Lembro bem de quando fui para Amsterdam em 2009 durante um intercâmbio e me diverti com as obras do Museu do Sexo. Apesar de pequeno, ele trazia fotos, roupas, objetos e documentos históricos sobre o sexo ao longo da História dispostos de maneira bem divertida. Me fez refletir sobre como o sexo é uma coisa que sempre existiu e como deveria ser encarado com mais naturalidade pelas pessoas.
Nessa mesma viagem, conheci a então estudante Raquel Fedato em um albergue em Roma. Ela e um amigo se juntaram ao meu grupo e passeamos pela cidade. Nos adicionamos no Facebook e desde então acompanho de longe a vida dela que deixou São Paulo para morar em Berlim. Por lá, ela começou a fazer parte do Pornceptual, um “estudo visual focado em produzir conteúdos sexuais por um viés artístico”. Conversei com ela para entender melhor o projeto:
1.Como vc foi parar em Berlim?
Nasci em São Paulo há 21 anos em uma família metade alemã e metade brasileira. Sempre estive no meio de ambas as culturas. Estudava em uma escola alemã e morava no Brasil, mas visitava minha família todos os verões. Meu crescimento envolveu um grande mix cultural, não apenas idiomático, mas também de costumes, mentalidades e comportamentos. Como consequência disso, nunca me senti 100% inserida em nenhuma cultura, e já adolescente decidi que viria morar em Berlim, uma cidade versátil, onde eu poderia estudar e ao mesmo tempo me descobrir como pessoa. Depois de passar por diversos cursos como Ciências Culturais, Arqueologia e História da Arte, atualmente estudo Economia na Humboldt Universität e conduzo um projeto artístico chamado Pornceptual.
2.O que é o Pornceptual?
Com o objetivo de descontextualizar a pornografia de seu sentido comum, o Pornceptual é um estudo visual focado em produzir conteúdos sexuais por um viés artístico. No início, o projeto se resumia a uma galeria online de arte erótica, porém com o decorrer do tempo se tornou uma plataforma para as pessoas expressarem e explorarem sua sexualidade de forma criativa. Em primeiro lugar, defendemos a liberdade de expressão. Acreditamos que a arte e o sexo devem ser uma experiência sem limitações. Através disso, esta também torna-se uma forma de criar novas possibilidades de representação do corpo humano. E indo um pouco mais além, acreditamos e defendemos a descoberta da sexualidade, que infelizmente ainda é um grande tabu na sociedade contemporânea.
3.Por que vocês decidiram criar esse projeto?
O Pornceptual foi criado em 2011 por dois fotógrafos: meu melhor amigo e atual sócio Chris Phillips e a artista Carol Stiller. O motivo principal por trás do projeto foi e ainda é uma insatisfação com a maneira como o corpo é apresentado na pornografia comercial ou até mesmo na maioria dos trabalhos descritos como “arte erótica”. Logo, vemos o Pornceptual como uma alternativa `a indústria pornô, um produto que além de monótono e previsível, é sexista e superficial.
4.Vc acha que um projeto desse poderia rolar aqui no Brasil?
Pessoalmente, acredito que o projeto poderia acontecer em qualquer lugar, mas os níveis de dificuldade variam de país para país, de cidade para cidade. O conceito foi desenvolvido no Brasil, mas as possibilidades de crescimento eram mínimas. Infelizmente a maior parte da população brasileira não é intelectual, cultural e espiritualmente desenvolvida o suficiente para entender a nossa proposta. Ainda existem muitos “pré-conceitos” a serem vencidos e queremos ser parte disso, mas isso requer muita energia e tempo, e muitas vezes não surte efeito algum. Por esse motivo, resolvemos estabelecer o projeto na Europa.
5.Vi que tem algumas fotos de festas e em cidades diferentes. Como é isso?
Há mais ou menos um ano começamos a organizar festas com o objetivo de promover o projeto e atingir diferentes públicos. A cada edição, escolhemos um novo tema e convidamos artistas ou performers para criarem algo relacionado ao tópico. Por exemplo, para a edição “Futuristic PORN”, o desafio era imaginar como será nossa vida sexual daqui a cinquenta anos. Já na edição “Russian PORN”, o público foi convidado a usar seus corpos como uma plataforma de protesto em apoio à comunidade LGBT russa. Atualmente, organizamos edições mensais em Berlim, mas já levamos a festa pra Amsterdam, Londres e agora Istambul. Ano que vem, no dia 21 de março vai rolar uma edição em São Paulo, no Cine Marrocos, em parceria com a festa Carlos Capslock, organizada pelo Paulo Tessuto. Mais informações só mais pra frente.
Dia desses, ela postou uma foto seminua com um aviso para um “amigo” da rede. Alguém que se deu o trabalho de denunciar todas as fotos dela que tinham algum pedaço de pele exposto. Traduzo a seguir:
É hora depararessa porra dehisteria sobreseios nuse fazer com que o topless sejatão fácile normalpara as mulheresquanto paraos homens.
