Assista: Filhas do Destino

Dividido em quatro partes, o documentário “Filhas do Destino” é dirigido pela norte-americana Vanessa Roth e produzido pela Netflix. É uma das coisas mais tocantes que eu vi neste ano e quero que todo mundo também veja 1º para aprender um pouco mais sobre a Índia, 2º para prestigiar mais esse tipo de audiovisual sobre mulheres.

O filme acompanha cinco meninas que vivem em algumas das regiões mais pobres do país. Elas são da casta “dalit”, ou “os intocáveis”, que são os trabalhadores braçais,  pessoas que trabalham em pedreiras, ou montando caixinhas de fósforo, ou varrendo as ruas, são as mais oprimidas pelo sistema de castas do hinduísmo. Essas cinco meninas estão entre os selecionados quando crianças para estudarem em um colégio interno chamado Shanti Bhavan.

Essa escola foi fundada em 1997, em Bangalore, pelo empresário indiano-americano Abraham George. É um internato que aceita 24 estudantes pré-escolares por ano, entre meninos e meninas, e oferece educação gratuita (comida e habitação) até o 12º ano de ensino, quando depois vão para a faculdade. Apenas uma criança por família pode ingressar na escola. E o filme acompanha essas garotas de idades diferentes durante 7 anos de estudo e vivência na escola.

Em Shanti Bhavan, cada uma delas será preparada para ter a melhor educação possível e, assim, conseguir mudar o futuro da família, ou seja, quebrar esse sistema de casta, e ajudar a própria escola a se manter. É uma prova de que os “dalits” também podem estudar, ter um emprego sem ser braçal, como advogado e médico, e sair da pobreza.

Muitas das cenas mostram as garotas nas salas de aula ou nos dormitórios e dependências da escola. Elas sofrem uma grande pressão para estudar realmente muito, afinal elas precisam conquistar notas altas o suficiente para entrarem nas melhores universidades. Não é permitido ser um aluno mediano. A escola depende também dessa fama de conseguir encaixar seus alunos entre os melhores da Índia para conseguir se manter aberta. Então todos os estudantes aprendem e falam inglês nas aulas e já são orientados a escolherem uma profissão.

No entanto, o mais interessante desse documentário é quando ele acompanha as garotas fora da escola. Os estudantes podem visitar a família apenas em uma época do ano e aí eles enfrentam um mega contraste entre as tradições familiares e o mundo moderno para o qual estão se preparando dentro da escola. A realidade é totalmente incompatível com o que está sendo ensinado nas salas de aula. Nessa parte entram questões principalmente sobre igualdade de gênero e a falta de apoio psicológico para as crianças lidarem com esse contraste.

O documentário trata de expectativas, culpa, ressentimento, morte, conflito familiar… Na faculdade, algumas garotas ficam divididas entre o que a família espera delas, o que elas esperam delas mesmas, e a pressão para continuar contribuindo com a comunidade e com a escola. Uma delas estuda para ser advogada de direitos humanos, outra jornalista, outra enfermeira…

Chorei e fiquei comovida principalmente com os depoimentos das mães das garotas. Elas só querem mesmo que as filhas consigam sair desse sistema de pobreza, não se preocupando se elas vão se casar em nenhum momento pois sabem que as filhas serão independentes dos homens, diferente da própria história delas.

Eu tenho vontade de chorar só de ver o trailer. Assistam a esse filme!

Mais de Letícia Mendes

Links da semana

Olá, amigas queridas!

Demorou, mas voltamos com os links da semana. Lembrando que são coisas inspiradoras que achamos que merecem a atenção de vocês. Se quiserem compartilhar mais assuntos interessantes, é só comentar no fim deste texto. <3


// PRA VESTIR

A marca parisiense Coucou Suzette e seus acessórios maravilhosos. (foto acima)

 


// FEMINISMO E RELIGIÃO

A entrevista da BBC com Dana Albalkhi. ‘Véu também é liberdade’: a vida de uma muçulmana feminista no Brasil

“Sou feminista e fazia parte de um grupo online que reunia feminista árabes (e foi criado na Europa). Lá tem muçulmanas e outras que não são. As não-muçulmanas são contra o véu, acham que é repressão. As muçulmanas, como eu, acham que é uma forma de liberdade”.

