Assista: Miss Sharon Jones!

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Filme acompanha a batalha da cantora de soul e R&B contra o câncer de pâncreas

Miss Sharon Jones!, documentário de 2015 dirigido por Barbara Kopple, faz um recorte tão belo e sensível do momento em que a cantora de soul descobriu que sofria de câncer de pâncreas em 2013. Ela morreu em novembro de 2016 aos 60 anos. É um documentário que precisa ser visto principalmente por quem nunca ouviu falar em Sharon Jones.

O filme começa ao apresentar um pouco da história dela. “Escura demais, baixa demais para ser artista”, era o que Sharon Jones ouvia toda vez que tentava ingressar no meio musical.

Antes de ser descoberta pela Daptone Records (gravadora que também descobriu meu outro ídolo, Charles Bradley) nos anos 1990, quando já tinha mais de 40 anos, Sharon Jones trabalhou como agente penitenciária na Ilha Rikers, em Nova York, e fazia os vocais de apoio de cantores como Lee Fields.

Seu primeiro álbum, Dap Dippin’ with Sharon Jones and the Dap-Kings, foi lançado em 2002, e junto com a banda The Dap-Kings fez shows pelo mundo todo.

Até que em 2013 foi obrigada a dar uma pausa na carreira após receber o diagnóstico de um câncer no ducto colédoco, que faz parte do sistema digestivo, mesma doença que matou sua mãe em 2011.

Seu empresário, que pareceu ser uma pessoa bem querida, conta que os olhos dela estavam ficando amarelados e ela estava perdendo muito peso quando descobriram sobre a doença.

O filme mostra Sharon Jones raspando seu cabelo pela primeira vez e chorando muito, com um olhar vazio e parado, como já estivesse prevendo tudo o que estava por vir. Chorei muitíssimo com essa cena.

Mas cinco minutos depois Sharon já está alto astral novamente, como ela sempre foi muito agitada e amigável com todos. Ela começa a experimentar perucas, mas a verdade é que ficava linda apenas careca também.

O documentário traz cenas bem íntimas do cotidiano de Sharon após descobrir a doença: ela pintava quadros para aliviar um pouco a mente; seus amigos e parceiros de banda sempre muito atenciosos com a situação toda e preocupados em não sobrecarregar sua agenda; o apoio dos fãs, que lotaram seus shows quando ela voltou após estar “curada” da doença.

A relação com seu médico e todo o procedimento da quimioterapia também foram registrados. São momentos em que a fraqueza de seu corpo, enojado pelos remédios, briga com a força que ela tinha de querer fazer uma apresentação perfeita e dançar loucamente no palco.

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Sharon Jones ainda voltou ao Brasil em 2015 na turnê do seu sexto disco, Give the people what they want, lançado em 2014.

Aqui alguns vídeos dessa cantora e mulher maravilhosa que foi Sharon Jones:

 

Miss Sharon Jones! pode ser visto na Netflix e você pode ouvir tudo da Sharon Jones & Dap-Kings no Spotify.

Mais de Letícia Mendes

Nova série favorita: The Affair

Ovelha | The Affair, primeira temporada
Gosto muito de série que bagunça a cabeça. “The Affair”, que estreou nos EUA em outubro, faz isso com você, embaralhando todas suas ideias. Simplesmente porque não dá para confiar na história que é contada. O formato é o seguinte: todos os episódios são divididos em duas partes, sendo metade para a versão do Noah e a outra parte para a de Alison sobre o caso extraconjugal deles.

Noah (Dominic West) é um professor e escritor meio charmoso, casado com uma mulher rica com quem tem quatro filhos. Alison (Ruth Wilson) trabalha como garçonete e é casada com Cole (Joshua Jackson), que é dono de um rancho. O casal, cujo filho de quatro anos morreu afogado, mora nos Hamptons, área de casas de veraneio perto de Nova York, onde Noah e a família vão passar as férias.

the affair
Isso é o que dá para garantir da história. O resto, como Noah e Alison se conheceram, o “approach”, e como a traição vai se desenrolar é contado de formas bem diferentes pelos dois a um delegado de polícia. Nos dias atuais, eles são interrogados separadamente por conta da investigação da morte de um dos personagens (o que lembra um pouco outra série maravilhosa, “True Detective”)!

Resta a você escolher em quem acreditar, baseando-se nesses flashbacks. Confesso que fico sempre do lado da Alison. As lembranças dela parecem muito mais verdadeiras do que as dele. Por exemplo, Noah sempre fala de Alison com umas sacadas até  machistas, como “eu quero estar no comando na hora de trepar”, e ela acaba parecendo uma tarada sexual por ele em algumas cenas, do tipo “me come agora”. A versão dela de si mesma é bem reservada, com ele se aproximando na maioria das vezes.

Além de tudo isso, “The Affair” tem uma abertura belíssima, com a canção “Container”, da Fiona Apple (Clique aqui para ver). Fico arrepiada só de ouvir. Ah, boa notícia: teremos segunda temporada!

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