Assista: Hello, My Twenties

Um dorama surpreendente que faz com que qualquer garota sinta identificação e empatia pelas personagens

O Netflix recentemente trouxe em seu catálogo brasileiro alguns doramas japoneses, chineses e coreanos. Já comecei a ver alguns que – BLERGH! – só com muita insistência pra continuar vendo. Mas tudo mudou quando fui na casa da Baby dar um abraço de Natal no dia 23 de dezembro do ano passado. Ela estava no sofá da casa dela, vendo o que? O primeiro episódio de Hello, My Twenties.

Resultado: Só fui embora da casa dela após ver três episódios seguidos, acompanhados de gritinhos de animação com a trama e ansiedade pelo próximo episódio. Combinamos que seria traição assistir longe uma da outra. E esse laço de amizade que reforçamos pela série representa a amizade entre as personagens. Explico.
[infobox maintitle="Sinopse sem Spoilers" subtitle="Se você ainda não assistiu a série ou tá ainda no comecinho, fique tranquila que o que vier abaixo é totalmente seguro - nada do que vamos dizer vai estragar surpresas" bg="green" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]

 
Hello, My Twenties – que tem também o nome de ‘Age of Youth’, tradução original do coreano ‘청춘시대’ – narra a história de amadurecimento de cinco garotas de vinte e poucos anos que vivem juntas em uma república para garotas. Tem romance (tema central de 99,3% dos doramas)? Tem! Mas não só! O drama mais do que passa no teste Bechedel: é protagonizado por mulheres interessantes, complexas e diferentes – sendo que algumas delas não estão NEM AÍ pra essa coisa de amor! Age of Youth (vamos chamar por este nome) apresenta também questões de trabalho, escola, medos, questionamentos emocionais e outras situações particulares da vida. Apesar de ter muito humor, o drama pontua diferentes questões com que as mulheres lidam hoje em dia – que podem ser duras, tristes e até polêmicas.


 

Introdução

O dorama começa com a Yoo Eun Jae, que saiu da sua cidade a caminho de Seoul para iniciar a faculdade de psicologia. Ela vai até a casa que vai morar, chamada Belle Epoche – que é o cenário central da trama. A dona da pensão é uma senhora muito bonita e elegante que parece morar na casa ao lado, numa espécie de “puxadinho chique”. Então não é um aluguel exatamente, é mais como uma república para um pequeno grupo de garotas, que tem suas regras e o cuidado desta senhora (que não é intrometida, mas tá sempre por perto pra ver se está tudo OK). No começo até parece que ela será a personagem principal, mas não. Cada episódio apresenta um pouco sobre cada uma sob um tema diferente. Então vamos às garotas!

 

Protagonistas

Age of Youth é uma série coreana (dã), então os nomes das personagens são um pouco difíceis para os ocidentais desacostumados com a língua. Os nomes compostos, sobrenomes e a sonoridade faz tudo ficar muito parecido e difícil de distinguir. Você vai se pegar querendo comentar a série dizendo “a Eun… Jae? Ye? Enfim! A mimada, sabe?” Sim. Não tem como evitar por um apelido em cada uma para se referir a elas. Às vezes rolam até uns apelidos maldosos, mas é puramente pelo estereótipo da personagem.
 

  • Yoo Eun Jae

  • Eun Jae, interpretada pela atriz Park Hye-soo, é a primeira personagem apresentada pela série. Ela é medrosa, ingênua, tímida e muito reservada. Parece que viveu a vida toda num galpão e só foi viver agora o mundo. É aquelas pessoas que só desejam se misturar na multidão sem serem notadas, fala baixinho olhando pra baixo. É daquelas personagens que você pode se simpatizar com ela ou pode ficar nervosa pelo seu modo de ser. Eun Jae sofre com a mudança de cidade, com o início da faculdade, com o início de convivência com suas colegas de casa e também por conta de outros problemas do seu passado, que são explicados no desenrolar da série. A primeira temporada foca bastante em seu amadurecimento, é legal acompanhar. Por causa do nome em coreano, já ouvi estes apelidos: “bobinha”, “sonsa” (!!!) e “ingênua”.



