Desde fevereiro de 2015 estou em uma empreitada de só ler livros escritos por mulheres. Nesse meio tempo, já respondi às mais variadas perguntas, indo desde “Você pode me indicar alguns livros?” até “Você não sente falta de ler autores homens?”. Mas a grande pergunta a ser respondida nesses quase dois anos deveria ser: “O quanto isso mudou a sua vida?” E posso responder essa pergunta falando de uma autora que conheci fazendo buscas de novas autoras para ler, a Claude Cahun “heroína desconhecida”, poeta, narcisa, ensaísta, andrógina, contista, feminista indefinida, jornalista, humanista eventual, panfletária, amiga dos gatos, epistoleira, dândi, memorialista, simbolista, atriz, naturista, criadora de objetos, individualista, fotógrafa, surrealista, ativista política, idealista, esteta, resistente, mítica, peça única, como consta em seu perfil.
A melhor coisa de ter entrado nesse esquema ~exclusivista feminazi~ (risos) foi a amplitude que passei a dar às minhas pesquisas e buscas por autores para ler. É muito fácil chegar até um autor homem novo, ele é indicado em todos os livros, posts de blog, outdoors de ônibus, buscas no Google e até mesmo na porta do CCBB vendendo poesia. Eles caem no nosso colo como sempre, arrojados invadindo o espaço e conquistando, como bandeirantes, os olhares de seus leitores. Talvez seja só comigo, mas sinto que com as mulheres é diferente, as indicações funcionam em esquema de receitas secretas de família: uma amiga que passa pra outra que passa pra outra que passa pra outra. Restringir meu objetivo de leitura, na verdade, me fez ampliar meus cliques e pesquisas, chegando até esta artista única que é a Claude Cahun.
Nascida em 1894, em Nantes, na França, Lucy Schwob, como foi registrada em seu nascimento, produziu em diversos meios artísticos entre as décadas de 1920 e 1940. Mais conhecida por seus autorretratos e fotomontagens, Claude Cahun também se dedicou à escrita e publicou textos em revistas literárias europeias, dando origem a esse conjunto de histórias nomeado “Heroínas”. Mas o que mais me chamou atenção nesta artista multifoco não foi sua produção, mas sim a falta de divulgação e de conhecimento sobre o seu trabalho.
Quando cheguei até o livro, lançado através de um crowdfunding pela A Bolha Editora, acreditei piamente se tratar de uma nova autora. Com um projeto gráfico lindão, o livro soa super atual, principalmente pela temática: são dezesseis contos que retratam uma nova perspectiva de diversas figuras femininas famosas de fabulas ou mitologias antigas. Claude Cahun faz uma leitura atravessada destas figuras impactantes, como Maria ou Cinderella, e ataca com sua ironia refinada e ácida.
Corrigindo a história e dando voz a essas personagens, a autora nos traz uma nova perspectiva sobre o papel da mulher nos contos de fada e nas mitologias. Ou seja: Claude Cahun, em 1920, já era uma figura feminista marcante, que desafiava os padrões de gênero não só em sua escrita, como também em sua vida. A edição do livro, bastante completa, traz um posfácio do filósofo François Leperlier, que descreve precisamente a aura dos textos de Claude:
A intenção é clara, ela é irônica e subversiva ao se atacar à imagem da mulher como apresentada nos contos e mitos; uma tentativa de corrigir e reescrever biografias fabulosas, fazendo oposição às versões admitidas, conformes e banalizadas com outras versões inesperadas, rebeldes, cáusticas e irreverentes.
– François Leperlier
A escolha do nome Claude, feita aos 22 anos, não foi à toa: a possibilidade de ter um nome que abarcasse os dois gêneros era essencial para sua obra. Com uma aparência andrógina, considerando-se gênero neutro, e uma escrita ácida, Claude fez da sua vida sua obra e conquistou um espaço revolucionário quando muitas mulheres sequer pensavam em escrever.
Mas por que não falamos mais sobre Claude Cahun? O livro “Heroínas”, editado pela A Bolha, conta com uma introdução essencial para entender a figura de Claude Cahun. A também escritora Nathanaël, na introdução do livro, faz uma análise muito acertada dessa figura múltipla e traz à tona o esquecimento de uma artista talentosérrima:
(…) foi por muito tempo presumida como derrotada em combate, apagando-se alegremente dos registros históricos a fim de se confundir no anonimato… não fosse esse salvamento intempestivo de uma obra que, caso contrário, ficaria dedicada ao esquecimento e cujos rastros nos chegam hoje para além até das línguas que lhe eram próprias.
