Tô vendo uma série no Netflix sobre Isabel de Castilla (as estudante de história pira) e tem uma parte em que uma camponesa é sequestrada por 4 homens que estavam lutando uma guerra de deposição do rei Enrique. Eles a sequestram apenas para estuprá-la, um estupro coletivo. Depois que um deles “acaba” e ela está toda suja de sangue, chorando, humilhada, o próximo vai soltando o cinto e ela consegue alcançar uma faca e aponta. Um deles diz “o que você vai fazer com uma faca contra nós 4?” e ela corta sua própria garganta. Os caras olham a cena meio “ah, que bosta, nosso brinquedinho quebrou”, daí o cara limpa a faca que ela usou pra se matar no próprio vestido da mulher e seguem viagem.
Eu consigo identificar mil questões de como um estupro é apenas uma ferramenta de poder e subordinação, de como estupro não é sexo nem pro agressor! Escolher uma mulher aleatória, ficar com pau duro com alguém desesperado e com medo na sua frente, depois de morta não a querem mais, só vale enquanto está sendo acuada e humilhada. Violam o corpo da mulher sem lhe tirar o vestido, com ela deitada de bruços, poderia ser qualquer coisa, mas escolhem uma mulher para preservar sua masculinidade na frente dos colegas e inferiorizam a mulher fragilizada.
Pessoalmente acredito que seja muito importante mostrar em séries e filmes de cunho histórico não-fictício, como eram os costumes, mostrar como mulheres exerciam seus poderes nas entrelinhas e como eram subordinadas, comportamentos machistas ao extremo, estupros. De modo que isso nos faz reviver um museu de nosso próprio caráter passado e mostrar o que evoluímos e o que ainda temos pra evoluir. Mais memória real e impactante sobre a ditadura no Brasil teria sido muito importante para essa geração de seguidores do Bolsomito (bolsonaro + vômito), por exemplo. Dito isso, sou extremamente contra qualquer cena em série ou filme de caráter fictício e/ou distópico que mostre uma subordinação de uma mulher não condenada pela narrativa e as vezes pior, romantizada. A mostre como inferior e estupro então, nem se fala. Tirar a cultura do estupro de pauta é uma urgência latente.
Sabemos que Game of Thrones é uma série que muitas pessoas gostam e apesar de terem muitas mulheres no poder, fazendo vilãs, mocinhas e mulheres comuns sem os devidos extremos estereótipos, apresenta muitas problematizações no sentido: por que tanto estupro? Estupro corretivo, estupro entre casais, estupro de casamento não consentido, estupro ordenado para punir, etc. Os maiores fãs da série dizem que “na época acontecia essas coisas”, só gostaria de lembrar que não existe essa “época”, é uma série ficcional, de um tempo ficcional, que pode se assemelhar a diversos tempos da nossa linha temporal, porém há cenas não justificáveis. Se a gente quer acabar com a cultura do estupro, seria muito mais interessante promover o empoderamento da mulher do que a subjugação histórica que nós tivemos e ainda temos (de 11 em 11 minutos no Brasil). Boicotar a série ou não é uma opção individual, porém é muito importante reconhecer onde há romantização de estupro e fazer críticas pesadas sobre o tema. Apenas.
Fazendo uma avaliação mais contemporânea, a gente pode também comparar com abusos de autoridade e poder. Micro e macro relações machistas diárias apenas para institucionalizar que há uma hierarquia de poder ainda que técnica e intelectualmente já tenhamos superado isso há séculos. Por que se precisa abusar de alguém quando está em situação vulnerável? Por situação vulnerável podemos listar várias coisas como, sob efeito de álcool, com medo, desmaiada, emocionalmente abalada, diferença gritante de idade, subordinada, crianças e idosos.
Lembrando sempre que homens e mulheres são diferentes biologicamente sim e a força é uma questão que interfere na subordinação da mulher há milênios. É bom lembrar porque feminismo pede igualdade perante a lei e equidade, ou seja, uma equivalência para nos tornarmos iguais perante a sociedade. Como já disse antes, já superamos há séculos essas questões e aqui uma galeria de pinturas da Idade Média para o deleite feminimo empoderador (clique no centro da imagem para ver todas).
Infelizmente, todas nós sabemos que homens próximos (amigos, familiares) e omis (termo de homem de internet que a gente não conhece e faz questão de ser agressivo) sempre nos dizem e repetem: Nem todos os homens. Pessoalmente consigo entender minimamente o porquê eles repetem isso frequentemente. Quando eu descobri que era opressora de mulheres negras e pobres (sou branca e classe média), fiquei muito angustiada e mal, mas nunca questionei isso, pelo contrário. Entendi que eu tenho a cara do opressor e fiz questão de manejar minha militância para as pautas mais urgentes. Muito mais urgentes que as minhas (empatia salva, galeura).
Sei que internalizar e digerir as questões é uma característica minha, mas não é característica da maioria dos homens e omis que foram criados livremente para serem exploradores, dominadores e questionadores. E por que não interpeladores? Interpeladores sim e confortáveis com isso. Já tentei os fazer entender o porquê, mas deixo aqui um trecho de um livro de uma escritora feminista de 1985 que já tinha que lidar com esse argumento.
