15 Momentos Gilmore Girls: A Year in Life

Colagem digital feita com exclusividade por Fernanda Garcia (Kissy).

Bom, já tivemos todo o final de semana para assistir, assistir de novo, chorar, chorar de novo e então decidi fazer algumas deliberações que tive com amigas sobre esse maravilhoso revival de Gilmore Girls. Lá vamos nós:

[infobox maintitle="*SPOILER*" subtitle="Contém que só a porra. TEJE AVISADE." bg="red" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]

 

1. Emily

Não sei nem por onde começar. Minha Gilmore mais odiada, desculpem a palavra fortíssima, eu sei, mas não consigo me compadecer diante o desprezo, o descaso, os mal tratos, as humilhações públicas, as chantagens financeiras e emocionais nas últimas 7 temporadas. Digamos que, quem viveu coisas semelhantes, não consegue se compadecer. Mas, sem dúvida alguma, Emily, nesse revival, merece pelo menos um parágrafo inteiro só de elogios, e lá vai:

Que maravilhosa. Chorei em diversas cenas. Sentir um pouco da sua dor de perder um companheiro de longa data, tentar reestruturar a sua vida diante de um grande abismo e… conseguir! A construção do despertar de uma nova vida de Emily é a melhor construção de personagem que há no revival. Ela endurece, se afasta, quebra seus próprios padrões, se abre para uma nova vida e finalmente começa a vivê-la. Dá um alento saber que uma nova vida pode começar a qualquer idade, por mais clichés que tenhamos sobre isso a todo momento.

[caption id="attachment_12405" align="aligncenter" width="400"]emilybullshit ~ a big pile of bullshit ~[/caption]

 

2. Berta

Finalmente uma pessoa que Emily consegue manter em sua vida. Não só manter mas aglutinar toda família da Berta em sua vida. Estranhamente tive uma simpatia pela Berta e não consegui identificar o porquê, apesar dela falar um espanhol meio aportuguesado, não entender o porquê daquilo tudo quando der….CACETE É A GIPSY!

[caption id="attachment_12407" align="aligncenter" width="621"]screen-shot-2016-11-28-at-17-09-04 <3 ~[/caption]

 

3. KIRK

Não dá pra se decepcionar com um dos melhores personagens secundários que só Stars Hollow pode nos proporcionar, não é mesmo? Vê-lo grisalho me deu uma pontadinha no coração, mas acabou no primeiro minuto de presença. Eu que já tinha mandado fazer camisetas pra mim e para minhas amigas (vide foto), agora vou fazer uma nova estampa com os dizeres ‘a film by kirk’, sem a menor dúvida. Inclusive, sou realmente fã dos curtas “dele”! <3 ~

screen-shot-2016-11-27-at-14-24-20

 

4. Parada Gay

Claro que, depois de quase uma década, seria bem mais interessante se algumas coisas estivessem sobre a mesa, como o Michel falando abertamente que é homossexual. Me incomodava o ver não só como o único gay, mas a única pessoa negra na cidade.

Agora temos também o Donald, um novo personagem, abertamente gay que em uma reunião da cidade, discute com Taylor sobre a possibilidade de uma Parada Gay, mas que é deferida pois infelizmente são muito poucos. Nessa mesma discussão, Gipsy acaba tirando Taylor do armário para nós, não que eu goste de forçar pessoas a saírem do armário mas acaba nos dando uma visão mais aberta (ou um pouco menos fechada?) de Stars Hollow.

michel

 

5. Paris Geller, senhoras e senhores

Quando acaba a Primavera, segundo episódio, você pensa: caralho, que personagem. Paris continua quebrando a porra toda como sempre e agora em níveis ainda mais megalomaníacos e estratosféricos. Não poderia ser diferente, se acha uma decepção como mãe, separada, crises existenciais expurgando pelos seus poros, existencialismos, debates com ela mesma. Surtei com a volta de Rory e Paris à Chilton, e a cena em que Paris fecha a porta com o pé eu aplaudi, juro mesmo.

