Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.
Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.
[infobox maintitle="Não-blog sobre viver no exterior" subtitle="O RAINHA DA SU CASA é uma série de posts sobre a experiência de ir morar no exterior com cachorro, gatos, namorado e tudo mais. Clique aqui para ler os posts anteriores!" bg="purple" color="black" opacity="on" space="30" link="http://ovelhamag.com/author/barbarella/"]
Para quem acompanhou a saga da saída do Brasil para a Espanha e todo o rolê que foi para viajar com minhas mascotas, agora vem a parte 2!
Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
[caption id="attachment_10555" align="aligncenter" width="500"] quando a sopinha chegou be like HAHAHA (malz galera, amo filme gore)[/caption]
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
[caption id="attachment_10458" align="aligncenter" width="450"] uma voltinha rápida pelas Presillas Bajas (com direito a um dedo meu em uma das fotos risos)[/caption]
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
[caption id="attachment_10453" align="alignright" width="225"] apelidado: dr. bostinha (hahaha)[/caption]
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
[caption id="attachment_10441" align="aligncenter" width="559"] moramos no deserto, lindão, né? na primeira foto dá pra ver um pedacinho do mar e na terceira, nossa “””cidade””” fica no pé da montanha, na esquerda, dá pra ver um pouquim![/caption]
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
[caption id="attachment_10456" align="aligncenter" width="558"] só um pouco da maravilha que é esse lugar <3[/caption]
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
[caption id="attachment_10556" align="aligncenter" width="600"] muito frio mas nada como duas gatinhas pra esquentar, prrprrprr[/caption]
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.
Escrevo hoje do auge da minha menstruação e vou falar sobre um assunto que tem sido bastante abordado. Sou dessas que acha que não é nunca suficiente falar sobre um assunto quando o que ele realmente precisa é ser explorado e esclarecido, e provavelmente vocês já devem imaginar que eu vou falar do (rufando os tambores):
Coletoooor menstruaaaal!
Infelizmente a menstruação se tornou um tabu em nossa sociedade. Lidar com sangue mensalmente passou a ser um fardo para muitas mulheres. E eu não julgo jamais. Já tive amigas, de todas as cores, de várias e idades e muitos amores ou não pelas suas menstruações, hahaha. Eu passei a entender que cada umx tem uma relação diferente com seu ciclo e é importantíssimo respeitar essas relações.
Pessoalmente não gostava e aprendi a me relacionar melhor com meu ciclo depois que comecei a entrar no lindo mundo do feminismo. Entender nosso corpo, como ele funciona, o porquê é objetificado, o porquê é associado com impureza, pecados, sujeira, é extremamente importante para nos livrarmos de muitas imposições sociais. É libertador demais quebrar as construções sociais. É se libertar, se aceitar cada vez mais, é fazer as pazes consigo mesma. Gradualmente tem rolado pra mim, espero que pra você também. ♡
Meu fluxo é grande, minha cólica é pungente, e isso se dá porque eu uso D.I.U.. Decidi parar de tomar pílula pra saber como era meu corpo naturalmente, sem hormônios. E aí ouvi falar do ~ copinho. Gente, qual é a primeira reação que alguém pode ter quando imagina um copinho com sangue dentro de si: ECA! Hahaha! E sem dúvida alguma a minha reação não foi diferente, até eu entender como funciona e dizer o meu “eca” para o absorvente descartável interno e pro externo também. Mas isso você vai entender lá na parte em que eu falo mal dos absorventes descartáveis, vamos falar de coisa boa, vem comigo.
O preço em média é de 65 a 85 Reais e pode durar até 5 anos dependendo da marca que você escolher, ou seja, um baita investimento! O sangue não entra em contato com você, ele não cheira mal, ele fica ali dentro do copinho até você decidir esvaziá-lo e colocar o copinho vazio novamente. E digo mais, isso se você lembrar que está usando o copinho, porque diversas vezes esqueci que estava com ele de tão confortável que é. Mas tudo bem porque você pode ficar até 12 horas com ele! Algumas migas minhas não curtiram o cabinho que vem nele para nos ajudar a retirar, ele pode ser cortado, não se preocupe. Algumas marcas já estão vindo sem, rola fazer uma pesquisa. Eu não tive o menor problema com o cabinho.