Sabe o que acontece quando expomos uma situação absurda e o que ouvimos é “nem todo homem”? A situação explanada é altamente relevada. Os sentimentos de mágoa pessoal, por não quererem assumir a cara/frente das opressões milenares de gênero, etnia, classe, etc., tornam-se mais relevantes do que todas essas opressões. O que acontece é que se dá a perpetuação da subordinação das questões femininas e das minorias mais uma vez. Vence o micro machismo diário, vence o egoísmo e fica óbvio do porquê homens não podem ser feministas.
Então chega de feminismo liberal por hoje e eu vou voltar pra minha série porque águas ainda vão rolar e Isabel ainda vai se tornar rainha da porra toda. Desculpem o spoiler.
Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.
Tô vendo uma série no Netflix sobre Isabel de Castilla (as estudante de história pira) e tem uma parte em que uma camponesa é sequestrada por 4 homens que estavam lutando uma guerra de deposição do rei Enrique. Eles a sequestram apenas para estuprá-la, um estupro coletivo. Depois que um deles “acaba” e ela está toda suja de sangue, chorando, humilhada, o próximo vai soltando o cinto e ela consegue alcançar uma faca e aponta. Um deles diz “o que você vai fazer com uma faca contra nós 4?” e ela corta sua própria garganta. Os caras olham a cena meio “ah, que bosta, nosso brinquedinho quebrou”, daí o cara limpa a faca que ela usou pra se matar no próprio vestido da mulher e seguem viagem.
Eu consigo identificar mil questões de como um estupro é apenas uma ferramenta de poder e subordinação, de como estupro não é sexo nem pro agressor! Escolher uma mulher aleatória, ficar com pau duro com alguém desesperado e com medo na sua frente, depois de morta não a querem mais, só vale enquanto está sendo acuada e humilhada. Violam o corpo da mulher sem lhe tirar o vestido, com ela deitada de bruços, poderia ser qualquer coisa, mas escolhem uma mulher para preservar sua masculinidade na frente dos colegas e inferiorizam a mulher fragilizada.
Pessoalmente acredito que seja muito importante mostrar em séries e filmes de cunho histórico não-fictício, como eram os costumes, mostrar como mulheres exerciam seus poderes nas entrelinhas e como eram subordinadas, comportamentos machistas ao extremo, estupros. De modo que isso nos faz reviver um museu de nosso próprio caráter passado e mostrar o que evoluímos e o que ainda temos pra evoluir. Mais memória real e impactante sobre a ditadura no Brasil teria sido muito importante para essa geração de seguidores do Bolsomito (bolsonaro + vômito), por exemplo. Dito isso, sou extremamente contra qualquer cena em série ou filme de caráter fictício e/ou distópico que mostre uma subordinação de uma mulher não condenada pela narrativa e as vezes pior, romantizada. A mostre como inferior e estupro então, nem se fala. Tirar a cultura do estupro de pauta é uma urgência latente.
Sabemos que Game of Thrones é uma série que muitas pessoas gostam e apesar de terem muitas mulheres no poder, fazendo vilãs, mocinhas e mulheres comuns sem os devidos extremos estereótipos, apresenta muitas problematizações no sentido: por que tanto estupro? Estupro corretivo, estupro entre casais, estupro de casamento não consentido, estupro ordenado para punir, etc. Os maiores fãs da série dizem que “na época acontecia essas coisas”, só gostaria de lembrar que não existe essa “época”, é uma série ficcional, de um tempo ficcional, que pode se assemelhar a diversos tempos da nossa linha temporal, porém há cenas não justificáveis. Se a gente quer acabar com a cultura do estupro, seria muito mais interessante promover o empoderamento da mulher do que a subjugação histórica que nós tivemos e ainda temos (de 11 em 11 minutos no Brasil). Boicotar a série ou não é uma opção individual, porém é muito importante reconhecer onde há romantização de estupro e fazer críticas pesadas sobre o tema. Apenas.
Fazendo uma avaliação mais contemporânea, a gente pode também comparar com abusos de autoridade e poder. Micro e macro relações machistas diárias apenas para institucionalizar que há uma hierarquia de poder ainda que técnica e intelectualmente já tenhamos superado isso há séculos. Por que se precisa abusar de alguém quando está em situação vulnerável? Por situação vulnerável podemos listar várias coisas como, sob efeito de álcool, com medo, desmaiada, emocionalmente abalada, diferença gritante de idade, subordinada, crianças e idosos.
Lembrando sempre que homens e mulheres são diferentes biologicamente sim e a força é uma questão que interfere na subordinação da mulher há milênios. É bom lembrar porque feminismo pede igualdade perante a lei e equidade, ou seja, uma equivalência para nos tornarmos iguais perante a sociedade. Como já disse antes, já superamos há séculos essas questões e aqui uma galeria de pinturas da Idade Média para o deleite feminimo empoderador (clique no centro da imagem para ver todas).
