Dizem que em um certo momento entre os 25 e 26 anos, passamos dos vinte e poucos para os vinte e muitos. Em geral, essa mudança que não tem ritos ou hábitos definidos se faz notar pela comparação com os outros: Os outros que fomos no início dos vinte e anos ou os outros que nos acompanham em nossos círculos sociais e profissionais. É comum – ainda que não seja necessário – que nossas vontades e hábitos mudem quando passamos pelas etapas destinadas a cada faixa etária. Segundo a ordem geral, primeiro nos formamos no colégio, depois faculdade, vida loca, estágio, TCC, primeiro emprego, casamento, maturidade, filhos, estabilidade ou, no mínimo, sucesso. São as linhas gerais que, felizmente, nossa geração começa a desafiar – até porque pra caber nelas é preciso um histórico de inúmeros privilégios. O que eu quero dizer – e esse texto parte de uma pessoa que cumpriu mais ou menos um terço dessa linha de produção – é que uma hora as cobranças sociais ou as vontades pessoais batem um relógio que sussurra diariamente em nossas cabecinhas: você não tem mais idade pra isso.
De repente, seus amigos trocam as festas por uma confortável madrugada com vinho (de um preço que você nem sabia que eles tinham grana pra bancar). De repente, fica chato se perceber repetindo os mesmos programas que você faz desde a época da faculdade. De repente, já tem conhecidos casando, tendo filhos, indo morar fora do país. E de repente bate aquele pavorzinho de ser a última entre os perdidos. Talvez o que diferencie os vinte e poucos dos vinte e muito é justamente a sensação de que agora estamos por conta própria, cada amigo segue um caminho e nos encontramos nas raras horas em que temos ânimo para socializar. Nossos probleminhas de vida jovem adulta não são mesmo tão graves, é o risco da solidão que amarga essas desaventuras. A rotina ser ruim não é tão pesado, difícil mesmo é não ter com quem compartilhar desgraça até transformá-la em piada.
Parceiras Eternas (no original, Life Partners) é um filme dirigido por Susanna Fogel sobre amizade nesse período estranho em que não somos mais jovens, mas também não temos a estabilidade que esperamos dos adultos (porque, na verdade, estamos à beira de descobrir que essa é a maior mentira desde o Papai Noel). Sasha e Paige – interpretadas respectivamente pelas atrizes Leighton Meester e Gillians Jacobs – são melhores amigas que, apesar de serem muito diferentes, compartilham cada momento de seus dias em mensagens e intimidade quase excessivas. Sasha trabalha como recepcionista e, aparentemente, seu sonho é ser música. No entanto, passa os dias entre o tédio do escritório e a frustração com a própria criatividade. Paige é a amiga bem sucedida que trabalha como advogada defendendo causas ambientais. As diferenças profissionais não parecem atrapalhar a amizade, porque as duas são igualmente ruins quando o assunto é maturidade e relacionamentos. Sasha saí com muitas garotas, mas, frequentemente, elas são ex-namoradas de suas amigas ou muito mais jovens e ainda moram com os pais, portanto, o alarme de “não tenho mais idade pra isso” toca alto. Paige, como qualquer garota hétero, tem dificuldade em achar um cara decente, legal e de boa. Além dos fracassos em comum, as amigas compartilham o gosto por programas de TV de qualidade duvidosa, admiração e respeito. É aquele tipo de relacionamento em que a parceria e o carinho são certos, independente do quão diferente sejam os desejos e destinos das pessoas envolvidas.
A trama realmente começa quando a harmonia entre as duas é desequilibrada por um novo componente: Tim (interpretado por um Adam Brody que só fica mais gato com a idade), o cara decente que faltava na vida amorosa de Paige. Conforme ela abre espaço para uma nova pessoa em sua vida, inevitavelmente precisa reduzir o tempo que dedica a sua amizade com Sasha. Mas as duas relutam diante da necessidade de mudar a dinâmica da relação e se embolam no próprio medo. Sasha que já não estava satisfeita com sua vida, se sente muito solitária e perdida. Paige, apesar de ter mais estabilidade profissional e amorosa, é imatura na hora de lidar com tem seus erros e limites, então, surta com as cobranças da amiga. São necessários alguns desencontros, gritos e lágrimas até que elas aprendam a ajustar o relacionamento às novas circunstâncias da vida adulta, mas o final é feliz.
