Rainha da Su Casa: La imigrante soy yo

Eeei, Eô Eô! Pra quem não conhece, Rainha da Sucata foi uma novela nos anos 90, fizemos aqui um trocadalho do carilho em portuñol porque isso é o que a vida tem sido no momento, barracos, micos, lambadas, e tudo isso no cômodo de su casa, mas sem Regininha Duarte porque a gente não tem medo. Começamos esse não-blog pra falar como foi imigrar, as dificuldades que eu e meu companheiro passamos e espero que goste, estou aberta à perguntas também no meu twitter e/ou sugestão de temas! Me chama que eu vô!

 

 
Faz umas semanas que eu tenho tido memórias específicas de coisas que vivi junto com pessoas queridas ou não. Viver, de certa forma, isolados, traz tanto o nosso melhor quanto o nosso pior. Sabe aqueles memes no melhor estilo ~ estava indo dormir e aí bateu aquela bad que você fez 5 anos atrás, ou 10 (tô na idade que já rola até 15 anos atrás, irmã). Tem rolado comigo demais, mas revisitar essas memórias está trazendo paz pra mim. Encarar as merdas feitas, ditas, entender os erros, se emocionar com os acertos, os embates internos, tem sido maravilhoso.

Foi aí então que eu achei melhor começar a escrever sobre a vida aqui na Espanha. Sanar a saudade de todas as experiências vividas, das boas e das más, para servir como registro, para satisfazer a curiosidade dos amigos sobre como estamos (eu e Ivan, meu companheiro), onde estamos e como viemos parar aqui. Isso tudo sem ter que ser repetitiva e ainda depender da internet precária que temos para dar notícias. Mas não tô reclamando da internet não, viu Nossa Senhora do Wifi Alheio (explico em outro post, haha)? <3

Começou a primavera, acho que isso dá mais vontade de escrever, também. Vão fazer 4 meses que chegamos aqui mas só essa última semana é que consigo sair do banho e ir me vestir no quarto, ou onde eu quiser ir me vestir. Sempre odiei me vestir no banheiro depois do banho, tudo está úmido e não é confortável. Mas há pouco tempo atrás era a única forma de sair protegida do frio. A casa que estamos não tem aquecimento, só um aquecedor elétrico individual que usávamos só pra dormir! É uma casinha super simples no sudeste da Espanha, dentro do Parque Natural Cabo de Gata.

 
[caption id="attachment_10239" align="aligncenter" width="700"] é aqui onde estamos, Las Presillas Bajas, a 40km ao leste de Almería <3[/caption]  
Tudo começou a um tempo atrás na ilha do sol (piadinha 25+). Tudo começou com a morte do meu avô em 2013, calma, não é pra ficar mórbido. Assim que meu avô faleceu, fomos morar no apartamento dele em Copacabana. A história é bem mais longa do que essa, o que importa é que conseguimos sair do aluguel e no (agora) nosso apartamento alugamos um dos dois quartos para viajantes Airbnb a partir de 2014. Eu e Ivan conseguimos juntar um bom dinheiro para reformar o apartamento que estava caindo aos pedaços e colocar pra alugar (para ir viajar).

Eu e Ivan compartilhamos a maioria das coisas, somos muito companheiros. Em 2013 fizemos um mochilão pelo leste da Europa que nos deixou com vontade de passar um tempo fora para conseguir absorver outras culturas sem pressa. Então começamos a botar esse plano em ação, com um ano de antecedência, começamos a juntar dinheiro, nos preparar psicologicamente e deixar a vida pronta para nossa ida. E assim fomos, ou viemos, haha. Escolhemos a Espanha porque o Ivan é neto de espanhol e no final de 1 ano vivendo aqui, há possibilidade de tirarmos uma dupla cidadania, o que facilitaria viajarmos pra onde quisermos sem chatices.

