Pelo direito das garotas no Haiti

Retrato de uma menina durante uma distribuição de alimentos em Porto Príncipe, Haiti. Foto da ONU/Marco Dormino (2008)

A violência contra a mulher é um problema global. E no Haiti, esse fenômeno tem proporções assustadoras. Em julho, o grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF) apontou que a violência sexual contra mulheres e crianças deve ser tratada como uma questão de saúde pública no país.

Segundo um relatório publicado pelo MSF, quatro em cada cinco pessoas que buscaram auxílio médico e psicológico gratuito em uma de suas clínicas haviam sido estupradas. E cerca de metade das vítimas de violência sexual atendidas pelo MSF eram crianças.

É neste cenário que surge a força da haitiana Sophia Pierre-Antoine tem 25 anos e é coordenadora de projetos na YWCA do Haiti. Sophia é feminista e ela trabalha ensinando jovens meninas das áreas mais pobres do Haiti sobre seus direitos. Por causa do seu trabalho com a promoção da igualdade de gênero, Sophia recentemente participou de uma consulta regional da ONU Mulheres e da OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre Juventude, Paz e Segurança.

[caption id="attachment_15503" align="alignnone" width="675"] Sophia Pierre-Antoine. Foto por UN Women[/caption]

A ONU Mulheres publicou um texto super bacana da Sophia em que ela explica como o acesso à informação é um elemento chave para o combate ao machismo. Traduzo:

“Eu sou feminista desde sempre. Nasci em 1991, o ano em que o golpe de Estado aconteceu. Desde então, nós tivemos mais agitações políticas. A instabilidade política do Haiti, junto com a pobreza e a falta de oportunidades, tem tornado nossas vidas ainda mais difíceis. E isso acabou gerando um aumento da violência contra a mulher. No último golpe de Estado de 2004, por exemplo, muitas mulheres que eu conhecia foram sequestradas e assassinadas.

As feministas haitianas falam bastante sobre questões controversas como o aborto, direitos das pessoas LGBTQI e, como resultado disso, nós somos alvo de violência com mais frequência. A sociedade haitiana é muito patriarcal e o mero ato de falar sobre os direitos das mulheres, ou de algo tão simples como a menstruação, é considerado um tabu.

Trabalho com meninas de 6 a 18 anos, elas são provenientes de grupos marginalizados e enfrentam situações difíceis. Nós fornecemos alimentação de segunda a sábado, e às vezes, essa são as únicas refeições que elas recebem.

Realizamos oficinas e conversamos sobre violência de gênero, direitos sexuais e reprodutivos, educação financeira e auto-estima. Muitas das meninas que vêm à nossa organização são sobreviventes [de violência] e precisam de apoio psicossocial. Há muitas coisas a serem desconstruídas: uma garota pode chegar e me dizer que foi estuprada pelo pai. Mas ela também viu sua mãe e sua irmã sendo abusadas, e ela passou a acreditar que esse tipo de violência é normal.

Eu acho que uma grande parte de ser feminista é garantir que as jovens saibam que têm direitos e que têm autonomia; que elas podem dizer não.”


Se você quer saber mais sobre como informação é uma ferramenta para a garantia dos direitos das mulheres, dá uma olhada nessa cartilha da ARTIGO 19. Ela traz referências de estudos e fontes de dados sobre a situação da mulher no Brasil e um guia detalhado sobre como utilizar a Lei de Acesso à Informação brasileira para conseguir informações junto a órgãos públicos. ;)
 

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Sad Girls Club: depressão em discussão

Elyse Fox é a criadora do Sad Girls Club (clube das meninas tristes), uma comunidade de mulheres que se reune para discutir saúde mental.

O objetivo de Elyse é destruir o estigma e o tabu que cerca a depressão. Em entrevista para a Broadly, Elyse explica que não quer “sensacionalizar os temas de saúde mental ou depressão” e afirma que a ideia é fazer com que seja “mais normal discutir esses assuntos”. O caminho escolhido por Elyse foi a criação de uma rede (online e presencial) em que garotas pudessem encontrar outras garotas que também lidam com questões de saúde mental.
 

Wait I like the film version better🍋📸 @williamandreholdings

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Em uma conversa com a Teen Vogue, a Elyse conta que durante sua infância ninguém da sua família falava sobre saúde mental, e como consequência, ela tinha muita dificuldade em expressar o que estava sentindo. “Minha família é caribenha e sou parte da primeira geração de pessoas da minha família que nasceu nos EUA. O tópico de saúde mental nunca era discutido na minha casa”, diz Elyse.

