISA
que não seja sobre homens.

 

Teste Bechdel

Daí você vai me dizer, nossa Bárbara, que idiota, só isso? SIM SÓ ISSO, e muitos filmes não passam, acredite em mim, a maioria não passa. Rolam listas na internet dizendo os filmes que passam e os que foram reprovados, você pode se surpreender sozinhos em vossa casa. Nem a Pixar fica fora disso, é assustador!

Mas, hoje eu vou falar sobre um filme que passa no teste com louvor, é o filme Sci-Fi Coherence. Eu sou uma eterna apaixonada por filmes Sci-Fi, de verdade. Assisto 2001 uma Odisséia no Espaço todo natal porque meu pai é ateu e esse é nosso ritual de final de ano. Então no meu facebook, perguntei a uns amigos se eles indicavam algum filme Sci-Fi super bom e esse foi um dos que me indicaram.

O mote é o seguinte, há um jantar entre amigos e durante o jantar, alguém menciona que naquele momento, um cometa x está passando bem perto da Terra. Algumas histórias sobre interferência dos astros e cometas nos comportamentos humanos são falados na conversa e de repente rola um apagão. PÂNICO NO LAGO. Hahaha. Enfim, a trama é bem interessante, apesar de muito usada, que é a de conhecer as reais personalidades em situações de alto estresse emocional, mas continua valendo a pena.

Eu não piro muito em câmera na mão se não for pra um efeito muito específico de primeira pessoa (e não por muito tempo também), acho que já passou essa moda. É muito primeira década dos anos dois mil demais, Bruxa de Blair, Cloverfield, Rec, Distrito 9, Atividade Paranormal, Encontros Imediatos de Quarto Grau (quase cagay na calça), etc. Rola esse recurso mas não atrapalha.

A trilha sonora é legal, nada muito chamativa, na real, no trailer dá pra sacar mais qual é a onda. Há muitas propagandas dizendo que é o melhor filme de Sci-Fi dos últimos tempos, eu não sei se concordo com isso, aliás, não concordo com isso não, mas é um bom filme, sem dúvidas. Acho que não posso falar muito mais sobre porque Sci-Fi, se você conta uma coisa, você acaba com a graça do filme, então você vai ter que confiar em mim na questão de ser um filme bem interessante. Se resolver ver o filme, me conta o que achou depois, tem no Popcorn Time!

Acho que eu vou começar a dar notas pros filmes, esse merece um 7. Dá uma olhada no trailer e vê se te apetece.

Fatalmente não é um filme feminista por causa da cena das minas se minando, mas o fato de ter uma mulher que é considerada a vilã, quebrando estereótipos de mulher santa, dando espaço pra mulher ser o que ela quiser de forma natural, achei um tesão. O que vocês acharam?

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Claro que nesse momento você já faz comparações mil com Jogos Vorazes, Divergente, até mesmo Maze Runner, pelo mote, claro. A série passa pela parte filosófica da construção do herói, que, pessoalmente, eu adoro, por mais que seja uma fórmula tão repetida diversas vezes, mas enfim, sou uma ~ aficcionada ~ em ~ ficção ~ científica. E olha que isso é bem construído. Há uma parte com testes e é muitíssimo interessante,  as locações foram bem escolhidas, não são extremamente futuristas e bem acabadas mas passou muito bem.

O interessante é que, apesar de não ser muito subjetivo, o mote da série faz uma grande alusão à meritocracia na nossa sociedade brasileira (e por que não, mundial, se saindo do eurocentrismo e Estados Unidos?) e isso eu achei que fez a diferença. É praticamente desenhado para o espectador como é estar numa sociedade meritocrática, para uma minoria. A representatividade na série é a mais incrível, no núcleo principal temos mulheres brancas e negras, cadeirante, muitas pessoas negras na série no geral, pessoas de vários lugares do Brasil, sotaques diferentes e uma realidade só, passar por um processo injusto em que só 3% de milhares de pessoas poderão ~ ascender socialmente ~, ou, ter acesso ao Maralto.

 

 

Agora, é impossível passar batido pelos pontos baixos (e põe baixos nisso) da série. Há muitíssimos problemas de execução, direção e figurino, todos são muito fracos. Meu companheiro é figurinista e não quis assistir mais a partir do segundo capítulo. Eu respeito.

Não sou especialista no assunto e fiquei muitíssimo incomodada. Em peças teatrais de escolas, já vi figurinos muito melhores e mais trabalhados no sentido de, não serem tão clichê em se tratando de roupas que denotam pobreza, por exemplo. Senti vergonha alheia. Parece que quem fez o figurino está em uma bolha muito isolada. :(

Nas roupas das pessoas do Maralto, há uma abertura no braço, para mostrar a marca de uma vacina. Na abertura da roupa, não havia acabamento algum. Você vê claramente que cortaram a peça de roupa e não deram acabamento. Dá para ver os fiapos sem costura. Uó.

A atuação de atores incríveis que já conhecemos ficou super engessada, sem uma fluidez. Foi incômodo. Era notável que a direção e preparação dos atores não estava boa, sendo muito eufemista. Ainda assim, durante a narrativa, eu esqueci completamente dessa atuação arrastada, na minha cabeça, depois de uns 3 ou 4 episódios, virou uma chavinha e virou uma linguagem. Parou de incomodar. Porém, o figurino incomodou até o final.

 
3-porcento-netflix-faltoufoco
 

A série não só deu o que falar depois que foi lançada, não. Antes mesmo da estreia, ainda na seleção de atores, a empresa que foi contratada para fazer a seleção foi extremamente racista e por isso desligada do projeto. Infelizmente, pelo que pude averiguar, ninguém deu parte na polícia. Confiram o caso clicando aqui.

Pra não terminar a resenha falando das partes ruins da série, gostaria de elogiar muito a escolha da trilha sonora, que não é nada mais, nada menos que A Mulher do Fim do Mundo, de Elza Soares, rainha da porra toda.

 

 

No final, até que não dei tanto spoiler, vai? Falei sobre o mote e as minhas impressões boas e ruins sobre as partes técnicas da série. Espero que para a próxima temporada, leiam bastante as críticas e reformulem algumas coisas porque 3% tem absolutamente tudo para dar (mais) certo. Agora, é preciso sim falar um pouco sobre o final da série. QUE FINAL FOI ESSE, BRASEEL? Joanna rainha da porra toda (sei que repeti, mas é merecido, sim), estou aguardando ansiosamente a segunda temporada. Caso você já esteja com saudade, pode conferir o episódio piloto, disponível no YouTube, pode deixar que eu deixo aqui pra você! ;)

 

 

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