MAS BÁRBARA EU USO 3 NOTURNOS NO DIA A DIA!
Sinto sua dor. Mas vou te dizer uma coisa, você não tem a menor ideia de quanto você menstrua. Seu sangue fica esparramado lá ou faz o algodão inflar como uma bexiga e você não tem ideia em ml’s de quanto seu corpo expele, e é muito interessante ter essa noção, me senti mais pertencente a mim. Se seu fluxo é pesado como o meu, você pode esvaziar o copinho com menos tempo de uso, você vai aprendendo a lidar com isso, com seu corpo. Me surpreendi muito com a minha quantidade, achei que era infinitamente mais, no começo eu tirava o copinho toda hora com medo que já estaria pra vazar e estava longe disso!
MAS É GIGA, NÃO VAI ENTRAR, VAI VAZAR!
Também pensei a mesma coisa. E vou te dizer que no período de adaptação, é bom você testar em casa e testar as melhores posições (coletorsutra) pra colocar. Eu assumo, sou muito ansiosa e não tenho muito saco, as vezes vaza e aí eu preciso respirar fundo, consultar meu coletorsutra e colocar novamente, pronto, tudo certo. Quando eu fico insegura porque sei que estou com pressa, carrego comigo sempre um Eco Absorvente, que é reutilizável. Me sinto feliz por ter tomado essa decisão, sei que estou fazendo o melhor pra mim, e pro planeta (dando tchauzinho de Miss).
PROBLEMAS (MIL) DOS ABSORVENTES DESCARTÁVEIS
Os absorventes descartáveis começaram a ser produzidos depois da Revolução Industrial, ou seja, com a implementação do capitalismo na sociedade (sou historiadora, me deixa). Sem dúvida, a indústria farmacêutica bilionária não liga se isso está causando problemas ao meio ambiente, e acredite, é bizarro de quão problemático a quantidade de fraldas e absorventes descartáveis têm trazido. Confira qui.
Enquanto você solta aquele punzinho (risos), troca a cruzada de perna ou levanta fazendo o sangue descer rapidamente, encharca o absorvente e enquanto o dia passa, a parte de fora da ppk, a bunda, as vezes até a coxa se sujam com sangue. Isso traz mal cheiro (quando você vai fazer xixi em um banheiro público, você já não sentiu aquele cheirão de “sangue véio”? É o odor do sangue em contato com o oxigênio + absorvente, pasme) e o plástico em contato com a pele, não deixa ela respirar, muitas mulheres têm alergias. O absorvente interno resseca a parte interna da vagina, sugando muitos nutrientes que não deveria, além do sangue menstrual. O custo mensal de absorventes descartáveis é em média 7 Reais por mês, totalizando 84 Reais por ano.
Eu uso Inciclo e portanto só posso falar dessa marca da qual tenho experiência e curto. Meu Ecoabsorvente é o da Morada da Floresta, escolhi a cor branca porque sou basic bitch, haha mas há marcas com estampas para todos os gostos. Há muitas outras marcas recomendadas de coletores, inclusive por amigas, como a Meluna, Mooncup, Holycup, etc. Faça sua busca por qualidade e você vai ficar bem. Por favor, não compre produtos chineses, inclusive dildos, porque eles não tem fiscalização sobre os materiais utilizados, muitas vezes usando chumbo em suas composições, que é extremamente maléfico para nosso corpo e para nossa pepeka.
Se eu não convenci você, tenho certeza de que ela vai. E se você ainda não conhece a Jout Jout, de nada. Haha. :)
a saga da saída do Brasil para a Espanha e todo o rolê que foi para viajar com minhas mascotas, agora vem a parte 2!
Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.