[caption id="attachment_12406" align="aligncenter" width="500"]paris clap, clap, clap ~[/caption]

 

6. Sookie e Lane (e tema de abertura) (decepção geral)

VOCÊ JURA QUE FOI SÓ ISSO?
LAMENTÁVEL, HEIN?

Sookie aparece rapidamente e nunca mais a vemos, nem no casamento de Lorelai, miagemt. Na próxima vez avisa que a gente faz uma vaquinha pra pagar o cachê, sem problema. Lane é melhor amiga de Rory, ficou super pra escanteio, apareceu mais que Sookie mas teve aparições muito pontuais, não fez juz à maravilhosa personagem! D:

CADÊ TEMA DE ABERTURA QUE SÓ APARECEU NO FINAL, AFFS ~

[caption id="attachment_12403" align="aligncenter" width="500"]cakes_sookie KD? ~[/caption] [caption id="attachment_12413" align="aligncenter" width="500"]lane até o pai da Lane apareceu! hahaha ~[/caption]

 

7. Thirtysomething Gang

Não sei vocês, mas eu estaria super nessa gangue dos trinta e pouco caso viesse de uma cidade pequena, hahaha. Me formei na faculdade, saí de casa, trabalhei pra cacete, tive um bilhão de decepções com mercado de trabalho, fiquei desempregada, sofri de amores e estou nessa bolha de não saber o que fazer muito bem e sigo andando com pessoas que estão na mesma. Também foi uma forma de inserirem mais atores negros na cidade, além do maravilhoso (SIM MARAVILHOSO, MESMO COM MEIA HORA) musical de Stars Hollow.

[caption id="attachment_12414" align="aligncenter" width="634"]screen-shot-2016-11-28-at-17-22-10 representando tudo o que há de nóis aí, risos ~[/caption]

 

8. Reprodução de machismo

Como disse, passou uma década e achei que fossem cortar algumas reproduções de machismo recorrentes nas 7 temporadas da série. Infelizmente isso não só não aconteceu, como reforçaram alguns estereótipos que tentamos diariamente desconstruir e opressões que diariamente tentamos eliminar. Como por exemplo, apresentar uma personagem abertamente feminista, Naomi Shropshire, como uma mulher em que todos têm um pitaco a dar sobre sua personalidade, a colocando como uma – eu odeio esse termo com todas as minhas forças – maluca, que fala uma coisa e depois diz outra e que é alcólatra e uma caricatura.

[caption id="attachment_12410" align="aligncenter" width="268"]3 :([/caption]

Como por exemplo (2), fazer body shamming (falar mal de corpos de outras pessoas) na piscina, falar sobre os corpos alheios com nojo. Como por exemplo (3), na cena com as freiras, que sucede a maravilhosa piada que envolve Whoopi Goldberg, falar mal da Katy Perry (slut shamming), dizer que ela usa roupas de puta e estereotipá-la. Como por exemplo (4), a cena do DAR (Daughters of the American Revolution) em que fazem a mesma coisa que fizeram com Katy Parry, mostram uma mulher nova que se casou com um homem mais velho, dando a entender que ela é uma ~ gold digger ~, uma pessoa que está atrás de dinheiro. A mulher é completamente humilhada de uma forma que tentamos desconstruir há anos. Entendo que a série é bem condizente com as idades das personagens e os preconceitos enrustidos que carregam e inclusive, pode ser visto como uma crítica a tudo isso, mas quis pontuar ainda assim. :)

[caption id="attachment_12418" align="aligncenter" width="640"]gg podia ir dormir sem essa, viu? ~[/caption]

Como por exemplo (5), só mais essa, juro, hahaha, Rory continuar não ligando em se relacionar com pessoas comprometidas e dessa vez, Lorelai não fala quase nada, faz uma piadinha horrível, a chamando de vadia ou coisa do tipo. Sendo que, quando aconteceu com o Dean, elas brigaram homericamente, deixaram de se falar por um tempo, etc.