     

  • Jung Ye Eun

  • Ye Eun, interpretada pela atriz e cantora Han Seung Yeon (ela é ex integrande da banda k-pop Kara), é a mais princesinha e mimada da turma. Ela é a garota que recebe a Eun Jae na Belle Epoche. Ela é bem estereotipada: patricinha que só usa peças cor-de-rosa, estuda Nutrição, não trabalha, é chorona, um tanto histérica, fala mal dos outros, tem um namorado bonitão e parece ter uma vida perfeita. Porém, a personagem está longe de ser superficial. Ela tem toda uma complexidade que somos apresentadas ao longo dos episódios e aí não há antipatia que vença a vontade de abraçar e torcer por ela. Os apelidinhos que demos à ela foram “mimada”, “patricinha” e “Barbie”.



     

  • Kang Yi Na

  • Yi Na, interpretada pela atriz e rapper Hwa Young (também conhecida pela série Ex-Girlfriends Club), é a nossa querida Kenga (uma brincadeirinha com seu sobrenome que faz jus à personagem – por isso que é nosso apelido oficial, TEJE avisada sem precisar nos corrigir com um “é Kang, não Kenga”). Bom, essa personagem é muito maravilhosa. Essa mulher exala sensualidade, liberdade e provocação. Todas as músicas da Ludimilla, MC Mayara e Anitta são como um hino à nossa Kenga. Ela é bonitona, atlética, elegante, só veste roupas de grife e por isso é bastante ligada a essas superficialidades que o dinheiro pode comprar. É uma personagem que faz o que quer, que não leva desaforo pra casa, mas que é muito divertida, companheira e leal. Ela também tem um desenvolvimento importante na série. Sempre impecável, ela é bastante feliz e satisfeita com a vida “fácil” que tem. Mas, claro, isso vai se modificando à medida que nos aprofundamos sobre sua história.



     

  • Yoon Jin Myung

  • Jin Myung é interpretada pela atriz Han Ye Ri, que já atuou em muitos dramas independentes e conceituais na Coréia. Um dos seus papéis mais lembrados atualmente é a personagem Yoon Lang, da série Six Flying Dragons. Mas voltando ao Age of Youth: Jin Myung é a personagem mais séria, mais determinada, que tem a vida mais dura e, a princípio, que vive os dramas mais dramáticos da série. Ela estuda administração na faculdade e tem três empregos: como faxineira, como garçonete e como caixa de uma loja de conveniência. Sobra muito pouco tempo para ela descansar ou mesmo se divertir. O coração aperta demais por ela ao longo de toda a série. Prepare-se para sofrer MUITO acompanhando sua vida, porque a gente só queria que ela tivesse mais oportunidades, que a vida dela fosse um pouquinho mais leve. Ela é demais, sérião. Seu apelido na série foi simplesmente “trabalhadora”, porque é isso que ela é.



     

  • Song Ji Won

  • Ji Won é interpretada pela atriz Park Eun Bin, bastante conhecida na Coréia do Sul porque ela começou sua carreira bem cedo, como atriz mirim. Ji Won, que chamamos de Song porque fica mais facinho, é provavelmente a personagem mais querida, carismática, gente boa, sangue bão e que deve gerar maior identificação com o jeito de ser das brasileiras. Ela é expontânea, extrovertida, engraçada, fala alto, sabe o que quer, decidida… só que – vejam só – isso parece ser um problema para os coreanos, que não a veem como opção para namorar justamente por seu jeitinho de ser tão extravagante. Parafraseando Frances Ha: UNDATEABLE. Ela SE JOGA em blind dates tentando ficar com os rapazes que só querem uma menina submissa ao lado e o resultado disso é que ela continua sozinha e frustrada (sin perder la ternura). Ela é do tipo que ri dos próprios problemas e ue sempre manda uma piadinha pervertida, sabe? A maior desgraçadínea que você respeita. Ah, ela é uma personagem dedicada à sua profissão de jornalista, que é o que estuda na faculdade e faz estágio. Apesar de ter um estilo mais casual, ela tem um dos guarda-roupas mais divertidos, despojados e invejados na série. E ELA É A RAINHA DA DANÇA. Os apelidos pra ela foram “divertida” e “cabelo curtinho“, haha.