Infelizmente, todas nós sabemos que homens próximos (amigos, familiares) e omis (termo de homem de internet que a gente não conhece e faz questão de ser agressivo) sempre nos dizem e repetem: Nem todos os homens. Pessoalmente consigo entender minimamente o porquê eles repetem isso frequentemente. Quando eu descobri que era opressora de mulheres negras e pobres (sou branca e classe média), fiquei muito angustiada e mal, mas nunca questionei isso, pelo contrário. Entendi que eu tenho a cara do opressor e fiz questão de manejar minha militância para as pautas mais urgentes. Muito mais urgentes que as minhas (empatia salva, galeura).
Sei que internalizar e digerir as questões é uma característica minha, mas não é característica da maioria dos homens e omis que foram criados livremente para serem exploradores, dominadores e questionadores. E por que não interpeladores? Interpeladores sim e confortáveis com isso. Já tentei os fazer entender o porquê, mas deixo aqui um trecho de um livro de uma escritora feminista de 1985 que já tinha que lidar com esse argumento.
Sabe o que acontece quando expomos uma situação absurda e o que ouvimos é “nem todo homem”? A situação explanada é altamente relevada. Os sentimentos de mágoa pessoal, por não quererem assumir a cara/frente das opressões milenares de gênero, etnia, classe, etc., tornam-se mais relevantes do que todas essas opressões. O que acontece é que se dá a perpetuação da subordinação das questões femininas e das minorias mais uma vez. Vence o micro machismo diário, vence o egoísmo e fica óbvio do porquê homens não podem ser feministas.
Então chega de feminismo liberal por hoje e eu vou voltar pra minha série porque águas ainda vão rolar e Isabel ainda vai se tornar rainha da porra toda. Desculpem o spoiler.
Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.
Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.
Tô vendo uma série no Netflix sobre Isabel de Castilla (as estudante de história pira) e tem uma parte em que uma camponesa é sequestrada por 4 homens que estavam lutando uma guerra de deposição do rei Enrique. Eles a sequestram apenas para estuprá-la, um estupro coletivo. Depois que um deles “acaba” e ela está toda suja de sangue, chorando, humilhada, o próximo vai soltando o cinto e ela consegue alcançar uma faca e aponta. Um deles diz “o que você vai fazer com uma faca contra nós 4?” e ela corta sua própria garganta. Os caras olham a cena meio “ah, que bosta, nosso brinquedinho quebrou”, daí o cara limpa a faca que ela usou pra se matar no próprio vestido da mulher e seguem viagem.
Eu consigo identificar mil questões de como um estupro é apenas uma ferramenta de poder e subordinação, de como estupro não é sexo nem pro agressor! Escolher uma mulher aleatória, ficar com pau duro com alguém desesperado e com medo na sua frente, depois de morta não a querem mais, só vale enquanto está sendo acuada e humilhada. Violam o corpo da mulher sem lhe tirar o vestido, com ela deitada de bruços, poderia ser qualquer coisa, mas escolhem uma mulher para preservar sua masculinidade na frente dos colegas e inferiorizam a mulher fragilizada.
Pessoalmente acredito que seja muito importante mostrar em séries e filmes de cunho histórico não-fictício, como eram os costumes, mostrar como mulheres exerciam seus poderes nas entrelinhas e como eram subordinadas, comportamentos machistas ao extremo, estupros. De modo que isso nos faz reviver um museu de nosso próprio caráter passado e mostrar o que evoluímos e o que ainda temos pra evoluir. Mais memória real e impactante sobre a ditadura no Brasil teria sido muito importante para essa geração de seguidores do Bolsomito (bolsonaro + vômito), por exemplo. Dito isso, sou extremamente contra qualquer cena em série ou filme de caráter fictício e/ou distópico que mostre uma subordinação de uma mulher não condenada pela narrativa e as vezes pior, romantizada. A mostre como inferior e estupro então, nem se fala. Tirar a cultura do estupro de pauta é uma urgência latente.
Sabemos que Game of Thrones é uma série que muitas pessoas gostam e apesar de terem muitas mulheres no poder, fazendo vilãs, mocinhas e mulheres comuns sem os devidos extremos estereótipos, apresenta muitas problematizações no sentido: por que tanto estupro? Estupro corretivo, estupro entre casais, estupro de casamento não consentido, estupro ordenado para punir, etc. Os maiores fãs da série dizem que “na época acontecia essas coisas”, só gostaria de lembrar que não existe essa “época”, é uma série ficcional, de um tempo ficcional, que pode se assemelhar a diversos tempos da nossa linha temporal, porém há cenas não justificáveis. Se a gente quer acabar com a cultura do estupro, seria muito mais interessante promover o empoderamento da mulher do que a subjugação histórica que nós tivemos e ainda temos (de 11 em 11 minutos no Brasil). Boicotar a série ou não é uma opção individual, porém é muito importante reconhecer onde há romantização de estupro e fazer críticas pesadas sobre o tema. Apenas.