Paraaspessoas que insistem emdenunciaras minhas fotos: POR FAVOR, DESFAÇA A AMIZADE se você não gosta do que eu compartilho.
Algumas pessoasnão levam o respeito tão a sério quanto eu,mas a minhaconcepção do quesignifica serlivredefinitivamenteenvolvecorpos nusesexualidade.
Censurasobre o corpo feminino nãodeve ser um problema. Entãoencare isso comouma oportunidade deolhar para as pessoasde uma maneira diferenteem vez dejulgá-lasbaseadona maneira como elas foram educadas ou na cultura em que cresceram.
Por último, masnão menos importante,eu voucontinuarpostando fotosseminuas, quer você goste ounão.
6.Como vc vê o corpo feminino?
Vejo o corpo, não apenas o feminino, como nossa principal fonte de sabedoria. Acredito que explorar e aceitar o nosso corpo é o principal caminho para o autoconhecimento e consequentemente para a realização pessoal. Ao adquirir tal liberdade, nos sentimos confortáveis para simplesmente assumirmos quem somos, independente dos padrões culturais e estéticos que nos foram inconscientemente impostos.
7.Por que você escolheu tirar a roupa no projeto? O que vc sente ao fazer esses tipos de foto?
Escolhi tirar a roupa em frente à câmera para afirmar a minha liberdade, apreciar minha beleza e a dignidade do meu corpo. Na minha experiência, o “tirar a roupa” quebra as barreiras impostas pela vestimenta e dá uma sensação de união entre mente e corpo. Não acredito que a visão do corpo nu deva ser única e exclusivamente reservada para o sexo. Ao começar a explorar meu próprio corpo, perdi a vergonha que por muito tempo senti devido ao meu grande porte (tenho 1,85m!!) e consequentemente ganhei minha auto-estima de volta. Além disso, acredito que seria um ato hipócrita da minha parte experimentar o nu somente na arte e não na realidade.
8.Como as pessoas próximas a você encaram o projeto? A maneira como vc expõe o corpo?
Atualmente, a maior parte das pessoas que me conhecem encaram o projeto como uma causa digna de apoio. Obviamente foi um processo longo e cansativo, até que todos parassem de me questionar e finalmente começassem a aceitar o que eu estava propondo. Tive que enfrentar uma série de julgamentos, principalmente vindos da minha família e de pessoas que ainda não me conheciam tão a fundo, mas acho que finalmente venci essa fase. Em relação `a maneira como exponho o corpo, ainda existem muitas pessoas que se chocam e que simplesmente não entendem o motivo por trás da coisa toda.
9.Como vc lida com isso?
Claramente lidar com essa questão se provou ser extremamente complicado. No começo da minha descoberta, as críticas que recebia me deixavam simplesmente maluca e muitas vezes até com raiva. Não conseguia aceitar que as pessoas não entendessem algo que dentro de mim é tão claro. Mas com o tempo aprendi a respeitar que todos somos diferentes e que o que funciona pra mim não necessariamente serve para outras pessoas. Sempre fui muito perfeccionista, mas durante esse processo me dei conta que é impossível agradar a todo mundo e que eventualmente terei que respeitar opiniões com as quais eu não concordo.
Lembro bem de quando fui para Amsterdam em 2009 durante um intercâmbio e me diverti com as obras do Museu do Sexo. Apesar de pequeno, ele trazia fotos, roupas, objetos e documentos históricos sobre o sexo ao longo da História dispostos de maneira bem divertida. Me fez refletir sobre como o sexo é uma coisa que sempre existiu e como deveria ser encarado com mais naturalidade pelas pessoas.
Nessa mesma viagem, conheci a então estudante Raquel Fedato em um albergue em Roma. Ela e um amigo se juntaram ao meu grupo e passeamos pela cidade. Nos adicionamos no Facebook e desde então acompanho de longe a vida dela que deixou São Paulo para morar em Berlim. Por lá, ela começou a fazer parte do Pornceptual, um “estudo visual focado em produzir conteúdos sexuais por um viés artístico”. Conversei com ela para entender melhor o projeto:
1.Como vc foi parar em Berlim?
Nasci em São Paulo há 21 anos em uma família metade alemã e metade brasileira. Sempre estive no meio de ambas as culturas. Estudava em uma escola alemã e morava no Brasil, mas visitava minha família todos os verões. Meu crescimento envolveu um grande mix cultural, não apenas idiomático, mas também de costumes, mentalidades e comportamentos. Como consequência disso, nunca me senti 100% inserida em nenhuma cultura, e já adolescente decidi que viria morar em Berlim, uma cidade versátil, onde eu poderia estudar e ao mesmo tempo me descobrir como pessoa. Depois de passar por diversos cursos como Ciências Culturais, Arqueologia e História da Arte, atualmente estudo Economia na Humboldt Universität e conduzo um projeto artístico chamado Pornceptual.
2.O que é o Pornceptual?
