♪ City Pop Girls ♪

Arte de capa por Bárbara Malagoli (Baby C)
A era de ouro do Japão

Os anos 80 foram muito importantes para o Japão. O fim da guerra colocou o país em uma Bolha Econômica, uma época de muito dinheiro para os japoneses, que deu acesso à tecnologia e luxuosos bens de consumo. Essa era de ouro influenciou toda a cultura pop, especialmente a música. E aí surgiu o City Pop, um gênero musical que mesclava jazz, rock, sintetizadores, e outras muitas referências que vinham da América. O City Pop tem esse nome justamente porque representa essa o progresso do Japão economicamente em um visual urbano e tecnológico que guiava o país para um futuro promissor. Foi uma época glamurosa para a música, com muitos novos artistas (chamados de idol).

“Mas o que um gênero musical da época dos meus pais tem a ver com esse século XXI?”

Internet, bitches! A rede permitiu nossa entrada no túnel do tempo para garimpar e resgatar certas pérolas que ok, muitas vezes não fizeram parte nem da nossa cultura, mas que por isso mesmo se mostram tesouros. O vaporwave, que tem como base o uso de samples de músicas dos anos 70/80, lofi e outras batidas, desenterrou o City Pop (que nunca esteve morto). Pra quem ama as referências do Japão dessa época como um todo, como os animes e mangás clássicos, é um gênero musical que faz muito sentido reviver.

O YouTube é o canal mais incrível para essas descobertas. Mas vou deixar a dica para a melhor fonte de todas: a newsletter City Pop Weekly, criada pelo designer recifense Pedro Nekoi. Foi assim que conhecemos esse gênero incrível. Arigato!

Buscamos apenas as gatinhas que representavam o gênero para montar essa playlist (ainda que muito tristes pois muitas ficaram de fora por não estarem no catálogo do Spotify): Junko Ohashi, Minako Yoshida, Wink, Hitomi Tohyama entre outras lindinhas. Além disso, trouxemos novas artistas que se inspiram no City Pop, como a Asako Toki.
 

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Assine a City Pop Weekly e conheça o trabalho do Pedro Nekoi! Aliás, ele também já fez uma playlist City Pop bem massa no Soundcloud, ouve lá! Arte de capa por Bárbara Malagoli (Baby C).
 

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Filme NSFW: Cam Girlz

A pornografia já é polêmica por si só, mas ela é um assunto ainda mais delicado na luta feminista. Andrea Dworkin, por exemplo, foi um símbolo de luta contra a indústria pornô. E com a Internet e mídias sociais, as mulheres ainda travam uma batalha por respeito e justiça contra ações como o revenge porn (pornografia de vingança), que resultam muitas vezes em feminicídio.

Porém, a geração Millennial encontrou na Internet uma nova maneira de fazer e lidar com a pornografia: as Cam Girls. Diversas garotas, a maioria entre 18 e 25 anos (mas na verdade tem gente de todas as idades), ganham a vida performando atos sexuais filmados ao vivo por elas mesmas, através de suas webcams. Não há um diretor, não há contratos. Elas fazem aquilo que querem fazer e que se sentem à vontade fazendo.

 

 

Essa é a proposta do documentarista e cinegrafista Sean Dunne, que apresenta o relato e dia a dia de diversas dessas mulheres em seu novo documentário, Cam Girlz. O filme não apresenta um ângulo opinativo a partir de entrevistas com especialistas, interferências da sua pessoa na experiência do filme ou mesmo através de uma narração (algo comum ao vermos os documentários de Morgan Spurlock ou de Michael Moore). Os documentários de Dunne são conhecidos por apresentarem uma realidade que fala por si só, através do retrato dos personagens envolvidos naquele universo.

 

 

Em Cam Girlz, são as próprias jovens que apresentam seu mundo e mostram partes da sua rotina, comentando sobre suas percepções de como é protagonizar e viver esse lado da pornografia amadora online.

 

 

Mas ainda há muita discussão a respeito. Outro documentário, que estreou em Sundance este ano, é Hot Girls Wanted (que falamos brevemente sobre aqui), que aborda os efeitos da indústria pornô amadora online para jovens mulheres sob um olhar bastante preocupado. Abaixo, vocês podem ver um vídeo com as diretoras Jill Bauer e Ronna Gradus falando a respeito da experiência de realizar este documentário (infelizmente em inglês, sem legendas):
 

 
Quem conhece o trabalho de Dunne sabe de seu apreço por universos tabus expostos de forma crua. American Juggalo, de 2011, ele retrata a subsociedade dos Juggalos, nome dado aos fãs do grupo de hip hop Insane Clown Posse. Em 2013, ele ganhou o prêmio de Melhor Diretor de Documentário no Tribeca Film Festival por Oxyana. O filme conta a história de uma comunidade devastada por medicamentos prescritos através de retratos íntimos de seus moradores. Com o burburinho que Cam Girlz está fazendo, é provável que Dunne ganhe mais alguns prêmios este ano.
 


 
Se você ficou animada em conferir o doc, saiba que ele já está disponível no Vimeo On Demand. É possível alugar por 5 dólares ou comprar por 13 dólares. Bom filme! (;

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