A violência nos namoros de atrizes pornô

Stoya e James Deen, em cena.

A atriz pornô Stoya postou recentemente dois Tweets que diziam explicitamente que seu ex-namorado, o celebrado ator pornô James Deen, a tinha estuprado. Pra quem não conhece, Stoya e Deen são duas figuras populares do pornô mainstream atual, não só para os seus filmes, mas também por contribuírem em publicações relacionadas a sexo, desmistificando alguns preconceitos sobre a pornografia.

 


 
Traduzindo livremente: “Aquele momento em que você entra na internet por um segundo e vê as pessoas idolatrando o cara que te estuprou como uma feminista. É uma merda.”

“James Deen me segurou e me fodeu enquanto eu falava não, pare, usando até a minha palavra de segurança. Eu não posso simplesmente acenar e sorrir quando as pessoas trazem ele à tona.”

 
Os tweets de Stoya rapidamente repercutiram na internet. A atriz ganhou o apoio da produtora pornô Joanna Angel, via Twitter. Além disso, a editora-chefe do The Frisky, revista para qual James Deen tem escrito sua coluna, chamada “What Would James Deen Do?” (O que James Deen faria?), anunciou que vai encerrar sua parceria com o ator na publicação, além de dar todo o apoio à atriz via Twitter.

Diferente do que está rolando atualmente na campanha #meuamigosecreto, que incentiva as mulheres a denunciarem as diversas situações de abuso, machismo e violência sem apontar nomes, Stoya não titubeou e disse com todas as letras quem foi o homem que a violentou. A denúncia pública da Stoya mostrou não só sua coragem de expor o que sofreu como também de expor publicamente seu agressor, sem medo das consequências. Porque por mais que a partir daí venham entrevistas e um processo, ela sabe que foi o certo a ser feito.

 
[caption id="attachment_8031" align="aligncenter" width="644"]James Deen e Stoya James Deen e Stoya[/caption]  
Deen ganhou fama por seu trabalho na indústria de filmes adultos, anunciado como o galã da indústria pornô, com muitas fãs do sexo feminino. Ele rotulou a si mesmo como feminista (é, pois é) em entrevistas anteriores, tendo dito que “no final do dia, eu desejo que todos tenham o respeito que eles merecem e que respeitem as liberdades e os direitos civis das pessoas.”

Essa denúncia feita pela Stoya é seríssima, pois não só expôs uma celebridade sem medo para que ela sofra a consequência de seu ato como também ajuda a lançar mais luz sobre a importância do consentimento durante todo o momento do sexo. O fato de Deen ter ignorado a palavra de segurança de sua parceira é alarmante, especialmente para um ator que lida com a natureza do consentimento no seu trabalho! Mesmo se o consentimento foi dado inicialmente, se a pessoa pede para parar e isso não for respeitado, conta como estupro. Stoya é uma mulher feminista e defensora dos direitos dos trabalhadores do sexo e não pode ser ignorada.
 

Atrizes pornôs são comumente violentadas fora das câmeras pelos homens que amam

Não podemos esquecer da também recente e terrível história do que aconteceu com a atriz pornô Christy Mack, que foi estuprada e espancada pelo lutador de MMA Jonathan Koppenhaver, mais conhecido por War Machine (Máquina de Guerra).

 
[caption id="attachment_8027" align="aligncenter" width="641"]A atriz Christy Mack e seus pitbulls A atriz Christy Mack e seus pitbulls[/caption]  
Em uma audiência, o advogado do lutador, Brandon Sua, chegou a dizer que seu cliente era inocente (!) e afirmou o pior dos absurdos: que não há como estuprar uma atriz pornô. “Não haveria como estuprar Christy por ela ser uma atriz pornô e gostar de sexo violento”, disse o advogado.

O absurdo desse caso não pára por aí. O lutador riu da situação e não demonstrou nenhum tipo de arrependimento. Ele ainda mandou um beijo para a promotora que cuidava do caso, Jacqueline Bluth, durante a audiência. O estuprador e lutador foi acusado de 34 crimes, incluindo estupro, sequestro e tentativa de assassinato da ex-namorada.