 
[caption id="attachment_10245" align="aligncenter" width="700"] tentativas de fotos para deixar no consulado, mas como a gente é ridículo, fomos num profissional mermo.[/caption]  
Vendemos tudo o que tínhamos e doamos muitas outras coisas, 2015 foi um ano difícil (para todes né?) e de muito desapego. Um ano de muita loucura, juntando dinheiro, arrumando o apartamento, morar um tempo na casa dos sogros (obrigada sogros maravilhosos!), conseguir vencer a burocracia de viajar com 3 mascotas para fora do Brasil, casar para facilitar a burocracia de conseguir tirar um visto de residência, pressão de ver amigos, pressão de ver familiares, medo, ansiedade (patológica e não), enfim, acho que deu pra entender. Foi um ano meio ~ quem ri por último rivotril, sabe assim? ~

Chegou num ponto em que já estávamos com tudo certo, só faltava o consulado liberar (ou não) o nosso visto. Foram semanas de angústia e resolvi ir a São Paulo visitar meu pai e meus amigos enquanto aguardava o resultado. Um dia eu acordei e chequei o site do consulado como todos os dias eu fazia (pelo menos 3 vezes ao dia aloca) e estava lá, eles tinham liberado. Eu gritava, corria pela casa do meu pai que nem o Mcaulin Caulkin seilacomoescreve no Esqueceram de Mim. Liguei pro Ivan berrando, mas ele entendeu depois de alguns segundos, hahaha. Chorava e ria ao mesmo tempo, emoçaum. <3

 
[caption id="attachment_10243" align="aligncenter" width="280"]foi exatamente assim foi exatamente assim[/caption]                           
 
Voltei pro Rio uns dois dias depois, fizemos uma micro despedida tanto em SP quanto no RJ e viajamos logo em seguida. Chegamos em Madri no dia 18 de Dezembro de 2015. O ano tinha sido tão pesado, eu fiz questão de fazê-lo acabar com outra perspectiva. CONSEGUI, <3.

Saímos daquele Rio 40 graus e chegamos no aeroporto de Barajas em Madri. Devia estar fazendo uns 14 graus. Não estava tão frio pra época e eu queria absorver tudo, todos os cheiros, os sentidos estavam aguçadíssimos. Os animais chegaram bem, com carinhas ótimas, ufa! Um cara no aeroporto pediu pra ver a mochila do Ivan depois de passar no raio-x porque tinha um brinquedo do Madiba que parece um pinto, HAHA. ~micos.

 
[caption id="attachment_10244" align="aligncenter" width="690"] vai dizer  ~ risos[/caption]  
O taxi já estava nos esperando com uma plaquinha com nosso nome. Como estávamos com caixas enormes dos animais, e mais 3 malas, foi preciso reservar uma van para 8 pessoas, hahaha. Vergonha alheia só que minha mesmo. O motorista foi extremamente simpático durante o caminho e nos ajudou a baixar as malas em nosso endereço para os próximos 5 dias, Calle Ave Maria, 23 em Lavapiés.

Chegando no endereço, o cara que daria as chaves pra gente (Airbnb) demorou mais de uma hora pra chegar, hahaha. O problema nem era o frio (só um pouquinho) é que as mascotas não comiam há mil horas, então deixei Ivan com as tralhas todas e fui achar um supermercado pra dar comida pra galera ali na rua mesmo. Infelizmente não pode transportar ração, nem sei se falei isso no post de viajar com mascotas, gulp!