Com o objetivo de descontextualizar a pornografia de seu sentido comum, o Pornceptual é um estudo visual focado em produzir conteúdos sexuais por um viés artístico. No início, o projeto se resumia a uma galeria online de arte erótica, porém com o decorrer do tempo se tornou uma plataforma para as pessoas expressarem e explorarem sua sexualidade de forma criativa. Em primeiro lugar, defendemos a liberdade de expressão. Acreditamos que a arte e o sexo devem ser uma experiência sem limitações. Através disso, esta também torna-se uma forma de criar novas possibilidades de representação do corpo humano. E indo um pouco mais além, acreditamos e defendemos a descoberta da sexualidade, que infelizmente ainda é um grande tabu na sociedade contemporânea.
3.Por que vocês decidiram criar esse projeto?
O Pornceptual foi criado em 2011 por dois fotógrafos: meu melhor amigo e atual sócio Chris Phillips e a artista Carol Stiller. O motivo principal por trás do projeto foi e ainda é uma insatisfação com a maneira como o corpo é apresentado na pornografia comercial ou até mesmo na maioria dos trabalhos descritos como “arte erótica”. Logo, vemos o Pornceptual como uma alternativa `a indústria pornô, um produto que além de monótono e previsível, é sexista e superficial.
4.Vc acha que um projeto desse poderia rolar aqui no Brasil?
Pessoalmente, acredito que o projeto poderia acontecer em qualquer lugar, mas os níveis de dificuldade variam de país para país, de cidade para cidade. O conceito foi desenvolvido no Brasil, mas as possibilidades de crescimento eram mínimas. Infelizmente a maior parte da população brasileira não é intelectual, cultural e espiritualmente desenvolvida o suficiente para entender a nossa proposta. Ainda existem muitos “pré-conceitos” a serem vencidos e queremos ser parte disso, mas isso requer muita energia e tempo, e muitas vezes não surte efeito algum. Por esse motivo, resolvemos estabelecer o projeto na Europa.
5.Vi que tem algumas fotos de festas e em cidades diferentes. Como é isso?
Há mais ou menos um ano começamos a organizar festas com o objetivo de promover o projeto e atingir diferentes públicos. A cada edição, escolhemos um novo tema e convidamos artistas ou performers para criarem algo relacionado ao tópico. Por exemplo, para a edição “Futuristic PORN”, o desafio era imaginar como será nossa vida sexual daqui a cinquenta anos. Já na edição “Russian PORN”, o público foi convidado a usar seus corpos como uma plataforma de protesto em apoio à comunidade LGBT russa. Atualmente, organizamos edições mensais em Berlim, mas já levamos a festa pra Amsterdam, Londres e agora Istambul. Ano que vem, no dia 21 de março vai rolar uma edição em São Paulo, no Cine Marrocos, em parceria com a festa Carlos Capslock, organizada pelo Paulo Tessuto. Mais informações só mais pra frente.
Dia desses, ela postou uma foto seminua com um aviso para um “amigo” da rede. Alguém que se deu o trabalho de denunciar todas as fotos dela que tinham algum pedaço de pele exposto. Traduzo a seguir:
É hora depararessa porra dehisteria sobreseios nuse fazer com que o topless sejatão fácile normalpara as mulheresquanto paraos homens.
Paraaspessoas que insistem emdenunciaras minhas fotos: POR FAVOR, DESFAÇA A AMIZADE se você não gosta do que eu compartilho.
Algumas pessoasnão levam o respeito tão a sério quanto eu,mas a minhaconcepção do quesignifica serlivredefinitivamenteenvolvecorpos nusesexualidade.
Censurasobre o corpo feminino nãodeve ser um problema. Entãoencare isso comouma oportunidade deolhar para as pessoasde uma maneira diferenteem vez dejulgá-lasbaseadona maneira como elas foram educadas ou na cultura em que cresceram.
Por último, masnão menos importante,eu voucontinuarpostando fotosseminuas, quer você goste ounão.
6.Como vc vê o corpo feminino?
Vejo o corpo, não apenas o feminino, como nossa principal fonte de sabedoria. Acredito que explorar e aceitar o nosso corpo é o principal caminho para o autoconhecimento e consequentemente para a realização pessoal. Ao adquirir tal liberdade, nos sentimos confortáveis para simplesmente assumirmos quem somos, independente dos padrões culturais e estéticos que nos foram inconscientemente impostos.
7.Por que você escolheu tirar a roupa no projeto? O que vc sente ao fazer esses tipos de foto?
Escolhi tirar a roupa em frente à câmera para afirmar a minha liberdade, apreciar minha beleza e a dignidade do meu corpo. Na minha experiência, o “tirar a roupa” quebra as barreiras impostas pela vestimenta e dá uma sensação de união entre mente e corpo. Não acredito que a visão do corpo nu deva ser única e exclusivamente reservada para o sexo. Ao começar a explorar meu próprio corpo, perdi a vergonha que por muito tempo senti devido ao meu grande porte (tenho 1,85m!!) e consequentemente ganhei minha auto-estima de volta. Além disso, acredito que seria um ato hipócrita da minha parte experimentar o nu somente na arte e não na realidade.