Esquecidos, os textos de Claude Cahun, redigidos em diversas línguas, foram resgatados nos anos 80, caindo novamente no esquecimento e sendo trazidos à tona, em uma edição francesa, em 2006. Mas o que torna tudo ainda mais curioso é que Claude Cahun era uma presença importante e fundamental para autores que construíram o Surrealismo. Amiga de Henri Michaux, Andre Breton e George Bataille, Cahun participou de diversos movimentos e organizações surrealistas, integrando também movimentos políticos e lutando ativamente contra a o Nazismo que crescia na Europa. Acaba presa em 1944, junto a sua eterna companheira e amante, Marcel Moore, e são condenadas à morte. Conseguem fugir, mas atribui-se a morte de Claude Cahun a este período presa, por conta de sua saúde debilitada.
Uma mulher com uma trajetória tão intensa e à frente de seu tempo, presente em movimentos artísticos e políticos, foi apagada de nossa história sem dó. Fico me perguntando o quanto conhecer Claude Cahun e sua história pode mudar a nossa concepção do que é ser mulher, a concepção de gênero, e como podemos nos colocar frente ao mundo. “Heroínas” acaba sendo um testemunho de como suas ideias são fundamentais para a construção da nossa força enquanto mulheres. Em uma das histórias, Cahun dá voz a Margarida, personagem de Fausto, de Goethe, e questiona diversos estigmas atribuídos às mulheres:
Uma mulher que tem lá seus desejos é mesmo um monstro? Será minha culpa? Quando esse mal começou, eu era muito jovem, jovem demais para entender.
É preciso ler essas mulheres, tão vanguarda ainda hoje em dia. Evoluímos muito, mas ao mesmo tempo muito pouco, e é ao se deparar com esse tipo de apagamento e resgate que percebemos a necessidade de preencher os mais diversos buracos da nossa história enquanto mulheres. Não se trata de não termos participado da história, com feitos importantes, se trata da história ainda ser escrita apenas por quem nos oprime e apaga: homens. É preciso conhecer nossa história, é preciso ler “Heroínas” de Claude Cahun, é preciso reescrever nossa trajetória tão cheia de lacunas.
Você encontra o livro “Heroínas” através da loja online da Editora A Bolha e também na loja física, que fica no mesmo prédio da Comuna, no Rio de Janeiro (Rua Sorocaba, 585 – Botafogo). Além disso, você pode seguir A Bolha Editora no Facebook e ficar por dentro dos lançamentos, sempre bem bacanas.
E antes de começar a ler o livro, vem cá dar o play nessa playlist mara inspiradas nas “Heroínas” de Claude Cahun.
Desde fevereiro de 2015 estou em uma empreitada de só ler livros escritos por mulheres. Nesse meio tempo, já respondi às mais variadas perguntas, indo desde “Você pode me indicar alguns livros?” até “Você não sente falta de ler autores homens?”. Mas a grande pergunta a ser respondida nesses quase dois anos deveria ser: “O quanto isso mudou a sua vida?” E posso responder essa pergunta falando de uma autora que conheci fazendo buscas de novas autoras para ler, a Claude Cahun “heroína desconhecida”, poeta, narcisa, ensaísta, andrógina, contista, feminista indefinida, jornalista, humanista eventual, panfletária, amiga dos gatos, epistoleira, dândi, memorialista, simbolista, atriz, naturista, criadora de objetos, individualista, fotógrafa, surrealista, ativista política, idealista, esteta, resistente, mítica, peça única, como consta em seu perfil.
A melhor coisa de ter entrado nesse esquema ~exclusivista feminazi~ (risos) foi a amplitude que passei a dar às minhas pesquisas e buscas por autores para ler. É muito fácil chegar até um autor homem novo, ele é indicado em todos os livros, posts de blog, outdoors de ônibus, buscas no Google e até mesmo na porta do CCBB vendendo poesia. Eles caem no nosso colo como sempre, arrojados invadindo o espaço e conquistando, como bandeirantes, os olhares de seus leitores. Talvez seja só comigo, mas sinto que com as mulheres é diferente, as indicações funcionam em esquema de receitas secretas de família: uma amiga que passa pra outra que passa pra outra que passa pra outra. Restringir meu objetivo de leitura, na verdade, me fez ampliar meus cliques e pesquisas, chegando até esta artista única que é a Claude Cahun.
Nascida em 1894, em Nantes, na França, Lucy Schwob, como foi registrada em seu nascimento, produziu em diversos meios artísticos entre as décadas de 1920 e 1940. Mais conhecida por seus autorretratos e fotomontagens, Claude Cahun também se dedicou à escrita e publicou textos em revistas literárias europeias, dando origem a esse conjunto de histórias nomeado “Heroínas”. Mas o que mais me chamou atenção nesta artista multifoco não foi sua produção, mas sim a falta de divulgação e de conhecimento sobre o seu trabalho.
Quando cheguei até o livro, lançado através de um crowdfunding pela A Bolha Editora, acreditei piamente se tratar de uma nova autora. Com um projeto gráfico lindão, o livro soa super atual, principalmente pela temática: são dezesseis contos que retratam uma nova perspectiva de diversas figuras femininas famosas de fabulas ou mitologias antigas. Claude Cahun faz uma leitura atravessada destas figuras impactantes, como Maria ou Cinderella, e ataca com sua ironia refinada e ácida.