Fazendo uma avaliação mais contemporânea, a gente pode também comparar com abusos de autoridade e poder. Micro e macro relações machistas diárias apenas para institucionalizar que há uma hierarquia de poder ainda que técnica e intelectualmente já tenhamos superado isso há séculos. Por que se precisa abusar de alguém quando está em situação vulnerável? Por situação vulnerável podemos listar várias coisas como, sob efeito de álcool, com medo, desmaiada, emocionalmente abalada, diferença gritante de idade, subordinada, crianças e idosos.
[infobox maintitle="Sobre Vulnerabilidade" subtitle="Vulnerável é algo ou alguém que está suscetível a ser ferido, ofendido ou tocado. Vulnerável significa uma pessoa frágil e incapaz de algum ato.
O termo é geralmente atribuído a mulheres, crianças e idosos, que possuem maior fragilidade perante outros grupos da sociedade. Na sociedade, um indivíduo vulnerável é aquele que possui condições sociais, culturais, políticas, étnicas, econômicas, educacionais e de saúde diferente de outras pessoas, o que resulta em uma situação desigual.
O fato de existirem indivíduos em uma situação vulnerável faz com que exista uma desigualdade na sociedade. Vulnerável é um termo que também está presente no direito penal brasileiro relacionado ao estupro. Estupro de vulnerável é um crime que consta no Código Penal e designa um tipo de violência ao indivíduo vulnerável, por exemplo, crianças e idosos. " bg="pink" color="black" opacity="on" space="30" link="no link" align="left"]
Lembrando sempre que homens e mulheres são diferentes biologicamente sim e a força é uma questão que interfere na subordinação da mulher há milênios. É bom lembrar porque feminismo pede igualdade perante a lei e equidade, ou seja, uma equivalência para nos tornarmos iguais perante a sociedade. Como já disse antes, já superamos há séculos essas questões e aqui uma galeria de pinturas da Idade Média para o deleite feminimo empoderador (clique no centro da imagem para ver todas).
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Infelizmente, todas nós sabemos que homens próximos (amigos, familiares) e omis (termo de homem de internet que a gente não conhece e faz questão de ser agressivo) sempre nos dizem e repetem: Nem todos os homens. Pessoalmente consigo entender minimamente o porquê eles repetem isso frequentemente. Quando eu descobri que era opressora de mulheres negras e pobres (sou branca e classe média), fiquei muito angustiada e mal, mas nunca questionei isso, pelo contrário. Entendi que eu tenho a cara do opressor e fiz questão de manejar minha militância para as pautas mais urgentes. Muito mais urgentes que as minhas (empatia salva, galeura).
Sei que internalizar e digerir as questões é uma característica minha, mas não é característica da maioria dos homens e omis que foram criados livremente para serem exploradores, dominadores e questionadores. E por que não interpeladores? Interpeladores sim e confortáveis com isso. Já tentei os fazer entender o porquê, mas deixo aqui um trecho de um livro de uma escritora feminista de 1985 que já tinha que lidar com esse argumento.
[infobox maintitle="Joana Russ *drops the mic*" subtitle="“... nem todos os homens ganham mais dinheiro do que todas as mulheres, apenas a maioria; nem todos os homens são estupradores, somente alguns; nem todos os homens são assassinos promíscuos, somente alguns; nem todos os homens controlam o Congresso, a Presidência, a polícia, o exército, a indústria, a agricultura, o direito, a ciência, a medicina, a arquitetura, e o governo local, apenas alguns”" bg="pink" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]
Sabe o que acontece quando expomos uma situação absurda e o que ouvimos é “nem todo homem”? A situação explanada é altamente relevada. Os sentimentos de mágoa pessoal, por não quererem assumir a cara/frente das opressões milenares de gênero, etnia, classe, etc., tornam-se mais relevantes do que todas essas opressões. O que acontece é que se dá a perpetuação da subordinação das questões femininas e das minorias mais uma vez. Vence o micro machismo diário, vence o egoísmo e fica óbvio do porquê homens não podem ser feministas.
Então chega de feminismo liberal por hoje e eu vou voltar pra minha série porque águas ainda vão rolar e Isabel ainda vai se tornar rainha da porra toda. Desculpem o spoiler.
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Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.
Em 2015, eu e meu companheiro resolvemos nos mudar pra Espanha e sabíamos que teríamos muitas coisas para resolver. Aos trancos e barrancos, conseguimos, com paciência, meter o pé com o Madiba, a Miel e a Frida. Resolvi fazer um passo a passo didático para as pessoas que também pretendem viajar com seus melhores amigos! Agora vai uma dica riquíssima, comece a se organizar com pelo menos 6 meses de antecedência se você for organizado, uns 5 se não, na moral, ouve o que eu tô te falando, hahaha!