 

9. Vamos falar de coisa boa, vamos falar de Cogumelo do Sol

Ninguém envelhece nessa série? Passou-se quase uma década e muitos dos personagens não mudaram quase nada, vamos passar as dicas aí, galera! E o que acontece com os personagens que envelheceram e mudaram naturalmente nessa década é que ficam drasticamente diferentes do resto do elenco, como Zack marido de Lane e Miss Patty, gente! Ô LOCO MEO!

[caption id="attachment_12415" align="aligncenter" width="478"]screen-shot-2016-11-28-at-17-24-29 cena excelente do Secret Bar ~[/caption] [caption id="attachment_12417" align="aligncenter" width="615"]screen-shot-2016-11-28-at-17-26-52 Miss Patty & Babete[/caption]

 

10. Rory

Nossa mãe, por onde começo? Amo que a vida dela nesse ano começa e termina de pernas para o ar. Em todas as 7 temporadas parece que o destino a aguarda com tudo o que ~ meritocraticamente ela é digna de. A quebra disso traz apenas a realidade para a maioria, a vida é não só dura como imprevisível. Claro que ela tem o privilégio de parar de trabalhar e observar o que ela quer, mas o que eu gosto é que o ano termina e as coisas estão mais em aberto do que nunca, E ESTÁ TUDO BEM. Ela tem uma incrível rede de apoio e com seu livro, dá a entender que está bem encaminhada, afinal, quem não além de nós, para confirmar que o conteúdo desse livro é excelente?

Sobre a vida romântica da Rory, eu não estava esperando menos do que aconteceu, ela não ficar com ninguém. Não fui time de ninguém, apesar de Jess estar um arraso e até o Dean que todos desgostam, também. O Jess volta pontual para dar um apoio à Rory, uma sacudida, como na última vez que nós vemos eles se encontrando e por mais que diga que superou Rory para Luke, algumas olhadas não nos convencem, e tudo bem, baba baby, #SeNãoMeQuisAssimNãoMeProcureAssado. Logan está igualzinho porém fazendo AB Shaper, continue, colega.

5

screen-shot-2016-11-28-at-17-43-10

[caption id="attachment_12421" align="aligncenter" width="500"]logaaaa desejos realizados, RISOS ;O[/caption]

 

11- Lorelai

A única coisa que tenho para comentar é a cena maravilhosa em que Lorelai é negada de fazer a caminhada pois está sem a permissão. O fato de olhar para a natureza e talvez entender sua vulnerabilidade diante de tudo aquilo e perante a situação de perder uma pessoa muito próxima com a qual você não tem muita intimidade, foi suficiente. Não precisou caminhar absolutamente nada, só parou e se viu refletida numa imensidão sem resposta. A ligação em seguida para Emily, O QUE FOI AQUILO MIAGENT? Só a Deusa sabe dos ranho que limpei na blusa porque não peguei um papel higiênico previamente.

[caption id="attachment_12432" align="aligncenter" width="700"]screen-shot-2016-11-28-at-18-07-44 ~ sinto cheiro de (couro, brinks) neve ~[/caption]

 

12. O Não-Casamento

Alguém esperava menos do que isso? O tom de surrealismo no episódio já tinha sido dado pela ~ life and death brigade ~, que pessoalmente odeio todos os personagens e por isso são bons e (su)reais com seus dinheiros e leviandades e machismos, risos. Mas a cena do casamento é deslumbrante, era tudo o que eu queria ver. Achei que foi a cara do casal porque teve toda a extravagância da Lorelai mas com a discrição do Luke e pudemos aproveitar relaxados como tudo se desenrolou. Claro, ver o casamento seria interessante também, mas abafariam os finalmentes.

1

2

3

[caption id="attachment_12422" align="aligncenter" width="500"]4 <3 ~[/caption]

 

13. As últimas 4 palavras

Eu não sabia que rolava essa ~ parada ~ em que a Amy Sherman-Paladino gostaria de terminar a série com quatro palavrinhas secretas e que ninguém sabia quais eram. Gostei? Digamos que não desgostei. Lorelai já havia falado sobre o círculo da vida para Emily e essa é a concretização dele. Rory agora tem 32 anos, idade em que Lorelai tem na primeira temporada de Gilmore Girls.