Corrigindo a história e dando voz a essas personagens, a autora nos traz uma nova perspectiva sobre o papel da mulher nos contos de fada e nas mitologias. Ou seja: Claude Cahun, em 1920, já era uma figura feminista marcante, que desafiava os padrões de gênero não só em sua escrita, como também em sua vida. A edição do livro, bastante completa, traz um posfácio do filósofo François Leperlier, que descreve precisamente a aura dos textos de Claude:
A intenção é clara, ela é irônica e subversiva ao se atacar à imagem da mulher como apresentada nos contos e mitos; uma tentativa de corrigir e reescrever biografias fabulosas, fazendo oposição às versões admitidas, conformes e banalizadas com outras versões inesperadas, rebeldes, cáusticas e irreverentes.
– François Leperlier
A escolha do nome Claude, feita aos 22 anos, não foi à toa: a possibilidade de ter um nome que abarcasse os dois gêneros era essencial para sua obra. Com uma aparência andrógina, considerando-se gênero neutro, e uma escrita ácida, Claude fez da sua vida sua obra e conquistou um espaço revolucionário quando muitas mulheres sequer pensavam em escrever.
Mas por que não falamos mais sobre Claude Cahun? O livro “Heroínas”, editado pela A Bolha, conta com uma introdução essencial para entender a figura de Claude Cahun. A também escritora Nathanaël, na introdução do livro, faz uma análise muito acertada dessa figura múltipla e traz à tona o esquecimento de uma artista talentosérrima:
(…) foi por muito tempo presumida como derrotada em combate, apagando-se alegremente dos registros históricos a fim de se confundir no anonimato… não fosse esse salvamento intempestivo de uma obra que, caso contrário, ficaria dedicada ao esquecimento e cujos rastros nos chegam hoje para além até das línguas que lhe eram próprias.
Esquecidos, os textos de Claude Cahun, redigidos em diversas línguas, foram resgatados nos anos 80, caindo novamente no esquecimento e sendo trazidos à tona, em uma edição francesa, em 2006. Mas o que torna tudo ainda mais curioso é que Claude Cahun era uma presença importante e fundamental para autores que construíram o Surrealismo. Amiga de Henri Michaux, Andre Breton e George Bataille, Cahun participou de diversos movimentos e organizações surrealistas, integrando também movimentos políticos e lutando ativamente contra a o Nazismo que crescia na Europa. Acaba presa em 1944, junto a sua eterna companheira e amante, Marcel Moore, e são condenadas à morte. Conseguem fugir, mas atribui-se a morte de Claude Cahun a este período presa, por conta de sua saúde debilitada.
Uma mulher com uma trajetória tão intensa e à frente de seu tempo, presente em movimentos artísticos e políticos, foi apagada de nossa história sem dó. Fico me perguntando o quanto conhecer Claude Cahun e sua história pode mudar a nossa concepção do que é ser mulher, a concepção de gênero, e como podemos nos colocar frente ao mundo. “Heroínas” acaba sendo um testemunho de como suas ideias são fundamentais para a construção da nossa força enquanto mulheres. Em uma das histórias, Cahun dá voz a Margarida, personagem de Fausto, de Goethe, e questiona diversos estigmas atribuídos às mulheres:
Uma mulher que tem lá seus desejos é mesmo um monstro? Será minha culpa? Quando esse mal começou, eu era muito jovem, jovem demais para entender.
É preciso ler essas mulheres, tão vanguarda ainda hoje em dia. Evoluímos muito, mas ao mesmo tempo muito pouco, e é ao se deparar com esse tipo de apagamento e resgate que percebemos a necessidade de preencher os mais diversos buracos da nossa história enquanto mulheres. Não se trata de não termos participado da história, com feitos importantes, se trata da história ainda ser escrita apenas por quem nos oprime e apaga: homens. É preciso conhecer nossa história, é preciso ler “Heroínas” de Claude Cahun, é preciso reescrever nossa trajetória tão cheia de lacunas.
Você encontra o livro “Heroínas” através da loja online da Editora A Bolha e também na loja física, que fica no mesmo prédio da Comuna, no Rio de Janeiro (Rua Sorocaba, 585 – Botafogo). Além disso, você pode seguir A Bolha Editora no Facebook e ficar por dentro dos lançamentos, sempre bem bacanas.
E antes de começar a ler o livro, vem cá dar o play nessa playlist mara inspiradas nas “Heroínas” de Claude Cahun.