 
[caption id="attachment_10018" align="aligncenter" width="591"] todes ama essa foto, mas a gente tava há um tempão já ali aguardando (olha eu com note no colo, fiz o celular de roteador ~ malaca). a caixa de papelão tava com as comidas das mascotas! Hahaha. ~ segredos por trás das fotos ~[/caption]  
Quando entrei no supermercado para comprar comida de cachorro e de gato, senti um climão! Como eu estava com pressa porque minhas mascotas não comiam já faziam muitas horas, ignorei e continuei procurando a comida, era um daqueles mini supermercados, sabe? Era um Dia% mini, pop up, sei lá como chama, hahaha. Fiquei achando que eu tava fazendo algo de errado, aloca, brasileiro vai pra gringa e acha que respirar já tá fazendo merda, hahaha. Quando cheguei no caixa, um funcionário já estava discutindo (barracão mermo) com um cara espanhol que tinha furtado alguns produtos. O cara que tinha furtado era um espanholzão de uns 45 anos e mesmo na condição de ter sido pego no flagrante, usou seu privilégio pra esbravejar xenofobia para o funcionário que era oriental. Cara, que ódio que deu, mas eu não tava pronta linguisticamente pra jogar o raio problematizador. A polícia chegou em menos de 5 minutos. De qualquer forma, pra quem conhece o RJ, sabe que depois de um barracão, há de se sentir em casa.

Voltei pra encontrar com o Ivan, demos comida pra galera e o cara do Airbnb chegou. Não foi muito fácil subir com a tralha toda, super pesada, por 4 lances duplos de escada, mas a excitação era tanta que foi até rápido. Compramos chip para celular em um locutório do lado de onde ficamos e já contactamos familiares, amigos, mandando o grande joínha dizendo que o vôo tinha sido ótimo e que chegamos bem.

 
[caption id="attachment_10297" align="aligncenter" width="310"]print-like-2 quem nunca? haha[/caption]  
Madri é foda. Lavapiés é um bairro de imigrantes e por isso tem os melhores bares, bares feministas, grafites políticos nas ruas, antifas, lugares vegetarianos e veganos, me senti em casa. Tinha um grafite que até já rolava um spoiler de Star Wars mas nem fiquei puta, achei engraçado, hahaha. A gente não tinha assistido ainda! De quebra ainda saímos com meu querido amigo Andrei, da época da faculdade, provavelmente ele vai surgir muitas vezes por aqui ~ spoiler.

 
[portfolio_slideshow id=10235 exclude="10268,10272,10271,10258,10245,10244,10243,10239,10238,10297"]  
Ah sim, claro. Como nós viemos parar aqui nas Presillas Bajas dentro do Parque Natural Cabo de Gata. É o seguinte, meu pai tem uma amizade de mais de 30 anos. Vou preservar os nomes porque nem sabem que estão sendo citados, tá? Hahaha. A casa foi comprada há uns 25 anos. A amiga do meu pai é francesa e deve ter custado praticamente nada para ela na época, se essa ainda é a região mais pobre da Espanha, na época, em Pesetas, deve ter sido bem baratinha mesmo. Mas como eu disse, ela é francesa e mora na França. Passa uma ou duas semanas por ano nessa casinha durante o verão e as vezes natal/ano novo. Ela nos ofereceu para ficarmos um tempo aqui até conseguirmos nos ajeitar minimamente, claro que aceitamos. Aqui somos caseiros, cuidamos da casa e pagamos as contas, claro. :) #migadomeupairainhaorestonadinha

Assim sendo, chegamos no dia 23 de dezembro na pequena aldeia de 20 pessoas (isso mesmo), Las Presillas Bajas, no sudeste da Espanha. Região desértica e praiana ao mesmo tempo. Assim começou a nossa aventura! Espero que vocês tenham gostado dessa intro porque terão mais textos e fotos sobre as altas aventuras e perrengues da sessão da tarde que passamos por aqui! Vídeos ainda não temos coragem mas das mascotas, com certeza!

 

Mais de Bárbara Gondar

Idade Média, estupro e “nem todo o homem”

Tô vendo uma série no Netflix sobre Isabel de Castilla (as estudante de história pira) e tem uma parte em que uma camponesa é sequestrada por 4 homens que estavam lutando uma guerra de deposição do rei Enrique. Eles a sequestram apenas para estuprá-la, um estupro coletivo. Depois que um deles “acaba” e ela está toda suja de sangue, chorando, humilhada, o próximo vai soltando o cinto e ela consegue alcançar uma faca e aponta. Um deles diz “o que você vai fazer com uma faca contra nós 4?” e ela corta sua própria garganta. Os caras olham a cena meio “ah, que bosta, nosso brinquedinho quebrou”, daí o cara limpa a faca que ela usou pra se matar no próprio vestido da mulher e seguem viagem.