Em verdade que fica um pouco desconexo para mim o fato de que Rory querer criar seu filho sozinha, sendo que Logan sempre foi #TeamRory em peso e quis casar com ela anos atrás e não por que ela engravidou, como foi o caso de Lorelai e Christofer. Porém, é o círculo da vida, e como Lorelai tomou essa decisão sozinha e desagradou sua mãe, o que eu interpreto, é que Rory fará a mesma coisa.

E sim, é do Logan. Se fosse do Wookie ou do Paul que aparecem apenas no Inverno/Primavera, Rory já estaria com 6 ou 3 meses de gravidez porque a série é dividida em quatro estações do ano! Fiquem só com o áudio pra dar aquele gostinho de quero ver de novo, haha!

 

 

14. Cristopher

Deixei pro final para caso você ainda não tenha se ligado, não estragar muito, hahaha. Por um breve momento, ainda que sem muito nexo, Rory faz uma visita ao seu pai com o pretexto de pedir permissão para incluí-lo em seu livro. Porém, a visita fica mais clara depois que a série acaba e claro, depois que você tem que ir assoar o nariz e lavar a cara toda inchada e liga pra amiga. Rory vai questionar seu pai como foi criá-la à distância, sendo menos eufemista, não criá-la e vê-la de vez em quando, quando tinha vontade/tempo. Isso é porque Rory já sabe que está grávida e pretende criar seu filho sozinha, assim como sua mãe fez.

[caption id="attachment_12428" align="aligncenter" width="589"]screen-shot-2016-11-28-at-17-47-07 ~ uma imagem, mil palavras ~[/caption]

 

15. Para finalizar

Seria maravilhoso se o livro que Rory escreve fosse realmente publicado. Poderia dar vazão à novas histórias, focar nas histórias que conhecemos superficialmente e sem dúvida seria sucesso de vendas. FIK A DIK AÍ DONA AMY!

screen-shot-2016-11-28-at-17-54-46

Com certeza esqueci de falar sobre alguma coisa. Eu não fui anotando nada enquanto via, apenas sentei e escrevi conforme fui me lembrando dos pontos altos que me marcaram mais e que mais debati com amigas. Se você lembrar de mais alguma coisa muito importante que deixei pra trás, me avisa! No final minha avaliação ficou, Inverno = bom, Primavera = fraco, Verão = risos e Outono = total eclipse of the heart. Acho que vou plagiar Sherman-Paladino e também vou terminar com 4 palavrinhas.


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Hahaha, tá bom, chega!
 

Mais de Bárbara Gondar

Mujeres Creando: Um dos coletivos mais importantes da América Latina

Em uma breve passagem pela cidade de São Paulo no ano passado, visitei a Bienal de Arte, uma das mais importantes exposições/encontros de arte da América Latina. Logo na entrada, me deparei com uma instalação chamada Espaço para Abortar, uma estrutura de arame com 7 cabines que formam sete úteros. Essa instalação foi criada pelo núcleo e coletivo feminista boliviano Mujeres Creando.

Mandei um email despretensioso para o coletivo que me respondeu prontamente aceitando fazer uma pequena entrevista. Inicialmente minha ideia era falar sobre a peça na Bienal, mas tive outras prioridades quando me encontrei na posição de estar ‘de frente’ com um coletivo feminista de 22 anos que tem uma enorme e inspiradora história de luta. Segue então a conversa que tivemos por email:
 

 
OVELHA: No domingo do dia 5 de outubro (de 2014), aconteceu o primeiro turno das eleições brasileiras para presidência da república. Eram 3 candidatas mulheres disputando a presidência, mas só uma com agenda feminista e que contemplavam os requisitos das minorias. Como é a situação política feminista na Bolívia (esqueci completamente de dizer que eu me referia a Luciana Genro e não à Dilma)?

