Leia: Adélia Prado

A voz da poesia brasileira

Conheci Adélia Prado (1932) na maior formalidade do mundo: uma mera sugestão de leituras parecidas em uma loja virtual de livros com Wislawa Szymborska, que eu já havia indicado aqui mesmo na Ovelha. Decidi me aventurar, afinal estou viciada no meu “detox” de literaturas escritas por mulheres, cada copo é uma descoberta.

Adélia foi amor à primeira vista. A simplicidade para expressar coisas grandes, as palavras tímidas, mas cheias de forças, seus personagens tão fortes: descreve Minas Gerais de maneira que faz o leitor achar que já viveu lá em alguma vida passada, ficamos íntimos ao decorrer das leituras. Formada em Filosofia, Adélia é professora, poetisa, contista ligado ao movimento Modernista e claro filosofa, nascida em Divinópolis (MG), província que é cenários da maioria dos seus livros, e que são norteados pela fé cristã que a autora diz fazer parte da sua constitutiva humana, o que pode entender como a simplicidade de acreditar em algo, seus personagens são provas disso. Sua literatura assim como Wislawa mostra o cotidiano com perplexidade e dizendo que o cotidiano é a própria condição da literatura.

Autora de mais 15 obras, ganhadora do prêmio Jabuti em 1976 com seu livro “Coração Disparado”, onde a consagrou-a como a voz mais feminina da poesia brasileira, que na minha visão poderia ser: Uma das vozes da poesia brasileira PONTO FINAL. Não há necessidade de separar em gênero sua qualidade poética, uma vez que sugerir essa classificação masculina feminina, deixa subentendido que há uma categoria diferente, senão mais fácil às mulheres, algo totalmente contraproducente do ponto de vista feminista.

Acredito que de todos os seus livros que li, e olha que faltam alguns ainda, o que mais me chamou atenção foi “Quero minha mãe” publicado em 2005, onde a personagem Olímpia, com 60 anos conta em pequenos fragmentos alguns lapsos de suas memórias sobre sua relação e perda da mãe quando criança, e seus medos sobre a morte.  A sensibilidade de Adélia ao narrar essas memórias é sensacional, a personagem divide conosco reflexões, angústias, intimidades que todas nós em algum instante podemos compartilhar, em alguns momentos. Olímpia nos traz tão perto de sua vida que sua vida é nossa e nós somos a própria Olímpia.

Não vou me alongar, afinal só lendo para sentir o poder da escrita de Adélia Prado e, para finalizar minha indicação deixo um trecho desse mesmo livro que acredito que possa te convencer a ler Adélia:

Meu espírito está preso à carne. Do homem das cavernas a esta constatação, meu espírito está preso à carne. Voo muito em sonho. Creio na ressurreição dos mortos, aceito e confesso o absurdo que me salva

 


LEIA ADÉLIA PRADO!

 

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