     

Trilha-sonora

As músicas são demais! Principalmente a música de abertura, que é super up beat. Como toda a novela, cada personagem e circunstância tem sua própria trilha. Tem umas músicas lindas! E a maioria delas é cantada em inglês, mesmo sendo de artistas coreanos. Ouça a trilha-sonora completa abaixo.


 
Assista Hello, My Twenties / Age of Youth no Netflix ou no Drama Fever.

Agora pare de ler por aqui senão vai saber de um monte de spoiler!


 
[infobox maintitle="Detalhes cheios de Spoiler" subtitle="Se você já assistiu a série, - ai, menina! - vem ler nossa opinião sobre os detalhes da trama. Vamos discorrer sobre todos os babados!" bg="red" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]  
Age of Youth é um drama importantíssimo para qualquer garota. Apesar de leve e divertido, traz questões que muitas vezes não nos sentimos à vontade para falar ou que não fazem parte da nossa realidade, nos provocando a olhar com empatia, reconhecendo preconceitos e atitudes que poderíamos ter perante muitas situações. Além disso, cada uma das protagonistas é única e envolvente. É fácil se identificar nelas e lembrar de uma amiga ou outra que parece com uma personagem: eu me identifico com a Ji Won, porque ela é expansiva e engraçada. Minha irmã se identificou com a trabalhadora Jin Myung, a Baby se enxergou na Ye Eun por insistir em relações complicadas e por ter um guarda-roupa basicamente pink. E todas nós respeitamos e invejamos a liberdade, autoestima e fogosidade da Yi Na.

Agora vamos discorrer sobre alguns detalhes:


 

Amizades complexas

Que série MARAVILHOSA sobre amizade feminina, não é mesmo? As minas brigam, discutem, se desentendem mas se apoiam super e se divertem também. Essa união delas dá um quentinho no peito sem igual. Ficou marcado diversos momentos sobre a relação das meninas. Alguns deles:
 

  • Comemorando o fim do relacionamento lixo da Ye Eun





 

  • Salvando Eun Jae do homem misterioso



 

  • Dando apoio pra Myung nos mais diversos momentos
  • É, a vida da Myung não é nada fácil. Mas as meninas da Belle Epoche conseguem tirar um sorriso do rosto dela com todo o carinho e apoio que elas podem dar. Elas ajudaram na escolha de roupas para a entrevista de emprego, a substituem em seu turno na loja de conveniência e correm para o hospital e enterro, quando seu irmão morre. Amizade de ouro realmente.



 

  • As amigas y rivales Yi Nae Ye Eun
  • Elas são como gato e rato. É engraçado ver como a Ye Eun inveja e odeia ao mesmo tempo a vida da Yi Na (Kenga). Ela faz toda uma pose de tradicional e religiosa, que contrasta com a vida “promíscua” da sua roomate. Esse nojinho cheio de preconceito é massacrado pelas investidas da Yi Na, que dá uma lição… bem do jeitinho dela.

    [caption id="attachment_13866" align="alignnone" width="700"] O making of dessa cena é bem engraçadinho, haha![/caption]

    É legal ver como a Yi Na protege e cuida da Ye Eun. As atitudes dela são de extrema sororidade, mesmo a Ye Eun sendo tão implicante e crítica sobre suas escolhas de vida. Quem não lembra dela dando um chega pra lá naquele boy lixo da Ye Eun logo depois de ele ter sido super violento com ela?



    Ou quando a Yi Na resgata a Ye Eun daquela balada.





     

  • Sem esquecer a relação singular entre Yi Na e Jin Myung
  • Gente, deu até dor de barriga ver as histórias das duas, que propõe milhares de pensamentos e reflexões pra quem assiste. A vida fácil da Kenga em contraste com a dureza da rotina da Jin Myung. Gente, ESSAS CENAS:





 

  • Que time!




 

Perigos e situações de vulnerabilidade

Age of Youth levantou muitas questões polêmicas que são quase impossíveis de se ver em um drama direcionado à jovens mulheres: prostituição, violência contra a mulher, morte, assassinato, pensamentos suicidas, abuso sexual e moral, enfim. Eu fico besta só de ver o quanto essa série é não só divertida, mas importante. Detalhes a seguir.

