E o Oscar vai para… igualdade de gênero

A última edição do Oscar vinha sendo criticada pela falta de representatividade. Dizem que isso acontece por causa da composição da Academia (Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – AMPAS), mais conhecida como >>THE ACADEMY<<. Ela é aquela “entidade” a que todos os premiados agradecem e é esse grupo seleto de pessoas que define quem é indicado e quem ganha o que na grande festa do cinema. Segundo o jornal LA Times, 94% da Academia são brancos, 2% são afrodescendentes e menos de 2% são latinos. Sendo que 77% são homens brancos na casa dos 60 anos. Os dados são de 2012.

Em 2013, Cheryl Boone Isaacs foi eleita a primeira presidente negra da Academia (e terceira mulher). E ela diz que existem esforços para que a organização se torne mais diversa e inclusiva. Ainda não é o que se vê, mas vamos acompanhar.

Mesmo com esse contexto, algumas mulheres brilharam durante a premiação.

 

1. Patricia Arquette discursou pela equiparação de salários

 
arquette-oscars
 
A Patricia Arquette ganhou o Oscar – merecidamente na minha humilde opinião – por melhor atriz coadjuvante pelo papel dela em Boyhood e fez uma declaração sobre igualdade das mulheres. A piada da internet é que ela ficou 12 anos ganhando mal, tempo que o Boyhood demorou pra ser filmado, e aproveitou o discurso de agradecimento para reclamar. Essa piada costuma não ter muita graça para quem sabe que nos EUA, as mulheres ganham 82 centavos para cada dólar faturado pelos homens. No Brasil, o cenário também é crítico. No ranking do último relatório de Desigualdade de Gênero, do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ficou em 71º lugar. Isso na igualdade geral. Na lista que compara o salário que homens e mulheres ganham para realizar o mesmo trabalho, o país cai para a 124º, de um total de 142 países.
 

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“Para cada mulher que deu a luz a cada contribuinte e cidadão deste país. Nós lutamos pela igualdade de direitos de todo mundo…”[/caption]  

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“É a nossa vez de ter igualdade salarial de uma vez por todas…”[/caption]  

[caption id="attachment_2279" align="aligncenter" width="1024"]3 
“… e e igualdade de direitos para as mulheres nos Estados Unidos da América”[/caption]  

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Meryl Streep e J-Lo curtiram isto[/caption]

 

2. Reese Witherspoon apoiou a campanha #AskHerMore

 
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A atriz concorreu ao Oscar de melhor atriz pelo filme Livre, que conta a história real da Cheryl Strayed, uma moça que depois de perder a mãe, se divorciar e se drogar loucamente, decide espairecer fazendo uma trilha de APENAS 1.800 quilômetros lá nos EUA. Antes da premiação, a Reese postou no Instagram uma foto com mensagem de apoio ao movimento #AskHerMore (algo como Pergunte-a Mais, em português). Criado pelo grupo feminista The Representation Project, esse movimento joga luz no sexismo presente em Hollywood e na cobertura do Oscar. A ideia é pressionar jornalistas a questionarem menos as mulheres sobre os seus respectivos looks, o que estão vestindo, e mais sobre os seus trabalhos.
 

insta reese

 

3.Robin Roberts, a apresentadora gringa que a gente não sabe quem é, arrasou nas perguntas

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Pressionada ou não, a apresentadora do Good Morning America e uma das entrevistadoras do tapete vermelho, não só questionou a Reese sobre o movimento, dando mais visibilidade a ele, como fez perguntas interessantes para todas as entrevistadas. Nenhumazinha sobre vestidos ou pedrarias. Obrigada, Robin.
 
Bônus: Todo esse papo me lembrou a cena mais sensacional do ano passado quando a Cate Blanchett fez uma perguntinha para um cinegrafista no tapete vermelho do SAG Awards.
 

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“Você faz isso com os caras?”

 

Bônus 2: Ano passado, o Buzzfeed entrevistou atores com perguntas superficiais corriqueiramente feitas a mulheres. Abaixo a entrevista com o Kevin Spacey, que naturalmente perguntou se a repórter tinha começado a ~~fumar~~ antes de ir para a entrevista. Tá em inglês.