Parceiras Eternas é uma boa escolha pra quem tá com preguiça de ver um filme cabeçudo, mas também não quer ter sua inteligência subestimada. É uma história gostosinha, divertida e fofa. Sem contar que é realmente revitalizante ver um filme sobre mulheres adultas que não seja sobre casamento, maternidade ou sucesso profissional, mas, sim, sobre manter suas amigas como uma de suas prioridades. Tem o selo Ovelha e Teste de Bechdel de aprovação!
Dizem que em um certo momento entre os 25 e 26 anos, passamos dos vinte e poucos para os vinte e muitos. Em geral, essa mudança que não tem ritos ou hábitos definidos se faz notar pela comparação com os outros: Os outros que fomos no início dos vinte e anos ou os outros que nos acompanham em nossos círculos sociais e profissionais. É comum – ainda que não seja necessário – que nossas vontades e hábitos mudem quando passamos pelas etapas destinadas a cada faixa etária. Segundo a ordem geral, primeiro nos formamos no colégio, depois faculdade, vida loca, estágio, TCC, primeiro emprego, casamento, maturidade, filhos, estabilidade ou, no mínimo, sucesso. São as linhas gerais que, felizmente, nossa geração começa a desafiar – até porque pra caber nelas é preciso um histórico de inúmeros privilégios. O que eu quero dizer – e esse texto parte de uma pessoa que cumpriu mais ou menos um terço dessa linha de produção – é que uma hora as cobranças sociais ou as vontades pessoais batem um relógio que sussurra diariamente em nossas cabecinhas: você não tem mais idade pra isso.
De repente, seus amigos trocam as festas por uma confortável madrugada com vinho (de um preço que você nem sabia que eles tinham grana pra bancar). De repente, fica chato se perceber repetindo os mesmos programas que você faz desde a época da faculdade. De repente, já tem conhecidos casando, tendo filhos, indo morar fora do país. E de repente bate aquele pavorzinho de ser a última entre os perdidos. Talvez o que diferencie os vinte e poucos dos vinte e muito é justamente a sensação de que agora estamos por conta própria, cada amigo segue um caminho e nos encontramos nas raras horas em que temos ânimo para socializar. Nossos probleminhas de vida jovem adulta não são mesmo tão graves, é o risco da solidão que amarga essas desaventuras. A rotina ser ruim não é tão pesado, difícil mesmo é não ter com quem compartilhar desgraça até transformá-la em piada.
Parceiras Eternas (no original, Life Partners) é um filme dirigido por Susanna Fogel sobre amizade nesse período estranho em que não somos mais jovens, mas também não temos a estabilidade que esperamos dos adultos (porque, na verdade, estamos à beira de descobrir que essa é a maior mentira desde o Papai Noel). Sasha e Paige – interpretadas respectivamente pelas atrizes Leighton Meester e Gillians Jacobs – são melhores amigas que, apesar de serem muito diferentes, compartilham cada momento de seus dias em mensagens e intimidade quase excessivas. Sasha trabalha como recepcionista e, aparentemente, seu sonho é ser música. No entanto, passa os dias entre o tédio do escritório e a frustração com a própria criatividade. Paige é a amiga bem sucedida que trabalha como advogada defendendo causas ambientais. As diferenças profissionais não parecem atrapalhar a amizade, porque as duas são igualmente ruins quando o assunto é maturidade e relacionamentos. Sasha saí com muitas garotas, mas, frequentemente, elas são ex-namoradas de suas amigas ou muito mais jovens e ainda moram com os pais, portanto, o alarme de “não tenho mais idade pra isso” toca alto. Paige, como qualquer garota hétero, tem dificuldade em achar um cara decente, legal e de boa. Além dos fracassos em comum, as amigas compartilham o gosto por programas de TV de qualidade duvidosa, admiração e respeito. É aquele tipo de relacionamento em que a parceria e o carinho são certos, independente do quão diferente sejam os desejos e destinos das pessoas envolvidas.
A trama realmente começa quando a harmonia entre as duas é desequilibrada por um novo componente: Tim (interpretado por um Adam Brody que só fica mais gato com a idade), o cara decente que faltava na vida amorosa de Paige. Conforme ela abre espaço para uma nova pessoa em sua vida, inevitavelmente precisa reduzir o tempo que dedica a sua amizade com Sasha. Mas as duas relutam diante da necessidade de mudar a dinâmica da relação e se embolam no próprio medo. Sasha que já não estava satisfeita com sua vida, se sente muito solitária e perdida. Paige, apesar de ter mais estabilidade profissional e amorosa, é imatura na hora de lidar com tem seus erros e limites, então, surta com as cobranças da amiga. São necessários alguns desencontros, gritos e lágrimas até que elas aprendam a ajustar o relacionamento às novas circunstâncias da vida adulta, mas o final é feliz.