Desde fevereiro de 2015 estou em uma empreitada de só ler livros escritos por mulheres. Nesse meio tempo, já respondi às mais variadas perguntas, indo desde “Você pode me indicar alguns livros?” até “Você não sente falta de ler autores homens?”. Mas a grande pergunta a ser respondida nesses quase dois anos deveria ser: “O quanto isso mudou a sua vida?” E posso responder essa pergunta falando de uma autora que conheci fazendo buscas de novas autoras para ler, a Claude Cahun “heroína desconhecida”, poeta, narcisa, ensaísta, andrógina, contista, feminista indefinida, jornalista, humanista eventual, panfletária, amiga dos gatos, epistoleira, dândi, memorialista, simbolista, atriz, naturista, criadora de objetos, individualista, fotógrafa, surrealista, ativista política, idealista, esteta, resistente, mítica, peça única, como consta em seu perfil.
[caption id="attachment_12217" align="aligncenter" width="700"] Autorretrato de Claude Cahun em 1928[/caption]
A melhor coisa de ter entrado nesse esquema ~exclusivista feminazi~ (risos) foi a amplitude que passei a dar às minhas pesquisas e buscas por autores para ler. É muito fácil chegar até um autor homem novo, ele é indicado em todos os livros, posts de blog, outdoors de ônibus, buscas no Google e até mesmo na porta do CCBB vendendo poesia. Eles caem no nosso colo como sempre, arrojados invadindo o espaço e conquistando, como bandeirantes, os olhares de seus leitores. Talvez seja só comigo, mas sinto que com as mulheres é diferente, as indicações funcionam em esquema de receitas secretas de família: uma amiga que passa pra outra que passa pra outra que passa pra outra. Restringir meu objetivo de leitura, na verdade, me fez ampliar meus cliques e pesquisas, chegando até esta artista única que é a Claude Cahun.
Nascida em 1894, em Nantes, na França, Lucy Schwob, como foi registrada em seu nascimento, produziu em diversos meios artísticos entre as décadas de 1920 e 1940. Mais conhecida por seus autorretratos e fotomontagens, Claude Cahun também se dedicou à escrita e publicou textos em revistas literárias europeias, dando origem a esse conjunto de histórias nomeado “Heroínas”. Mas o que mais me chamou atenção nesta artista multifoco não foi sua produção, mas sim a falta de divulgação e de conhecimento sobre o seu trabalho.
[caption id="attachment_12218" align="aligncenter" width="509"] “I am in training don’t kiss me”, Autorretrato[/caption]
Quando cheguei até o livro, lançado através de um crowdfunding pela A Bolha Editora, acreditei piamente se tratar de uma nova autora. Com um projeto gráfico lindão, o livro soa super atual, principalmente pela temática: são dezesseis contos que retratam uma nova perspectiva de diversas figuras femininas famosas de fabulas ou mitologias antigas. Claude Cahun faz uma leitura atravessada destas figuras impactantes, como Maria ou Cinderella, e ataca com sua ironia refinada e ácida.
[caption id="attachment_12229" align="aligncenter" width="700"] Heroínas lançado pela A Bolha Editora[/caption]
Corrigindo a história e dando voz a essas personagens, a autora nos traz uma nova perspectiva sobre o papel da mulher nos contos de fada e nas mitologias. Ou seja: Claude Cahun, em 1920, já era uma figura feminista marcante, que desafiava os padrões de gênero não só em sua escrita, como também em sua vida. A edição do livro, bastante completa, traz um posfácio do filósofo François Leperlier, que descreve precisamente a aura dos textos de Claude:
A intenção é clara, ela é irônica e subversiva ao se atacar à imagem da mulher como apresentada nos contos e mitos; uma tentativa de corrigir e reescrever biografias fabulosas, fazendo oposição às versões admitidas, conformes e banalizadas com outras versões inesperadas, rebeldes, cáusticas e irreverentes.
– François Leperlier
A escolha do nome Claude, feita aos 22 anos, não foi à toa: a possibilidade de ter um nome que abarcasse os dois gêneros era essencial para sua obra. Com uma aparência andrógina, considerando-se gênero neutro, e uma escrita ácida, Claude fez da sua vida sua obra e conquistou um espaço revolucionário quando muitas mulheres sequer pensavam em escrever.
Mas por que não falamos mais sobre Claude Cahun? O livro “Heroínas”, editado pela A Bolha, conta com uma introdução essencial para entender a figura de Claude Cahun. A também escritora Nathanaël, na introdução do livro, faz uma análise muito acertada dessa figura múltipla e traz à tona o esquecimento de uma artista talentosérrima:
(…) foi por muito tempo presumida como derrotada em combate, apagando-se alegremente dos registros históricos a fim de se confundir no anonimato… não fosse esse salvamento intempestivo de uma obra que, caso contrário, ficaria dedicada ao esquecimento e cujos rastros nos chegam hoje para além até das línguas que lhe eram próprias.
