E se Hermione Granger fosse negra?

Quem leu os livros de Harry Potter sabe que a cor da pele de Hermione Granger, personagem que é a melhor amiga do bruxo que dá nome à saga e também a bruxa mais esperta de sua idade, nunca foi definida pela autora J.K. Rowling.

Sem questionar o trabalho de Emma Watson na pele da bruxa (que é excelente, diga-se de passagem), muitos fãs já imaginaram como seria ainda mais representativo para uma personagem tão poderosa que ela fosse, também, uma mulher negra.

Tem até algumas ilustrações lindas colocando a personagem com esta característica rodando pela internet.

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Mas agora não precisamos mais imaginar, porque Hermione pode ser negra sim!

Foram divulgados os atores protagonistas da peça de teatro “Harry Potter and the Cursed Child” (“Harry Potter e a criança amaldiçoada”), que é uma história escrita por J.K. dando continuidade ao último livro “As Relíquias da Morte”. A atriz Noma Dumezweni interpretará Hermione 19 anos depois do fim da saga principal. Harry será vivido por Jamie Parker e Paul Thornley será Ron.

Nascida em 1969 na Suazilândia, um pequeno país localizado na África Austral, Noma vive em Londres desde que chegou como refugiada e onde se tornou uma atriz de teatro premiada, além de fazer cinema.

[caption id="attachment_8236" align="aligncenter" width="606"]Paul Thornley, Noma Dumezweni e Jamie Parker (foto de Simon Annand) Os atores Paul Thornley, Noma Dumezweni e Jamie Parker
(foto de Simon Annand)[/caption]

Embora estudos comprovem que leitores de Harry Potter acabam se tornando pessoas mais tolerantes em função dos debates sobre inclusão que a série traz, a reação de alguns “fãs” na internet é bem decepcionante.

Alguns deles estão indignados com a escolha do casting da peça, sustentando a imagem da Hermione de Emma Watson e batendo o martelo de que a personagem deveria ser branca também na continuação da história.

Pois J.K. Rowling já se declarou sobre isso. E, se a autora disse, tá falado!

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Transição Capilar: Nosso cabelo importa

Por muito tempo o alisamento para cabelos cacheados e crepos foi visto como uma “solução” para características que os acompanham e que são consideradas negativas para uma sociedade racista, que faz de tudo para anular o esforço de qualquer pessoa para escapar de suas amarras e gostos estereotipados. Mas se você notar uma grande movimentação de mulheres assumindo suas raízes e andando por aí com suas coroas volumosas, saiba que não é moda. É a nossa nova alternativa para estas imposições estéticas: empoderamento e transição capilar.

Somos muitas, e todas já protagonizamos ao menos um episódio de preconceito contra nossos cabelos que derruba nossa auto estima e nos fez querer mudar, seja por um dia, seja de forma “definitiva”. Tudo porque uma maioria – e nós inclusas – aprendemos que aquele padrão eurocêntrico é o ideal para nossa aparência.

Quantas vezes você que tem esse tipo de cabelo teve que escovar até prende-lo rente a raiz? Enche-lo de creme para reduzir o volume? Escovar “só para sair” e participar de alguma festa ou evento? Até que finalmente você desiste: se rende a química de alisamento.

O “arrumado”, o “bonito”, e o aceitável é o liso da capa de revista ou da mocinha da novela, sempre foi e ainda é. Os produtos nas prateleiras das lojas de cosméticos mais comuns são para cabelos lisos ou alisados, tamanha a quantidade de mulheres que vivem submetidas a estes processos.

Quando resolvi que não alisaria mais o meu cabelo e assumiria a forma natural dele, não pensei inicialmente na mudança estética que isso me traria, reforçando a minha auto-estima e me fazendo me reconhecer como uma mulher negra e me orgulhar disso. Menos ainda a importância política do ato. A minha primeira motivação na verdade foi parar de gastar dinheiro e horas no salão.

Depois de 11 meses sem alisar com química, eu ainda não tinha alcançado meu objetivo, continuava tendo que fazer chapinha para controlar a bagunça de dois tipos de cabelo na cabeça.

Pesquisando sobre possíveis alternativas, descobri a transição capilar, que é praticamente o que eu estava fazendo: deixar a sua raiz natural crescer até poder fazer o Big Chop, o grande corte que remove todas as partes com química do cabelo, também chamado de BC – muitas mulheres preferem até ficar carecas e começar do zero. A novidade que encontrei naqueles espaços online era que algumas, ao contrário de mim, usavam produtos, técnicas e cronogramas de cuidados, para reativar os cachos e o volume mais rapidamente.

Se o mundo não nos dá representatividade, nós buscamos por ela e assumimos essa responsabilidade.

Ver tantas de nós (como disse, somos muitas) em grupos especializados na internet buscando alternativas para voltar ao seus cabelos naturais, assumir sua identidade e sua beleza real sem se basear no que as revistas ditam a elas me encorajou. Maior ainda foi vê-las encorajando umas as outras, e perceber que a transição capilar era algo real e acontecendo com tantas ao meu redor.

Me fez perceber que mesmo que a sociedade, a mídia e a indústria nos imponham padrões de estética, se uma mulher resiste a eles e luta pelo seu direito de ser ela mesma, outras terão a mesma força, e terão também sua auto-estima reconstruída. Se o mundo não nos dá representatividade, nós buscamos por ela e assumimos essa responsabilidade.

E a partir de hoje eu estarei aqui no Ovelha com essa missão. Porque nosso cabelo também importa.

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J.K. Rowling.

Sem questionar o trabalho de Emma Watson na pele da bruxa (que é excelente, diga-se de passagem), muitos fãs já imaginaram como seria ainda mais representativo para uma personagem tão poderosa que ela fosse, também, uma mulher negra.

Tem até algumas ilustrações lindas colocando a personagem com esta característica rodando pela internet.

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Mas agora não precisamos mais imaginar, porque Hermione pode ser negra sim!

Foram divulgados os atores protagonistas da peça de teatro “Harry Potter and the Cursed Child” (“Harry Potter e a criança amaldiçoada”), que é uma história escrita por J.K. dando continuidade ao último livro “As Relíquias da Morte”. A atriz Noma Dumezweni interpretará Hermione 19 anos depois do fim da saga principal. Harry será vivido por Jamie Parker e Paul Thornley será Ron.

Nascida em 1969 na Suazilândia, um pequeno país localizado na África Austral, Noma vive em Londres desde que chegou como refugiada e onde se tornou uma atriz de teatro premiada, além de fazer cinema.

Embora estudos comprovem que leitores de Harry Potter acabam se tornando pessoas mais tolerantes em função dos debates sobre inclusão que a série traz, a reação de alguns “fãs” na internet é bem decepcionante.

Alguns deles estão indignados com a escolha do casting da peça, sustentando a imagem da Hermione de Emma Watson e batendo o martelo de que a personagem deveria ser branca também na continuação da história.

Pois J.K. Rowling já se declarou sobre isso. E, se a autora disse, tá falado!

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