Este ano, Christy Mack falou à HBO Sports sobre a condenação do lutador. Depois de tudo que ele fez e de quase tê-la matado, ele só vai pegar até 5 anos de prisão, não os 20 anos que a atriz esperava. O mais triste disso? “Assim que ele for solto, ele vai me matar”, disse Christy.

Não é porque a mulher escolhe se prostituir, virar atriz pornô ou usar mini-saia que ela “merece” o estupro. Ninguém merece ser estuprada. Ninguém.

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As famosas que querem mudar o mundo

A década de 2010 está sendo muito gloriosa para a história do feminismo. O movimento começou a colher bons frutos a partir do uso das redes sociais, que possibilitou dar voz às mulheres que uniram forças em plataformas como o Twitter, Facebook e Tumblr. De lá surgiram milhares de projetos ao redor do mundo: coletivos artísticos, blogs, passeatas, zines, revistas, etc. Mas o movimento começou a atingir o popular de fato com a ajuda do entretenimento.

Nos últimos anos, vimos surgir séries como ‘Girls‘, ‘Orange Is The New Black‘, ‘American Horror Story‘, ‘Bomb Girls‘, ‘The Honorable Woman‘ e ‘Orphan Black‘ – para mencionar apenas algumas –, que apresentam histórias de mulheres reais na tela da TV. Reais, não poderosas, porque como mesmo disse Maggie Gyllenhaal ao receber um Globo de Ouro como melhor atriz em mini-série: “Não temos visto mais papéis de mulheres poderosas na TV – temos visto mais papéis sobre a complexidade do que é ser mulher”.

Quando a Beyoncé subiu no palco do MTV Video Music Awards em frente ao painel luminoso que trazia em letras garrafais a tão temida palavra, “FEMINISM”, entoando o discurso da escritora nigeriana Chimamanda Adichie que abre sua canção Flawless, ela estava marcando o início do reconhecimento e apoio da indústria pop dessa revolução feita por mulheres há tantos séculos.

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E isso foi apenas o início. O discurso da Emma Watson, que aconteceu logo em seguida na sede da ONU, lançou a campanha HeForShe, que conclama os homens a apoiar a igualdade de gênero, já que isso traz benefícios para ambos os lados. E, apesar dessas iniciativas não serem revolucionárias e terem levantado muitas críticas entre feministas, não podemos descartar sua importância. Principalmente pelo impacto gerado entre as celebridades. Aliás, os discursos de agradecimento das vencedoras do Globo de Ouro desse ano são um exemplo disso.

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Porém, este mundo dos homens não facilita: ainda em pleno início de 2015 vimos Ava DuVernay, diretora do filme ‘Selma‘, não ganhar seu lugar merecido na disputa do Oscar. Isso deixou mais do que claro a mensagem enviada pela grande maioria dos diretores da Academia (homens brancos): que ela, sendo mulher e negra, não merece crédito por seu próprio filme.

Mas para minha alegria mal virou o ano e já me deparei com diversas iniciativas vindas de outras famosas de Hollywood que resolveram usaram seu poder de influência e talento para provocar mudanças pelas mulheres – principalmente na participação das mesmas na cultura e indústria do entretenimento.

Resolvi listar algumas iniciativas vindas de celebridades – sim, algumas, porque muito provavelmente vou deixar de fora coisas muito incríveis que simplesmente não lembrei de mencionar – que mal surgiram e já dão muito orgulho:

Reese Witherspoon

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Depois de ver seis das suas atrizes favoritas se debaterem por um papel medíocre em um filme, Reese Witherspoon resolveu que já era tempo de arregaçar as mangas para fazer com que mais histórias de mulheres poderosas ganhem um lugar em Hollywood. A produtora da atriz, Pacific Standard, produziu dois grandes filmes escritos por mulheres: ‘Gone Girl‘ (‘Garota Exemplar’, na adaptação para o português), escrito por Gillian Flynn e ‘Wild‘ (‘Livre’, na adaptação para o português), baseado na própria vivência da autora Cheryl Strayed. E parece que vem muito mais por aí.
 