 


// ASSÉDIO NO TRABALHO

Demorou, mas finalmente o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo criou um canal para denúncias de assédios moral e sexual. Aqui.

 


// LANÇAMENTO

Mais um site empoderador entrou no ar. O Mulheres Negras do Audiovisual Brasileiro divulga informações de contato e trabalhos realizados por profissionais negras e/ou indígenas.

 


// GAMES

A mulher por trás de trilhas sonoras de fliperamas nos anos 1980 é uma matéria do Nexo sobre Yoko Shimomura, pianista que fez a trilha de “Street Fighter 2” entre outras belezuras.

 


// ARTE E DENÚNCIA

Katherine Cambareri, estudante de fotografia, decidiu desafiar a facilidade com que as pessoas recorrem a culpar a vítima. Ela entrou em contato com sobreviventes de violência sexual no Facebook e pediu a essas jovens que corajosamente compartilhassem momentos em que vivenciaram investidas sexuais sem seu consentimento.

Matéria do Brasil Post.

 


// AFRO HAIR

Mulheres negras protestam contra o padrão europeu de beleza feminina. Vídeo aqui.

 


// MÚSICA

Jéssica Ellen + Luellem de Castro = deusas. Aqui o vídeo.

 


// GILMORE GIRLS

Um texto muito bom no Risca Faca sobre “como rever a série dez anos depois é uma experiência quase nova, em que as percepções a respeito dos personagens mudam dramaticamente”.

 


// KIM GORDON

Nossa musa lançou um single chamado “Murdered Out”:

 


Até a próxima semana! Força \o/

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Em Shanti Bhavan, cada uma delas será preparada para ter a melhor educação possível e, assim, conseguir mudar o futuro da família, ou seja, quebrar esse sistema de casta, e ajudar a própria escola a se manter. É uma prova de que os “dalits” também podem estudar, ter um emprego sem ser braçal, como advogado e médico, e sair da pobreza.

Muitas das cenas mostram as garotas nas salas de aula ou nos dormitórios e dependências da escola. Elas sofrem uma grande pressão para estudar realmente muito, afinal elas precisam conquistar notas altas o suficiente para entrarem nas melhores universidades. Não é permitido ser um aluno mediano. A escola depende também dessa fama de conseguir encaixar seus alunos entre os melhores da Índia para conseguir se manter aberta. Então todos os estudantes aprendem e falam inglês nas aulas e já são orientados a escolherem uma profissão.

No entanto, o mais interessante desse documentário é quando ele acompanha as garotas fora da escola. Os estudantes podem visitar a família apenas em uma época do ano e aí eles enfrentam um mega contraste entre as tradições familiares e o mundo moderno para o qual estão se preparando dentro da escola. A realidade é totalmente incompatível com o que está sendo ensinado nas salas de aula. Nessa parte entram questões principalmente sobre igualdade de gênero e a falta de apoio psicológico para as crianças lidarem com esse contraste.

O documentário trata de expectativas, culpa, ressentimento, morte, conflito familiar… Na faculdade, algumas garotas ficam divididas entre o que a família espera delas, o que elas esperam delas mesmas, e a pressão para continuar contribuindo com a comunidade e com a escola. Uma delas estuda para ser advogada de direitos humanos, outra jornalista, outra enfermeira…

Chorei e fiquei comovida principalmente com os depoimentos das mães das garotas. Elas só querem mesmo que as filhas consigam sair desse sistema de pobreza, não se preocupando se elas vão se casar em nenhum momento pois sabem que as filhas serão independentes dos homens, diferente da própria história delas.

Eu tenho vontade de chorar só de ver o trailer. Assistam a esse filme!

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