Eu consigo identificar mil questões de como um estupro é apenas uma ferramenta de poder e subordinação, de como estupro não é sexo nem pro agressor! Escolher uma mulher aleatória, ficar com pau duro com alguém desesperado e com medo na sua frente, depois de morta não a querem mais, só vale enquanto está sendo acuada e humilhada. Violam o corpo da mulher sem lhe tirar o vestido, com ela deitada de bruços, poderia ser qualquer coisa,  mas escolhem uma mulher para preservar sua masculinidade na frente dos colegas e inferiorizam a mulher fragilizada.
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Pessoalmente acredito que seja muito importante mostrar em séries e filmes de cunho histórico não-fictício, como eram os costumes, mostrar como mulheres exerciam seus poderes nas entrelinhas e como eram subordinadas, comportamentos machistas ao extremo, estupros. De modo que isso nos faz reviver um museu de nosso próprio caráter passado e mostrar o que evoluímos e o que ainda temos pra evoluir. Mais memória real e impactante sobre a ditadura no Brasil teria sido muito importante para essa geração de seguidores do Bolsomito (bolsonaro + vômito), por exemplo. Dito isso, sou extremamente contra qualquer cena em série ou filme de caráter fictício e/ou distópico que mostre uma subordinação de uma mulher não condenada pela narrativa e as vezes pior, romantizada. A mostre como inferior e estupro então, nem se fala. Tirar a cultura do estupro de pauta é uma urgência latente.

Sabemos que Game of Thrones é uma série que muitas pessoas gostam e apesar de terem muitas mulheres no poder, fazendo vilãs, mocinhas e mulheres comuns sem os devidos extremos estereótipos, apresenta muitas problematizações no sentido: por que tanto estupro? Estupro corretivo, estupro entre casais, estupro de casamento não consentido, estupro ordenado para punir, etc. Os maiores fãs da série dizem que “na época acontecia essas coisas”, só gostaria de lembrar que não existe essa “época”, é uma série ficcional, de um tempo ficcional, que pode se assemelhar a diversos tempos da nossa linha temporal, porém há cenas não justificáveis. Se a gente quer acabar com a cultura do estupro, seria muito mais interessante promover o empoderamento da mulher do que a subjugação histórica que nós tivemos e ainda temos (de 11 em 11 minutos no Brasil). Boicotar a série ou não é uma opção individual, porém é muito importante reconhecer onde há romantização de estupro e fazer críticas pesadas sobre o tema. Apenas.

Fazendo uma avaliação mais contemporânea, a gente pode também comparar com abusos de autoridade e poder. Micro e macro relações machistas diárias apenas para institucionalizar que há uma hierarquia de poder ainda que técnica e intelectualmente já tenhamos superado isso há séculos. Por que se precisa abusar de alguém quando está em situação vulnerável? Por situação vulnerável podemos listar várias coisas como, sob efeito de álcool, com medo, desmaiada, emocionalmente abalada, diferença gritante de idade, subordinada, crianças e idosos.

Lembrando sempre que homens e mulheres são diferentes biologicamente sim e a força é uma questão que interfere na subordinação da mulher há milênios. É bom lembrar porque feminismo pede igualdade perante a lei e equidade, ou seja, uma equivalência para nos tornarmos iguais perante a sociedade. Como já disse antes, já superamos há séculos essas questões e aqui uma galeria de pinturas da Idade Média para o deleite feminimo empoderador (clique no centro da imagem para ver todas).