Parceiras Eternas é uma boa escolha pra quem tá com preguiça de ver um filme cabeçudo, mas também não quer ter sua inteligência subestimada. É uma história gostosinha, divertida e fofa. Sem contar que é realmente revitalizante ver um filme sobre mulheres adultas que não seja sobre casamento, maternidade ou sucesso profissional, mas, sim, sobre manter suas amigas como uma de suas prioridades. Tem o selo Ovelha e Teste de Bechdel de aprovação!
Dizem que em um certo momento entre os 25 e 26 anos, passamos dos vinte e poucos para os vinte e muitos. Em geral, essa mudança que não tem ritos ou hábitos definidos se faz notar pela comparação com os outros: Os outros que fomos no início dos vinte e anos ou os outros que nos acompanham em nossos círculos sociais e profissionais. É comum – ainda que não seja necessário – que nossas vontades e hábitos mudem quando passamos pelas etapas destinadas a cada faixa etária. Segundo a ordem geral, primeiro nos formamos no colégio, depois faculdade, vida loca, estágio, TCC, primeiro emprego, casamento, maturidade, filhos, estabilidade ou, no mínimo, sucesso. São as linhas gerais que, felizmente, nossa geração começa a desafiar – até porque pra caber nelas é preciso um histórico de inúmeros privilégios. O que eu quero dizer – e esse texto parte de uma pessoa que cumpriu mais ou menos um terço dessa linha de produção – é que uma hora as cobranças sociais ou as vontades pessoais batem um relógio que sussurra diariamente em nossas cabecinhas: você não tem mais idade pra isso.
De repente, seus amigos trocam as festas por uma confortável madrugada com vinho (de um preço que você nem sabia que eles tinham grana pra bancar). De repente, fica chato se perceber repetindo os mesmos programas que você faz desde a época da faculdade. De repente, já tem conhecidos casando, tendo filhos, indo morar fora do país. E de repente bate aquele pavorzinho de ser a última entre os perdidos. Talvez o que diferencie os vinte e poucos dos vinte e muito é justamente a sensação de que agora estamos por conta própria, cada amigo segue um caminho e nos encontramos nas raras horas em que temos ânimo para socializar. Nossos probleminhas de vida jovem adulta não são mesmo tão graves, é o risco da solidão que amarga essas desaventuras. A rotina ser ruim não é tão pesado, difícil mesmo é não ter com quem compartilhar desgraça até transformá-la em piada.
Parceiras Eternas (no original, Life Partners) é um filme dirigido por Susanna Fogel sobre amizade nesse período estranho em que não somos mais jovens, mas também não temos a estabilidade que esperamos dos adultos (porque, na verdade, estamos à beira de descobrir que essa é a maior mentira desde o Papai Noel). Sasha e Paige – interpretadas respectivamente pelas atrizes Leighton Meester e Gillians Jacobs – são melhores amigas que, apesar de serem muito diferentes, compartilham cada momento de seus dias em mensagens e intimidade quase excessivas. Sasha trabalha como recepcionista e, aparentemente, seu sonho é ser música. No entanto, passa os dias entre o tédio do escritório e a frustração com a própria criatividade. Paige é a amiga bem sucedida que trabalha como advogada defendendo causas ambientais. As diferenças profissionais não parecem atrapalhar a amizade, porque as duas são igualmente ruins quando o assunto é maturidade e relacionamentos. Sasha saí com muitas garotas, mas, frequentemente, elas são ex-namoradas de suas amigas ou muito mais jovens e ainda moram com os pais, portanto, o alarme de “não tenho mais idade pra isso” toca alto. Paige, como qualquer garota hétero, tem dificuldade em achar um cara decente, legal e de boa. Além dos fracassos em comum, as amigas compartilham o gosto por programas de TV de qualidade duvidosa, admiração e respeito. É aquele tipo de relacionamento em que a parceria e o carinho são certos, independente do quão diferente sejam os desejos e destinos das pessoas envolvidas.