Então bora lá, em ordem de tempo e importância (vou usar o termo ‘mascota’ em espanhol porque é lindo, é unissex e é bem melhor do que ‘bichinho de estimação’ e/ou ‘animal’ que é muito impessoal hahaha) aqui vão os passos da documentação para a maioria dos países da União Européia (vou botar umas fotos aleatórias das minhas mascotas pra vocês conseguirem segurar o textaum):
1. Veterinário
É muito importante e confortável, no sentido de segurança, ter um profissional que acompanhe o processo todo. Caso seu veterinário não estiver apto a fazer todos os processos requeridos, peça para ele uma indicação. É interessante que uma pessoa só acompanhe todos os passos, só pra se organizar melhor mesmo, porque são muitos.
Faça um check up completo para saber se está tudo bem. Caso sua mascota for mais velha, é bom conferir se está em condições de fazer uma viagem de avião. Lembrando que cães e gatos de raças com focinho achatado (branquicéfalos), como pugs, não são permitidos na maioria das companhias em viagens de avião (principalmente no porão) porque o sistema respiratório é debilitado e há grandes riscos de ‘dar ruim’.
2. Microchip
É muito importante que você coloque um microchip no seu animal antes de tudo. É bem micro mesmo, ele é inserido com uma seringa, não se preocupe! Se sua mascota for nova, é importante que você coloque o chip antes da vacina de raiva. Se for mais velha, coloque o chip antes da renovação da vacina de raiva, que é anual. Por quê? Porque colocado o chip, você receberá um certificado de identificação do animal e quando for aplicada a vacina, ela será referente à identificação da mascota. É apenas burocrático, como todo o resto, por isso a ordem das coisas devem ser seguidas!
3. Vacinas
Agora sim, está liberado pra vacinar! As vacinas são as obrigatórias, não se preocupe em dar além disso. Claro que, pode ser que o país que você vá precise de alguma coisa específica, cheque nesse link, mas pra garantir, cheque no site do consulado do país de destino! O importante é que as vacinas sejam feitas por um veterinário particular e não por campanhas públicas, não me pergunte o porquê. Assim que sua mascota tiver tomado a vacina, já marque a próxima consulta para colher a sorologia na primeira data que tiverem depois de 30 dias, segue abaixo o porquê.
4. Sorologia
O que é a sorologia? É um exame de sangue simples, nele vai ser testado se o seu animal, que contém o chip de número x, está com a vacina de raiva ativa em seu sistema.
AGORA PRESTE MUITA ATENÇÃO: a sorologia só pode ser feita no período de um mês (30 dias) depois de ter tomado a vacina de raiva. A vacina precisa de um tempo para ser ativada no sistema do animal, então é preciso que passe esse tempo para que ela apareça no exame. Se você fizer o exame antes, pode ser que ela não apareça e você vai ter que repetir o processo que é demorado e caro! Só vai atrasar mais a sua viagem.
Uma questão pendente: a sorologia era realizada em um único laboratório em São Paulo, o Instituto Pasteur, porém ele não está mais autorizado a atestar a sorologia, então possivelmente o tempo e o preço (que já era demorado por ser o único e caro) devem aumentar. Se atualize com seu veterinário! O teste provavelmente deve estar sendo realizado no laboratório mais perto, que é no Chile, segundo essa fonte.
Eu ainda consegui fazer pelo Instituto Pasteur, foi caro, por volta de R$400,00 e demorou em torno de um mês para o exame voltar para o IEMEV, onde realizei todo o processo. O bom é que a sorologia não precisa ser repetida caso você nunca não atrase a vacina da sua mascota. O que é o melhor a ser feito, já que tenho certeza que ninguém vai querer passar por esse processo chato mais de uma vez, certo?
Depois desse passo você só poderá viajar depois de 3 meses (90 dias) contanto do dia em que o sangue da mascota foi coletado para fazer o exame de sorologia e a data de embarque. É burocracia gente, abaixa a cabeça e segue senão não rola. Muita gente teve que remarcar viagem por causa disso! Posso julgar? Posso, mas vou fazer a glorinha e não opinar.
5. De volta ao Vet
É o penúltimo passo, uhuuuul! Você precisa levar sua mascota com toda a documentação adquirida até agora para o vet. emitir um certificado de sanidade da mascota. É apenas um documento que atesta que sua mascota está apta para viajar, com a saúde top na balada. Lembre-se de tirar esse documento num período de até 3 dias (72 horas) antes de ir ao VIGIAGRO (próximo passo) e até 10 dias antes da sua viagem para ele ser válido, ok?
6. Ministério da Agricultura/VIGIAGRO
Esse passo deve ser feito dentro de 10 dias até a sua viagem. Não pode ser mais do que isso, pode ser no dia anterior (não recomendo, até 2 dias é o recomendado) se você quiser, mas não pode passar de 10 dias.
Cada estado tem uma base do Ministério da Agricultura/ VIGIAGRO, entre nesse sitee descubra onde é a sua. Descobriu? Agora você vai ligar para lá e agendar uma entrevista para levar sua documentação e dar baixa em tudo. A pessoa vai te dar as instruções finais, vai perguntar qual é o país de destino, vai pedir o seu email para te mandar a confirmação do agendamento e também alguns documentos em anexo.
Como os certificados são internacionais, já estão em inglês e espanhol, não é necessário fazer tradução de nenhum documento.
