Crescendo LGBT na África

O time do The None on Record (menos Thiam): Juelz Laval, Eddy Mokaya, Yvonne Odour e Jonah Voss, com dois entrevistados da série "Growing Up LGBT in Africa" (Njeri Gateru e Solomon Wambua)
O time do The None on Record (menos Thiam): Juelz Laval, Eddy Mokaya, Yvonne Odour e Jonah Voss, com dois entrevistados da série "Growing Up LGBT in Africa" (Njeri Gateru e Solomon Wambua)

A None on Record é uma organização de mídia digital que documenta histórias da comunidade LGBT no continente africano e na diáspora africana.

A None on Record foi fundada pela Selly Thiam, uma jornalista senegalesa lésbica que mora nos EUA, e que começou o projeto para construir uma memória oral da vida de LGBTs africanos. Nessa entrevista com o OkayAfrica, a Selly conta mais do projeto e da cena cultural LGBT de Nairóbi.

As histórias coletadas pela None on Record são divididas em séries de vídeos temáticos e estão todas disponíveis aqui. A organização já produziu uma série chamada Seeking Asylum sobre a vida de pessoas LGBT africanas que estavam buscando asilo no Reino Unido. Este ano, no dia 17 de maio, o Dia Internacional Contra a Homofobia e a Transfobia, a None on Record lançou a série Growing Up LGBT in Africa, com entrevistas feitas em Nairóbi sobre como é crescer LGBT no leste africano.

O projeto mostra a experiência pessoas super interessantes, como a Lorna Dias, que é da Coalizão de Gays e Lésbicas do Quênia:
 

 
Um outra entrevistada bem legal é a Cleopatra Kambungu, uma cientista e militante transgênero. A Cleopatra ficou conhecida quando participou de um projeto incrível chamado The Pearl of Africa, um documentário sobre a vida dela pós-transição. O objetivo do filme era discutir a vida das pessoas LGBTQI na África, mas acabou rolando também um crowdfunding para ajudar na transição da Cleo. Dá uma olhada na entrevista dela:
 

 
Não esquece de curtir a página da None on Record!

Mais de Bárbara Paes

Mosqueando: representatividade ilustrada

A Giovana Rodrigues é uma designer de 19 anos que tem um trabalho incrível. O trabalho da Gio é super pautado na representatividade!<3 Na página Mosqueando, ela apresenta ilustrações muito lindinhas de meninas e mulheres que nem sempre ocupam um espaço central na mídia. Fizemos uma entrevista rapidinha pra conhecer um pouco melhor a Gio e o trabalho dela!

 

A photo posted by Queer queen 🔫 (@mosqueando) on


 
Ovelha: Bom, me conta um pouco sobre como começou a página e quando começou a desenhar?

Giovana: Me formei em design gráfico recentemente e depois de ficar sem emprego eu resolvi me dedicar melhor a minha página. Eu já desenhava bem antes, eu comecei muito criança e nunca parei, mas sempre rolou muito medo de mostrar pros outros, timidez, vergonha, toda insegurança, sabe? Então eu criei o instagram pra quebrar esse medo, mas acabei dando pouca atenção pra como eu mostrava o que eu fazia, eu postava desenhos aleatórios e eu tinha um desânimo muito grande em achar que aquilo tudo não tinha um propósito. A gente é acostumada a ser “modesta” a ponto de não aceitar que é boa em algo, e se diminuir repetidamente. Principalmente para a mulher, ser segura e admitir que é boa em alguma coisa é quase um afronte, é arrogância. E não é, então, por que não reconhecer logo que sou boa nisso e mostrar pros outros? Foi isso que decidi fazer, no ano novo a gente lista “objetivos” e pra 2016 eu decidi que iria cuidar melhor das minhas redes sociais e mostrar o que sei fazer, e está funcionando.

Ovelha: Você explora muitos temas relacionados ao feminismo, à negritude, empoderamento feminino. Como começou a abordar essas temáticas? Li que foi com a militância então queria que você falasse um pouco de como foi esse processo.

Giovana: Eu não via muito sentido em apenas postar desenhos aleatórios, os desenhos não carregavam nada além de estética, e foi algo que eu me desprendi muito conforme fui crescendo (como pessoa), eu tinha a necessidade de fazer algo maior com os meus desenhos, mas não sabia como. E então minha mãe me disse uma vez “que bom que você desenha meninas gordas, porque eu to cansada de só ver gente magra em todo lugar” e sem querer ela me mostrou o que eu poderia fazer com aquilo, que era proporcionar uma representatividade pra mulheres fora do padrão. Como eu já participava de grupos que promovem o debate sobre questões sociais como padrão estético, militância negra, feminismo, e vários outros temas, eu já tinha um contato muito grande e foi fácil na hora de pegar tudo que eu sentia falta, e colocar nos desenhos. Então comecei a representar a mulher negra, a mulher gorda, a mulher que não se coloca dentro do molde que a sociedade criou – onde a mulher deve ser feminina, bonita como a revista e a novela mostram, sempre magra, sempre doce, submissa, eu decidi que essas não eram as mulheres que eu precisava desenhar, e antes eu desenhava muitas delas. Elas já têm uma representatividade gritante, o mundo foi feito pra elas, elas estão em tudo que vemos (revistas, novelas, séries, filmes, indústria cosmética, etc). Eu não precisava reforçar isso, e nem queria. Quem precisava de empoderamento eram as outras. Eu decidi fazer algo por elas.

Ovelha: Conta pra gente quem são algumas das suas referências? As artistas que você curte, as pessoas que te inspiram?

Giovana: Eu busco referência na própria mulher, na cultura negra, gosto muito de ficar no Instagram, tem muita menina linda por lá, vez ou outra acabado desenhando algumas delas. Gosto muito de ficar no pinterest, também. Mas no fim tudo acaba sendo referência ou inspiração, pessoas, musicas, livros, filmes, etc. Eu sou apaixonada pelo trabalho da Sirlanney, do Magra de Ruim; da Brendda Costa, do Vanilla Tree; da Evelyn negahamburguer; da Valfré, e de várias outras meninas fodas que eu poderia ficar horas citando, haha.


 
Dá pra ler mais sobre o trabalho da Gio aqui, gente. E recomendo que sigam as páginas dela também:  Instagram | Facebook | Tumblr

Arte da capa por Giovana Rodrigues/Mosqueando.

 

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None on Record é uma organização de mídia digital que documenta histórias da comunidade LGBT no continente africano e na diáspora africana.

A None on Record foi fundada pela Selly Thiam, uma jornalista senegalesa lésbica que mora nos EUA, e que começou o projeto para construir uma memória oral da vida de LGBTs africanos. Nessa entrevista com o OkayAfrica, a Selly conta mais do projeto e da cena cultural LGBT de Nairóbi.

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