A trama realmente começa quando a harmonia entre as duas é desequilibrada por um novo componente: Tim (interpretado por um Adam Brody que só fica mais gato com a idade), o cara decente que faltava na vida amorosa de Paige. Conforme ela abre espaço para uma nova pessoa em sua vida, inevitavelmente precisa reduzir o tempo que dedica a sua amizade com Sasha. Mas as duas relutam diante da necessidade de mudar a dinâmica da relação e se embolam no próprio medo. Sasha que já não estava satisfeita com sua vida, se sente muito solitária e perdida. Paige, apesar de ter mais estabilidade profissional e amorosa, é imatura na hora de lidar com tem seus erros e limites, então, surta com as cobranças da amiga. São necessários alguns desencontros, gritos e lágrimas até que elas aprendam a ajustar o relacionamento às novas circunstâncias da vida adulta, mas o final é feliz.
Parceiras Eternas é uma boa escolha pra quem tá com preguiça de ver um filme cabeçudo, mas também não quer ter sua inteligência subestimada. É uma história gostosinha, divertida e fofa. Sem contar que é realmente revitalizante ver um filme sobre mulheres adultas que não seja sobre casamento, maternidade ou sucesso profissional, mas, sim, sobre manter suas amigas como uma de suas prioridades. Tem o selo Ovelha e Teste de Bechdel de aprovação!
“… a marcação que caracteriza o tempo do trabalho (de forma desproporcional à oferta efetiva de oportunidades de trabalho) invade cada vez mais a experiência de temporalidade, mesmo nas horas ditas de lazer. Não me refiro ao ócio, essa forma de passar o tempo tão desmoralizada em nossos dias, mas às atividades de lazer, marcadas pela compulsão incansável de produzir resultados, comprovações, efeitos de diversão, que tornam a experiência de produzir resultados, comprovações, efeitos de diversão, que tornam a experiência do tempo de lazer tão cansativa e vazia quanto a do tempo da produção. Nada causa tanto escândalo, em nosso tempo, quanto o tempo vazio. É preciso “aproveitar” o tempo, fazer render a vida, sem preguiça e sem descanso.”
O tempo e o Cão – Maria Rita Kehl
Terça-feira, véspera da minha folga, tenho febre. Não consigo fazer nada além de ficar deitada e imersa no universo do meu celular. Comento em um grupo do whatsapp que é até agradável ficar doente, por que posso fazer nada sem me sentir culpada. Acho que meus amigos vão me julgar, afinal, não fazer algo não é legal e curtir doença é pior ainda. Mas eles entendem a sensação. A verdade é que estamos todos em busca de uma permissão para simplesmente parar ou, no mínimo, uma brecha para escapar de um ritmo sádico. A questão não é o trabalho em si. Sabemos direitinho o que fazer com as horas destinadas aos nossos empregos, difícil mesmo é o que vem depois, as ditas horas livres. Porque, afinal, ninguém quer ser resumido pelo seu trabalho; todos nós temos hobbies, livros de colorir, relacionamentos, eventos, tarefas, vontades e desejos que quase sempre assumem formas imperativas.
No dia da minha folga há tanto a ser feito que só me resta uma ansiedade. Pareço um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Não sei para onde ir e, portanto, acabo no mais confortável dos reinos: o Netflix. No dia seguinte, a ressaca mais insossa, a moral: Por que eu não sei aproveitar meu tempo direito?
Sete horas de trabalho e o corpo mais moído do que o normal. A sensação de um machadinho quicando na nuca se junta ao corpo quente e uns calafrios. Penso que, enfim, chegou minha vez. Depois de vinte e cinco anos de Rio de Janeiro, a dengue bate na porta. Vamos para o hospital com todos os privilégios possíveis, no entanto, as picuinhas pessoais somam-se ao trânsito, à demora, às recepcionistas indiferentes e ao terrível negócio que se transformou a saúde. Passo por etapas como em um video-game. Primeiro, escaneiam meus documentos, uma enfermeira mede minha pressão, depois uma médica faz um rápido exame, tiram meu sangue e pedem para eu esperar. Não há previsão de quanto tempo de espera. Ninguém pergunta se estou bem. Três horas de espera depois faço uma reclamação e escuto: “Senhora, tem gente aqui que está esperando desde às 16 hrs”. Eram 23 hrs e estou até agora me perguntando se isso era para ser um consolo. Nesse ponto já estou treinada para me transformar em uma caricatura que declama o óbvio: Isso é um hospital particular?, eu trabalhei o dia todo, eu estou doente, eu já paguei pelo serviço e não tenho escolha, mas como pode?, é um absurdo!, é culpa….. Ainda bem que não existiam panelas por perto, porque do meu umbigo febril rugia o maior mimimi do mundo. Meia noite, a médica aparece com o resultado dos exames: não era dengue, era virose. Perdi todo esse tempo e nem é algo sério?? Ah, a burocracia e seu poder de nos enfiar em uma lógica perversa. O melhor diagnóstico vira um desperdício. Quase solto “era melhor estar doente de verdade porque aí não teria perdido meu tempo”. Nesse exato momento, uma pontada na cabeça me detém e acho que é meu corpo querendo falar a sua verdade.