Agora você já tem toda documentação, que seria:
certificado de microchipagem
caderneta das vacinas em dia
teste de sorologia
certificado de sanidade
certificado veterinário internacional
requerimento de ficalização de animais de companhia
Tire duas cópias de tudo, leve a original e as outras duas cópias para o Ministério da Agricultura/ VIGIAGRO. Eu não precisei levar minhas mascotas lá, quando for ligar para agendar a entrevista, pergunte se é necessário! Não é necessário emitir um passaporte do animal, mas você pode emiti-lo se quiser, clique aqui para saber mais. Boa sorte, vai dar tudo certo!
Aqui uma timeline pra ajudar a visualizar o tempo que vai levar. Com o tempo muito apertado, 4/5 meses, rola fazer sim, mas precisa ser bem organizado e esperar que todas as etapas dêem certo!
A partir de agora, você já pode relaxar quanto às burocracias das documentações, esse é o passo a passo que eu fiz com meu compa e deu super certo. Existem empresas que cobram um preço exorbitante para realizar as partes de atestamento de documentação, as partes burocráticas, mas a real é que você pode fazer tudo se estiver disposto e tiver paciência.
Enquanto você estiver nesse processo burocrático para adquirir toda a documentação, há outras coisas que precisam ser resolvidas, debatidas e compradas. Vou colocar elas abaixo numa ordem indiferente de importância, mas vai precisar da sua atenção e pesquisa! Principalmente porque a maioria dessas informações são flutuantes, variam muito.
Onde minha mascota vai viajar?
R: Há duas opções dependendo do tamanho. Ou no porão do avião, ou embaixo do seu assento. Cada companhia aérea tem uma especificação diferente quanto ao tamanho/peso da mascota e há uma diferença brutal entre o tamanho da caixa que pode viajar no porão (maior) e a que pode viajar embaixo do seu assento (bem menor).Não se preocupe com a opção do porão, veja vídeos na internet para saber como e onde a mascota é levada, vou deixar um aqui. O porão tem a mesma climatização da cabine e como eu sabia que estaria nervosa de qualquer forma, achei melhor deixá-los no porão, assim o meu nervosismo não seria passado para eles.Como meu cachorro é médio, ele iria no porão de qualquer jeito, mas eu poderia levar minhas duas gatas comigo na cabine (um animal por pessoa, uma comigo e a outra com meu compa). Acabei desistindo de levá-las comigo por alguns motivos. O tamanho da caixa, não poderia ter nem 30cm de altura, minhas gatas mal poderiam ficar em pé e achei cruel levá-las por tanto tempo (de casa até onde ficaria na Espanha, umas 15 horas). Achei melhor os três irem juntos no porão porque já se conhecem e ficariam juntos, achei que tranquilizaria, mas posso estar viajando nesse motivo. Hahaha.
De qualquer forma, como eu já disse, cada companhia aérea tem sua especificação, então quando pra isso, vamos para o próximo tópico!
Como escolho a companhia aérea?
R: Dentro das opções que você tiver (pra onde for viajar e condições financeiras), entre no site de cada companhia e veja as especificações. Há várias a serem estudadas, como as quais: raças que são e não são transportadas, preço por mascota, tamanho da caixa de transporte, conexões (importante se você não for fazer uma viagem direta, as vezes é preciso pagar a mais), etc.Como eu queria muito pegar um vôo direto para que eles não ficassem tanto tempo no porão, comprei a passagem pela Ibéria. Eles tem um vídeo mostrando como é feito o transporte e tem uma cãzinha modelo, me passou bastante segurança, esse é o importante. Vou deixar aqui! :)Entre tudo o que eu pesquisei, a Lufthansa me pareceu a melhor companhia para fazer o transporte de animais, mas mais uma vez, como esse post é datado, sempre procure as reclamações das companhias e faça a sua escolha pessoal baseado na sua busca e confiança.A Iberia foi bem cuidadosa com a gente. Nem precisamos perguntar dentro do avião se nossas mascotas já tinham embarcado, eles anunciaram para todo o avião que hviam mascotas a bordo! Me tranquilizou muito.Quando for comprar sua passagem para viajar, é preciso que você ligue na companhia para avisar que vai viajar com sua mascota, há um limite de animais por vôo e mais uma vez, esse número varia de companhia para companhia.
Pra onde eu vou precisa do que?
R: A minha experiência foi transportar minhas mascotas para a Espanha que fica dentro da União Européia. A maioria dos países dentro da UE seguem as mesmas regras burocráticas (Inglaterra eu sei que não segue, por exemplo). Se você for pra outro lugar, isso pode ser facilmente checado no site do consulado do país pra onde você está indo (ou aqui). Para alguns países, é necessário que o animal fique numa quarentena, pra esses países, é bom que você comece o processo com bem mais de um ano antes da viagem. Se for o seu caso, sugiro que, se você tiver essa possibilidade, passe esse tempo num país que já tenha erradicado a raiva, assim você não vai precisar deixar sua mascota numa quarentena em um lugar desconhecido e sem você. Portanto, é preciso bastante planejamento!