Rashida Jones

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Rashida é conhecida por sua atuação em comédias, especialmente na série americana Parks & Recreation. Porém, ela também mostra um lado sério e comprometido com causas importantes. Um exemplo disso foi sua participação como produtora em um longa documentário, ‘Hot Girls Wanted‘, dirigido por outras duas mulheres: Jill Bauer e Ronna Gradus. O filme que aborda os efeitos da indústria pornô online para jovens mulheres da geração Millennial e teve sua estreia no festival Sundance deste ano.
 

Amy Poehler

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Ano passado a poderosíssima Cate Blanchett sapateou na cara do sexismo ao confrontar o cinegrafista que mostrava seu look da cabeça aos pés durante o tapete vermelho de uma premiação com a pergunta: “vocês também fazem isso com os caras?”. Virou o ano e, com a temporada de premiações, a comediante Amy Poehler resolveu aproveitar a deixa da colega e criou a campanha “Ask Her More” (“pergunte mais a ela”, em tradução livre), na esperança que os reporters perguntem coisas mais interessantes e profundas do que simplesmente “quem você está vestindo?”.

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Um dos aspectos que motivaram a atriz é o fato de que as perguntas feitas às celebridades mulheres sempre são menos elaboradas que as realizadas pelos mesmos repórteres aos homens.

Vale lembrar que a atriz que interpreta a amada Leslie Knope, da série Parks and Recreation (e, portanto, colega da nossa amiga aqui em cima), também é fundadora do projeto Smart Girls, uma comunidade online em encorajar jovens mulheres (seja na idade ou no coração) a serem e fazerem muito mais que as capas de revistas esperam delas.
 

Jill Soloway

2014 Summer TCA Tour Portraits - Day 5

A criadora da premiadíssima série Transparent está fazendo uma série de comédia feminista para a MTV americana. A série, ainda sem título, foca em duas garotas (interpretadas por Ashley Skidmore e Lyle Friedman, do canal #hotmessmoves) que se conhecem durante um acampamento de férias e se tornam melhores amigas depois de serem atingidas por um raio (!). Dez anos depois – com o poder da amizade e da segunda onda do feminismo americano – elas decidem salvar as mulheres do mundo contra o mal. Parece interessante e bem louco. Com os ótimos insights de Jill, tenho certeza que a série não vai fazer feio na TV.
 

Geena Davis

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Geena Davis é uma atriz maravilhosa, mas uma ativista ainda mais incrível. Pra quem não sabe, ela criou há 10 anos atrás o Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia, que apresenta estudos incríveis sobre gênero na indústria do entretenimento. Agora, ela vai lançar o Bentonville Film Festival, um festival de filmes que celebra as mulheres e a diversidade. O festival vai acontecer no início de maio deste ano e é o primeiro que vai garantir a distribuição dos filmes em salas de cinema, televisão, via streaming e varejo. Serão 75 filmes totais, a maioria documentários e independentes.
 

Kate Nash

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Kate Nash é a única do grupo que não faz filmes de Hollywood, a sua praia é música. A ex-ruiva sempre revela novas facetas, surpreendendo seus fãs positivamente a todo o momento. Seu último trabalho, por exemplo, mostra seu lado roqueira, um som totalmente diferente do que quando a conhecemos cantando ‘Foundations’ e ‘Mariella’. E é nesse embalo que ela montou uma banda só de garotas, que chamou carinhosamente de ‘Girl Gang‘. Ela levantou a bandeira do feminismo de vez e resolveu aproveitar sua influência para atingir outras garotas ao redor do mundo com suas mensagem empoderadora: logo no início deste ano ela estreou a ‘Girl Gang TV‘, que traz diversos vídeos feitos por ela e sua gangue que apresentam desde outras bandas de garotas como também vídeos enviados por garotas do mundo todo.

Lembrou de alguma famosa que recentemente fez algo pelas mulheres usando o entretenimento como plataforma? Não deixe de comentar!