  • Sequestro, abuso e violência
  • O relacionamento da Ye Eun com aquele boy lixo abusivo deu uma reviravolta surpreendente! Gente, quantas mulheres não sofrem violência de seus parceiros ou ex, simplesmente porque eles sentem que tem poder sobre elas! São inúmeras as “justificativas” da violência contra a mulher na nossa sociedade: medo de se sentir humilhado, medo de ser abandonado, possessividade, ciúmes e até “honra”. Tudo para mostrar que a mulher precisa saber seu lugar de submissão. No caso da Ye Eun, de mero mascu escroto, seu (ex) namorado virou caso de polícia – simplesmente por seu complexo de inferioridade. O que Age of Youth mostra é que nós estamos sujeitas ao perigo não só durante, mas também depois que terminamos um relacionamento abusivo. E que pode acontecer com você, com sua colega, com sua vizinha, com sua melhor amiga. É triste, mas é real. E abre feridas profundas e distúrbios psicológicos, como o que a Ye Eun viveu no último episódio (por favor, JTBC, faça uma segunda temporada senão o coração não aguenta de nervoso).

    [caption id="attachment_13825" align="alignnone" width="640"] MUITO AMOR[/caption]

 

  • Abuso no trabalho
  • A poderosíssima Jin Myung também enfrentou o inferno na terra com seu chefe no restaurante onde trabalha. Este caso é igualmente importante, pois é outra situação super comum vivida pelas mulheres: abuso moral e sexual do patrão. O cara a humilha em frente a seus colegas e só dá oportunidade com segundas intenções. Ele cria um cenário ideal para conseguir a submissão, o silêncio e o corpo da Jin Myung. No começo, ela testa. Aceita um jantar, aceita uma ascensão de cargo. E todo o sentimento confuso e de culpa que isso traz a faz se comparar com nossa amiga Kenga (Yi Na). Que é justamente o olhar que a sociedade tem sobre isso. De que ela se envolveu porque quis, que ela cooperou para essa situação. E o silêncio perante as situações de abuso juntamente com a fofoca dos seus colegas reforçam ainda mais a questão. Até seu crush a questiona sobre suas atitudes! FAÇA ME O FAVOR. Mas ela dá a volta por cima. E, ao final, dá até um alívio que as outras garçonetes decidem ajuda-la a denunciar o chefe. Suamos frio com todo o clima de tensão daquele restaurante.
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  • Desesperança e Suicídio
  • A Eun Jae também passou por um turbilhão emocional ao longo da série. A menina ingênua e quietinha com um segredo enorme sobre a morte do pai enfrentou muita coisa sozinha, não tendo nem o suporte da mãe – que agia de forma até mais imatura que ela. Daí com isso vemos que seu desaparecimento era porque ela estava pensando em suicídio. Gente. Que pesado e, de novo, QUE IMPORTANTE ISSO. Porque saúde mental precisa ser um assunto mais debatido, depressão e suicídio não podem continuar sendo tabus. Obrigada, Age of Youth!





 

  • Stalker e ameaça de morte
  • Por fim, temos a nossa kerida Kenga (Yi Na), que confronta o pai da garota que ela “matou”. Na real ela morreu em seu lugar para que pudesse sobreviver ao acidente de barco, numa disputa por um mesmo ponto de apoio – mas a série sempre coloca as coisas na turbulenta visão de quem vive a história. Bom, a Yi Na tem atitudes super duvidosas ao longo da série em relação ao cara. Primeiro ela dá trela para um estranho num bar, que ela chama de “senhor”. Daí ela cria uma “amizade” com ele, mesmo sendo estranha, monossilábica e claramente situacional. Ela chega ao ponto de ela levá-lo numa festa na casa onde mora com as outras meninas (!!!!11ONZE). Depois, o cara revela quem é e suas reais intenções numa situação onde ela está extremamente vulnerável (ela ali, no carro dele, no meio de uma estrada). DAÍ QUE ELE TENTA MATAR ELA! ATROPELAR ELA! ENFORCAR ELA COM AS MÃOS! E mesmo assim – ai, Jesus -, mesmo assim ela aparece no apartamento dele no dia seguinte pra perguntar se ele vai mesmo matar ela porque ela matou a filha dele. GENTE. OI. ALGUÉM EXPLICA POR FAVOR.