 

4.Emma Watson agradeceu fofa o apoio de Steve Carell

A cruzada feminista da eterna Hermione seguiu durante a premiação. Para dar mais visibilidade ao movimento HeforShe a atriz enviou abotoaduras a atores que quisessem demonstrar o apoio de maneira discreta. Um deles, foi o comediante Steve Carell. E ela agradeceu:

 

emma carell 

“Caro Steve Carell,

Você foi genial em “Pequena Miss Sunshine” (um dos meus filmes favoritos), meu irmão tornou-se obcecado com você em “O Âncora”, eu queria me casar com você ou que você me adotasse depois de “Amor a Toda Prova” , eu odiava aquele cara que você fez em “O Verão da Minha Vida”, e então você foi alucinante em “Foxcatcher”. Eu acho você tão incrível e agora você está usando as abotoaduras do #HeForShe no Oscar para apoiar a igualdade de género. Não poderia estar mais orgulhosa! Obrigada.
Com amor,
Emma”

 

5. Julianne Moore finalmente ganhou um Oscar que ela sempre mereceu

O prêmio foi de melhor atriz por seu papel no filme Para Sempre Alice. Mas na real eu só coloquei aqui porque ela merece e para colocar esse gif dela rindo da Emma Stone quando elas ganharam estatuetas do Oscar de Lego.

#Miguxas #MelhorPrêmio

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Mais de Anna Crô

A vez dos pais

É curioso ver como a questão de gênero é encarada de jeitos tão diferentes em cada país. Enquanto aqui no Brasil… ainda ouvimos muito marmanjo dizendo que quem cuida dos filhos é a mulher e também muita mulher dizendo que “o marido é um máximo, ajuda muito em casa, ele até troca fralda de vez em quando”. {Gata, ele não está fazendo nada mais do que a obrigação. Não precisa encher a bola}

… Lá na Suécia acabou de ser aprovado um aumento de 30 dias na licença-paternidade. Isso significa que agora o pessoal de lá têm direito a três meses de licença remunerada. E esse benefício é amplamente utilizado, por cerca de 90% dos homens com filhos. Os dias de afastamento podem ser usados até a criança completar 8 anos e são acumulados para cada filho que nasce ou é adotado. {achei legal grifar porque achei interessante}

Enquanto tirava licença paternidade, o fotógrafo sueco Johan Bävman decidiu documentar outros homens na mesma situação. O resultado foi esse ensaio fofo que ele batizou de Pais Suecos (Swedish Dads). Em uma entrevista na gringa, ele disse que, durante essa época, tinha dificuldade de encontrar qualquer coisa que fosse escrita para ele como pai. “Então eu tive a ideia de  documentar pais durante a licença paternidade, de ouvir por que eles queriam estar em casa com seus filhos e o que eles esperavam aprender disso”, disse Johan.

Para quem não sabe, aqui no Brasil a licença paternidade garantida pela legislação trabalhista é de míseros 5 dias. Algumas cidades já vêm tentando aumentar esse prazo para 15 dias, mas a regra ainda é essa. Alguns projetos de lei para estender essa licença tramitam no Congresso a passos lentos. Um deles para 15 dias (parado no Senado), outro para 30 (travado na Câmara).

No setor privado, algumas empresas garantem por conta própria esse benefício ampliado. Mas isso ainda é coisa fina e só se encontra nas de setores endinheirados. Na farmacêutica Pfizer, por exemplo, a licença é de 10 dias. Lá fora, encontra-se casos mais incríveis como o da Virgin: homens e mulheres que trabalhem nos escritórios da empresa em Londres ou Genebra há mais de quatro anos, podem tirar até 1 ano de licença RE-MU-NE-RA-DA. Quem trabalha há menos de dois anos também pode tirar, mas só ganha 25% do salário. Tudo bem que só cerca de 2% da empresa se encaixa nos requisitos, mas não deixa de ser notável.

Todas essas ações tem impacto, mas o mais importante é a mudança na mentalidade. Na Suécia, já se entende que a criação dos filhos é uma responsabilidade de ambos os pais. Não à toa, o país é considerado um dos países mais igualitários em questões de gênero pelo Fórum Econômico Mundial.

Por aqui, a ONG Instituto Papai trabalha para com objetivo de equiparar a licença paternidade com a licença maternidade. Em uma entrevista à EBC, Ricardo Castro, coordenador geral do instituto, disse que a disparidade entre as licenças causa a falsa impressão de que as mulheres são as únicas cuidadoras das crianças. “Buscamos garantias legais para o homem estar mais tempo em casa”. Além disso, Ricardo ressalta a necessidade da licença-paternidade se estender a outras formações de famílias, como o pai solteiro e o casal homossexual.

Cade vez mais as empresas, mesmo por aqui, têm se preocupado – pelo menos no discurso – com o bem estar dos funcionários. E isso não quer dizer que elas sejam boazinhas, apenas faz parte da estratégia delas para reter funcionários. Se a pessoa quer mais direitos e benefícios, precisa pedir pro RH da empresa. Pode não acontecer nada, mas vai que…
 

Informações via Revista Você SA, Agência Câmara de Notícias e EBC

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falta de representatividade. Dizem que isso acontece por causa da composição da Academia (Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – AMPAS), mais conhecida como >>THE ACADEMY<<. Ela é aquela “entidade” a que todos os premiados agradecem e é esse grupo seleto de pessoas que define quem é indicado e quem ganha o que na grande festa do cinema. Segundo o jornal LA Times, 94% da Academia são brancos, 2% são afrodescendentes e menos de 2% são latinos. Sendo que 77% são homens brancos na casa dos 60 anos. Os dados são de 2012.

