Quem são os millennials da África do Sul

O Generation Soweto é um documentário que vai falar sobre a vida dos jovens sul-africanos. A Nisa Ahmad idealizou o projeto enquanto viajava pela África do Sul. O filme vai explorar a cultura da geração millennial do país, acompanhando quatro jovens sul-africanos que cresceram após a democratização e o fim do apartheid.

 
generation soweto
 
Gravado em Johannesburgo e na Cidade do Cabo, além de mostrar a situação política e social da África do Sul, o projeto também pretende abordar assuntos como racismo, xenofobia e o processo de gentrificação que vem acontecendo em várias cidades do país.

O Generation Soweto conta com a participação de gente super criativa, como as blogueiras Twiggy e Sedi, do Sleepless in Soweto, e a Neema Nouse.

 
[caption id="attachment_5447" align="alignnone" width="500"]twiggy-sedi As blogueiras de Soweto, Twiggy Moli & Sedi Ramone.[/caption] [caption id="attachment_5452" align="alignnone" width="600"]Neema Nouse, blogueira de Johannesburgo . Neema Nouse, blogueira de Johannesburgo.[/caption]  
A produção do Generation Soweto ainda não acabou, por isso tá rolando uma campanha no IndieGogo para arrecadar dinheiro e finalizar esse projeto super legal.


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Das raízes às pontas

Das Raízes às Pontas é um documentário sobre afirmação da negritude através do cabelo natural.  O curta-metragem, com roteiro de Débora Tatiana e Hugo Lins, foi produzido pelo Estúdio Cajuína em parceria com a Leni Audiovisual. Entrevistamos a Flora Egécia (diretora), a Bianca Novais (diretora de arte) e o Rodrigo de Oliveira (diretor de fotografia) do Estúdio Cajuína para saber mais sobre esse projeto incrível.
 

Ovelha: Como começou o projeto “Das Raízes às Pontas”? Quem produziu? Quem idealizou? Quem escreveu? Onde foi gravado?

Estúdio Cajuína: O projeto começou com a percepção de uma dos roteiristas, professora da rede pública de ensino do Distrito Federal onde o preconceito é latente e várias crianças alisam o cabelo desde muito pequenas. O documentário foi concebido pelo Estúdio Cajuína – somos um coletivo de design, fotografia e audiovisual – e produzido em parceria com a Leni Audiovisual. O roteiro foi escrito por Débora Tatiana e Hugo Lins e as gravações foram feitas em vários locais de Brasília e nos ambientes cotidianos da Luísa, personagem principal, no Recanto das Emas, Gama e Taguatinga.
 

Temos visto cada vez mais gente falando sobre cabelo natural e optando pelo cabelo natural, mas isso ainda é muito incipiente, muito novo. Queria que vocês falassem um pouco do significado político por trás de uma escolha estética como cabelo. Como vocês enxergam o cabelo natural? Qual o papel do cabelo natural na identidade racial de uma pessoa?

Os papel dos cabelos vai muito além da questão estética, eles estão associados à afirmação social e conexão com as nossas origens, além de ter uma relevância muito grande na construção da auto-estima. Acreditamos que a valorização do cabelo natural é também uma forma de resistência política, considerando que o cabelo é rejeitado em diversos ambientes, nos meios de expressão e comunicação – que criam e influenciam nossos desejos e relações sociais.

 
cajuina
 

Em geral, o debate sobre transição capilar é muito centrado em mulheres, o que é compreensível, afinal a indústria capilar todinha está centrada em mulheres. Mas o documentário de vocês fala também da experiência de homens negros, certo? Será que vocês poderiam falar um pouco sobre a experiência do homem negro com cabelo natural?

A trajetória do homem negro com seus cabelos desde a infância é carregada de traumas e opressão. É costumeiro estimular os meninos a rasparem a cabeça, adiando o primeiro encontro com a textura natural do cabelo, que muitas vezes ocorre apenas na vida adulta. O homem negro já é marginalizado em diversos contextos e reforçando a sua origem através de um penteado ele pode se sentir mais vulnerável. É uma relação tensa que muitas vezes reflete na construção da identidade das mulheres a sua volta, como esposa e filhas.

 
Divulgação Das Raízes às Pontas_Foto Janine Moraes
 

Sendo uma mulher negra, sei que o ambiente escolar acaba sendo palco de muito racismo, por isso queria que vocês comentassem um pouco da decisão de gravarem em escolas e também de como foi essa experiência.

O meio escolar é de fato muito opressor até mesmo para crianças que recebem uma educação afirmativa e positiva em relação a sua negritude em casa. Na concepção do filme foram objeto de estudo o tratamento que os negros recebem e percebem no meio educacional e o papel da escola no processo de auto-reconhecimento.

Optamos por realizar as gravações uma escola pública do Distrito Federal com uma direção que preza pela inclusão do ensino da história afro-brasileira e que através de aulas e dinâmicas reforça o empoderamento nas crianças. Não é comum encontrar nas escolas diretores ou professores interessados em aplicar a lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da História Afro-Brasileira e Africana nas escolas, mas o objetivo do filme é valorizar as construções positivas em torno do assunto e por esse motivo escolhemos uma escola com dinâmicas afirmativas, expondo seus resultados. Algumas dinâmicas foram registradas, assim como depoimentos.
 

Vocês gravaram com a Ellen Oléria, uma pessoa que é super importante em termos de representatividade da mulher negra, e que também tem se posicionado contra o racismo de forma bem bacana. Como foi essa conversa?

A importância de entrevistar uma artista é analisar a importância da representatividade. A experiência da criança negra com a mídia é frustrante e desastrosa, ela se vê pouco representada na televisão, no entretenimento e nos brinquedos. Nos raros momentos em que alguma representação ocorre é em um papel que reforça uma única história que é contada na escola sobre a nossa cultura: a escravidão. Seja o artista negro atuando no papel de escravo ou empregada doméstica.

Dentre os negros em ascensão na mídia é mais incomum ainda vê-los usando o cabelo natural. Quando uma artista como a Ellen Oléria alcança tamanha repercussão ela representa grande parte das mulheres negras do Brasil com os traços largos, a pele e os fios crespos. A Ellen foge de diversos padrões e inspira mulheres que raramente conseguem se ver em um artista, em um penteado, em uma propaganda de produtos de cabelo, em uma imagem positiva. #

 
ellen
 

O lançamento do Das Raízes às Pontas será em Brasília, no segundo semestre de 2015. Além da exibição, o lançamento contará com uma exposição. A data será divulgada na página do documentário.

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Nisa Ahmad idealizou o projeto enquanto viajava pela África do Sul. O filme vai explorar a cultura da geração millennial do país, acompanhando quatro jovens sul-africanos que cresceram após a democratização e o fim do apartheid.

 
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Gravado em Johannesburgo e na Cidade do Cabo, além de mostrar a situação política e social da África do Sul, o projeto também pretende abordar assuntos como racismo, xenofobia e o processo de gentrificação que vem acontecendo em várias cidades do país.

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A produção do Generation Soweto ainda não acabou, por isso tá rolando uma campanha no IndieGogo para arrecadar dinheiro e finalizar esse projeto super legal.


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Nisa Ahmad idealizou o projeto enquanto viajava pela África do Sul. O filme vai explorar a cultura da geração millennial do país, acompanhando quatro jovens sul-africanos que cresceram após a democratização e o fim do apartheid.

 
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