 

Sobre a questão do amor

Fica claro que Age of Youth não foca no amor romântico. A Yi Na só fica com os caras por dinheiro, a Jin Myung prefere focar nos seus afazeres, a Ye Eun tem um relacionamento abusivo, a Eun Jae é completamente desligada do cara que tá a fim dela e a Song quer mesmo é perder a virgindade. Ou seja, elas tem mais o que fazer e muitas vezes mostraram que preferiam ficar sozinhas.




 
Agora, sobre os namoricos: vimos o relacionamento lixo da Ye Eun, mas é de se prestar atenção no romance ingênuo e hierárquico da Eun Jae. As provocações, as ações meio passivo-agressivas do boy, o ciúmes e todo o sentimento de culpa mostram que a relação não é das mais bacanas, apesar de ser “fofinha” para muitos.

Mas o melhor de todos, que fez a gente dar gritinhos de emoção e esperança, é o amor entre a Jin Myung com o sous chef do restaurante onde trabalha. O cara, desde o princípio, mostra que gosta dela pelo que ela é, por sua garra, por seu jeito. Ele não faz chantagem emocional, ele não tenta mudá-la. Ele a respeita em todos os momentos, mesmo quando ela é complicada e mesmo quando ele a vê mais próxima do chefe. Ele apenas se afasta numa boa e, quando tem oportunidade, explica como se sente. Mas seu jeito cordial, respeitoso, paciente e companheiro conquistam qualquer uma, né. Medalha de ouro pra esse boy porque não é fácil!


 

Concluindo…

Age of Youth é maravilhoso e surpreendeu todo mundo que viu e não esperava respeitar tanto assim um dorama (tipo eu). A roteirista Park Yeon Sun está de parabéns, juntamente com o diretor Lee Tae Gon, as atrizes e atores maravilhosos.

Questões que ficaram pra próxima temporada:
  1. A Ye Eun vai viver estresse pós-traumático? Síndrome do pânico?
  2. Vão problematizar o relacionamento da Eun Jae com o boy ciumento?
  3. A Myung vai arranjar emprego na China, será? E o boy?
  4. A Eun Jae tem depressão?
  5. A Yi Na vai namorar aquele boy rico?
  6. Será que a Yi Na vai conseguir se manter na vida dura?
  7. Que zumbido é esse no ouvido da Song? Fantasmas?
  8. Será que a Song vai conseguir perder a virgindade?
  9. Será que a Song vai ter mais destaque (por favor)?
  10. E o mistério sobre a roomate anterior, hein?

JTBCS, queremos segunda temporada!

 

Mais de Nina Grando

Os universos das autoras de Topografias

Nós da Ovelha amamos acompanhar os eventos e as produções de zines e quadrinhos independentes feitos pelas artistas desse Brasilzão. Para a nossa alegria, um grupo de ilustradoras, designers e quadrinistas se juntou para fazer uma publicação incrível. Topografias é um livro que reúne seis histórias de seis autoras com estilos e narrativas completamente diferentes, que são conectadas, a princípio, apenas pela cartela de cores e tema central. Mas vai além. É uma obra que trabalha a intimidade entre mulheres.
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Cada história traz uma técnica, visão e motivação diferente, porém fica claro para a leitora que a poética das narrativas e divagações das personagens são um reflexo do feminino que nada tem a ver com seus estereótipos. Além disso, é lindo ver os contrastes entre os estilos e histórias de cada autora.

Em Chuva de Verão, a primeira história, o desenho delicado e poético de Julia Balthazar nos leva junto aos mergulhos de uma conversa entre duas amigas numa tarde quente. Já Bárbara Malagoli (Baby C) mostra em Frumello um cenário futurístico e todo desenhado digitalmente, propondo uma divagação sobre a experiência do ser em sua existência.

As histórias são muito ricas e cheias de detalhes interessantes que revelam muito da personalidade artística de cada uma das garotas. A Laura Athayde fez um post detalhado no Minas Nerds falando de cada uma, ch-ch-check it out!

