FIO: a arte de tricotar, bordar, crochetar…

Detalhe da obra ‘Pink Intervention’, bordado em planta de Juliana Curi
Detalhe da obra ‘Pink Intervention’, bordado em planta de Juliana Curi

Será inaugurada neste sábado (11) a exposição “FIO” na Casa SINLOGO, que fica em Pinheiros (SP). A artista plástica Flávia Lhacer é quem organiza a mostra cuja proposta é apresentar artistas mulheres que trabalham com as mãos. São elas: Anelena Toku, Carla Boregas, Cristiane Bertoluci, Denise Mikowski, Guta Carvalho, Helena Sasseron, Juliana Curi, Karlla Girotto, Leticia Matos, Sarah Lopes, Silvana Mello, e Talita Rossi.

“Tenho uma relação de profunda admiração pelo trabalho de todas elas. Procurei ter uma grande variedade de técnicas manuais e como cada artista desenvolvia cada técnica, trabalhando o FIO. É muito interessante ver como elas se expressam individualmente. Bordado no papel, tapeçaria, macramé, máscaras de crochê, esculturas de tricô, bordado em plantas… Na exposição dá para ver o quanto essas técnicas manuais permitem sair da receita, do óbvio”, diz a curadora, em entrevista à Ovelha.

[caption id="attachment_3148" align="aligncenter" width="750"]‘Pink Intervention’, bordado em planta de Juliana Curi ‘Pink Intervention’, bordado em planta de Juliana Curi[/caption]

Flávia conta que começou a bordar aos nove anos e que o hobby, normalmente aprendido com avós, mães e tias, hoje é uma expressão artística para ela. “Tive algumas fases na vida de ir e voltar para a técnica. A prática se intensificou na minha vida quando estudei Artes Plásticas na FAAP e após, quando comecei a me reunir com as amigas para praticar mais. Desde então tem sido um processo diário.”

Além do trabalho de artista/artesã e figurinista, ela dá aulas de bordado há três anos – seu curso de bordado experimental no Sesc Pompeia, por exemplo, sempre tem vagas esgotadas. “Tem sido muito interessante. Ver o processo criativo de cada aluna depois das aulas é o que mais me incentiva neste processo. A grande maioria das pessoas que me procuram são mulheres, entre elas, tenho tido contato com várias áreas do conhecimento, pois são pessoas com diversas experiências, que acabam trazendo suas impressões para o trabalho feito a mão. É de muita troca e aproveitamento”, afirma.
 
[caption id="attachment_3154" align="aligncenter" width="600"]Flávia Lhacer e seus bordados: ‘É um processo diário’ Flávia Lhacer e seus bordados: ‘É um processo diário’[/caption]

 
[caption id="attachment_3251" align="alignleft" width="192"]Obra “Toranjas”, de Talita Rossi‘Toranjas’, obra de Talita Rossi[/caption]

Ela diz que o incentivo a dar aulas veio da também professora Cris Bertoluci. “Nós nos conhecemos após termos participado de uma reportagem para a revista da Folha. Como tínhamos amigas em comum na reportagem, fomos apresentadas e ficamos amigas logo depois disso”, conta Cris.

Na “FIO”, o trabalho de Cris Bertoluci será em tricô. “Acho que o tricô convive comigo diariamente, é quase impossível não virar algo pessoal. Como sou professora, acabo guardando ideias e vontades. Para o trabalho da exposição me inspirei na ideia das mulheres de Bauhaus, que tinha como tema ‘com a cabeça, com as mãos e com o coração’. As duas obras se relacionam muito com a ligação entre a criatividade e sincronicidade dos três órgãos”, revela.

 

[caption id="attachment_3160" align="aligncenter" width="1024"]Detalhe da obra ‘Pink Intervention’, bordado em planta de Juliana Curi Detalhe da obra ‘Pink Intervention’, bordado em planta de Juliana Curi[/caption]  

Já Flávia diz que seus bordados, compostos por símbolos e palavras, funcionam para ela um pouco como o desenho. “Este processo criativo de desenvolvimento dos meus diários não tem uma técnica especifica. Expresso a partir da vontade de registrar. Acontece instintivamente”. As obras presentes na exposição manifestam novas formas de olhar e pensar o trabalho manual, em uma época na qual rapidez e tempo viraram sinônimo.”O manual permite um processo de tempo real, o próprio tempo das mãos. Isso é privilégio nos dias de hoje.”

 
Exposição "FIO", na Casa SINLOGO (2015)

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Links da semana

Olá, ovelhas!

Aqui veremos coisas inspiradoras que merecem a atenção de vocês. Se quiserem compartilhar mais assuntos interessantes, é só comentar lá no fim do post. <3


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Entrevista da Folha com a fotógrafa nigeriana Fati Abubakar. Ela fala sobre as ações terroristas do Boko Haram e sobre o perfil que criou no Instagram Bits of Borno (foto acima), inspirado no Humans of New York.

 


// ZIANNA

Zianna tem 9 anos é de Charlotte, Estados Unidos. São dela as palavras mais emocionantes sobres os últimos casos de mortes de negros pela polícia: “Não devíamos derramar lágrimas”. Veja o vídeo:

 


// DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO

Matéria do Nexo sobre a mobilização das mulheres pela descriminalização do aborto na América Latina, tema que é discutido todo dia 28 de setembro.

