O jornal americano “New York Times” divulgou a lista dos livros notáveis deste ano. Dos 100 escolhidos, 52 são escritos por mulheres. Veja a lista completa aqui.
Inclusive, uma coletânea de contos de Clarice Lispector (1920-1977), publicada em julho deste ano nos Estados Unidos com o título “The complete stories”, entrou nessa lista. O jornal diz que “a brasileira foi uma das verdadeiras [vozes] autênticas da literatura latino-americana”. A editora Rocco planeja publicar a versão nacional do livro em abril de 2016.
Tantas mulheres entrarem nessa lista do “New York Times” é uma grande conquista. Ainda é muito difícil ver escritoras serem convidadas para eventos/debates de literatura, como a Festa Literária Internacional de Paraty, e até mesmo receberem prêmios por suas obras. Contudo, a mudança está acontecendo. Tivemos uma jornalista como vencedora do Nobel de Literatura 2015 e duas escritoras ganhando as principais categorias do Prêmio Jabuti. E a hashtag #leiamulheres, criada em 2014 pela britânica Joanna Walsh, continua nos incentivando.
Abaixo, destaco apenas os livros de escritoras escolhidos pelo jornal. Fica a dica de muitas leituras para 2016:
THE BEAUTIFUL BUREAUCRAT, de Helen Phillips
CITIZEN: An American Lyric, de Claudia Rankine
THE COMPLETE STORIES, de Clarice Lispector
THE DOOR, de Magda Szabo
FATES AND FURIES, de Lauren Groff
THE FIFTH SEASON. The Broken Earth: Book One, de N.K. Jemisin
THE FIRST BAD MAN, de Miranda July
FROM THE NEW WORLD: Poems 1976-2014, de Jorie Graham
GOD HELP THE CHILD, de Toni Morrison
HARRIET WOLF’S SEVENTH BOOK OF WONDERS, de Julianna Baggott
THE HOLLOW LAND, de Jane Gardam
HONEYDEW: Stories, de Edith Pearlman
HOW TO BE BOTH, de Ali Smith
THE INCARNATIONS, de Susan Barker
A LITTLE LIFE, de Hanya Yanagihara
THE LOVE OBJECT: Selected Stories, de Edna O’Brien
MAN AT THE HELM, de Nina Stibbe
A MANUAL FOR CLEANING WOMEN: Selected Stories, de Lucia Berlin
THE MARE, de Mary Gaitskill
MISLAID, de Nell Zink
NIGHT AT THE FIESTAS: Stories, de Kirstin Valdez Quade
OUTLINE, de Rachel Cusk
THE STORY OF THE LOST CHILD. Book 4, The Neapolitan Novels: “Maturity, Old Age”, de Elena Ferrante
THE STORY OF MY TEETH, de Valeria Luiselli
THE TURNER HOUSE, de Angela Flournoy
VANESSA AND HER SISTER, de Priya Parmar
THE VISITING PRIVILEGE: New and Collected Stories, de Joy Williams
THE ARGONAUTS, de Maggie Nelson
BECOMING NICOLE: The Transformation of an American Family, de Amy Ellis Nutt
THE CRIME AND THE SILENCE: Confronting the Massacre of Jews in Wartime Jedwabne, de Anna Bikont
DAUGHTERS OF THE SAMURAI: A Journey From East to West and Back, de Janice P. Nimura
THE FOLDED CLOCK: A Diary, de Heidi Julavits
THE GAY REVOLUTION: The Story of the Struggle, de Lillian Faderman
GHETTOSIDE: A True Story of Murder in America, de Jill Leovy
H IS FOR HAWK, de Helen Macdonald
HUNGER MAKES ME A MODERN GIRL: A Memoir, de Carrie Brownstein
THE INVENTION OF NATURE: Alexander Von Humboldt’s New World, de Andrea Wulf
JONAS SALK: A Life, de Charlotte DeCroes Jacobs
LISTENING TO STONE: The Art and Life of Isamu Noguchi, de Hayden Herrera
THE MONOPOLISTS: Obsession, Fury, and the Scandal Behind the World’s Favorite Board Game, de Mary Pilon
NEGROLAND: A Memoir, de Margo Jefferson
THE ODD WOMAN AND THE CITY: A Memoir, de Vivian Gornick
ONE OF US: The Story of Anders Breivik and the Massacre in Norway, de Asne Seierstad
ORDINARY LIGHT: A Memoir, de Tracy K. Smith
THE PRIZE: Who’s in Charge of America’s Schools?, de Dale Russakoff
SPINSTER: Making a Life of One’s Own, de Kate Bolick
SPQR: A History of Ancient Rome, de Mary Beard
STALIN’S DAUGHTER: The Extraordinary and Tumultuous Life of Svetlana Alliluyeva, de Rosemary Sullivan
STRANGERS DROWNING: Grappling With Impossible Idealism, Drastic Choices and the Overpowering Urge to Help, de Larissa MacFarquhar
$2.00 A DAY: Living on Almost Nothing in America, de Kathryn J. Edin and H. Luke Shaefer
THE UNRAVELING: High Hopes and Missed Opportunities in Iraq, de Emma Sky
WITCHES OF AMERICA, de Alex Mar
O jornal americano “New York Times” divulgou a lista dos livros notáveis deste ano. Dos 100 escolhidos, 52 são escritos por mulheres. Veja a lista completa aqui.
Inclusive, uma coletânea de contos de Clarice Lispector (1920-1977), publicada em julho deste ano nos Estados Unidos com o título “The complete stories”, entrou nessa lista. O jornal diz que “a brasileira foi uma das verdadeiras [vozes] autênticas da literatura latino-americana”. A editora Rocco planeja publicar a versão nacional do livro em abril de 2016.