Para contemplar a riqueza deste livro, fizemos uma entrevista completinha com as autoras sobre os processos e objetivos do Topografias. Confira:

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Ovelha: Meninas, pra começar queria saber como que vocês tiveram a ideia do Topografias. Veio da cabeça de quem?

Tais Koshino: Hmm, não lembro exatamente de quem foi a ideia inicial, acho que estavamos eu, a Barbara (Baby C) e a Mariana (Mazô). Ela veio em resposta a uma percepção que tivemos no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) em outubro de 2015. É o maior evento de quadrinhos do Brasil, tinham grandes editoras e também editoras e autores independentes, lá percebemos que haviam poucas antologias e coletâneas de quadrinhos feitas por mulheres e editadas, tinham menos ainda.

Baby C: Depois (do FIQ) enchi o saco de todas pra continuarmos com a idéia na Feira Plana 3 e rolou!

 

Ovelha: E como se deu a seleção das autoras?

Tais Koshino: Acho que nós todas nos conhecemos mesmo no FIQ, conhecia o trabalho de todas, mas pessoalmente, eu só conhecia a Gabriela (Lovelove6), a Mariana e a Julia, foi no evento que conheci a Barbara e Puiupo. A seleção das autoras foi mais por afinidade e adimiração do trabalho de cada uma. Para mim, os nossos quadrinhos dialogam entre si, apesar de tão diferentes, há sempre uma inquietação, uma experimentação, uma coisa que está “fora do seu lugar”, e essa sensação vem tanto da forma como cada uma compõe a página, do traço ou da construção da narrativa.

Baby C: Se desse eu botava mais 80 minas no rolê, mas acho que aí nunca sairia! (risos) Também tem o lance dos nossos estilos serem completamente diferentes, o que deixou o livro bem legal.

Puiupo: Todas já éramos do mesmo rolê do quadrinho independente, surgir uma publicação só das minas era só uma questão de tempo. Já que todas curtimos o trampo umas das outras.

Ovelha: Topografias é uma publicação feita apenas por mulheres: autoras, projeto gráfico, selo, distribuição. Por mais que saibamos da importância disso, gostaria que discorressem do motivo que as levaram a fazer uma publicação tão caprichada só com mulheres.

Baby C: CHUTAR BUNDAS! Esse é o motivo.

Lovelove6: Fazer o Topografias apenas entre mulheres foi algo que aconteceu naturalmente nesse projeto, pois entre nós tínhamos tudo que era necessário: o conhecimento de edição e impressão gráfica, as habilidades para produzir as HQs, assim como dividimos os custos todas juntas. Ao longo do projeto e no final eu lembrava às vezes que éramos todas mulheres envolvidas e rolava esse sentimento de uma vitória extra. Acho que publicações como a Topografias são importantes, nesse sentido, porque demonstra que é de fato apenas questão de tempo para que mulheres aprendam, se envolvam e passem a participar efetiva e amplamente de mercados dominados por homens.

Mazô: A importância de estar sempre participando desses projetos em que só mulheres participam, para mim, é de reiterar a possibilidade de que isso aconteça. Eu priorizo eles, em certa medida, porque eles não existem no mundo sem esse empurrão – e ao mesmo tempo dá maior orgulho de estar fazendo parte de isso acontecer, criando uma realidade possível em que mulheres fodas se encontram e não precisam da mediação de homem nenhum. Não se trata de isolar os homens, mas de encontrar nosso protagonismo num meio tão macho-centrado. É foda saber que meu trabalho pode ter essa dimensão política também, não só literariamente, mas de que colocá-lo num livro Y ou livro X signifique coisas diferentes. É de um nível de realidade prática no mundo que me interessa: saber que meninas mais novas, que tem sede por ver mulheres mandando a ver de várias formas diferentes, vão ter essa referência.

Tais Koshino: Uma publicação feita só por mulheres sempre vai ser muito caprichada, haha! Uma publicação feita só por mulheres é um ato de resistência dentro do sistema machista que vivemos, se pensarmos dentro do cenário dos quadrinhos, isso ganha ainda mais força. Fazer uma publicação dessa forma foi uma escolha consciente e com a intenção de trazer visibilidade aos trabalhos feitos por mulheres, tanto no âmbito da autoria quanto no da edição.

