E se as mulheres trabalhassem de acordo com a diferença salarial?

A questão da discrepância salarial entre homens e mulheres é polêmica. Há quem diga que os dados de pesquisas usados para alegar isso são incorretos e usados de maneira errada. Que essa diferença não leva em conta a carga horária trabalhada e produtividade. Que seja, mas esse não parece ser o caso em Holywood.
A edição de março da revista Você SA, traz uma matéria que fala que parte dessa discrepância se dá por causa da insegurança feminina. As mulheres geralmente não se valorizam na hora de negociar salário e tudo mais. E ter isso em mente é de extrema importância para mudar esse cenário. Valorizem-se mulheres!

Nesse vídeo divertido do Buzzfeed, uma trabalhadora descobre que recebe menos do que um colega de trabalho que faz exatamente a mesma coisa.

 

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  • Cacau Birdmad

    Eu preciso dizer que tenho dificuldades com esse papo da Você S/A, porque a gente adora individualizar problemas que são coletivos e sociais, responsabilizando uns (os mesmos de sempre) e desresponsabilizando outros (os mesmos de sempre, o retorno). Você já começa com um salário mais baixo, você vive uma série de desvalorizações no ambiente de trabalho (mulheres são mais interrompidas, tem menor crédito dado às suas ideias, etc) e a questão é INSEGURANÇA? Pra mim isso é puta desculpinha pra tirar a carga dos ombros de quem PAGA menos. Não, não são eles o problema – o problema é você! – Você que não corre atrás o suficiente, você que não confia em si o suficiente – coisa que a gente sabe que feedback social não tem *nada* a ver né?
    A insegurança não é à toa. Ela é construída, diariamente, no cotidiano machista. É o colega que corta a tua fala na reunião, é você ter que fazer o dobro do trabalho pra receber metade da valorização… A gente sabe que mulheres que vão atrás de um cargo com a mesma qualificação de um candidato homem não são selecionadas. Tem uma caralhada de pesquisas mostrando isso. Se você vai, como um homem vai, com 60% das qualificações, você tem a mesma chance que ele então? Eu acho meio óbvio que a maioria espera ter 100%.

    Porque essa é a coisa: não existe você fora do mundo. Você é o que você faz do mundo em que você está, você se constrói mastigando, engolindo e processando aquilo que ele te dá. Claro, você não é só o social, cada mulher vive essa questão de uma maneira diferente, cada mulher digere o machismo de uma maneira diferente. Algumas vão, como a protagonista do vídeo, trabalhar por aquilo que recebem (o que acho super justo, afinal, estamos em uma época de exigir super eficiência em troca do mínimo. Você tem que trabalhar como um cão e ficar grato de poder sobreviver…), outras vão trabalhar muito mais, outras vão confrontar…. E todas vão construir discursos e posturas para tentar viver da melhor maneira que aparece como possível nesse contexto (afinal, muito discurso de aceitação/defesa da injustiça é apenas uma maneira de se proteger do gasto de energia que é ter de encarar ela).

    Uma outra coisa que me incomoda é que existe um senhor tabu de que salário não se discute. De que não se pergunta quanto alguém ganha e tudo mais… – e eu acho isso TÃO eficiente pra manter desigualdades salariais….

    De todo modo, muito bom o vídeo e a gente precisa arrumar essa bagaça, isso é fato.

