Autoestima delirante: uma brincadeira do amor

Ilustração feita com exclusividade por Malu Risi
Muito melhor que "verdade ou desafio", vai por mim

Sabe aqueles dias em que a gente tá na bad, ou simplesmente sem muita vontade de viver? Calma! Fica calma. É possível transformar um dia cinza (Dória ®) em um dia especial com uma rodada de AUTOESTIMA DELIRANTE. A ideia dessa brincadeira é estimular a autoestima delirante que há em cada umx de nós.

Com as redes sociais, estamos constantemente nos comparando e nos diminuindo emrelação aos outros – mesmo que de maneira insconsciente. “Eu podia estar saindo mais, podia estar mais magra, podia estar mais feliz, podia estar mais serena, podia estar comendo nesses lugares incríveis…”. Enfim, é muito fácil se deixar consumir pelas cobranças que nós mesmas nos colocamos, e assim também é fácil a gente se aceitar e lembrar das coisas boas que fazem parte de nós. Essa brincadeira fala sobre como ter uma postura positiva, ficar satisfeita – ou pelo menos tentar – consigo mesma, se sentir bem em relação ao próprio corpo, às capacidades e ter respeito próprio.

No reveillón de 2015 para 2016, eu viajei com um grupo de amigos para Praia Vermelha, em Ubatuba (SP). Por um milagre do destino, conseguimos juntar um grupo muito próximo e agregar mil pessoas incríveis – mentira, eram só umas 16. rs. Enfim, nessa viagem cósmica, nós criamos uma brincadeira linda. Estávamos sentados na varanda em uma mesa redonda quando nossa amiga Nani chegou para falar qualquer coisa e alguém a elogiou. Outra pessoa também fez um elogio e ela – cheia de embaraço bem humorado – brincou que ia sair e voltar de novo pra receber mais elogios. Resolvemos que ela não precisava sair e voltar, bastava a roda de elogios seguir.

Cada uma das pessoas ali fez um elogio real e sincero sobre ela. E isso foi lindo. Não era rasgação de seda, era chuva de confete gratuita. Mesmo quem não a conhecia tão bem, disse, por exemplo, o que tinha achado bacana nela logo que a conheceu. E isso também foi muito especial. Tudo que a pessoa elogiada precisa fazer é aceitar os elogios, o que também pode ser bem difícil. Ninguém está habituado a isso. Tenho uma amiga que sempre que elogio a roupa dela, por exemplo, ela brinca dizendo que foi super barata. Me parece um artifício inconsciente de tirá-la do foco e já emendar em uma conversa sobre pechinchas e moda e como tá tudo cara nesse Brasil. Não caio. Digo apenas “ô the monia, aceita o elogio, caramba”. Ela ri e fala “tem razão. Obrigada”.

E um dos aspectos mais legais da brincadeira é justamente isso, ajudar as pessoas a aprenderem a aceitar elogio. Pedi para algumas amigas que participaram me contarem o que sentiram durante e depois da auto-estima delirante.

“Eu lembro da sensação de olhar pras pessoas que eu não conhecia ali e me desafiar a dizer algo bom sobre elas pra ajudar a quebrar o gelo e a gente se entrosar melhor. Mais do que ouvir os elogios, pra mim foi mais legal o ato de elogiar, ter que olhar nos olhos da pessoa e dizer algo verdadeiro e positivo sobre ela, que tivesse me tocado de alguma forma. Todo mundo saiu dali movido, foi uma maneira incrível de começar a viagem.” – Nina Grando, ovelha-mãe

“Ela faz as pessoas enxergarem coisas boas em si mesmas. Coisas que, às vezes, ela não sabia que os outros viam.” – Luiza Paschoalick, redatora

“A gente se sente livre e tranquilo para elogiar os outros também. Quando você vê alguém elogiando ou contando uma história sobre alguma coisa positiva que um amigo fez pelo outro, sente vontade de compartilhar também. É tipo um efeito manada de positividade. Além de que ouvir as coisas positivas que você fez por alguém ou características que os outros acham louváveis em vc é sensacional. É só encarar o lance de ser elogiado. Saber ouvir quietinha as coisas incríveis que os outros tem para falar de você, também é uma doidera.” – Julia Rodrigues, fotógrafa

“É muito foda quando as pessoas todas concordam com uma característica massa sua que você talvez nem considerasse ser tão forte.” – Bee Grandinetti, animadora

“Eu gostei porque quando terminou tava todo mundo no maior nível de felicidade conjunta e plena. E todos leves!” – Nani Rodrigues, videomaker e o estopim da auto-estima delirante
 


 
[infobox maintitle="Como jogar" subtitle="Uma brincadeira que vai encher a sala de amor e deixar
todo mundo com uma Autoestima Delirante" bg="red" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]  