Agora, melhor de saúde – não tanto da cabeça – me restam algumas questões: Como posso estar tão enclausurada em minha perspectiva individual e, ao mesmo tempo, completamente distante das minhas próprias necessidades? No momento em que inventaram o conceito de “tempo livre” nós perdemos o controle do nosso tempo o que é a mesma coisa que a nossa vida? Preguiça é resistência?
Talvez um dia, em uma soneca ou em uma viagem cortaziana ao submundo do metrô, eu me esconda desse tempo e encontre minhas respostas.
Ilustração feita com exclusividade por Janis Souza.
De repente, seus amigos trocam as festas por uma confortável madrugada com vinho (de um preço que você nem sabia que eles tinham grana pra bancar). De repente, fica chato se perceber repetindo os mesmos programas que você faz desde a época da faculdade. De repente, já tem conhecidos casando, tendo filhos, indo morar fora do país. E de repente bate aquele pavorzinho de ser a última entre os perdidos. Talvez o que diferencie os vinte e poucos dos vinte e muito é justamente a sensação de que agora estamos por conta própria, cada amigo segue um caminho e nos encontramos nas raras horas em que temos ânimo para socializar. Nossos probleminhas de vida jovem adulta não são mesmo tão graves, é o risco da solidão que amarga essas desaventuras. A rotina ser ruim não é tão pesado, difícil mesmo é não ter com quem compartilhar desgraça até transformá-la em piada.
Parceiras Eternas (no original, Life Partners) é um filme dirigido por Susanna Fogel sobre amizade nesse período estranho em que não somos mais jovens, mas também não temos a estabilidade que esperamos dos adultos (porque, na verdade, estamos à beira de descobrir que essa é a maior mentira desde o Papai Noel). Sasha e Paige – interpretadas respectivamente pelas atrizes Leighton Meester e Gillians Jacobs – são melhores amigas que, apesar de serem muito diferentes, compartilham cada momento de seus dias em mensagens e intimidade quase excessivas. Sasha trabalha como recepcionista e, aparentemente, seu sonho é ser música. No entanto, passa os dias entre o tédio do escritório e a frustração com a própria criatividade. Paige é a amiga bem sucedida que trabalha como advogada defendendo causas ambientais. As diferenças profissionais não parecem atrapalhar a amizade, porque as duas são igualmente ruins quando o assunto é maturidade e relacionamentos. Sasha saí com muitas garotas, mas, frequentemente, elas são ex-namoradas de suas amigas ou muito mais jovens e ainda moram com os pais, portanto, o alarme de “não tenho mais idade pra isso” toca alto. Paige, como qualquer garota hétero, tem dificuldade em achar um cara decente, legal e de boa. Além dos fracassos em comum, as amigas compartilham o gosto por programas de TV de qualidade duvidosa, admiração e respeito. É aquele tipo de relacionamento em que a parceria e o carinho são certos, independente do quão diferente sejam os desejos e destinos das pessoas envolvidas.
A trama realmente começa quando a harmonia entre as duas é desequilibrada por um novo componente: Tim (interpretado por um Adam Brody que só fica mais gato com a idade), o cara decente que faltava na vida amorosa de Paige. Conforme ela abre espaço para uma nova pessoa em sua vida, inevitavelmente precisa reduzir o tempo que dedica a sua amizade com Sasha. Mas as duas relutam diante da necessidade de mudar a dinâmica da relação e se embolam no próprio medo. Sasha que já não estava satisfeita com sua vida, se sente muito solitária e perdida. Paige, apesar de ter mais estabilidade profissional e amorosa, é imatura na hora de lidar com tem seus erros e limites, então, surta com as cobranças da amiga. São necessários alguns desencontros, gritos e lágrimas até que elas aprendam a ajustar o relacionamento às novas circunstâncias da vida adulta, mas o final é feliz.