Esquecidos, os textos de Claude Cahun, redigidos em diversas línguas, foram resgatados nos anos 80, caindo novamente no esquecimento e sendo trazidos à tona, em uma edição francesa, em 2006. Mas o que torna tudo ainda mais curioso é que Claude Cahun era uma presença importante e fundamental para autores que construíram o Surrealismo. Amiga de Henri Michaux, Andre Breton e George Bataille, Cahun participou de diversos movimentos e organizações surrealistas, integrando também movimentos políticos e lutando ativamente contra a o Nazismo que crescia na Europa. Acaba presa em 1944, junto a sua eterna companheira e amante, Marcel Moore, e são condenadas à morte. Conseguem fugir, mas atribui-se a morte de Claude Cahun a este período presa, por conta de sua saúde debilitada.
[caption id="attachment_12219" align="aligncenter" width="700"] Marcel Moore (Suzanne Malherbe) e Claude Cahun (Lucy Schwob), Autorretrato refletido no espelho, 1920.[/caption]
Uma mulher com uma trajetória tão intensa e à frente de seu tempo, presente em movimentos artísticos e políticos, foi apagada de nossa história sem dó. Fico me perguntando o quanto conhecer Claude Cahun e sua história pode mudar a nossa concepção do que é ser mulher, a concepção de gênero, e como podemos nos colocar frente ao mundo. “Heroínas” acaba sendo um testemunho de como suas ideias são fundamentais para a construção da nossa força enquanto mulheres. Em uma das histórias, Cahun dá voz a Margarida, personagem de Fausto, de Goethe, e questiona diversos estigmas atribuídos às mulheres:
Uma mulher que tem lá seus desejos é mesmo um monstro? Será minha culpa? Quando esse mal começou, eu era muito jovem, jovem demais para entender.
É preciso ler essas mulheres, tão vanguarda ainda hoje em dia. Evoluímos muito, mas ao mesmo tempo muito pouco, e é ao se deparar com esse tipo de apagamento e resgate que percebemos a necessidade de preencher os mais diversos buracos da nossa história enquanto mulheres. Não se trata de não termos participado da história, com feitos importantes, se trata da história ainda ser escrita apenas por quem nos oprime e apaga: homens. É preciso conhecer nossa história, é preciso ler “Heroínas” de Claude Cahun, é preciso reescrever nossa trajetória tão cheia de lacunas.
Você encontra o livro “Heroínas” através da loja online da Editora A Bolha e também na loja física, que fica no mesmo prédio da Comuna, no Rio de Janeiro (Rua Sorocaba, 585 – Botafogo). Além disso, você pode seguir A Bolha Editora no Facebook e ficar por dentro dos lançamentos, sempre bem bacanas.
E antes de começar a ler o livro, vem cá dar o play nessa playlist mara inspiradas nas “Heroínas” de Claude Cahun.
Faz pouco mais de um ano que tive uma crise de ansiedade daquelas de revirar o estômago. Tinha a nítida sensação de que estava sendo comprimida, espremida, apertada, encurralada pela minha própria vida. Pensando agora, parecia que estava em um desenho animado, as paredes da minha casa se deslocavam rumo ao centro e eu, personagem principal, precisava de alguma forma escapar dali. A diferença do que sentia para um desenho animado é que, fora eu, ninguém podia me salvar. O sentimento de estar comprimida beirava o insuportável e tive dias carregados de lágrimas e muito desespero. Acho que essa cena de Steven Universe pode ilustrar bem…
Não é que as coisas estivessem ruins, não é como se eu estivesse vivendo grandes traumas ou grandes dramas. Estava há pouco mais de um ano trabalhando em home office com o meu marido em uma casa quarto e sala no Alto da Boavista, bairro um tanto afastado do Rio de Janeiro. Tinha meu quintal, o sol entrava pela janela de manhã, acordava de bom humor quase todo dia, duas gatas, cheiro de café, vizinhos agradáveis, visitas constantes. Mas algo não estava indo bem e as crises de ansiedade se faziam cada vez mais constantes. A cidade me oprimia violentamente e percebi que era chegada a tão esperada hora de FAZER ANÁLISE.
Dra. Barbosa, como chamo carinhosa a minha analista, é uma pessoa calma, bastante debochada e feminista. A simpatia foi instantânea e aos poucos começamos a falar dessa dor a qual ela poeticamente apelidou de “carne viva”. Como se eu estivesse sem pele, qualquer coisa me invadia, me pressionava e me deixava em estado de alerta. Fomos buscando aos poucos a causa disso, visitando memórias antigas, relações desfeitas e gatilhos. Foi entre traumas, livros e muitos litros d’água que um dia soltei, quase que sem querer: Acho que preciso de espaço.
Eu não tinha bem noção do que a palavra espaço poderia significar naquele momento, mas sabia que não era exatamente algo físico. Já contei aqui na Ovelha sobra a minha recente empreitada de só ler livros escritos por mulheres. Foi assim que cheguei ao título “Como ficar sozinho” da Sara Maitland para o pessoal da The School of Life. Faz uma semana que acabei de ler o livro e foi durante a leitura que aos poucos fui me dando conta de que esse espaço, que não era físico, também poderia ser chamado de Solidão. Na última sessão de análise, Dra. Barbosa disparou, na lata, como ela sempre faz: desde que você chegou aqui me relata essa sensação de pressão, de esgotamento, de compressão. Acho que você precisa ficar sozinha, Estela.