MUJERES CREANDO: Começarei a te dizer que não acredito que Dilma Roussef represente um agenda feminista clara, não acredito na forma que ela alcançou o poder se garantindo a partir de alianças com as igrejas fundamentalistas cristãs, a não intenção de descriminalização do aborto no Brasil e a criminalização da pobreza. A organização de grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas e a política policial de eliminação dos pobres. Eu não acredito que essa seja uma agenda feminista. Não acredito que deveríamos nos resignar e nos contentar com um mal menor. Acredito que é importante como movimento, nos manter à claridade de nossas agendas, a claridade do horizontes e de nossas lutas e que não nos deixemos levar pela ‘oferta’ do mercado eleitoral como único universo de referência política. Na Bolívia, a situação é dramática, se implementou totalmente a paridade e alternância de sexo nas listas eleitorais, mas isso não significa a revisão do papel das mulheres na política, muito menos uma agenda feminista. O movimento ao socialismo do presidente Evo Morales é um projeto popular que tem se endireitado (no sentido de ser menos de esquerda e mais de direita), ao mesmo tempo o perfil tão machista dos candidatos exacerba o discurso das mulheres objeto, ao ponto que temos Miss Rainhas de Beleza como aliadas políticas mais importantes do partido de governo porque exaltam a virilidade destes personagens. A descriminalização do aborto nem sequer entrou em debate e a campanha eleitoral é um desperdício de promessas populistas vinculadas com as graves condições de vida das pessoas.
 
Mujeres Creando
 
OVELHA: Apesar de estarmos muito próximos geograficamente, (infelizmente) pelas diferenças culturais e linguísticas, o Brasil se distancia muito da unidade latino americana. Como você acha que poderíamos nos aproximar em vista que as lutas das mulheres permeiam as mesmas causas?

MUJERES CREANDO: Eu creio que tínhamos um cenário latino americano comum nos encontros feministas latino americanos e que lamentavelmente a partir dos anos 90 entraram em uma grave crise devido a cooptação da cooperação internacional destes cenários, que se tornaram cenários exclusivos de uma elite de trabalhadoras de organizações não governamentais (ongs). Acredito que devemos construir o intercâmbio e procurar a partir da cultura como cenário. Nós temos duas casas, uma em La Paz e outra em Santra Cruz (de La Sierra) e ali estamos dispostas a receber companheiras que querem vir e fazer intercâmbio cultural. Creio que isso é fundamental.
 

 
OVELHA: A militância feminista é tão maravilhosa quanto é pesada, fico extremamente feliz de ver que vocês estão juntas há 22 anos. Com qual frequência se reúnem? Vocês fazem algum tipo de apoio interno para membros do coletivo?

MUJERES CREANDOO que acontece com o Mujeres Creando é muito original em todo continente. Sabe, nós não entendemos o feminismo como a construção de um grupo ou como um passatempo, mas como um modo de vida e de luta cotidiana. Temos duas casas em diferentes cidades e a partir da gestão dessas casas desenvolvemos formas de política concreta com a sociedade. Sempre estamos atuando de forma contínua e direta com os temas que preocupam a gente e isso cria uma dinâmica muito intensa dentro do movimento. Ao mesmo tempo temos pequenas cooperativas que vão surgindo e que vão gerando formas de auto sustentação econômica para muitas mulheres. Isso é fabuloso porque gera coesão, gera trabalho contínuo, gera capacidade de resposta social imediata a todo tempo, gera produção de teoria de ideias e de conhecimento a todo o tempo e produção cultural contínua também.
 

 
OVELHA: Às vezes para passarmos uma mensagem é preciso dialogar com partes que nos são adversas. Como por exemplo, a instituição de arte da Bienal de São Paulo. Vi que vocês fizeram uma carta aberta em repúdio ao logo do estado de Israel (ato do qual apoio integralmente) que estava nos apoios do evento. Quanto podemos nos permitir dialogar com certas instituições para que possamos passar a mensagem para frente?