Em 2013, Cheryl Boone Isaacs foi eleita a primeira presidente negra da Academia (e terceira mulher). E ela diz que existem esforços para que a organização se torne mais diversa e inclusiva. Ainda não é o que se vê, mas vamos acompanhar.

Mesmo com esse contexto, algumas mulheres brilharam durante a premiação.

 

1. Patricia Arquette discursou pela equiparação de salários

 
arquette-oscars
 
A Patricia Arquette ganhou o Oscar – merecidamente na minha humilde opinião – por melhor atriz coadjuvante pelo papel dela em Boyhood e fez uma declaração sobre igualdade das mulheres. A piada da internet é que ela ficou 12 anos ganhando mal, tempo que o Boyhood demorou pra ser filmado, e aproveitou o discurso de agradecimento para reclamar. Essa piada costuma não ter muita graça para quem sabe que nos EUA, as mulheres ganham 82 centavos para cada dólar faturado pelos homens. No Brasil, o cenário também é crítico. No ranking do último relatório de Desigualdade de Gênero, do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ficou em 71º lugar. Isso na igualdade geral. Na lista que compara o salário que homens e mulheres ganham para realizar o mesmo trabalho, o país cai para a 124º, de um total de 142 países.
 

 

 

 

 

2. Reese Witherspoon apoiou a campanha #AskHerMore

 
reese-witherspoon-oscar2015-ovelha
 
A atriz concorreu ao Oscar de melhor atriz pelo filme Livre, que conta a história real da Cheryl Strayed, uma moça que depois de perder a mãe, se divorciar e se drogar loucamente, decide espairecer fazendo uma trilha de APENAS 1.800 quilômetros lá nos EUA. Antes da premiação, a Reese postou no Instagram uma foto com mensagem de apoio ao movimento #AskHerMore (algo como Pergunte-a Mais, em português). Criado pelo grupo feminista The Representation Project, esse movimento joga luz no sexismo presente em Hollywood e na cobertura do Oscar. A ideia é pressionar jornalistas a questionarem menos as mulheres sobre os seus respectivos looks, o que estão vestindo, e mais sobre os seus trabalhos.
 

insta reese

 

3.Robin Roberts, a apresentadora gringa que a gente não sabe quem é, arrasou nas perguntas

reese-askhermore
 
Pressionada ou não, a apresentadora do Good Morning America e uma das entrevistadoras do tapete vermelho, não só questionou a Reese sobre o movimento, dando mais visibilidade a ele, como fez perguntas interessantes para todas as entrevistadas. Nenhumazinha sobre vestidos ou pedrarias. Obrigada, Robin.
 
Bônus: Todo esse papo me lembrou a cena mais sensacional do ano passado quando a Cate Blanchett fez uma perguntinha para um cinegrafista no tapete vermelho do SAG Awards.
 

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“Você faz isso com os caras?”

 

Bônus 2: Ano passado, o Buzzfeed entrevistou atores com perguntas superficiais corriqueiramente feitas a mulheres. Abaixo a entrevista com o Kevin Spacey, que naturalmente perguntou se a repórter tinha começado a ~~fumar~~ antes de ir para a entrevista. Tá em inglês.

 

4.Emma Watson agradeceu fofa o apoio de Steve Carell

A cruzada feminista da eterna Hermione seguiu durante a premiação. Para dar mais visibilidade ao movimento HeforShe a atriz enviou abotoaduras a atores que quisessem demonstrar o apoio de maneira discreta. Um deles, foi o comediante Steve Carell. E ela agradeceu:

 

emma carell 

“Caro Steve Carell,

Você foi genial em “Pequena Miss Sunshine” (um dos meus filmes favoritos), meu irmão tornou-se obcecado com você em “O Âncora”, eu queria me casar com você ou que você me adotasse depois de “Amor a Toda Prova” , eu odiava aquele cara que você fez em “O Verão da Minha Vida”, e então você foi alucinante em “Foxcatcher”. Eu acho você tão incrível e agora você está usando as abotoaduras do #HeForShe no Oscar para apoiar a igualdade de género. Não poderia estar mais orgulhosa! Obrigada.
Com amor,
Emma”

 

5. Julianne Moore finalmente ganhou um Oscar que ela sempre mereceu

O prêmio foi de melhor atriz por seu papel no filme Para Sempre Alice. Mas na real eu só coloquei aqui porque ela merece e para colocar esse gif dela rindo da Emma Stone quando elas ganharam estatuetas do Oscar de Lego.

#Miguxas #MelhorPrêmio

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