Tantas mulheres entrarem nessa lista do “New York Times” é uma grande conquista. Ainda é muito difícil ver escritoras serem convidadas para eventos/debates de literatura, como a Festa Literária Internacional de Paraty, e até mesmo receberem prêmios por suas obras. Contudo, a mudança está acontecendo. Tivemos uma jornalista como vencedora do Nobel de Literatura 2015 e duas escritoras ganhando as principais categorias do Prêmio Jabuti. E a hashtag #leiamulheres, criada em 2014 pela britânica Joanna Walsh, continua nos incentivando.
Abaixo, destaco apenas os livros de escritoras escolhidos pelo jornal. Fica a dica de muitas leituras para 2016:
THE BEAUTIFUL BUREAUCRAT, de Helen Phillips
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Abaixo, destaco apenas os livros de escritoras escolhidos pelo jornal. Fica a dica de muitas leituras para 2016:
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$2.00 A DAY: Living on Almost Nothing in America, de Kathryn J. Edin and H. Luke Shaefer
THE UNRAVELING: High Hopes and Missed Opportunities in Iraq, de Emma Sky
WITCHES OF AMERICA, de Alex Mar
É coisa de deuses e infantes – o berço de grandes obras de arte, filosofia e ciência. O hábito de não fazer nada é super importante para o nosso bem-estar individual e cultural, no entanto, parece estar morrendo em nossa era digitalizada.
Longe de ser preguiça, a ociosidade adequada é o pilar da alma. Antes de planejarmos ou amarmos ou decidirmos ou agirmos ou contarmos histórias, nós somos ociosos. Antes de aprendermos, nós assistimos. Antes de agirmos, nós sonhamos. Antes de brincarmos, nós imaginamos. A mente ociosa está acordada, mas sem restrições, livre para deslizar sem amarras de ideia a ideia ou desviar da teoria potencial à verdade potencial. Tomás de Aquino argumentou que “é necessário para a perfeição da sociedade humana que haja pessoas que dediquem suas vidas à contemplação.”
O verdadeiro ócio é uma habilidade perdida? Quantas vezes nós nos sentamos, serenamente desocupadas? Quantas vezes nós caminhamos, como Henry David Thoreau aconselhou, sem agenda ou destino, presentes e livres? Que visão incomum: um indivíduo solitário, sua cabeça não enterrada em um jornal ou laptop ou telefone, simplesmente sentado – sua mente bem afastada.
Sete anos atrás, eu morava em um apartamento sem conexão com a internet. Eu tinha um telefone celular flip que só funcionava para fazer chamadas e enviar mensagens de texto de 40 caracteres. Sem a distração da internet ou a opção de assistir a um filme, eu certamente era mais produtiva, de acordo com certas medidas. Uma mente que deriva em um mar de sua própria fabricação é muito mais interessante do que uma mente seguindo uma trilha de hiperlinks. Mas o que me parece uma perda maior – quando eu comparo esses anos com agora – é todo o tempo que gastei fazendo “nada”. O meu quarto tinha uma vista do terceiro andar para uma rua movimentada no centro. Era pequeno, e a cama ficava empurrada contra a janela. Tenho certeza de que as horas que passei olhando pela janela somaram semanas de tempo. Eu assisti à nada e nada. Eu (ocasionalmente) fumava cigarros e bebia café… dois hábitos que, embora pouco saudáveis para o corpo, tinham, em determinadas circunstâncias, benefícios para a alma.
A produtividade não é a única medida de tempo bem gasto. Algumas das inovações e invenções científicas mais importantes aconteceram “em cima da hora”, não planejadas, após anos de improdutividade intrigante, vagarosa. Meu filho de cinco meses de idade entende isso intuitivamente. Ele vai aprender toda uma linguagem e como fazer para sentar, levantar, engatinhar e andar na maioria das vezes fazendo o que, para um adulto, seria parecido com “nada”.
Estou convencida de que o tempo gasto com o ócio ajuda a um estado saudável da mente. Queremos menos e estamos mais em paz quando conseguimos isso. Nós dormimos melhor e trabalhamos mais. As coisas mais simples nos trazem alegria. Quando nós diariamente observamos as nossas imediações, estamos mais fundamentados em nosso contexto, mais sintonizados com os ritmos de qualquer estação ou lugar em que nos encontramos.
Além disso, as formas mutantes das nuvens precisam de nossa atenção.
Texto de Nikaela Marie Peters, publicado originalmente na revista “Kinfolk”, traduzido por Letícia Mendes.
Inclusive, uma coletânea de contos de Clarice Lispector (1920-1977), publicada em julho deste ano nos Estados Unidos com o título “The complete stories”, entrou nessa lista. O jornal diz que “a brasileira foi uma das verdadeiras [vozes] autênticas da literatura latino-americana”. A editora Rocco planeja publicar a versão nacional do livro em abril de 2016.
Tantas mulheres entrarem nessa lista do “New York Times” é uma grande conquista. Ainda é muito difícil ver escritoras serem convidadas para eventos/debates de literatura, como a Festa Literária Internacional de Paraty, e até mesmo receberem prêmios por suas obras. Contudo, a mudança está acontecendo. Tivemos uma jornalista como vencedora do Nobel de Literatura 2015 e duas escritoras ganhando as principais categorias do Prêmio Jabuti. E a hashtag #leiamulheres, criada em 2014 pela britânica Joanna Walsh, continua nos incentivando.
Abaixo, destaco apenas os livros de escritoras escolhidos pelo jornal. Fica a dica de muitas leituras para 2016:
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THE TURNER HOUSE, de Angela Flournoy
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