MUJERES CREANDO: Olha, nós não temos uma visão maniqueísta de onde qualificamos o de fora como limpo e válido e toda instituição como podre. Cremos que temos que estar com nosso próprio discurso e com suas próprias condições em todos os lugares, seja na rua, até na televisão, passando por um cenário como a Bienal de Arte de São Paulo. Não se trata de se submeter à instituição, não se trata de absorver seus códigos, quase sem diálogo. Se trata de tornar a instituição como qualquer outro espaço possível e se instalar ali com a mesma lógica de invasão, como a qual em que o mendigo se instala na porta de uma igreja. Logo creio que as próprias instituições tem muitíssimas contradições e que temos que aproveitar. A arte, a universidade, o estado estão em crise, não se trata de ser uma catarse para sua crise mas sim de aproveitar esses espaços de crise para expandir ideias propostas, desacatos, desobediências. Há pouco tempo o vice presidente da Bolívia me chamou para uma entrevista. Eu repudio sua política e poderia ter dito que não, ao invés disso, decidi ir de encontro ao diálogo com ele mas sem me auto censurar, sem nenhum tipo de reverência grave ao encontro e foi uma bomba até hoje.
 
Mujeres Creando
 
OVELHA:  Como se dá a resistência feminista das Cholas? Há um movimento de contrapartida camponês?

MUJERES CREANDO: O movimento campesino na Bolívia está cooptado pelo governo e sofre um momento de inércia e complacência. São os clientes privilegiados pelo governo, mas se trata de uma aliança só com os líderes do movimento embora as bases também se alegrem com essa aliança. Em nosso movimento há muitas que são cholas, parte porque não construímos um movimento homogêneo branco urbano, mas são literalmente e metaforicamente putas e lésbicas, juntas e revoltas e geminadas como irmãs.
 

Fiquei muitíssimo tocada com as respostas fortes da Maria Galindo (uma das representantes do coletivo), me lembrei muito da nossa musa brasileira Indianara Siqueira que tem uma história sólida de militância há anos e pela qual tenho muita admiração. Agradeço muitíssimo o coletivo Mujeres Creando por ceder uma entrevista, e a Maria Galindo. Viva las que luchan!
 

 
Nota: A entrevista foi concedida à página xereca no dia 06/10/2014 e foi elaborada e traduzida por Bárbara Gondar.

Leia mais

 

4. Parada Gay

Claro que, depois de quase uma década, seria bem mais interessante se algumas coisas estivessem sobre a mesa, como o Michel falando abertamente que é homossexual. Me incomodava o ver não só como o único gay, mas a única pessoa negra na cidade.

Agora temos também o Donald, um novo personagem, abertamente gay que em uma reunião da cidade, discute com Taylor sobre a possibilidade de uma Parada Gay, mas que é deferida pois infelizmente são muito poucos. Nessa mesma discussão, Gipsy acaba tirando Taylor do armário para nós, não que eu goste de forçar pessoas a saírem do armário mas acaba nos dando uma visão mais aberta (ou um pouco menos fechada?) de Stars Hollow.

michel

 

5. Paris Geller, senhoras e senhores

Quando acaba a Primavera, segundo episódio, você pensa: caralho, que personagem. Paris continua quebrando a porra toda como sempre e agora em níveis ainda mais megalomaníacos e estratosféricos. Não poderia ser diferente, se acha uma decepção como mãe, separada, crises existenciais expurgando pelos seus poros, existencialismos, debates com ela mesma. Surtei com a volta de Rory e Paris à Chilton, e a cena em que Paris fecha a porta com o pé eu aplaudi, juro mesmo.

 

6. Sookie e Lane (e tema de abertura) (decepção geral)

VOCÊ JURA QUE FOI SÓ ISSO?
LAMENTÁVEL, HEIN?

Sookie aparece rapidamente e nunca mais a vemos, nem no casamento de Lorelai, miagemt. Na próxima vez avisa que a gente faz uma vaquinha pra pagar o cachê, sem problema. Lane é melhor amiga de Rory, ficou super pra escanteio, apareceu mais que Sookie mas teve aparições muito pontuais, não fez juz à maravilhosa personagem! D:

CADÊ TEMA DE ABERTURA QUE SÓ APARECEU NO FINAL, AFFS ~

 

7. Thirtysomething Gang

Não sei vocês, mas eu estaria super nessa gangue dos trinta e pouco caso viesse de uma cidade pequena, hahaha. Me formei na faculdade, saí de casa, trabalhei pra cacete, tive um bilhão de decepções com mercado de trabalho, fiquei desempregada, sofri de amores e estou nessa bolha de não saber o que fazer muito bem e sigo andando com pessoas que estão na mesma. Também foi uma forma de inserirem mais atores negros na cidade, além do maravilhoso (SIM MARAVILHOSO, MESMO COM MEIA HORA) musical de Stars Hollow.