Qual tipo de caixa eu compro?
R: Há um certificado de caixas para viajar de avião, chama IATA. Mas eu vou dar a letra, há duas opções de marca que pra mim são as melhores, PETMATE e/ou GULLIVER.Para escolher o tamanho da caixa é fácil, normalmente eles fazem pelo peso do cachorro, mas você também pode medir da seguinte forma: seu animal precisa entrar na caixa sem encostar a cabeça no teto e conseguir dar uma volta em torno dele mesmo confortavelmente. Leve ele na loja para testar!Além do tamanho da caixa, há outras especificações, já adianto que é sobre material da caixa ser resistente, ela não pode ter rodinhas, os parafusos precisam ser de metal, as marcas que sugeri seguem essas especificações. Não conferiram absolutamente nada disso quando fui despachar minhas mascotas no aeroporto, mas é melhor prevenir do que remediar.
Uma boa dica, se você puder comprá-las o quanto antes, melhor. Por quê? Porque sua mascota vai poder se acostumar com ela naturalmente. Faça ela ser a caminha, tire a porta ou deixe ela aberta e vá treinando sua mascota a se sentir confortável dentro dela. Enquanto estiver dentro, feche um pouco a porta, se puder fazer pequenas viagens com a mascota dentro da caixa, faça. Vai ser divertido entrar naquela caixa e sair num lugar legal! Quando for viajar, deixe uma peça de roupa sua com seu cheiro para confortar a mascota, principalmente se ela for no porão! <3
Tem que pagar pra levar a mascota?
R: Infelizmente como tudo na vida, sim. Se estiver saindo do Brasil, não é barato. O preço varia, eu tive que pagar U$200 por mascota, foi uma bica. O valor paguei na hora do check in já embarcando, infelizmente esse valor não pode ser parcelado. Insert choro mexicano. Mas dê uma olhada na companhia aérea que você for escolher e confira o preço, fique atento nas conexões, as vezes você precisa pagar a mais caso vá fazê-las.
Minha mascota é branquicéfala (focinho achatado), posso viajar de avião com ela?
R: A primeira pessoa que vai poer responder essa pergunta é o seu veterinário. Pode depender apenas da saúde da sua mascota. De qualquer forma, a maioria das companhias aéreas, no porão, não permitem branquicéfalos. Algumas permitem se levadas na cabine junto com você, é mais um assunto que é necessário que você pesquise no site da companhia, mas não desanime!
Dou remédio para eles viajarem?
R: Minha veterinária recomendou apenas um dramin para meu cachorro que pesa 18kg e nada para as gatas. Se sua mascota estiver acostumada a algum tipo de medicação previamente passada pelo veterinário que já a conheça e recomende, então tudo bem. Muita atenção, não mediquem suas mascotas sem consultar um profissional, é extremamente perigoso!
No dia da viagem, alguma preparação especial?
R: Sim! Canse bastante a mascota, assim poderá dormir bastante durante a viagem. Só dê comida e água até o momento que faltar 5 horas para sair de casa e tenha certeza que sua mascota tenha feito as necessidades antes de partirem para o aeroporto. De qualquer forma, é legal forrar a caixinha com um tapete higiênico, para absorver o xixi caso aconteça!
Bicho, se até agora você não tinha preparado uma pastinha para colocar toda a documentação dentro, agora é a hora. Confira todos os documentos e coloque dentro de uma pasta. Deixe tudo organizado e sempre lembre/confira a data da última vacina de raiva para renová-la e não perder a sorologia. Chegue cedo para fazer o check in, demora para ser feito porque você vai precisar mostrar a documentação, a pessoa que estiver fazendo seu check in vai chamar alguém no rádio para buscar a mascota, então, chegue cedo!
Chegando no destino, como faz?
R: Assim que você chegar no aeroporto, deve ter que caminhar até onde ficam as esteiras para recolher a bagagem. Calma, sua mascota não chega pela esteira, hahaha. Vá até um guichê que esteja no salão e diga que você está aguardando sua mascota que foi despachada e a pessoa deve te indicar onde esperar.No nosso caso, tinham um guichê da própria Ibéria e nos foi informado que dali há alguns minutos nossas mascotas deveriam chegar por um elevador. Ficamos na frente esperando e depois de uns 20 minutos, todos chegaram muito bem.Uma dica, se a caixa da sua mascota for giga, ou se você viaja com mais de uma, como é o nosso caso, já peça um taxi que acomode tudo desde o Brasil. No nosso caso, tivemos que chamar um taxi/van, já que a caixa do Madi era muito grande, não caberíam as malas, as caixas e nós num carro normal!
Passado todo esse período de estresse, chegamos ansiosos ao nosso novo destino e aqui estamos. Todos felizes. Tudo isso se passou no final de dezembro de 2015, chegamos no dia 18, pra mim e Ivan, demasiado frio, para as mascotas, uma delícia! Imaginem, saírem do calor de 40 graus do RJ direto pra um friozinho em que o pêlo deles foi feito para curtir, hahaha.