8.Como as pessoas próximas a você encaram o projeto? A maneira como vc expõe o corpo?
Atualmente, a maior parte das pessoas que me conhecem encaram o projeto como uma causa digna de apoio. Obviamente foi um processo longo e cansativo, até que todos parassem de me questionar e finalmente começassem a aceitar o que eu estava propondo. Tive que enfrentar uma série de julgamentos, principalmente vindos da minha família e de pessoas que ainda não me conheciam tão a fundo, mas acho que finalmente venci essa fase. Em relação `a maneira como exponho o corpo, ainda existem muitas pessoas que se chocam e que simplesmente não entendem o motivo por trás da coisa toda.
9.Como vc lida com isso?
Claramente lidar com essa questão se provou ser extremamente complicado. No começo da minha descoberta, as críticas que recebia me deixavam simplesmente maluca e muitas vezes até com raiva. Não conseguia aceitar que as pessoas não entendessem algo que dentro de mim é tão claro. Mas com o tempo aprendi a respeitar que todos somos diferentes e que o que funciona pra mim não necessariamente serve para outras pessoas. Sempre fui muito perfeccionista, mas durante esse processo me dei conta que é impossível agradar a todo mundo e que eventualmente terei que respeitar opiniões com as quais eu não concordo.
"My sexual preference is often." [foto de Ulisses Carrilho]
Pornceptual Berlin Crew: Chris Phillips, Raquel Fedato e Emre Saglam
"The sex was so good that even the neighbors had a cigarrette." [Foto de Ema Discordant]
People Like You Need to Fuck People Like Me (2007) [por Tracey Emin]
Pagan Porn Party [ foto de Chris Phillips]
"Hello, my name is what you will be screaming tonight." [Foto de Chris Phillips]
Blood Burst [foto de Ash Conrad]
Middle Sex por Camilla Storgaard
Eek por Erin Elizabeth Kelly
"Something can be beautiful without being perfect"
"My sexual preference is often." [foto de Ulisses Carrilho]
Pornceptual Berlin Crew: Chris Phillips, Raquel Fedato e Emre Saglam
"The sex was so good that even the neighbors had a cigarrette." [Foto de Ema Discordant]
"The sex was so good that even the neighbors had a cigarrette." [Foto de Ema Discordant]
People Like You Need to Fuck People Like Me (2007) [por Tracey Emin]
People Like You Need to Fuck People Like Me (2007) [por Tracey Emin]
Pagan Porn Party [ foto de Chris Phillips]
Pagan Porn Party [ foto de Chris Phillips]
"Hello, my name is what you will be screaming tonight." [Foto de Chris Phillips]
"Hello, my name is what you will be screaming tonight." [Foto de Chris Phillips]
Blood Burst [foto de Ash Conrad]
Blood Burst [foto de Ash Conrad]
Middle Sex por Camilla Storgaard
Middle Sex por Camilla Storgaard
Eek por Erin Elizabeth Kelly
Eek por Erin Elizabeth Kelly
"Something can be beautiful without being perfect"
"Something can be beautiful without being perfect"
Lembro bem de quando fui para Amsterdam em 2009 durante um intercâmbio e me diverti com as obras do Museu do Sexo. Apesar de pequeno, ele trazia fotos, roupas, objetos e documentos históricos sobre o sexo ao longo da História dispostos de maneira bem divertida. Me fez refletir sobre como o sexo é uma coisa que sempre existiu e como deveria ser encarado com mais naturalidade pelas pessoas.
Nessa mesma viagem, conheci a então estudante Raquel Fedato em um albergue em Roma. Ela e um amigo se juntaram ao meu grupo e passeamos pela cidade. Nos adicionamos no Facebook e desde então acompanho de longe a vida dela que deixou São Paulo para morar em Berlim. Por lá, ela começou a fazer parte do Pornceptual, um “estudo visual focado em produzir conteúdos sexuais por um viés artístico”. Conversei com ela para entender melhor o projeto:
[caption id="attachment_1133" align="alignnone" width="960"] Pornceptual: Raquel Fedato na foto “Cockheart”, de Ema Discordant[/caption]
1.Como vc foi parar em Berlim?
Nasci em São Paulo há 21 anos em uma família metade alemã e metade brasileira. Sempre estive no meio de ambas as culturas. Estudava em uma escola alemã e morava no Brasil, mas visitava minha família todos os verões. Meu crescimento envolveu um grande mix cultural, não apenas idiomático, mas também de costumes, mentalidades e comportamentos. Como consequência disso, nunca me senti 100% inserida em nenhuma cultura, e já adolescente decidi que viria morar em Berlim, uma cidade versátil, onde eu poderia estudar e ao mesmo tempo me descobrir como pessoa. Depois de passar por diversos cursos como Ciências Culturais, Arqueologia e História da Arte, atualmente estudo Economia na Humboldt Universität e conduzo um projeto artístico chamado Pornceptual.
