Barbie e a mudança que precisamos

Colagem digital feita com exclusividade por Bárbara Malagoli (Baby C)

É fácil perceber a força de um produto ou marca quando eles lançam algo novo e toda a internet só fala disso. A Barbie anunciou hoje sua nova linha com “mulheres reais” e o melhor de tudo: elas tem diversos estilos, cabelos, peles e corpos.

Com quatro tipos de corpos, sete tons de pele, 22 cores de olhos e 24 penteados diferentes, a Barbie, em seu site oficial, diz estar muito orgulhosa de “oferecer às meninas mais opções do que nunca”.

E não é só a empresa que está feliz com esse lançamento. Eu, uma apaixonada pela boneca desde sempre, dei pulos de alegria e corri para expressar meu amor por essa novidade recheada de representatividade.

Eu sou gorda, baixa e meu cabelo é extremamente cacheado e armado. Nunca me senti representada fisicamente pela Barbie e ela era minha boneca preferida. É óbvio que, quando tinha uns 8 anos, sonhava em ser uma adulta igual a ela: alta, magra, loira e com o cabelo liso.

Já tentei ser alta, mas odeio salto. Já tentei ser magra, mas meu biotipo não deixa. Já tentei ser loira, mas meu cabelo ficou todo ressecado. E já tentei ter cabelo liso, mas era muito tempo e dinheiro gasto.

Mesmo depois dessas tentativas frustradas, não deixei de amar a boneca que me fez companhia durante toda a infância (brinquei com elas até os 14 anos) porque ela também representava uma mulher independente e tinha inúmeras profissões maravilhosas.

Mas a minha experiência não é a mesma de todas as outras meninas. Eu tenho uma sobrinha de 6 anos que já sofreu bullying na escola (sim, na pré-escola) por causa da aparência. Ela é uma criança saudável, que pratica esportes, sente os ossos doerem porque está crescendo e é “gordinha”. O problema aqui é: ela já fala que tem que fazer dieta e emagrecer, apesar de constantemente falarmos que ela é linda. Ela brinca de Barbie também.

Minha felicidade em ver essas novas bonecas é que ela e as crianças dessa nova geração poderão se identificar, e eu também. Eu vou me sentir representada pela boneca que sempre amei, minha sobrinha vai se sentir representada pela boneca que ela ama e todas as outras meninas também vão.

Sabe a história do menino que se identificou com o boneco do Finn do Star Wars? É quase o mesmo sentimento. É poder brincar com aquilo que nos é semelhante. É poder ser representada. E representatividade importa.

 

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