 

8. Reprodução de machismo

Como disse, passou uma década e achei que fossem cortar algumas reproduções de machismo recorrentes nas 7 temporadas da série. Infelizmente isso não só não aconteceu, como reforçaram alguns estereótipos que tentamos diariamente desconstruir e opressões que diariamente tentamos eliminar. Como por exemplo, apresentar uma personagem abertamente feminista, Naomi Shropshire, como uma mulher em que todos têm um pitaco a dar sobre sua personalidade, a colocando como uma – eu odeio esse termo com todas as minhas forças – maluca, que fala uma coisa e depois diz outra e que é alcólatra e uma caricatura.

Como por exemplo (2), fazer body shamming (falar mal de corpos de outras pessoas) na piscina, falar sobre os corpos alheios com nojo. Como por exemplo (3), na cena com as freiras, que sucede a maravilhosa piada que envolve Whoopi Goldberg, falar mal da Katy Perry (slut shamming), dizer que ela usa roupas de puta e estereotipá-la. Como por exemplo (4), a cena do DAR (Daughters of the American Revolution) em que fazem a mesma coisa que fizeram com Katy Parry, mostram uma mulher nova que se casou com um homem mais velho, dando a entender que ela é uma ~ gold digger ~, uma pessoa que está atrás de dinheiro. A mulher é completamente humilhada de uma forma que tentamos desconstruir há anos. Entendo que a série é bem condizente com as idades das personagens e os preconceitos enrustidos que carregam e inclusive, pode ser visto como uma crítica a tudo isso, mas quis pontuar ainda assim. :)

Como por exemplo (5), só mais essa, juro, hahaha, Rory continuar não ligando em se relacionar com pessoas comprometidas e dessa vez, Lorelai não fala quase nada, faz uma piadinha horrível, a chamando de vadia ou coisa do tipo. Sendo que, quando aconteceu com o Dean, elas brigaram homericamente, deixaram de se falar por um tempo, etc.

 

9. Vamos falar de coisa boa, vamos falar de Cogumelo do Sol

Ninguém envelhece nessa série? Passou-se quase uma década e muitos dos personagens não mudaram quase nada, vamos passar as dicas aí, galera! E o que acontece com os personagens que envelheceram e mudaram naturalmente nessa década é que ficam drasticamente diferentes do resto do elenco, como Zack marido de Lane e Miss Patty, gente! Ô LOCO MEO!

 

10. Rory

Nossa mãe, por onde começo? Amo que a vida dela nesse ano começa e termina de pernas para o ar. Em todas as 7 temporadas parece que o destino a aguarda com tudo o que ~ meritocraticamente ela é digna de. A quebra disso traz apenas a realidade para a maioria, a vida é não só dura como imprevisível. Claro que ela tem o privilégio de parar de trabalhar e observar o que ela quer, mas o que eu gosto é que o ano termina e as coisas estão mais em aberto do que nunca, E ESTÁ TUDO BEM. Ela tem uma incrível rede de apoio e com seu livro, dá a entender que está bem encaminhada, afinal, quem não além de nós, para confirmar que o conteúdo desse livro é excelente?

Sobre a vida romântica da Rory, eu não estava esperando menos do que aconteceu, ela não ficar com ninguém. Não fui time de ninguém, apesar de Jess estar um arraso e até o Dean que todos desgostam, também. O Jess volta pontual para dar um apoio à Rory, uma sacudida, como na última vez que nós vemos eles se encontrando e por mais que diga que superou Rory para Luke, algumas olhadas não nos convencem, e tudo bem, baba baby, #SeNãoMeQuisAssimNãoMeProcureAssado. Logan está igualzinho porém fazendo AB Shaper, continue, colega.