2.O que é o Pornceptual?
Com o objetivo de descontextualizar a pornografia de seu sentido comum, o Pornceptual é um estudo visual focado em produzir conteúdos sexuais por um viés artístico. No início, o projeto se resumia a uma galeria online de arte erótica, porém com o decorrer do tempo se tornou uma plataforma para as pessoas expressarem e explorarem sua sexualidade de forma criativa. Em primeiro lugar, defendemos a liberdade de expressão. Acreditamos que a arte e o sexo devem ser uma experiência sem limitações. Através disso, esta também torna-se uma forma de criar novas possibilidades de representação do corpo humano. E indo um pouco mais além, acreditamos e defendemos a descoberta da sexualidade, que infelizmente ainda é um grande tabu na sociedade contemporânea.
3.Por que vocês decidiram criar esse projeto?
O Pornceptual foi criado em 2011 por dois fotógrafos: meu melhor amigo e atual sócio Chris Phillips e a artista Carol Stiller. O motivo principal por trás do projeto foi e ainda é uma insatisfação com a maneira como o corpo é apresentado na pornografia comercial ou até mesmo na maioria dos trabalhos descritos como “arte erótica”. Logo, vemos o Pornceptual como uma alternativa `a indústria pornô, um produto que além de monótono e previsível, é sexista e superficial.
4.Vc acha que um projeto desse poderia rolar aqui no Brasil?
Pessoalmente, acredito que o projeto poderia acontecer em qualquer lugar, mas os níveis de dificuldade variam de país para país, de cidade para cidade. O conceito foi desenvolvido no Brasil, mas as possibilidades de crescimento eram mínimas. Infelizmente a maior parte da população brasileira não é intelectual, cultural e espiritualmente desenvolvida o suficiente para entender a nossa proposta. Ainda existem muitos “pré-conceitos” a serem vencidos e queremos ser parte disso, mas isso requer muita energia e tempo, e muitas vezes não surte efeito algum. Por esse motivo, resolvemos estabelecer o projeto na Europa.
5.Vi que tem algumas fotos de festas e em cidades diferentes. Como é isso?
Há mais ou menos um ano começamos a organizar festas com o objetivo de promover o projeto e atingir diferentes públicos. A cada edição, escolhemos um novo tema e convidamos artistas ou performers para criarem algo relacionado ao tópico. Por exemplo, para a edição “Futuristic PORN”, o desafio era imaginar como será nossa vida sexual daqui a cinquenta anos. Já na edição “Russian PORN”, o público foi convidado a usar seus corpos como uma plataforma de protesto em apoio à comunidade LGBT russa. Atualmente, organizamos edições mensais em Berlim, mas já levamos a festa pra Amsterdam, Londres e agora Istambul. Ano que vem, no dia 21 de março vai rolar uma edição em São Paulo, no Cine Marrocos, em parceria com a festa Carlos Capslock, organizada pelo Paulo Tessuto. Mais informações só mais pra frente.
Dia desses, ela postou uma foto seminua com um aviso para um “amigo” da rede. Alguém que se deu o trabalho de denunciar todas as fotos dela que tinham algum pedaço de pele exposto. Traduzo a seguir:
É hora depararessa porra dehisteria sobreseios nuse fazer com que o topless sejatão fácile normalpara as mulheresquanto paraos homens.
Paraaspessoas que insistem emdenunciaras minhas fotos: POR FAVOR, DESFAÇA A AMIZADE se você não gosta do que eu compartilho.
Algumas pessoasnão levam o respeito tão a sério quanto eu,mas a minhaconcepção do quesignifica serlivredefinitivamenteenvolvecorpos nusesexualidade.
Censurasobre o corpo feminino nãodeve ser um problema. Entãoencare isso comouma oportunidade deolhar para as pessoasde uma maneira diferenteem vez dejulgá-lasbaseadona maneira como elas foram educadas ou na cultura em que cresceram.
Por último, masnão menos importante,eu voucontinuarpostando fotosseminuas, quer você goste ounão.
[caption id="attachment_1167" align="alignnone" width="720"] Raquel e o manifesto pessoal pela nudez[/caption]
6.Como vc vê o corpo feminino?
Vejo o corpo, não apenas o feminino, como nossa principal fonte de sabedoria. Acredito que explorar e aceitar o nosso corpo é o principal caminho para o autoconhecimento e consequentemente para a realização pessoal. Ao adquirir tal liberdade, nos sentimos confortáveis para simplesmente assumirmos quem somos, independente dos padrões culturais e estéticos que nos foram inconscientemente impostos.
7.Por que você escolheu tirar a roupa no projeto? O que vc sente ao fazer esses tipos de foto?