Parceiras Eternas é uma boa escolha pra quem tá com preguiça de ver um filme cabeçudo, mas também não quer ter sua inteligência subestimada. É uma história gostosinha, divertida e fofa. Sem contar que é realmente revitalizante ver um filme sobre mulheres adultas que não seja sobre casamento, maternidade ou sucesso profissional, mas, sim, sobre manter suas amigas como uma de suas prioridades. Tem o selo Ovelha e Teste de Bechdel de aprovação!
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De repente, seus amigos trocam as festas por uma confortável madrugada com vinho (de um preço que você nem sabia que eles tinham grana pra bancar). De repente, fica chato se perceber repetindo os mesmos programas que você faz desde a época da faculdade. De repente, já tem conhecidos casando, tendo filhos, indo morar fora do país. E de repente bate aquele pavorzinho de ser a última entre os perdidos. Talvez o que diferencie os vinte e poucos dos vinte e muito é justamente a sensação de que agora estamos por conta própria, cada amigo segue um caminho e nos encontramos nas raras horas em que temos ânimo para socializar. Nossos probleminhas de vida jovem adulta não são mesmo tão graves, é o risco da solidão que amarga essas desaventuras. A rotina ser ruim não é tão pesado, difícil mesmo é não ter com quem compartilhar desgraça até transformá-la em piada.
Parceiras Eternas (no original, Life Partners) é um filme dirigido por Susanna Fogel sobre amizade nesse período estranho em que não somos mais jovens, mas também não temos a estabilidade que esperamos dos adultos (porque, na verdade, estamos à beira de descobrir que essa é a maior mentira desde o Papai Noel). Sasha e Paige – interpretadas respectivamente pelas atrizes Leighton Meester e Gillians Jacobs – são melhores amigas que, apesar de serem muito diferentes, compartilham cada momento de seus dias em mensagens e intimidade quase excessivas. Sasha trabalha como recepcionista e, aparentemente, seu sonho é ser música. No entanto, passa os dias entre o tédio do escritório e a frustração com a própria criatividade. Paige é a amiga bem sucedida que trabalha como advogada defendendo causas ambientais. As diferenças profissionais não parecem atrapalhar a amizade, porque as duas são igualmente ruins quando o assunto é maturidade e relacionamentos. Sasha saí com muitas garotas, mas, frequentemente, elas são ex-namoradas de suas amigas ou muito mais jovens e ainda moram com os pais, portanto, o alarme de “não tenho mais idade pra isso” toca alto. Paige, como qualquer garota hétero, tem dificuldade em achar um cara decente, legal e de boa. Além dos fracassos em comum, as amigas compartilham o gosto por programas de TV de qualidade duvidosa, admiração e respeito. É aquele tipo de relacionamento em que a parceria e o carinho são certos, independente do quão diferente sejam os desejos e destinos das pessoas envolvidas.
A trama realmente começa quando a harmonia entre as duas é desequilibrada por um novo componente: Tim (interpretado por um Adam Brody que só fica mais gato com a idade), o cara decente que faltava na vida amorosa de Paige. Conforme ela abre espaço para uma nova pessoa em sua vida, inevitavelmente precisa reduzir o tempo que dedica a sua amizade com Sasha. Mas as duas relutam diante da necessidade de mudar a dinâmica da relação e se embolam no próprio medo. Sasha que já não estava satisfeita com sua vida, se sente muito solitária e perdida. Paige, apesar de ter mais estabilidade profissional e amorosa, é imatura na hora de lidar com tem seus erros e limites, então, surta com as cobranças da amiga. São necessários alguns desencontros, gritos e lágrimas até que elas aprendam a ajustar o relacionamento às novas circunstâncias da vida adulta, mas o final é feliz.
Parceiras Eternas é uma boa escolha pra quem tá com preguiça de ver um filme cabeçudo, mas também não quer ter sua inteligência subestimada. É uma história gostosinha, divertida e fofa. Sem contar que é realmente revitalizante ver um filme sobre mulheres adultas que não seja sobre casamento, maternidade ou sucesso profissional, mas, sim, sobre manter suas amigas como uma de suas prioridades. Tem o selo Ovelha e Teste de Bechdel de aprovação!