  1. Junte um grupo de amigos queridos e agregados
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  3. Escolha uma pessoa para ser a primeira a ser elogiada. Se o povo tiver sem graça, pode girar uma garrafa pra escolher a primeira pessoa. A bunda da garrafa elogia e a boca aponta pra pessoa a ser elogiada.
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  5. Os elogios podem ser simples do tipo “você é muito linda ou adoro o seu senso de humor”, mas também pode conter pequenos relatos: “Adorei quando teve um dia em que eu tava triste e você me ligou e me chamou pra tomar um sorvete e foi uma companhia leve e atenciosa, me fez muito bem, obrigada”. Não tem regra. Elogia do jeito que seu coração mandar. Mas seja sincero, não vale ser poliana nem rasgar seda. Tem que ser de verdade.
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  7. A primeira pessoa escolhida deve ser elogiada por todos os participantes da roda. É só seguir a ordem. Isso é bom porque tem gente que às vezes não sabe direito elogiar alguém e tenta fugir, mas o legal da brincadeira é justamente todo mundo falar. Receber elogio é difícil, mas para algumas pessoas elogiar também pode ser. Mas eu também gosto de deixar que elogios espontâneos aconteçam. Alguém que já elogiou, se quiser, pode elogiar ou contar outro relato a qualquer momento.
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  9. A brincadeira termina quando todos os participantes tiverem passado por uma rodada de elogios.
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E aí? Curtiu a ideia? Depois de brincar, conta aqui nos comentários como foi! ;)

 

 

Mais de Anna Crô

Rihanna é capa da Vanity Fair de outubro

Enquanto o novo álbum da Rihanna não vem, a gente se contenta com ela na capa da edição de novembro da Vanity Fair.

As fotos lindas da galeria foram feitas pela Annie Leibovitz em Havana, Cuba. Na entrevista, a cantora de 27 anos falou sobre vários assuntos como o vestido transparente cravejado de isvaróvisquis que ela usou na CFDA e sobre o conturbado relacionamento com Chris Brown. Lembra dele? Pois é, nem eu… Depois que ele a agrediu, deixei de acompanhar porque, né, não vi necessidade em celebrar artista que bate em mulher.

Ela – que ficou chati com o fim de Breaking Bad e que ama Bates Motel – também comentou sobre como as coisas são distorcidas e como seria divertido viver de acordo com a reputação que tem. Por outro lado, disse estar sempre preocupada em saber se as pessoas têm boas ou más intenções. E quem não está, RiRi?

Leia alguns trechos traduzidos:

Sobre o vestido

“Eu queria usar algo que parecesse flutuar sobre mim”, disse à jornalista Lisa Robinson. “Mas depois daquilo, pensei, OK, não dá pra gente fazer isso de novo por um tempinho. Sem mamilos, sem sexy shit, ou vai parecer chamariz. Aquela noite foi como um último berro. Eu decidi dar um tempo daquilo e usar roupas”.

Sobre relacionamentos

“Eu não tenho feito sexo ou saído com ninguém”, diz. “Não quero acordar no dia seguinte me sentindo culpada . Quer dizer, eu sinto tesão, sou humana, sou mulher, quero fazer sexo. Mas o que vou fazer? Achar o primeiro cara gato que acho que vai ser um ótimo programa pra noite e amanhã me sentir vazia e oca?”

(…)

“É solitário”, diz. “mas eu trabalho tanto que me distraio. Não tenho tempo para me sentir só. E fico com medo de relacionamentos porque me sinto culpada em querer que alguém seja completamente fiel e leal, quando eu não consigo dar nem 10% da atenção que eles precisam. É apenas a realidade do meu tempo, da minha vida, da minha agenda”.

falar sobre o assunto e dizer uma vez, 200 vezes, é como … Eu tenho que ser punida? Não me sinto bem com isso

Sobre Cris Brown

No ano passado, Rihanna foi puxada de volta pra história do abuso depois de um caso de um jogador de futebol americano que acabou sobrando pra ela. A NFL optou por não tocar a música Run This Town – parceria com Jay Z e Kanye West – durante um jogo por achar que seria uma “distração”. No Twitter, ela respondeu na época: “Vocês estão me punindo por algo que aconteceu com Ray Rice?”.

Lisa pergunta se Rihanna acha que sempre será um exemplo para vítimas de abuso doméstico. “Bem, eu simplesmente nunca entendi isso”, diz ela, “a forma como a vítima é punida mais e mais. Está no passado, e eu não quero dizer ‘Supere isso’, porque é uma coisa muito séria que ainda é relevante; ainda é real. Um monte de mulheres, um monte de jovens meninas, ainda estão passando por isso. Um monte de meninos também. Não é um assunto para varrer para debaixo do tapete, então eu não posso simplesmente rejeitá-lo como se não fosse nada, ou não levar a sério. Mas, para mim, e qualquer um que tenha sido vítima de abuso doméstico, ninguém quer nem lembrar. Ninguém sequer quer admitir. Então, falar sobre o assunto e dizer uma vez, 200 vezes, é como … Eu tenho que ser punida? Não me sinto bem com isso. ”

“Sempre vejo o melhor nas pessoas”, comenta. “Eu espero o melhor, e eu sempre procuro por aquela pouca bondade, aquele pontecial, e espero que desabroche. Você quer que eles se sintam bem sendo homem, mas agora os homens têm medo de ser homens. Eles acham que ser um homem de verdade é na verdade ser frouxo (being a pussy)*, que puxar a cadeira para uma mulher, ou ser gentil ou até mesmo carinhoso com sua garota na frente dos broder, você é menos homem por isso. Isso é doente. Eles não são cavalheiros porque isso faz com que eles pareçam fracos. É com isso que estamos lidando agora, cem por cento, e as meninas estão se acomodando com isso, mas eu não vou. Vou esperar para sempre se for preciso … mas OK. Você tem que ser ferrado várias vezes para aprender, mas agora eu estou esperando por mais do que esses caras podem realmente dar.”

Leia a entrevista original em inglês

*Nota da editora – Deixo aqui minha demanda para que se mude a conotação da expressão “being a pussy”.

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