Espero que as informações tenham sido úteis, tentei resumir mas é muita coisa mesmo, hahaha. É bom que seja bastante coisa, né? Afinal, estamos falando de nossos ‘bichinhos de estimação’, eu não gosto dessa expressão porque não é algo que eu apenas estimo, haha, eles fazem parte da minha família mesmo. Próximos posts são para atualizar como está sendo nossa viagem e como nossas mascotas estão, se é que alguém vai querer saber, né? Hahaha.
Pessoalmente acredito que seja muito importante mostrar em séries e filmes de cunho histórico não-fictício, como eram os costumes, mostrar como mulheres exerciam seus poderes nas entrelinhas e como eram subordinadas, comportamentos machistas ao extremo, estupros. De modo que isso nos faz reviver um museu de nosso próprio caráter passado e mostrar o que evoluímos e o que ainda temos pra evoluir. Mais memória real e impactante sobre a ditadura no Brasil teria sido muito importante para essa geração de seguidores do Bolsomito (bolsonaro + vômito), por exemplo. Dito isso, sou extremamente contra qualquer cena em série ou filme de caráter fictício e/ou distópico que mostre uma subordinação de uma mulher não condenada pela narrativa e as vezes pior, romantizada. A mostre como inferior e estupro então, nem se fala. Tirar a cultura do estupro de pauta é uma urgência latente.
Sabemos que Game of Thrones é uma série que muitas pessoas gostam e apesar de terem muitas mulheres no poder, fazendo vilãs, mocinhas e mulheres comuns sem os devidos extremos estereótipos, apresenta muitas problematizações no sentido: por que tanto estupro? Estupro corretivo, estupro entre casais, estupro de casamento não consentido, estupro ordenado para punir, etc. Os maiores fãs da série dizem que “na época acontecia essas coisas”, só gostaria de lembrar que não existe essa “época”, é uma série ficcional, de um tempo ficcional, que pode se assemelhar a diversos tempos da nossa linha temporal, porém há cenas não justificáveis. Se a gente quer acabar com a cultura do estupro, seria muito mais interessante promover o empoderamento da mulher do que a subjugação histórica que nós tivemos e ainda temos (de 11 em 11 minutos no Brasil). Boicotar a série ou não é uma opção individual, porém é muito importante reconhecer onde há romantização de estupro e fazer críticas pesadas sobre o tema. Apenas.
Fazendo uma avaliação mais contemporânea, a gente pode também comparar com abusos de autoridade e poder. Micro e macro relações machistas diárias apenas para institucionalizar que há uma hierarquia de poder ainda que técnica e intelectualmente já tenhamos superado isso há séculos. Por que se precisa abusar de alguém quando está em situação vulnerável? Por situação vulnerável podemos listar várias coisas como, sob efeito de álcool, com medo, desmaiada, emocionalmente abalada, diferença gritante de idade, subordinada, crianças e idosos.
Lembrando sempre que homens e mulheres são diferentes biologicamente sim e a força é uma questão que interfere na subordinação da mulher há milênios. É bom lembrar porque feminismo pede igualdade perante a lei e equidade, ou seja, uma equivalência para nos tornarmos iguais perante a sociedade. Como já disse antes, já superamos há séculos essas questões e aqui uma galeria de pinturas da Idade Média para o deleite feminimo empoderador (clique no centro da imagem para ver todas).
Infelizmente, todas nós sabemos que homens próximos (amigos, familiares) e omis (termo de homem de internet que a gente não conhece e faz questão de ser agressivo) sempre nos dizem e repetem: Nem todos os homens. Pessoalmente consigo entender minimamente o porquê eles repetem isso frequentemente. Quando eu descobri que era opressora de mulheres negras e pobres (sou branca e classe média), fiquei muito angustiada e mal, mas nunca questionei isso, pelo contrário. Entendi que eu tenho a cara do opressor e fiz questão de manejar minha militância para as pautas mais urgentes. Muito mais urgentes que as minhas (empatia salva, galeura).
Sei que internalizar e digerir as questões é uma característica minha, mas não é característica da maioria dos homens e omis que foram criados livremente para serem exploradores, dominadores e questionadores. E por que não interpeladores? Interpeladores sim e confortáveis com isso. Já tentei os fazer entender o porquê, mas deixo aqui um trecho de um livro de uma escritora feminista de 1985 que já tinha que lidar com esse argumento.
Sabe o que acontece quando expomos uma situação absurda e o que ouvimos é “nem todo homem”? A situação explanada é altamente relevada. Os sentimentos de mágoa pessoal, por não quererem assumir a cara/frente das opressões milenares de gênero, etnia, classe, etc., tornam-se mais relevantes do que todas essas opressões. O que acontece é que se dá a perpetuação da subordinação das questões femininas e das minorias mais uma vez. Vence o micro machismo diário, vence o egoísmo e fica óbvio do porquê homens não podem ser feministas.
Então chega de feminismo liberal por hoje e eu vou voltar pra minha série porque águas ainda vão rolar e Isabel ainda vai se tornar rainha da porra toda. Desculpem o spoiler.
Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.