(imagens via, via, via, via, via, via, via, via, via)

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That thing where you log in to the internet for a second and see people idolizing the guy who raped you as a feminist. That thing sucks.

— Stoya (@stoya) November 28, 2015


 
Traduzindo livremente: “Aquele momento em que você entra na internet por um segundo e vê as pessoas idolatrando o cara que te estuprou como uma feminista. É uma merda.”

“James Deen me segurou e me fodeu enquanto eu falava não, pare, usando até a minha palavra de segurança. Eu não posso simplesmente acenar e sorrir quando as pessoas trazem ele à tona.”

 
Os tweets de Stoya rapidamente repercutiram na internet. A atriz ganhou o apoio da produtora pornô Joanna Angel, via Twitter. Além disso, a editora-chefe do The Frisky, revista para qual James Deen tem escrito sua coluna, chamada “What Would James Deen Do?” (O que James Deen faria?), anunciou que vai encerrar sua parceria com o ator na publicação, além de dar todo o apoio à atriz via Twitter.

Diferente do que está rolando atualmente na campanha #meuamigosecreto, que incentiva as mulheres a denunciarem as diversas situações de abuso, machismo e violência sem apontar nomes, Stoya não titubeou e disse com todas as letras quem foi o homem que a violentou. A denúncia pública da Stoya mostrou não só sua coragem de expor o que sofreu como também de expor publicamente seu agressor, sem medo das consequências. Porque por mais que a partir daí venham entrevistas e um processo, ela sabe que foi o certo a ser feito.

 

 
Deen ganhou fama por seu trabalho na indústria de filmes adultos, anunciado como o galã da indústria pornô, com muitas fãs do sexo feminino. Ele rotulou a si mesmo como feminista (é, pois é) em entrevistas anteriores, tendo dito que “no final do dia, eu desejo que todos tenham o respeito que eles merecem e que respeitem as liberdades e os direitos civis das pessoas.”

Essa denúncia feita pela Stoya é seríssima, pois não só expôs uma celebridade sem medo para que ela sofra a consequência de seu ato como também ajuda a lançar mais luz sobre a importância do consentimento durante todo o momento do sexo. O fato de Deen ter ignorado a palavra de segurança de sua parceira é alarmante, especialmente para um ator que lida com a natureza do consentimento no seu trabalho! Mesmo se o consentimento foi dado inicialmente, se a pessoa pede para parar e isso não for respeitado, conta como estupro. Stoya é uma mulher feminista e defensora dos direitos dos trabalhadores do sexo e não pode ser ignorada.
 

Atrizes pornôs são comumente violentadas fora das câmeras pelos homens que amam

Não podemos esquecer da também recente e terrível história do que aconteceu com a atriz pornô Christy Mack, que foi estuprada e espancada pelo lutador de MMA Jonathan Koppenhaver, mais conhecido por War Machine (Máquina de Guerra).

 

 
Em uma audiência, o advogado do lutador, Brandon Sua, chegou a dizer que seu cliente era inocente (!) e afirmou o pior dos absurdos: que não há como estuprar uma atriz pornô. “Não haveria como estuprar Christy por ela ser uma atriz pornô e gostar de sexo violento”, disse o advogado.

O absurdo desse caso não pára por aí. O lutador riu da situação e não demonstrou nenhum tipo de arrependimento. Ele ainda mandou um beijo para a promotora que cuidava do caso, Jacqueline Bluth, durante a audiência. O estuprador e lutador foi acusado de 34 crimes, incluindo estupro, sequestro e tentativa de assassinato da ex-namorada.

Este ano, Christy Mack falou à HBO Sports sobre a condenação do lutador. Depois de tudo que ele fez e de quase tê-la matado, ele só vai pegar até 5 anos de prisão, não os 20 anos que a atriz esperava. O mais triste disso? “Assim que ele for solto, ele vai me matar”, disse Christy.

Não é porque a mulher escolhe se prostituir, virar atriz pornô ou usar mini-saia que ela “merece” o estupro. Ninguém merece ser estuprada. Ninguém.

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