Puiupo: É importante que haja cada vez mais um empoderamento das minas dentro da cena e do pseudomercado de quadrinhos. Uma publicação só de mulheres é importante pra mostrar que a gente tá aqui e fazendo trampos com qualidade. Serve como grito, como afirmação.

 

Ovelha: E a temática do Topografias? Cada uma das autoras criou uma história completamente diferente, mas algo que une todas elas é o protagonismo feminino em um ambiente bastante surreal. Vocês tinham um fio-condutor comum para a criação das histórias?

Tais Koshino: Antes de fazermos as histórias, decidimos por meio de uma votação que o tema da publicação seria “percuso/passagem” e que seria impressa apenas em duas cores: ciano e magenta. Esses eram nossos fio-condutores. O protagonismo feminino e o clima onírico/surreal vieram espontaneamente de cada autora, acho que somos todas meio pertubadinhas, né?

Baby C: O tema “passagens” foi bem aberto e pessoal, funcionou bem demais!

Julia: Achei legal você comentar essas duas coisas (protagonismo feminino e ambientes surreais), porque acho que nenhuma delas foi claramente discutida e definida por nós, foram só coisas que aconteceram sem necessariamente fazer parte da proposta, do nosso tema principal.

 

Ovelha: Qual a intenção de vocês com o Topografias? Quando uma garota pegar o livro nas mãos para ler, o que vocês esperam que ela sinta com as histórias, com a arte e com o propósito do projeto?

Mazô: Olha, eu não sei muito bem responder isso, porque quando eu tava criando a sequência em si eu não tava pensando exatamente no que essas meninas poderiam vir a pensar, mas eu espero que elas pensem algo que eu nunca pensei. É muito bom quando as pessoas vêm com uma interpretação distinta da sua, vêem camadas de entendimento que você não viu. Eu só espero que tenham interesse. Prazer também é bom, mas eu entendo se a minha história causar certo desconforto, porque ela não segue uma narrativa tão linear fora da minha cabeça (risos).

Tais Koshino: A minha intenção com Topografias era fazer uma publicação foda, com autoras que eu acredito muito no trabalho. Quando uma leitora pegar o Topografias, eu espero que ela se sinta ali, dentro de cada história, se identifique, se questione e, que também acredite, que é possível fazer seus quadrinhos, independente de como eles sejam, do desenho, do que falem deles, que ela acredite que é possível falar do ponto de vista de uma mulher, de seu ponto de vista, nos quadrinhos.

Baby C: Quero que uma garota olhe e pense em todas as possibilidades que o mundo dos quadrinhos e desenho possibilitam, que elas podem ter seu próprio estilo e sua própria pira sem medo de escrever sobre o que quiser.

Puiupo: Espero que a leitora possa se identificar e inspirar por pelo menos uma das histórias, que a antologia motive minas que querem começar a fazer quadrinhos, seria a maior honra se os quadrinhos se tornassem uma referência para alguém. Mas num geral nunca crio muitas expectativas em cima da forma como o meu trampo em particular será digerido. Depois que o quadrinho está feito ele ganha vida própria.

Lovelove6: Meu desejo com o Topografias é marcar a presença de jovens autoras na cena independente de quadrinhos, que ainda é resistente e preconceituosa em relação às mulheres que desejam participar dela. Acho que todas nós apresentamos no Topografias algumas das histórias mais maduras e elaboradas que já produzimos até então, sendo importante fazer essa afirmação de que continuamos nos desenvolvendo e continuamos interessadas em ocupar o espaço da cena. Espero que o Topografias seja algo com que muitas mulheres possam se identificar e que elas saibam que tem autoras produzindo quadrinhos no Brasil.

Julia: O que achei legal nas respostas que tive até agora, depois do lançamento do livro, foi conversar um pouco com pessoas que se identificaram com as histórias. É interessante perceber alguns paralelos, sentimentos em comum, e até coisas que não coloquei conscientemente no quadrinho, mas foram percebidas por quem leu. Acho que esse tipo de resposta é bem legal e é isso que eu espero, que possa rolar um diálogo. Tanto no sentido de conversar mesmo, entre autora e leitora, quanto a pessoa sentir, a distancia, uma conexão com o que tá acontecendo na vida dela. Outra coisa que eu sinto quando leio quadrinhos que gosto é a vontade de continuar criando, e é algo que espero que sintam também. Poder motivar alguém a produzir alguma coisa.

