2015, o ano em que só li mulheres

Ilustração feita com exclusividade por Fernanda Garcia

Por Estela Rosa*

No começo do ano ganhei um Kindle de aniversário e parti praquela loucura de baixar livros e mais livros e, dentro desse cenário, resolvi ler alguns livros que ganharam prêmios importantes em décadas passadas. Escolhi de cara “How to kill a mockingbird”, vencedor do Pulitzer em 1960, um livro que fala sobre o fim da segregação racial visto pelo olhar de uma menininha, escrito por Harper Lee.

Comecei a ler o livro sem muito procurar saber dele porque sou dessas que foge de spoiler de tudo, dessas que morre de medo de se decepcionar com o escritor ao buscar saber mais sobre ele. Fui lendo e me apaixonando, me envolvendo, até que não deu mais e resolvi procurar saber mais sobre o livro. E foi então que descobri: Harper Lee é uma mulher, uma incrível mulher.

Confesso que fiquei com vergonha, constrangida comigo mesma por ser alguém formada em Letras que nunca tinha ouvido falar nela. Mas conforme comentava sobre o livro (lembre-se que ele foi super premiado e aclamado pela crítica), percebia que meus amigos também não a conheciam.

Eu, recém-convertida ao feminismo, nunca havia parado para pensar de verdade nas escritoras mulheres. Sempre fui louca por elas, principalmente as brasileiras, tive professoras que deram cursos inteiros sobre mulheres brasileiras autoras. Lá conheci Marina Colassanti, Livia Garcia-Roza, Angélica Freitas, Beatriz Bracher, Marília Garcia, me aprofundei em Clarice Lispector, amei Lygia Fagundes Telles e Adélia Prado, acreditava que meu conhecimento sobre autoras mulheres era grande, mas inocentemente não pensava no mundo que ainda me aguardava.

 
Leia também
Mulheres que escrevem
A poesia uterina de Angélica Freitas
 
solimulheres2
 
Depois desse baque de ver que Harper Lee era uma mulher, que por sinal assinava assim para disfarçar ser mulher, minha cabeça explodiu. Decidi passar todo o ano de 2015 lendo autoras mulheres, consumindo mulheres, divulgando mulheres, elogiando mulheres. Nesse tempo, li mais dois livros da Angélica Freitas, um da Verônica Stigger, li muito quadrinho feminino, como o Batoquim, de Thais Ueda e Yumi Takatsuka, conheci a Alison Bechdel e surtei de amor, li Amanda Palmer, Brené Brown. Nesse tempo, descobri autoras fantásticas que, se não fosse por essa dedicação, eu jamais conheceria.

Digo tudo isso para incentivar vocês, moças e moços, a darem uma chance para essa luta de divulgar nossas escritoras brasileiras além da Clarice Lispector! Vamos buscar saber mais sobre autoras negras, como a lindíssima Chimamanda, vamos sair do eixo Europa-Estados Unidos e descobrir outras realidades. Vamos nos dedicar a divulgar esse universo incrível de autoras que batalham diariamente para serem reconhecidas no mundo literário que, ainda que não pareça, é extremamente machista e patriarcal.

Vamos consumir, devorar, mastigar, engolir tudo o que for feito por mulheres. Eu continuo firme nessa empreitada e acho que ela ainda vai se estender por anos. Não sinto como se estivesse abrindo mão de nada ao fazer essa escolha, a verdade é que expandi meu olhar e sinto a sororidade brotar a cada nova palavra. E que venham mais mulheres!

 

Chimamanda Ngozi Adichie – Americanah

Chimamanda Ngozi Adichie – Americanah

12508 - Meio sol amarelo

Chimamanda Ngozi Adichie - Meio Sol Amarelo

Amanda Palmer – A arte de pedir

Amanda Palmer – A arte de pedir

Thais Ueda e Yumi Takatsuka – Batoquim

Thais Ueda e Yumi Takatsuka – Batoquim

Angélica Freitas e Odyr – Guadalupe (HQ)

Angélica Freitas e Odyr – Guadalupe (HQ)

Brené Brown – A coragem de ser imperfeito

Brené Brown – A coragem de ser imperfeito

Inês Pedrosa – Fazes-me falta

Inês Pedrosa – Fazes-me falta

Vanessa Barbara e Fido Nesti – A máquina de Goldberg (HQ)

Vanessa Barbara e Fido Nesti – A máquina de Goldberg (HQ)

Harper Lee – O sol é para todos

Harper Lee – O sol é para todos

Verônica Stigger – Opisanie Swiata

Verônica Stigger – Opisanie Swiata

uteropunhoAngélica Freitas – Um útero é do tamanho de um punho

Angélica Freitas – Um útero é do tamanho de um punho

Alison Bechdel – Você é minha mãe? (HQ)

Alison Bechdel – Você é minha mãe? (HQ)

solimulheres2

Ilustração feita com exclusividade por Fernanda Garcia

 

Lista de livros lidos

Angélica Freitas – Um útero é do tamanho de um punho
Amanda Palmer – A arte de pedir
Brené Brown – A coragem de ser imperfeito
Harper Lee – O sol é para todos
Thais Ueda e Yumi Takatsuka – Batoquim
Verônica Stigger – Opisanie Swiata
Chimamanda Ngozi Adichie – Americanah
Inês Pedrosa – Fazes-me falta
Angélica Freitas e Odyr – Guadalupe (HQ)
Alison Bechdel – Você é minha mãe? (HQ)
Vanessa Barbara e Fido Nesti – A máquina de Goldberg (HQ)

PS: Aceitamos sugestões e indicações. <3  


*Estela Rosa é crazy cat lady, meio piadista meio poeta, ama chuva&vento e, como boa caipira, curte ouvir e contar histórias. É redatora na Cyan Design e produz conteúdo para o blog Casar é um barato.

**Ilustrações feitas com exclusividade por Fernanda Garcia

Mais de Ovelha

A infância das Ovelhas

Nós aqui da Ovelha damos muito valor à infância. Acreditamos que manter...
Leia mais
  • Fernanda

    Oi, Estela! Adorei o post e também estou nessa de procurar ler mais produções de mulheres. Quando terminei “Americanah” em seguida li “Hibisco roxo”, da Chimananda Ngozi Adichie também, e adorei. A Alice Munro escreve contos muito bons; “O Pintassilgo”, da Donna Tartt; “A convidada” e “Memórias de uma moça bem comportada” da Simone de Beauvoir são bem gostosos de ler… “Mulheres”, da Carol Rossetti, é super empoderador e acho ótimo pra dar uma olhadinha de vez em quando :)