Eu sou meus defeitos

Tem coisas que te atingem de repente por falarem aquilo que ninguém fala. Por parecer que compreendem algo teu que ninguém compreende. E você se emociona e só tem a agradecer.

Isso aconteceu numa madrugada de agosto de 2013, quando eu estava passeando pelos vídeos que concorreram ao PBS Online Film Festival. Então esse vídeo, que parecia ser apenas ‘bonitinho’, me deu um belo tapa na cara emocional. Explico:

Milhares de meninas e meninos começam a detestar seu corpo devido a bullyings que sofrem na escola por alguma característica física diferente proeminente. Ou mesmo porque se dão conta de que não possuem as mesmas características louvadas pelas capas de revista (magra, alta, branca, cabelos lisos, sem manchas, sem pêlos e com “traços harmônicos” – é, pois é). Ou mesmo pelo tão comum preconceito da orientação sexual, cor, raça ou gênero.

Pra quem não me conhece (de verdade), eu tenho uma deficiência nas mãos. E sim, eu digito, cozinho, desenho, trabalho, dirijo e tudo mais muito, muito bem. Mas isso sempre me colocou como diferente. Fora do comum. Fora do padrão. E, apesar de eu lidar muito bem com isso, dói ser diferente.

Mas e se, ao invés de desejar ser igual a todo mundo, a gente olhasse essa diferença como algo positivo, que faz parte de nossa identidade e, por isso, extraordinariamente incrível?

O curta documentário animado, “Flawed“, de Andrea Dorfman, fala justamente disso. Por que querer corrigir nossas peculiaridades que a sociedade chama de “imperfeições”? É importante encontrar amor próprio e força para nos libertar-mos da pressão de ter que ser e parecer quem não somos. Mas isso não acontece de uma hora pra outra, não. É um exercício diário. Aperte o play e não desista! (;

Mais de Nina Grando

Modefica: ativismo online e offline

Toda a leitora da Ovelha deveria acompanhar o Modefica, uma plataforma que não é só mais um site de moda e lifestyle; ele tem a missão de levar um conteúdo feminista e de consciência vegana para suas leitoras.

Quando eu digo plataforma, é porque o Modefica não é só um site. O projeto se estende também por outras frentes, como um e-commerce que corresponde aos mesmos valores éticos, que vende apenas produtos veganos e que não fazem testes em animais.

Os ideais e a história do Modefica se assemelham aos da Ovelha, mas essa sinergia incrível não termina aí. Assim como eu, a fundadora e editora-chefe do Modefica é a Marina Colerato que, além de xará (meu “Nina” é só apelido), também trabalha com pesquisa de tendências. Até cabelo rosa ela teve! ♡
 

 
A Marina me convidou recentemente para participar do Modefica Offline, um evento anual que se configura numa feirinha, bate-papos e workshops que acontecem durante um final de semana, com o intuito de debater ideias e inspirar mudanças.

No próximo sábado, dia 6, vou mediar o bate-papo “A importância do ativismo online para mudanças offline“, que contará com a presença das incríveis Stephanie Ribeiro, Aline Ramos, Amara Moira e Súlivam Sena (saiba mais sobre cada uma aqui). Aproveito para fazer o convite para ver essas mulheres sensacionais no palco! Dá ainda para se inscrever nos bate-papos ;)

Conversei rapidamente com a Marina pra saber um pouco mais sobre o Modefica e, especialmente, o Modefica Offline.

Ovelha: O Modifica surgiu na mesma época que a Ovelha, e também veio pra fazer a diferença. Conta um pouco do que a levou a criar esse projeto tão importante.