Saí, como sempre, meio torta e pensando nisso. É verdade. Trabalho escrevendo, sou redatora de dois blogs e redatora da minha vida online, logicamente. Costumo reclamar (amo reclamar, que fique bem claro) bastante sobre a falta de tempo para me dedicar aos meus escritos. Sou também alguém constantemente rodeada de amigos, de histórias, de relatos e cafés em grupo. Me abasteço dessas histórias para escrever meus poemas, sem elas não seria possível ser tão criativa. Mas sigo sentindo falta de algo que me tire desse estado de ansiedade que traz a sensação de que o tempo se esgota mais rápido do que eu possa prever. E cheguei à conclusão de que esse algo era mesmo a Solidão.
Outro dia perguntei a uma amiga o que havia de tão entediante nela mesma que a simples ideia de estar sozinha a deixava ansiosa. Ela não soube bem me responder, me disse que curtia estar acompanhada, que a sensação de ter alguém era confortável. Estamos constantemente rodeados de pessoas, somos seres sociais, mas por que esse receio de estar sozinha? Sara Maitland, em seu livro, faz uma breve introdução e apresenta variações da solidão ao longo do tempo, mas sempre frisando o quanto a solidão é algo estigmatizado. Não aceitamos a negativa de uma amiga que diz que não quer sair porque precisa ficar sozinha, só aceitamos caso ela diga que está ocupada, enrolada com projetos, sem dinheiro, cansada, seja lá o que for, mas estar sozinha não é um motivo suficiente para negar qualquer coisa que seja.
Ter somente a própria companhia sempre me pareceu um privilégio para poucos. Não são todas as pessoas que percebem a importância de se notar sozinhas, dar conta de si mesmas e estranhar. Depois do estranhamento, se acolher e ser generosas consigo mesmas em sua solidão. Ainda no livro, Sara Maitland conta algo curioso, que buscou ficar sozinha após se divorciar. Ela diz, num ato sincericida, que se mudou para uma casa sozinha, após a separação, para assumir o lugar da ex-esposa solitária e sofrida. O que ela não esperava era descobrir que ela mesma, Sara, era uma companhia incrível. O ato consciente e dramático de ferir seu ex-companheiro fez com que Sara se descobrisse uma potência em sua própria solidão. Atualmente, ela vive sozinha em uma casa na Escócia. O mercado mais próximo à sua casa fica a 16km de distância. Ela levou a sério o lance, se isolou e segue produzindo freneticamente.
Ela cita o livro da Virginia Woolf que surgiu de uma palestra dada a uma faculdade de mulheres escritoras (que sonho, gente), “Um teto todo seu“. Ganhei esse livro de um amigo, no dia do meu aniversário, porque ele achou a capa parecida com o meu novo cantinho de trabalho na minha casa nova. Paredes rosas, estante, mesa de trabalho, alguns quadros. Sara cita Virginia Woolf por conta de uma das frases mais marcantes do livro: “uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio, se quiser escrever ficção”. Claro que essa frase é um tanto burguesa e privilegiada, que nem todas as mulheres (eu incluída) terão essa sorte de ter dinheiro e um espaço para escrever e, mesmo assim, seguimos quebrando as expectativas de moças obedientes e escrevemos. Contra tudo e contra todos, seguimos escrevendo. Mas acho que a frase de Virginia tem um ponto sobre a solidão que precisamos encarar: o quanto abrimos mão de nosso espaço, de nosso tempo, de estar conosco mesmas, o quanto deixamos “nosso teto”, seja ele uma cafeteria ou o sofá da sala de estar, para atender à demanda social de estar entre pessoas? Principalmente à demanda social de sermos mulheres, de estar sempre disponíveis e atentas?
Tenho pensado bastante no quanto a solidão é um elemento importante na construção do nosso eu. Estar absolutamente sozinha, mesmo que em meio a muitas pessoas, como em um shopping, é uma experiência fundamental para perceber o outro. É uma experiência fundamental para desenvolver empatia, para nos tornarmos melhores observadoras, para dar conta da nossa própria dor de estar no mundo e assim entender a dor dos outros. A solidão é um espaço criativo que deveria pertencer a todos e hoje sei o quanto a falta de estar sozinha, de desfrutar de minha própria companhia, passou a me fazer mal. Precisei de um ano de terapia, algumas crises de ansiedade e mais uns vinte livros até encarar o fato de que não estar comigo mesma, como estive durante praticamente toda a minha infância e adolescência, passou a me causar problemas reais.