Escolhi tirar a roupa em frente à câmera para afirmar a minha liberdade, apreciar minha beleza e a dignidade do meu corpo. Na minha experiência, o “tirar a roupa” quebra as barreiras impostas pela vestimenta e dá uma sensação de união entre mente e corpo. Não acredito que a visão do corpo nu deva ser única e exclusivamente reservada para o sexo. Ao começar a explorar meu próprio corpo, perdi a vergonha que por muito tempo senti devido ao meu grande porte (tenho 1,85m!!) e consequentemente ganhei minha auto-estima de volta. Além disso, acredito que seria um ato hipócrita da minha parte experimentar o nu somente na arte e não na realidade.
8.Como as pessoas próximas a você encaram o projeto? A maneira como vc expõe o corpo?
Atualmente, a maior parte das pessoas que me conhecem encaram o projeto como uma causa digna de apoio. Obviamente foi um processo longo e cansativo, até que todos parassem de me questionar e finalmente começassem a aceitar o que eu estava propondo. Tive que enfrentar uma série de julgamentos, principalmente vindos da minha família e de pessoas que ainda não me conheciam tão a fundo, mas acho que finalmente venci essa fase. Em relação `a maneira como exponho o corpo, ainda existem muitas pessoas que se chocam e que simplesmente não entendem o motivo por trás da coisa toda.
9.Como vc lida com isso?
Claramente lidar com essa questão se provou ser extremamente complicado. No começo da minha descoberta, as críticas que recebia me deixavam simplesmente maluca e muitas vezes até com raiva. Não conseguia aceitar que as pessoas não entendessem algo que dentro de mim é tão claro. Mas com o tempo aprendi a respeitar que todos somos diferentes e que o que funciona pra mim não necessariamente serve para outras pessoas. Sempre fui muito perfeccionista, mas durante esse processo me dei conta que é impossível agradar a todo mundo e que eventualmente terei que respeitar opiniões com as quais eu não concordo.
Há uns meses eu venho querendo escrever este post sobre um guilty pleasure que começou ano passado: estou gostando das músicas do Justin Bieber. Hoje, enfim, tomei coragem depois de assistir a este vídeo maravilhoso da maravilhosa Jout Jout que resume bem esse momento e que me fez perceber que não estou sozinha.
Tudo começou quando meu amigo Nathan chegou um dia em casa ouvindo uma música muito boa. Era Where Are U Now. Meu choque foi tremendo quando descobrimos se tratar de uma música do rapaz que tanto rechaçamos. Daí em diante, foi um caminho sem volta. Depois veio What Do You Mean e o estrago se consagrou com o lançamento de Sorry.
Mas agora que parei para analisar a situação, percebi um elo entre todas as músicas que me fizeram gostar do Justin Bieber: mulheres.
Pra falar a verdade, meu primeiro indício de que poderia gostar das músicas aconteceu com a música Beauty and The Beat.
E quem aparece no clipe? Nicki Minaj.
Tudo bem que ele canta basicamente que quer desfilar com a moça por aí, a boa e velha objetificação. A Nick também vacila dizendo em determinado verso que vai ter que tomar cuidado com a Selena e talz. Rivalidade feminina: zZzZzzzZZZz. Ainda assim, a batida me pegou.
Depois teve Where Are U Now.
Dessa vez, na parceria com Diplo e Skrillex, ele canta as sofrências de um omi abandonado. Que na verdade a gente nem sabe se foi abandonado, né? Pode ser só aquela história de cara legal que acha que só porque foi legal, a mulher tem que dar algo em troca.
Eu te dei atenção
Quando ninguém dava
Te dei a minha camisa
O que você está dizendo?
Para te manter aquecida
Te mostrei o jogo que todo mundo estava jogando
Sem dúvida
E eu estava de joelhos
Quando ninguém estava orando, oh Senhor
Mas aí, ele veio e lançou What Do You Mean e ganhou selinho feminista de aprovação ao perguntar pra gata o que ela quer dizer. Em entrevista sobre o significado da música, ele disse: “As meninas são muitas vezes apenas flip-floppy. Elas dizem uma coisa e querem dizer outra. Então, o que você quer dizer? Eu realmente não sei, é por isso que eu estou perguntado.”
Mas a cereja do bolo pra mim realmente veio com o lançamento do clipe de Sorry. Foi uma música que foi crescendo em mim. Ouvi a primeira vez e achei ok. Aí eu vi o clipe.
Minha relação com a música Sorry:
Depois de ver o clipe:
O clipe é estrelado e coreografado pela musa Parris Goebel e tem a galera dos grupos de dança ReQuest e Royal Family, da Nova Zelândia. Pq Justin arrasou? Pq ele chamou essas mulheres maravilhosas e ele NEM APARECE NO CLIPE!! Depois de ver essas moças dançando, a música ganha uma proporção animalesca que te faz querer dançar e ser fodona igual a elas. Elas não são objeto, elas são sujeito. E usam o corpo pelo talento que tem, não pela aparência. Elas são donas do próprio corpo. Peça quantas desculpas quiser, queridinho, tamos aqui com as amigas curtindo de boas. Parris também dirigiu o clipe, então não tem nada de male gaze por ali.