Marina Colerato: O Modefica nasceu em 2014 depois de 6 anos acumulando o desejo de ver uma moda mais criativa e diversificada no Brasil. Sou formada na área e via a dificuldade de sucesso dos novos designers e estilistas, além de uma mídia de moda que só divulga produtos de marcas de luxo ou grandes marcas. Desde o Mercado Mundo Mix, nos anos 90, não tínhamos nem mais eventos autorais e independentes para unir novos criadores. Foi nos últimos 3 anos que a coisa começou a mudar, o MMM voltou e novas feiras e espaços como Jardim Secreto e Endossa foram surgindo, além da possibilidade de criar sua loja virtual e divulgar nas mídias sociais. O cenário mudou bastante nesses dois últimos anos, mas continua sendo muito difícil para quem é designer de moda/estilista.

Acrescentou-se a isso o desejo de falar de moda de maneira séria porque a indústria da moda é coisa séria. Ela emprega milhões de pessoas, vale trilhões de dólares, ao mesmo tempo que escraviza pessoas, majoritariamente mulheres, mata bilhões de animais não-humanos e polui o mundo. O Modefica veio para incentivar a criatividade na moda, mas também veio para pensar essa criatividade de maneira séria, responsável e interseccional. A moda tange várias indústrias e várias pessoas, por isso, ao falar de moda, o pensamento precisa ser amplificado e, mais uma vez, a mídia de moda só fala de tendências ou de negócios (lucros, ações e CEOs). O Modefica surgiu do desejo de humanizar a comunicação de moda para promover uma produção e consumo mais conscientes.
 
 
Ovelha: Como você acha que o Modifica, em seu ativismo online, cria mudanças offline?

Marina Colerato: Nós somos uma plataforma bastante informativa e é isso que queremos. É a informação certa que faz as pessoas repensarem. Desse repensar, vem a vontade de mudança. Da vontade, aliada às dicas que nós damos, vem a mudança de fato. É um trabalho de formiguinha, mas é assim que a gente acredita que deve ser. É claro que promovemos eventos fora da internet, como é o caso do Modefica Offline e da Mentoria Modefica, pra fortalecer esse repasse de informação e troca para além da irternet, torcendo assim pra que as mudanças aconteçam mais rápido.
 
 
Ovelha: Você poderia falar um pouco mais sobre como é a Mentoria Modefica?

Marina Colerato: Estamos notando um crescente número de mulheres empreendendo marcas de moda com cada vez mais consciência, e diversas delas com muito potencial. A Mentoria busca reforçar as chances de sucesso dessas marcas, e, ao mesmo tempo, sugerir abordagens realmente positivas e conscientes, pensando como a moda pode ser uma ferramenta de transformação socioambiental positiva.

A mentoria é gratuita e conta com convidados especiais em todos os encontros para enriquecer o diálogo. Fizemos uma edição 2016 com 8 encontros de 3 horas cada, e 2017 tem mais também. Era pra ser pontual, como uma maneira de retribuir pela mentoria que eu recebi do Think Olga (Olga Mentoring), mas tivemos muitas marcas interessadas e acreditamos que é mais uma maneira de nos posicionarmos como agente transformador. Por isso rola ano que vem de novo!
 
 
Ovelha: Já em seu primeiro ano, as leitoras do Modifica foram agraciadas com um evento que reflete todo o ideal do site, o Modifica Offline. Pra você, qual é a importância de materializar a proposta do site em um espaço físico? Como o ativismo do site é ampliado por seu evento?

Marina Colerato: Eu acredito que a maior importância, e por isso que fizemos o evento, é mostrar que na ‘vida real’ tem muita gente pensando sobre isso. Pode parecer que estamos sozinhas, mas não estamos. Há outras mulheres dividindo esse mar com a gente e o evento vem para mostrar isso para quem participa, além de promover trocas olho no olho. Além disso, da produção às convidadas, todo mundo que trabalha com a gente é mulher. Desde a segurança até a fotógrafa. É uma forma de mostrar que há mulheres capacitadas em todas as profissões. Também juntamos o empreendedorismo feminino e uma nova maneira de pensar moda dentro da nossa loja pop-up, com marcas que estão produzindo com critérios bacanas, possuem costureiras próprias, não usam materiais de origem animal, trabalham o slow fashion. E tem as rodas de conversa, com meninas debatendo temas que sempre abordamos: de melhores maneiras de produzir a novas formas de negócios. Há uma discussão sobre distúrbios alimentares, que trata da relação da mulher com o corpo, e também de beleza, sob um ponto de vista mais holístico, que fala sobre aceitação. Então o evento é um desafio, onde tentamos colocar em prática tudo sobre o que falamos o ano inteiro.

