Sobre as indelicadezas perante o diferente

Lidando com minha deficiência em foto de 2009.

Hoje meu dia começou com um cara da Sabesp interfonando no meu apartamento para ver o relógio da água. Reclamou que outra moradora foi mal-educada com ele por não deixá-lo entrar. Na saída, já com o pé pra fora do prédio, ele diz:

Só uma curiosidade: sua mão assim é acidente ou de nascença?

Ele nunca mais vai me ver na vida. Nunca mais. É esse o tipo de pergunta que se faz a uma pessoa que acabou de conhecer e que muito provavelmente não verá mais? Será que a pessoa acha mesmo que perguntar isso é o mesmo que perguntar as horas, ou se vai chover? Eu ainda me surpreendo com a falta de tato das pessoas.

Quando isso acontece eu congelo, fico sem graça, respondo um fraco “ah, nasci assim” e começo a me sentir horrível. Porque não importa o quão legal eu possa ser, não importa o cabelo colorido, as tatuagens, nada. Parece que o que fica é o estranho e bizarro fato de eu ser deficiente. As pessoas não sabem lidar com isso. Eu não as culpo. Eu tenho meus 28 anos e tento lidar com isso todos os dias.

E por isso mesmo, por eu ser uma mulher adulta e quase trintona que ainda se sente grilada com esse tipo de pergunta vindo de estranhos, que as pessoas precisam saber que isso não é assunto para conversa, principalmente quando você acaba de conhecer a pessoa.

Mas não pára por aí! Porque se essas indelicadezas acontecessem só com estranhos, já seria ruim. Mas tem coisa pior: quando a falta de noção vem das pessoas que você ama.

Eu tinha amizade com uma amiga do meu ex-namorado, mas que acabamos ficando muito próximas. A gente vivia se vendo pra tomar cerveja e conversar. Até um dia que ela, bêbada, me disse:

Quando o Joãozinho me contou que estava namorando você, eu perguntei pra ele: “Uau, ela é muito gata! Mas me conta, como é transar com uma deficiente?”

OU SEJA, não só a pessoa diminuiu a nova namorada do amigo à sua deficiência como ela ainda resolveu compartilhar esse fato com a mesma, anos de amizade depois.

Essas escrotices são mais comuns do que se possa imaginar. Você com certeza já deve ter cometido alguma gafe com algum amigo oprimido socialmente ou que está passando por alguma doença.

 
[caption id="attachment_7978" align="aligncenter" width="511"]Algumas coisas para você não apontar sobre a pessoa com quem você está falando: suas espinhas, cortes, cicatrizes, pêlos, seu excesso ou pouco peso, etc. Algumas coisas para não apontar sobre a aparência da pessoa com quem você está falando: espinhas, cortes, cicatrizes, pêlos, seu excesso ou pouco peso, etc.[/caption]  
Todos nós somos seres humanos queremos ser amados, causar uma boa impressão, ser levados a sério, ser respeitados. E nós sofremos com nossos problemas todos os dias. Tem dias que nos reduzimos à nossa diferença sem precisar da “ajuda” de ninguém. Se você, ser perfeito, já fica com sua autoestima balançada algumas vezes, imagina a pessoa que convive com uma diferença.

Uma querida amiga escreveu em seu perfil do Facebook um desabafo que ilustra bem o que quero dizer e como se sentem as pessoas que tem alguma doença ou deficiência visível:

 
dermatite-j
 
Escrevi isso não somente como desabafo, mas também para utilidade pública. Pra quem ler pensar duas, três, ou quantas vezes for necessário antes de fazer um comentário sobre aquela característica da pessoa que te é tão diferente. Até que a pessoa chegue à lúcida conclusão de que na verdade não é pra falar nada.

Vou deixar alguns links que achei pela internet que também dão aquele toque amigo de como falar com pessoas que são deficientes, passando por uma doença ou que simplesmente tem algo na sua aparência fora do ideal social da perfeição. Obrigada, de nada.
 


 
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Let’s celebrate women!

É tão gostoso receber mensagens das nossas ovelhas! Essa semana a Fabiana Figueiredo veio até nós contar sobre seu projeto F-A-N-T-Á-S-T-C-O: Let’s Celebrate Women, um Tumblr e fanpage no Facebook que tem o intuito de celebrar mulheres históricas, de ontem e de hoje.

 
Let's Celebrate Women: Chimas

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Let's Celebrate Women: Laverne Cox

Let's Celebrate Women: Laverne Cox
 
A página é muito bonita, com um cuidado pelo design e ilustrações. Cada mulher homenageada tem uma imagem própria, com o desenho de seu rosto. Dá vontade de transformar tudo em quadrinho e pendurar na parede de casa! Para saber mais sobre o projeto, batemos um papinho com a Fabi, que é responsável por tudo ali, do design à ilustração – menos pelo logo, feito pelo namorado.