A solidão na infância costuma ser uma experiência quase universal entre as pessoas criativas.
– Sara Maitland
Costumo dizer que não tenho muitas memórias de infância, só aquelas que construí depois ao ouvir os relatos das minhas irmãs mais velhas e da minha mãe. Não me lembro bem, por exemplo, de longos passeios, brincadeiras em grupo, amiguinhos do pré-escolar. Não tenho memória do primeiro dia na escola, dos natais, das festas de aniversário. Mas me lembro bem nitidamente de perder muitos minutos brincando sozinha com o rádio-relógio do quarto do meu pai. Ou de brincar sozinha com os pequenos pôneis herdados das minhas irmãs. Uma das minhas memórias construídas favoritas é bem poética e já me foi contada inúmeras vezes pela minha mãe: eu, sozinha no cercado, do lado de fora da casa, enquanto ela lavava roupas. De barriga pra cima, eu me deliciava com as folhas da goiabeira se balançando ao vento nos fundos da casa. Ela costuma dizer que parecia que eu perdia o ar com o vento e o farfalhar das folhas. Tenho muito amor por essa memória tão linda que minha mãe me ajudou a construir não só pelo vento e pela poesia das folhas, mas pela sensação de solidão segura que ela me traz. Assim também foram as incontáveis manhãs montando quebra-cabeça com a minha mãe, em uma espécie de solidão acompanhada que compartilhamos em silêncio até hoje. Graças a isso, acredito eu, cultivo esse dom silencioso de escrever. A solidão criativa é minha maior herança de família.
As crianças, como os adultos, precisam de quantidades diferentes de estímulo direto, companhia, envolvimento social e isolamento. Nem você nem elas poderão saber que tipo de pessoa são se jamais puderem experimentar a solidão.
– Sara Maitland
Sigo em busca desse espaço, que não é físico, de estar sozinha sem estar solitária e, nesse momento, sozinha em meu cantinho à la Virginia Woolf, de certa forma cultivo essa solidão acompanhada ao escrever sobre estar sozinha para outras pessoas. É possível cultivar um espaço, se descobrir, se reinventar, aprender a observar, a se distanciar, mesmo que em contato com tantos interlocutores que nos rodeiam constantemente, seja física ou digitalmente. Sei também que é uma tarefa difícil se encarar sozinha depois de tanto tempo se encarando rodeada de pessoas, coisas e opiniões, mas estar sozinha é um exercício necessário e saudável. Sem estigmas, sem poréns, sem desculpas, ninguém aqui espera que você vire uma ermitã de um dia pro outro, mas acredito que estar sozinha é uma forma sincera de se amar.
Desde fevereiro de 2015 estou em uma empreitada de só ler livros escritos por mulheres. Nesse meio tempo, já respondi às mais variadas perguntas, indo desde “Você pode me indicar alguns livros?” até “Você não sente falta de ler autores homens?”. Mas a grande pergunta a ser respondida nesses quase dois anos deveria ser: “O quanto isso mudou a sua vida?” E posso responder essa pergunta falando de uma autora que conheci fazendo buscas de novas autoras para ler, a Claude Cahun “heroína desconhecida”, poeta, narcisa, ensaísta, andrógina, contista, feminista indefinida, jornalista, humanista eventual, panfletária, amiga dos gatos, epistoleira, dândi, memorialista, simbolista, atriz, naturista, criadora de objetos, individualista, fotógrafa, surrealista, ativista política, idealista, esteta, resistente, mítica, peça única, como consta em seu perfil.
A melhor coisa de ter entrado nesse esquema ~exclusivista feminazi~ (risos) foi a amplitude que passei a dar às minhas pesquisas e buscas por autores para ler. É muito fácil chegar até um autor homem novo, ele é indicado em todos os livros, posts de blog, outdoors de ônibus, buscas no Google e até mesmo na porta do CCBB vendendo poesia. Eles caem no nosso colo como sempre, arrojados invadindo o espaço e conquistando, como bandeirantes, os olhares de seus leitores. Talvez seja só comigo, mas sinto que com as mulheres é diferente, as indicações funcionam em esquema de receitas secretas de família: uma amiga que passa pra outra que passa pra outra que passa pra outra. Restringir meu objetivo de leitura, na verdade, me fez ampliar meus cliques e pesquisas, chegando até esta artista única que é a Claude Cahun.
Nascida em 1894, em Nantes, na França, Lucy Schwob, como foi registrada em seu nascimento, produziu em diversos meios artísticos entre as décadas de 1920 e 1940. Mais conhecida por seus autorretratos e fotomontagens, Claude Cahun também se dedicou à escrita e publicou textos em revistas literárias europeias, dando origem a esse conjunto de histórias nomeado “Heroínas”. Mas o que mais me chamou atenção nesta artista multifoco não foi sua produção, mas sim a falta de divulgação e de conhecimento sobre o seu trabalho.