 


// FOTOGRAFIA

A Dazed entrevistou a fotógrafa Anna Mascarenhas sobre seu projeto com as irmãs Sheila, Lara e Mara, que moram em uma favela de São Paulo com a mãe (o pai as abandonou) e sonham em ser modelos.

 


// LE CLITORIS

Trailer do documentário animado sobre essa nossa partezinha querida do corpo. O filme sai em 2017.

 


// SOBRE ABORTO

A entrevista é de maio deste ano, mas vale super a pena ler. A Galileu falou com o obstetra Jefferson Drezett, que fez mais de 600 abortos.

 


// UM TERÇO

Sim, UM TERÇO dos brasileiros culpa as mulheres pelos estupros sofridos. Essa pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi divulgada na semana passada. Mesmo entre as mulheres, 30% concorda com este raciocínio, que culpa a vítima pela violência sexual sofrida.

O The Intercept BR logo fez uma análise dessa pesquisa: Até quando vamos negar que existe cultura de estupro no Brasil?

 


// DEA FERRAZ

O Brasil Post entrevistou a cineasta que decidiu investigar como os homens enxergam as mulheres e o resultado está em “Câmara de Espelhos”.

 


// ESCOLA SEM MACHISMO

A ONU Mulheres lançou no início de setembro um Currículo de Gênero para discutir sobre educação de gênero dentro das salas de aula.

 


// SASHA FROLOVA

Entrevista da revista Paper com a fotógrafa nova-iorquina sobre sua série “Busts” e mamilos como polêmica.

980x

 


// MARIA DA PENHA

‘Como sobrevivi a duas tentativas de assassinato pelo marido e mudei as leis do Brasil’ – Entrevista da BBC Brasil com a Maria da Penha.

 


// ESPORTE

De acordo com o novo estatuto da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), todos os times que disputarem a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana deverão ter uma equipe feminina a partir de 2019.

 


Até a próxima semana, menines! Força \o/

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Casa SINLOGO, que fica em Pinheiros (SP). A artista plástica Flávia Lhacer é quem organiza a mostra cuja proposta é apresentar artistas mulheres que trabalham com as mãos. São elas: Anelena Toku, Carla Boregas, Cristiane Bertoluci, Denise Mikowski, Guta Carvalho, Helena Sasseron, Juliana Curi, Karlla Girotto, Leticia Matos, Sarah Lopes, Silvana Mello, e Talita Rossi.

“Tenho uma relação de profunda admiração pelo trabalho de todas elas. Procurei ter uma grande variedade de técnicas manuais e como cada artista desenvolvia cada técnica, trabalhando o FIO. É muito interessante ver como elas se expressam individualmente. Bordado no papel, tapeçaria, macramé, máscaras de crochê, esculturas de tricô, bordado em plantas… Na exposição dá para ver o quanto essas técnicas manuais permitem sair da receita, do óbvio”, diz a curadora, em entrevista à Ovelha.

Flávia conta que começou a bordar aos nove anos e que o hobby, normalmente aprendido com avós, mães e tias, hoje é uma expressão artística para ela. “Tive algumas fases na vida de ir e voltar para a técnica. A prática se intensificou na minha vida quando estudei Artes Plásticas na FAAP e após, quando comecei a me reunir com as amigas para praticar mais. Desde então tem sido um processo diário.”

Além do trabalho de artista/artesã e figurinista, ela dá aulas de bordado há três anos – seu curso de bordado experimental no Sesc Pompeia, por exemplo, sempre tem vagas esgotadas. “Tem sido muito interessante. Ver o processo criativo de cada aluna depois das aulas é o que mais me incentiva neste processo. A grande maioria das pessoas que me procuram são mulheres, entre elas, tenho tido contato com várias áreas do conhecimento, pois são pessoas com diversas experiências, que acabam trazendo suas impressões para o trabalho feito a mão. É de muita troca e aproveitamento”, afirma.
 

 

Ela diz que o incentivo a dar aulas veio da também professora Cris Bertoluci. “Nós nos conhecemos após termos participado de uma reportagem para a revista da Folha. Como tínhamos amigas em comum na reportagem, fomos apresentadas e ficamos amigas logo depois disso”, conta Cris.

Na “FIO”, o trabalho de Cris Bertoluci será em tricô. “Acho que o tricô convive comigo diariamente, é quase impossível não virar algo pessoal. Como sou professora, acabo guardando ideias e vontades. Para o trabalho da exposição me inspirei na ideia das mulheres de Bauhaus, que tinha como tema ‘com a cabeça, com as mãos e com o coração’. As duas obras se relacionam muito com a ligação entre a criatividade e sincronicidade dos três órgãos”, revela.

 

 

Já Flávia diz que seus bordados, compostos por símbolos e palavras, funcionam para ela um pouco como o desenho. “Este processo criativo de desenvolvimento dos meus diários não tem uma técnica especifica. Expresso a partir da vontade de registrar. Acontece instintivamente”. As obras presentes na exposição manifestam novas formas de olhar e pensar o trabalho manual, em uma época na qual rapidez e tempo viraram sinônimo.”O manual permite um processo de tempo real, o próprio tempo das mãos. Isso é privilégio nos dias de hoje.”

 
Exposição "FIO", na Casa SINLOGO (2015)

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