    • Oi, Cacau. Obrigada pelo seu comentário. Não fui eu quem escreveu a matéria mas vou tentar responder o que a gente tenta fazer na revista. A gente tá sempre tentando trazer essa questão da mulher pra revista e essa matéria pinçada desse jeito realmente pode ser interpretada da maneira como vc fez. Mas o que a gente tenta fazer nas nossas matérias é o famoso how to. Quem é leitor sabe de todos esses fatores históricos e forças culturais e sociais que atuam contra a mulher no mercado de trabalho – a gente tá sempre reforçando isso. No caso dessa pauta específica, essa pesquisa indicou que além de toda essa bagaça, existe um outro fator que muita gente desconhecia, que é essa insegurança, no caso, a própria mulher não bota muita fé no próprio trabalho (com certeza influenciada por todas essas coisa que vc listou). E nesse ponto, isso é uma coisa que ela tem o poder de mudar. A matéria joga luz em um mero fragmento de toda essa questão da desigualdade salarial, e não reduz ele e culpabiliza a mulher por tudo. E sinceramente, tem vezes que o texto perde contexto por uma simples questão de edição. Aposto que a moça escreveu um texto maior que acabou cortado… hehe #serjornalistaédifícil No fim das contas, acho que pelo menos a intenção da matéria era mais ou menos essa do final do vídeo. incentivar a mulher a mudar isso. Começando por ela mesma, seja na hora de buscar um emprego novo ou de negociar um aumento.

      -Gostei disso que vc falou de salário ser tabu. vou pensar em algo… =) bj

      • Cacau Birdmad

        É que eu acho super importante não presumir que a pessoa sabe desses fatores. Porque muita gente não sabe e nem todo mundo que tiver acesso ao artigo necessariamente é leitor de sempre da revista, especialmente numa época de redes sociais – nas quais se compartilha apenas um artigo.

        Se a revista trabalha isso em outras matérias seria interessante que elas estivessem linkadas e indicadas como leitura ali também (na própria matéria), para complementar.

        Porque o artigo em si, solitário, individualiza muito. Pode, talvez, até ser pelo corte, o que é uma infelicidade, mas quem lê só tem acesso à isso. E aí pode parecer que quem não quer dividir as tarefas de casa não é o companheiro, não vem de uma pressão social, mas é algo dela, algo que ela acha. Que o perfeccionismo (maior em mulheres) é uma coisa dela (e isso é algo que a gente vive ouvindo de trabalhador que adoece: que ele era perfeccionista demais e ISSO era o problema – a organização do trabalho super nociva na qual ele estava inserido? quase não é apontada, no cotidiano – nem as pressões sociais que vivemos para sermos trabalhadores perfeitos), que a insegurança é algo dela – ou algo das mulheres, quase como algo natural.

        Culpabilização individual é uma coisa muito comum e muito nociva – e é uma mensagem muito mais presente na sociedade do que a crítica do social. Nos meios feministas talvez não, mas saindo deles vemos isso o tempo todo! Não é à toa que muitas das nossas lutas são justamente pra voltar o olhar ao social (a maneira que a masculinidade e feminilidade são construídas) ao invés da culpabilização / enfoque individual (ela estava bebendo? ela deu mole? que roupa ela estava usando).

        Então contexto é SUPER importante e, se outras matérias da revista providenciam isso, recomendo muito que elas sejam linkadas, porque acho importante lembrar quantas e quantas mulheres vão ter acesso só aquele link compartilhado por uma ou outra amiga. Porque muitas vezes, ao invés de dar mais autonomia (que imagino seja o objetivo) ou motivar a confiar mais em si (também) e mandar mais foda-ses, quando a pessoa tenta e depois se confronta a realidade que sistematicamente a poda – a mãe que diz “mas filha, como as crianças vão ficar?”, o colega que toma crédito pelas ideias dela, o chefe que corta ela quando vai falar, o colega menos qualificado que recebe a promoção ao invés dela mesmo quando ela tenta – sem contexto, isso pode acabar potencializando a insegurança dela, potencializando o “poxa, o problema sou eu” o “poxa, sou eu que não consigo ser mais segura” / “poxa, eu que não consigo dividir as tarefas” / “poxa, eu não consigo ser mais assertiva”.

        Além disso, sem o contexto dos outros artigos da revista, muito empresário pode usar isso como desculpa. Não é ele que não dá aumento de salário ou salário igual pra homens e mulheres: são elas que não pedem. O problema não é ele, é a insegurança delas…