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11- Lorelai

A única coisa que tenho para comentar é a cena maravilhosa em que Lorelai é negada de fazer a caminhada pois está sem a permissão. O fato de olhar para a natureza e talvez entender sua vulnerabilidade diante de tudo aquilo e perante a situação de perder uma pessoa muito próxima com a qual você não tem muita intimidade, foi suficiente. Não precisou caminhar absolutamente nada, só parou e se viu refletida numa imensidão sem resposta. A ligação em seguida para Emily, O QUE FOI AQUILO MIAGENT? Só a Deusa sabe dos ranho que limpei na blusa porque não peguei um papel higiênico previamente.

 

12. O Não-Casamento

Alguém esperava menos do que isso? O tom de surrealismo no episódio já tinha sido dado pela ~ life and death brigade ~, que pessoalmente odeio todos os personagens e por isso são bons e (su)reais com seus dinheiros e leviandades e machismos, risos. Mas a cena do casamento é deslumbrante, era tudo o que eu queria ver. Achei que foi a cara do casal porque teve toda a extravagância da Lorelai mas com a discrição do Luke e pudemos aproveitar relaxados como tudo se desenrolou. Claro, ver o casamento seria interessante também, mas abafariam os finalmentes.

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13. As últimas 4 palavras

Eu não sabia que rolava essa ~ parada ~ em que a Amy Sherman-Paladino gostaria de terminar a série com quatro palavrinhas secretas e que ninguém sabia quais eram. Gostei? Digamos que não desgostei. Lorelai já havia falado sobre o círculo da vida para Emily e essa é a concretização dele. Rory agora tem 32 anos, idade em que Lorelai tem na primeira temporada de Gilmore Girls.

Em verdade que fica um pouco desconexo para mim o fato de que Rory querer criar seu filho sozinha, sendo que Logan sempre foi #TeamRory em peso e quis casar com ela anos atrás e não por que ela engravidou, como foi o caso de Lorelai e Christofer. Porém, é o círculo da vida, e como Lorelai tomou essa decisão sozinha e desagradou sua mãe, o que eu interpreto, é que Rory fará a mesma coisa.

E sim, é do Logan. Se fosse do Wookie ou do Paul que aparecem apenas no Inverno/Primavera, Rory já estaria com 6 ou 3 meses de gravidez porque a série é dividida em quatro estações do ano! Fiquem só com o áudio pra dar aquele gostinho de quero ver de novo, haha!

 

 

14. Cristopher

Deixei pro final para caso você ainda não tenha se ligado, não estragar muito, hahaha. Por um breve momento, ainda que sem muito nexo, Rory faz uma visita ao seu pai com o pretexto de pedir permissão para incluí-lo em seu livro. Porém, a visita fica mais clara depois que a série acaba e claro, depois que você tem que ir assoar o nariz e lavar a cara toda inchada e liga pra amiga. Rory vai questionar seu pai como foi criá-la à distância, sendo menos eufemista, não criá-la e vê-la de vez em quando, quando tinha vontade/tempo. Isso é porque Rory já sabe que está grávida e pretende criar seu filho sozinha, assim como sua mãe fez.

 

15. Para finalizar

Seria maravilhoso se o livro que Rory escreve fosse realmente publicado. Poderia dar vazão à novas histórias, focar nas histórias que conhecemos superficialmente e sem dúvida seria sucesso de vendas. FIK A DIK AÍ DONA AMY!

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Com certeza esqueci de falar sobre alguma coisa. Eu não fui anotando nada enquanto via, apenas sentei e escrevi conforme fui me lembrando dos pontos altos que me marcaram mais e que mais debati com amigas. Se você lembrar de mais alguma coisa muito importante que deixei pra trás, me avisa! No final minha avaliação ficou, Inverno = bom, Primavera = fraco, Verão = risos e Outono = total eclipse of the heart. Acho que vou plagiar Sherman-Paladino e também vou terminar com 4 palavrinhas.


MANDA MAIS QUE TAPOUCO
ou também
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Hahaha, tá bom, chega!
 

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