Infelizmente, todas nós sabemos que homens próximos (amigos, familiares) e omis (termo de homem de internet que a gente não conhece e faz questão de ser agressivo) sempre nos dizem e repetem: Nem todos os homens. Pessoalmente consigo entender minimamente o porquê eles repetem isso frequentemente. Quando eu descobri que era opressora de mulheres negras e pobres (sou branca e classe média), fiquei muito angustiada e mal, mas nunca questionei isso, pelo contrário. Entendi que eu tenho a cara do opressor e fiz questão de manejar minha militância para as pautas mais urgentes. Muito mais urgentes que as minhas (empatia salva, galeura).

Sei que internalizar e digerir as questões é uma característica minha, mas não é característica da maioria dos homens e omis que foram criados livremente para serem exploradores, dominadores e questionadores. E por que não interpeladores? Interpeladores sim e confortáveis com isso. Já tentei os fazer entender o porquê, mas deixo aqui um trecho de um livro de uma escritora feminista de 1985 que já tinha que lidar com esse argumento.

Sabe o que acontece quando expomos uma situação absurda e o que ouvimos é “nem todo homem”? A situação explanada é altamente relevada. Os sentimentos de mágoa pessoal, por não quererem assumir a cara/frente das opressões milenares de gênero, etnia, classe, etc., tornam-se mais relevantes do que todas essas opressões. O que acontece é que se dá a perpetuação da subordinação das questões femininas e das minorias mais uma vez. Vence o micro machismo diário, vence o egoísmo e fica óbvio do porquê homens não podem ser feministas.
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Então chega de feminismo liberal por hoje e eu vou voltar pra minha série porque águas ainda vão rolar e Isabel ainda vai se tornar rainha da porra toda. Desculpem o spoiler.

Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.

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viajar com 3 mascotas para fora do Brasil, casar para facilitar a burocracia de conseguir tirar um visto de residência, pressão de ver amigos, pressão de ver familiares, medo, ansiedade (patológica e não), enfim, acho que deu pra entender. Foi um ano meio ~ quem ri por último rivotril, sabe assim? ~

Chegou num ponto em que já estávamos com tudo certo, só faltava o consulado liberar (ou não) o nosso visto. Foram semanas de angústia e resolvi ir a São Paulo visitar meu pai e meus amigos enquanto aguardava o resultado. Um dia eu acordei e chequei o site do consulado como todos os dias eu fazia (pelo menos 3 vezes ao dia aloca) e estava lá, eles tinham liberado. Eu gritava, corria pela casa do meu pai que nem o Mcaulin Caulkin seilacomoescreve no Esqueceram de Mim. Liguei pro Ivan berrando, mas ele entendeu depois de alguns segundos, hahaha. Chorava e ria ao mesmo tempo, emoçaum. <3

 
                           
 
Voltei pro Rio uns dois dias depois, fizemos uma micro despedida tanto em SP quanto no RJ e viajamos logo em seguida. Chegamos em Madri no dia 18 de Dezembro de 2015. O ano tinha sido tão pesado, eu fiz questão de fazê-lo acabar com outra perspectiva. CONSEGUI, <3.

Saímos daquele Rio 40 graus e chegamos no aeroporto de Barajas em Madri. Devia estar fazendo uns 14 graus. Não estava tão frio pra época e eu queria absorver tudo, todos os cheiros, os sentidos estavam aguçadíssimos. Os animais chegaram bem, com carinhas ótimas, ufa! Um cara no aeroporto pediu pra ver a mochila do Ivan depois de passar no raio-x porque tinha um brinquedo do Madiba que parece um pinto, HAHA. ~micos.

 

 
O taxi já estava nos esperando com uma plaquinha com nosso nome. Como estávamos com caixas enormes dos animais, e mais 3 malas, foi preciso reservar uma van para 8 pessoas, hahaha. Vergonha alheia só que minha mesmo. O motorista foi extremamente simpático durante o caminho e nos ajudou a baixar as malas em nosso endereço para os próximos 5 dias, Calle Ave Maria, 23 em Lavapiés.