Quando cheguei até o livro, lançado através de um crowdfunding pela A Bolha Editora, acreditei piamente se tratar de uma nova autora. Com um projeto gráfico lindão, o livro soa super atual, principalmente pela temática: são dezesseis contos que retratam uma nova perspectiva de diversas figuras femininas famosas de fabulas ou mitologias antigas. Claude Cahun faz uma leitura atravessada destas figuras impactantes, como Maria ou Cinderella, e ataca com sua ironia refinada e ácida.
Corrigindo a história e dando voz a essas personagens, a autora nos traz uma nova perspectiva sobre o papel da mulher nos contos de fada e nas mitologias. Ou seja: Claude Cahun, em 1920, já era uma figura feminista marcante, que desafiava os padrões de gênero não só em sua escrita, como também em sua vida. A edição do livro, bastante completa, traz um posfácio do filósofo François Leperlier, que descreve precisamente a aura dos textos de Claude:
A intenção é clara, ela é irônica e subversiva ao se atacar à imagem da mulher como apresentada nos contos e mitos; uma tentativa de corrigir e reescrever biografias fabulosas, fazendo oposição às versões admitidas, conformes e banalizadas com outras versões inesperadas, rebeldes, cáusticas e irreverentes.
– François Leperlier
A escolha do nome Claude, feita aos 22 anos, não foi à toa: a possibilidade de ter um nome que abarcasse os dois gêneros era essencial para sua obra. Com uma aparência andrógina, considerando-se gênero neutro, e uma escrita ácida, Claude fez da sua vida sua obra e conquistou um espaço revolucionário quando muitas mulheres sequer pensavam em escrever.
Mas por que não falamos mais sobre Claude Cahun? O livro “Heroínas”, editado pela A Bolha, conta com uma introdução essencial para entender a figura de Claude Cahun. A também escritora Nathanaël, na introdução do livro, faz uma análise muito acertada dessa figura múltipla e traz à tona o esquecimento de uma artista talentosérrima:
(…) foi por muito tempo presumida como derrotada em combate, apagando-se alegremente dos registros históricos a fim de se confundir no anonimato… não fosse esse salvamento intempestivo de uma obra que, caso contrário, ficaria dedicada ao esquecimento e cujos rastros nos chegam hoje para além até das línguas que lhe eram próprias.
Esquecidos, os textos de Claude Cahun, redigidos em diversas línguas, foram resgatados nos anos 80, caindo novamente no esquecimento e sendo trazidos à tona, em uma edição francesa, em 2006. Mas o que torna tudo ainda mais curioso é que Claude Cahun era uma presença importante e fundamental para autores que construíram o Surrealismo. Amiga de Henri Michaux, Andre Breton e George Bataille, Cahun participou de diversos movimentos e organizações surrealistas, integrando também movimentos políticos e lutando ativamente contra a o Nazismo que crescia na Europa. Acaba presa em 1944, junto a sua eterna companheira e amante, Marcel Moore, e são condenadas à morte. Conseguem fugir, mas atribui-se a morte de Claude Cahun a este período presa, por conta de sua saúde debilitada.
Uma mulher com uma trajetória tão intensa e à frente de seu tempo, presente em movimentos artísticos e políticos, foi apagada de nossa história sem dó. Fico me perguntando o quanto conhecer Claude Cahun e sua história pode mudar a nossa concepção do que é ser mulher, a concepção de gênero, e como podemos nos colocar frente ao mundo. “Heroínas” acaba sendo um testemunho de como suas ideias são fundamentais para a construção da nossa força enquanto mulheres. Em uma das histórias, Cahun dá voz a Margarida, personagem de Fausto, de Goethe, e questiona diversos estigmas atribuídos às mulheres:
Uma mulher que tem lá seus desejos é mesmo um monstro? Será minha culpa? Quando esse mal começou, eu era muito jovem, jovem demais para entender.
É preciso ler essas mulheres, tão vanguarda ainda hoje em dia. Evoluímos muito, mas ao mesmo tempo muito pouco, e é ao se deparar com esse tipo de apagamento e resgate que percebemos a necessidade de preencher os mais diversos buracos da nossa história enquanto mulheres. Não se trata de não termos participado da história, com feitos importantes, se trata da história ainda ser escrita apenas por quem nos oprime e apaga: homens. É preciso conhecer nossa história, é preciso ler “Heroínas” de Claude Cahun, é preciso reescrever nossa trajetória tão cheia de lacunas.
Você encontra o livro “Heroínas” através da loja online da Editora A Bolha e também na loja física, que fica no mesmo prédio da Comuna, no Rio de Janeiro (Rua Sorocaba, 585 – Botafogo). Além disso, você pode seguir A Bolha Editora no Facebook e ficar por dentro dos lançamentos, sempre bem bacanas.
E antes de começar a ler o livro, vem cá dar o play nessa playlist mara inspiradas nas “Heroínas” de Claude Cahun.