 

Ovelha: De onde veio a ideia do projeto?

Fabiana: Sempre senti muita falta de mulheres nos meus livros de história. Quando cresci e comecei a pesquisar por conta própria, descobri que tem muita mulher maravilhosa nesse mundão, e que o problema não é que elas não fazem história, mas sim que não são celebradas apropriadamente por isso.
 

Você diz que sentia falta de mulheres nos livros de história. Porém, o projeto retrata não só importantes mulheres do passado como também as do nosso tempo, como Kathleen Hanna e Laverne Cox. Há algum critério?

Eu não quis trabalhar apenas com mulheres do passado, porque minha intenção é mostrar que as mulheres sempre estiveram presentes na história e vão continuar estando. Eu não tenho muitos critérios para escolher as mulheres, mas estou tentando não focar em apenas uma profissão, etnia e nacionalidade. Já que tenho uma grande influencia da cultura norte-americana, tendo a conhecer mais mulheres americanas. Mas estou me esforçando para mostrar minas do mundo todo.

 
Let's Celebrate Women: Anita Garibaldi

Let's Celebrate Women: Anita Garibaldi
 
Let's Celebrate Women: Simone de Beauvoir

Let's Celebrate Women: Simone de Beauvoir
 
Let's Celebrate Women: Frida Kahlo

Let's Celebrate Women: Frida Kahlo
 

Qual a sua intenção com o projeto?

Chegou uma época da minha vida em que comecei a sentir muita falta de representação feminina. Eu trabalho em uma área dominada por homens (Fabiana é designer), e até meus hobbies são inicialmente feitos pelo e para o público masculino (videogame, quadrinhos, etc). Isso acabou mexendo um pouco comigo, como se fosse um veneno. Comecei a me perguntar se mulheres eram mesmo inferiores, como ouvia por aí. Mas não precisei pesquisar muito para ver que não.

Minha intenção é que nenhuma outra menina se sinta como eu me senti. E se conseguir fazer alguém que pensa que mulheres são inferiores ver a situação de outra forma, já vai valer a pena também.
 

Quais são os planos futuros para o LCW?

Eu não tenho nenhum plano ainda (a fanpage é recente – a primeira publicação foi em maio desse ano), mas penso na possibilidade futura de transformar o LCW em livro. #

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e tento lidar com isso todos os dias.

E por isso mesmo, por eu ser uma mulher adulta e quase trintona que ainda se sente grilada com esse tipo de pergunta vindo de estranhos, que as pessoas precisam saber que isso não é assunto para conversa, principalmente quando você acaba de conhecer a pessoa.

Mas não pára por aí! Porque se essas indelicadezas acontecessem só com estranhos, já seria ruim. Mas tem coisa pior: quando a falta de noção vem das pessoas que você ama.

Eu tinha amizade com uma amiga do meu ex-namorado, mas que acabamos ficando muito próximas. A gente vivia se vendo pra tomar cerveja e conversar. Até um dia que ela, bêbada, me disse:

Quando o Joãozinho me contou que estava namorando você, eu perguntei pra ele: “Uau, ela é muito gata! Mas me conta, como é transar com uma deficiente?”

OU SEJA, não só a pessoa diminuiu a nova namorada do amigo à sua deficiência como ela ainda resolveu compartilhar esse fato com a mesma, anos de amizade depois.

Essas escrotices são mais comuns do que se possa imaginar. Você com certeza já deve ter cometido alguma gafe com algum amigo oprimido socialmente ou que está passando por alguma doença.

 

 
Todos nós somos seres humanos queremos ser amados, causar uma boa impressão, ser levados a sério, ser respeitados. E nós sofremos com nossos problemas todos os dias. Tem dias que nos reduzimos à nossa diferença sem precisar da “ajuda” de ninguém. Se você, ser perfeito, já fica com sua autoestima balançada algumas vezes, imagina a pessoa que convive com uma diferença.

Uma querida amiga escreveu em seu perfil do Facebook um desabafo que ilustra bem o que quero dizer e como se sentem as pessoas que tem alguma doença ou deficiência visível:

 
dermatite-j
 
Escrevi isso não somente como desabafo, mas também para utilidade pública. Pra quem ler pensar duas, três, ou quantas vezes for necessário antes de fazer um comentário sobre aquela característica da pessoa que te é tão diferente. Até que a pessoa chegue à lúcida conclusão de que na verdade não é pra falar nada.

Vou deixar alguns links que achei pela internet que também dão aquele toque amigo de como falar com pessoas que são deficientes, passando por uma doença ou que simplesmente tem algo na sua aparência fora do ideal social da perfeição. Obrigada, de nada.
 


 
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