Um detalhe que descobri lendo uma matéria da Rolling Stones gringa: ela tem 23 anos. Ela tem um estúdio de dança fodástico chamado Palace e batizou o estilo de movimentos de Polyswagg. Repita essa palavra 3x na frente do espelho enquanto rebola até o chão. Dentre outros artistas para quem ela já fez coreografia estão Nick Minaj, Janet Jackson e J.Lo.
Este vídeo é de um ensaio *___*
No final do ano passado, o Justin fez a Beyoncé e lançou vários clipes das músicas do disco novo Purpose de uma vez. A ideia do projeto é que ele reencontrou o propósito na vida depois de ter sido um babaca durante muito tempo. Ele disse:
Eu podia sentir a energia das pessoas, e não me importar, também. Tipo, eu não dava a mínima se alguém gostava de mim ou não. E aí que as coisas começaram a ir mal, porque eu estava tão envolvido em ‘eu’, ‘eu, ‘eu’, ‘eu’, ‘eu’…. Algumas vezes, você sente que ‘cara, eu não quero mais fazer isso’. Sinto que perdi meu propósito por um tempo
Eu me sinto muito, muito diferente. Eu me sinto completamente oposta. Eu me sinto muito livre e indestrutível, que nada pode me parar e me machucar. Eu só fico mais confiante e feroz … Eu sou um tipo que intimida. As pessoas ficam com medo de mim. (…)Para mim, a história que eu conto quando eu estou dançando é que sou o azarão, que não tem sido fácil, mas que eu sou uma jovem mulher confiante, bem sucedida, que faz e está seguindo os sonhos.
Lembro bem de quando fui para Amsterdam em 2009 durante um intercâmbio e me diverti com as obras do Museu do Sexo. Apesar de pequeno, ele trazia fotos, roupas, objetos e documentos históricos sobre o sexo ao longo da História dispostos de maneira bem divertida. Me fez refletir sobre como o sexo é uma coisa que sempre existiu e como deveria ser encarado com mais naturalidade pelas pessoas.
Nessa mesma viagem, conheci a então estudante Raquel Fedato em um albergue em Roma. Ela e um amigo se juntaram ao meu grupo e passeamos pela cidade. Nos adicionamos no Facebook e desde então acompanho de longe a vida dela que deixou São Paulo para morar em Berlim. Por lá, ela começou a fazer parte do Pornceptual, um “estudo visual focado em produzir conteúdos sexuais por um viés artístico”. Conversei com ela para entender melhor o projeto:
1.Como vc foi parar em Berlim?
Nasci em São Paulo há 21 anos em uma família metade alemã e metade brasileira. Sempre estive no meio de ambas as culturas. Estudava em uma escola alemã e morava no Brasil, mas visitava minha família todos os verões. Meu crescimento envolveu um grande mix cultural, não apenas idiomático, mas também de costumes, mentalidades e comportamentos. Como consequência disso, nunca me senti 100% inserida em nenhuma cultura, e já adolescente decidi que viria morar em Berlim, uma cidade versátil, onde eu poderia estudar e ao mesmo tempo me descobrir como pessoa. Depois de passar por diversos cursos como Ciências Culturais, Arqueologia e História da Arte, atualmente estudo Economia na Humboldt Universität e conduzo um projeto artístico chamado Pornceptual.
2.O que é o Pornceptual?
Com o objetivo de descontextualizar a pornografia de seu sentido comum, o Pornceptual é um estudo visual focado em produzir conteúdos sexuais por um viés artístico. No início, o projeto se resumia a uma galeria online de arte erótica, porém com o decorrer do tempo se tornou uma plataforma para as pessoas expressarem e explorarem sua sexualidade de forma criativa. Em primeiro lugar, defendemos a liberdade de expressão. Acreditamos que a arte e o sexo devem ser uma experiência sem limitações. Através disso, esta também torna-se uma forma de criar novas possibilidades de representação do corpo humano. E indo um pouco mais além, acreditamos e defendemos a descoberta da sexualidade, que infelizmente ainda é um grande tabu na sociedade contemporânea.
3.Por que vocês decidiram criar esse projeto?
O Pornceptual foi criado em 2011 por dois fotógrafos: meu melhor amigo e atual sócio Chris Phillips e a artista Carol Stiller. O motivo principal por trás do projeto foi e ainda é uma insatisfação com a maneira como o corpo é apresentado na pornografia comercial ou até mesmo na maioria dos trabalhos descritos como “arte erótica”. Logo, vemos o Pornceptual como uma alternativa `a indústria pornô, um produto que além de monótono e previsível, é sexista e superficial.
4.Vc acha que um projeto desse poderia rolar aqui no Brasil?