Nascida no Brooklyn, a cineasta criou esse projeto pioneiro sobre saúde mental para jovens mulheres depois de lançar seu documentário Conversation with Friends. Em 2016, Elyse saiu de um relacionamento abusivo e o ano acabou sendo um dos mais difíceis para a sua depressão. Como resultado, ela decidiu montar um filme super pessoal sobre sua depressão.
 

 
Depois que o filme foi lançado, muitas meninas começaram a entrar em contato com Elyse, compartilhando suas próprias experiências com depressão. Através dessas interações, a Elyse começou a mapear que tipo de ajuda essas meninas precisavam: muitas delas queriam apenas pessoas para conversar enquanto outras queriam conselhos de como procurar tratamento. Muitas dessas meninas sequer cogitavam procurar terapia porque os preços eram altos demais e durante a correspondência com elas, Elyse indicava profissionais e serviços de atendimento locais.

Pouco a pouco, Elyse teve a ideia de aproximar essas meninas para conversar e criar uma comunidade de discussão sobre saúde mental. Foi assim que ela encontrou Shira Burstein,uma psicóloga disposta a ajudar o projeto.

Ela também criou recentemente um Kickstarter para realizar uma turnê pelos Estados Unidos com seus grupos de apoio às jovens mulheres que sofrem de depressão.

Se você quer saber mais sobre o projeto, dá uma olhada no Instagram da Elyse, no Instagram do Sad Girls Club e nessa entrevista que ela deu pra Teen Vogue:
 

Talking to the founder of Sad Girls Club about Mental Health Awareness.

Posted by Teen Vogue on Wednesday, May 10, 2017

 

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o grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF) apontou que a violência sexual contra mulheres e crianças deve ser tratada como uma questão de saúde pública no país.

Segundo um relatório publicado pelo MSF, quatro em cada cinco pessoas que buscaram auxílio médico e psicológico gratuito em uma de suas clínicas haviam sido estupradas. E cerca de metade das vítimas de violência sexual atendidas pelo MSF eram crianças.

É neste cenário que surge a força da haitiana Sophia Pierre-Antoine tem 25 anos e é coordenadora de projetos na YWCA do Haiti. Sophia é feminista e ela trabalha ensinando jovens meninas das áreas mais pobres do Haiti sobre seus direitos. Por causa do seu trabalho com a promoção da igualdade de gênero, Sophia recentemente participou de uma consulta regional da ONU Mulheres e da OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre Juventude, Paz e Segurança.

A ONU Mulheres publicou um texto super bacana da Sophia em que ela explica como o acesso à informação é um elemento chave para o combate ao machismo. Traduzo:

“Eu sou feminista desde sempre. Nasci em 1991, o ano em que o golpe de Estado aconteceu. Desde então, nós tivemos mais agitações políticas. A instabilidade política do Haiti, junto com a pobreza e a falta de oportunidades, tem tornado nossas vidas ainda mais difíceis. E isso acabou gerando um aumento da violência contra a mulher. No último golpe de Estado de 2004, por exemplo, muitas mulheres que eu conhecia foram sequestradas e assassinadas.

As feministas haitianas falam bastante sobre questões controversas como o aborto, direitos das pessoas LGBTQI e, como resultado disso, nós somos alvo de violência com mais frequência. A sociedade haitiana é muito patriarcal e o mero ato de falar sobre os direitos das mulheres, ou de algo tão simples como a menstruação, é considerado um tabu.

Trabalho com meninas de 6 a 18 anos, elas são provenientes de grupos marginalizados e enfrentam situações difíceis. Nós fornecemos alimentação de segunda a sábado, e às vezes, essa são as únicas refeições que elas recebem.

Realizamos oficinas e conversamos sobre violência de gênero, direitos sexuais e reprodutivos, educação financeira e auto-estima. Muitas das meninas que vêm à nossa organização são sobreviventes [de violência] e precisam de apoio psicossocial. Há muitas coisas a serem desconstruídas: uma garota pode chegar e me dizer que foi estuprada pelo pai. Mas ela também viu sua mãe e sua irmã sendo abusadas, e ela passou a acreditar que esse tipo de violência é normal.

Eu acho que uma grande parte de ser feminista é garantir que as jovens saibam que têm direitos e que têm autonomia; que elas podem dizer não.”


Se você quer saber mais sobre como informação é uma ferramenta para a garantia dos direitos das mulheres, dá uma olhada nessa cartilha da ARTIGO 19. Ela traz referências de estudos e fontes de dados sobre a situação da mulher no Brasil e um guia detalhado sobre como utilizar a Lei de Acesso à Informação brasileira para conseguir informações junto a órgãos públicos. ;)
 

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