Chegando no endereço, o cara que daria as chaves pra gente (Airbnb) demorou mais de uma hora pra chegar, hahaha. O problema nem era o frio (só um pouquinho) é que as mascotas não comiam há mil horas, então deixei Ivan com as tralhas todas e fui achar um supermercado pra dar comida pra galera ali na rua mesmo. Infelizmente não pode transportar ração, nem sei se falei isso no post de viajar com mascotas, gulp!

 

 
Quando entrei no supermercado para comprar comida de cachorro e de gato, senti um climão! Como eu estava com pressa porque minhas mascotas não comiam já faziam muitas horas, ignorei e continuei procurando a comida, era um daqueles mini supermercados, sabe? Era um Dia% mini, pop up, sei lá como chama, hahaha. Fiquei achando que eu tava fazendo algo de errado, aloca, brasileiro vai pra gringa e acha que respirar já tá fazendo merda, hahaha. Quando cheguei no caixa, um funcionário já estava discutindo (barracão mermo) com um cara espanhol que tinha furtado alguns produtos. O cara que tinha furtado era um espanholzão de uns 45 anos e mesmo na condição de ter sido pego no flagrante, usou seu privilégio pra esbravejar xenofobia para o funcionário que era oriental. Cara, que ódio que deu, mas eu não tava pronta linguisticamente pra jogar o raio problematizador. A polícia chegou em menos de 5 minutos. De qualquer forma, pra quem conhece o RJ, sabe que depois de um barracão, há de se sentir em casa.

Voltei pra encontrar com o Ivan, demos comida pra galera e o cara do Airbnb chegou. Não foi muito fácil subir com a tralha toda, super pesada, por 4 lances duplos de escada, mas a excitação era tanta que foi até rápido. Compramos chip para celular em um locutório do lado de onde ficamos e já contactamos familiares, amigos, mandando o grande joínha dizendo que o vôo tinha sido ótimo e que chegamos bem.

 

 
Madri é foda. Lavapiés é um bairro de imigrantes e por isso tem os melhores bares, bares feministas, grafites políticos nas ruas, antifas, lugares vegetarianos e veganos, me senti em casa. Tinha um grafite que até já rolava um spoiler de Star Wars mas nem fiquei puta, achei engraçado, hahaha. A gente não tinha assistido ainda! De quebra ainda saímos com meu querido amigo Andrei, da época da faculdade, provavelmente ele vai surgir muitas vezes por aqui ~ spoiler.

 

 
Ah sim, claro. Como nós viemos parar aqui nas Presillas Bajas dentro do Parque Natural Cabo de Gata. É o seguinte, meu pai tem uma amizade de mais de 30 anos. Vou preservar os nomes porque nem sabem que estão sendo citados, tá? Hahaha. A casa foi comprada há uns 25 anos. A amiga do meu pai é francesa e deve ter custado praticamente nada para ela na época, se essa ainda é a região mais pobre da Espanha, na época, em Pesetas, deve ter sido bem baratinha mesmo. Mas como eu disse, ela é francesa e mora na França. Passa uma ou duas semanas por ano nessa casinha durante o verão e as vezes natal/ano novo. Ela nos ofereceu para ficarmos um tempo aqui até conseguirmos nos ajeitar minimamente, claro que aceitamos. Aqui somos caseiros, cuidamos da casa e pagamos as contas, claro. :) #migadomeupairainhaorestonadinha

Assim sendo, chegamos no dia 23 de dezembro na pequena aldeia de 20 pessoas (isso mesmo), Las Presillas Bajas, no sudeste da Espanha. Região desértica e praiana ao mesmo tempo. Assim começou a nossa aventura! Espero que vocês tenham gostado dessa intro porque terão mais textos e fotos sobre as altas aventuras e perrengues da sessão da tarde que passamos por aqui! Vídeos ainda não temos coragem mas das mascotas, com certeza!

 

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