Pessoalmente, acredito que o projeto poderia acontecer em qualquer lugar, mas os níveis de dificuldade variam de país para país, de cidade para cidade. O conceito foi desenvolvido no Brasil, mas as possibilidades de crescimento eram mínimas. Infelizmente a maior parte da população brasileira não é intelectual, cultural e espiritualmente desenvolvida o suficiente para entender a nossa proposta. Ainda existem muitos “pré-conceitos” a serem vencidos e queremos ser parte disso, mas isso requer muita energia e tempo, e muitas vezes não surte efeito algum. Por esse motivo, resolvemos estabelecer o projeto na Europa.
5.Vi que tem algumas fotos de festas e em cidades diferentes. Como é isso?
Há mais ou menos um ano começamos a organizar festas com o objetivo de promover o projeto e atingir diferentes públicos. A cada edição, escolhemos um novo tema e convidamos artistas ou performers para criarem algo relacionado ao tópico. Por exemplo, para a edição “Futuristic PORN”, o desafio era imaginar como será nossa vida sexual daqui a cinquenta anos. Já na edição “Russian PORN”, o público foi convidado a usar seus corpos como uma plataforma de protesto em apoio à comunidade LGBT russa. Atualmente, organizamos edições mensais em Berlim, mas já levamos a festa pra Amsterdam, Londres e agora Istambul. Ano que vem, no dia 21 de março vai rolar uma edição em São Paulo, no Cine Marrocos, em parceria com a festa Carlos Capslock, organizada pelo Paulo Tessuto. Mais informações só mais pra frente.
Dia desses, ela postou uma foto seminua com um aviso para um “amigo” da rede. Alguém que se deu o trabalho de denunciar todas as fotos dela que tinham algum pedaço de pele exposto. Traduzo a seguir:
É hora depararessa porra dehisteria sobreseios nuse fazer com que o topless sejatão fácile normalpara as mulheresquanto paraos homens.
Paraaspessoas que insistem emdenunciaras minhas fotos: POR FAVOR, DESFAÇA A AMIZADE se você não gosta do que eu compartilho.
Algumas pessoasnão levam o respeito tão a sério quanto eu,mas a minhaconcepção do quesignifica serlivredefinitivamenteenvolvecorpos nusesexualidade.
Censurasobre o corpo feminino nãodeve ser um problema. Entãoencare isso comouma oportunidade deolhar para as pessoasde uma maneira diferenteem vez dejulgá-lasbaseadona maneira como elas foram educadas ou na cultura em que cresceram.
Por último, masnão menos importante,eu voucontinuarpostando fotosseminuas, quer você goste ounão.
6.Como vc vê o corpo feminino?
Vejo o corpo, não apenas o feminino, como nossa principal fonte de sabedoria. Acredito que explorar e aceitar o nosso corpo é o principal caminho para o autoconhecimento e consequentemente para a realização pessoal. Ao adquirir tal liberdade, nos sentimos confortáveis para simplesmente assumirmos quem somos, independente dos padrões culturais e estéticos que nos foram inconscientemente impostos.
7.Por que você escolheu tirar a roupa no projeto? O que vc sente ao fazer esses tipos de foto?
Escolhi tirar a roupa em frente à câmera para afirmar a minha liberdade, apreciar minha beleza e a dignidade do meu corpo. Na minha experiência, o “tirar a roupa” quebra as barreiras impostas pela vestimenta e dá uma sensação de união entre mente e corpo. Não acredito que a visão do corpo nu deva ser única e exclusivamente reservada para o sexo. Ao começar a explorar meu próprio corpo, perdi a vergonha que por muito tempo senti devido ao meu grande porte (tenho 1,85m!!) e consequentemente ganhei minha auto-estima de volta. Além disso, acredito que seria um ato hipócrita da minha parte experimentar o nu somente na arte e não na realidade.
8.Como as pessoas próximas a você encaram o projeto? A maneira como vc expõe o corpo?
Atualmente, a maior parte das pessoas que me conhecem encaram o projeto como uma causa digna de apoio. Obviamente foi um processo longo e cansativo, até que todos parassem de me questionar e finalmente começassem a aceitar o que eu estava propondo. Tive que enfrentar uma série de julgamentos, principalmente vindos da minha família e de pessoas que ainda não me conheciam tão a fundo, mas acho que finalmente venci essa fase. Em relação `a maneira como exponho o corpo, ainda existem muitas pessoas que se chocam e que simplesmente não entendem o motivo por trás da coisa toda.
9.Como vc lida com isso?
Claramente lidar com essa questão se provou ser extremamente complicado. No começo da minha descoberta, as críticas que recebia me deixavam simplesmente maluca e muitas vezes até com raiva. Não conseguia aceitar que as pessoas não entendessem algo que dentro de mim é tão claro. Mas com o tempo aprendi a respeitar que todos somos diferentes e que o que funciona pra mim não necessariamente serve para outras pessoas. Sempre fui muito perfeccionista, mas durante esse processo me dei conta que é impossível agradar a todo mundo e que eventualmente terei que respeitar opiniões com as quais eu não concordo.