 

 
O Modefica Offline acontece nos dias 6 e 7 de agosto, é aberto ao público e tem entrada gratuita. Apenas para participas dos bate-papos e workshops é necessário fazer inscrição. Acompanhe o evento no Facebook.

Siga o Modefica: Site / Instagram / Facebook / Twitter / Pinterest
 

Leia mais
PBS Online Film Festival. Então esse vídeo, que parecia ser apenas ‘bonitinho’, me deu um belo tapa na cara emocional. Explico:

Milhares de meninas e meninos começam a detestar seu corpo devido a bullyings que sofrem na escola por alguma característica física diferente proeminente. Ou mesmo porque se dão conta de que não possuem as mesmas características louvadas pelas capas de revista (magra, alta, branca, cabelos lisos, sem manchas, sem pêlos e com “traços harmônicos” – é, pois é). Ou mesmo pelo tão comum preconceito da orientação sexual, cor, raça ou gênero.

Pra quem não me conhece (de verdade), eu tenho uma deficiência nas mãos. E sim, eu digito, cozinho, desenho, trabalho, dirijo e tudo mais muito, muito bem. Mas isso sempre me colocou como diferente. Fora do comum. Fora do padrão. E, apesar de eu lidar muito bem com isso, dói ser diferente.

Mas e se, ao invés de desejar ser igual a todo mundo, a gente olhasse essa diferença como algo positivo, que faz parte de nossa identidade e, por isso, extraordinariamente incrível?

O curta documentário animado, “Flawed“, de Andrea Dorfman, fala justamente disso. Por que querer corrigir nossas peculiaridades que a sociedade chama de “imperfeições”? É importante encontrar amor próprio e força para nos libertar-mos da pressão de ter que ser e parecer quem não somos. Mas isso não acontece de uma hora pra outra, não. É um exercício diário. Aperte o play e não desista! (;

" />
PBS Online Film Festival. Então esse vídeo, que parecia ser apenas ‘bonitinho’, me deu um belo tapa na cara emocional. Explico:

Milhares de meninas e meninos começam a detestar seu corpo devido a bullyings que sofrem na escola por alguma característica física diferente proeminente. Ou mesmo porque se dão conta de que não possuem as mesmas características louvadas pelas capas de revista (magra, alta, branca, cabelos lisos, sem manchas, sem pêlos e com “traços harmônicos” – é, pois é). Ou mesmo pelo tão comum preconceito da orientação sexual, cor, raça ou gênero.

Pra quem não me conhece (de verdade), eu tenho uma deficiência nas mãos. E sim, eu digito, cozinho, desenho, trabalho, dirijo e tudo mais muito, muito bem. Mas isso sempre me colocou como diferente. Fora do comum. Fora do padrão. E, apesar de eu lidar muito bem com isso, dói ser diferente.

Mas e se, ao invés de desejar ser igual a todo mundo, a gente olhasse essa diferença como algo positivo, que faz parte de nossa identidade e, por isso, extraordinariamente incrível?

O curta documentário animado, “Flawed“, de Andrea Dorfman, fala justamente disso. Por que querer corrigir nossas peculiaridades que a sociedade chama de “imperfeições”? É importante encontrar amor próprio e força para nos libertar-mos da pressão de ter que ser e parecer quem não somos. Mas isso não acontece de uma hora pra outra, não. É um exercício diário. Aperte o play e não desista! (;

" />