 

Ovelha: A cartela de cores do Topografias traz o o rosa, o azul e a mistura entre estas duas cores: o roxo. Tem algum motivo especial por trás dessa escolha? Segundo a explicação das cores da bandeira LGBT, roxo significa o espírito, o desejo de vontade e a força; azul significa as artes e o amor pelo artístico; e rosa simboliza o sexo, prazer carnal. Tem algo a ver com cores que representam os gêneros e sexualidade?

Tais Koshino: A escolha das cores foi feita ao se pensar a especificidade da publicação impressa, normalmente se imprime com quatro cores (ciano, magenta, amarelo e preto), escolhemos mesmo antes de começar as histórias que seria impresso apenas em duas cores (ciano e magenta), e os milhares de tons que existem entre elas. O rosa e o azul normalmente representam o sexo feminino e o sexo masculino, mas o uso das cores nas histórias vai além disso, em cada narrativa, as cores criam e recriam seus próprios significados.

Baby C: Foi um jeito de reduzir a paleta e amarrar o estilo de todas, mas vamos fingir que pensamos em tudo isso que você falou, hahaha!

Puiupo: Não tinha parado pra comparar as cores do quadrinho com a da bandeira, engraçado que esses significados que você falou têm muito a ver com as histórias, tendo sempre a abordar questionamentos sobre sexualidade, gênero e rituais/protocolos nos meus trabalhos e fico feliz que possa haver essa conversa também através das cores.

Julia: Acredito que essa escolha de cores pode remeter a essas questões sim, dependendo de quem tá vendo o livro. Mas no processo de criação, acho que cada uma pôde interpretar isso individualmente; pôde escolher entre explorar essa dualidade, essa questão que é sempre colocada sobre essa dupla de cores, ou fazer o contrário e só usá-las sem pensar muito nisso. Eu, pessoalmente, vi mais como duas opções de cores que dariam bem certo por causa do processo de impressão offset, que permitiriam um monte de coisa, bastante liberdade pro trabalho de cada uma.

 

Ovelha: O que vocês mais acharam interessante de fazer o projeto? As diferenças de estilo entre as autoras? As histórias? Os aprendizados que vocês tiveram durante o processo?

Baby C: O mais legal foi o projeto DE FATO ter saído e não ter ficado só no “blablabla” de todas terem se empenhado e entregue o bagulho. E no final, quando vimos todos juntos, percebemos a conexão de todas as histórias. Foi emocionante.

Julia: Gostei de partir de um tema bem aberto, e que no resultado final, as histórias acabaram tendo outras coisas em comum, além do tema que escolhemos como base. Também achei incrível as diferenças bem dramáticas de estilos e linguagens, e como já dá pra perceber só de folhear o livro.

Puiupo: Com certeza o aprendizado foi muito importante. Fora isso, ver o projeto completo e ler as histórias de cada autora me deixou profundamente feliz, satisfeita com o resultado da nossa colaboração.

Lovelove6: Todas nós temos estilos e processos muito diferentes umas das outras, isso foi algo muito interessante de observar durante a produção do Topografias. Aprendi alguns truques com a Julia, a respeito do fechamento dos arquivos. Acho que para todas, foi importante também o processo de combinar a maneira como a impressão seria realizada e como as vendas seriam geridas. É importante aprendermos a administrar projetos e a tocar projetos profissionais entre amigas.

Tais Koshino: Todas as etapas do projeto foram muito interessantes, desde a formação do grupo de autoras até a distribuição. Eu gosto muito do estilo de cada autora e de todas as histórias, acho que cada uma traz algo de muito especial e todas juntas formam um belo conjunto. Em cada publicação que eu fiz, aprendi muitas coisas, e nessa com certeza foi a que eu mais aprendi. Normalmente eu me auto-publicava, o que é um processo bem mais tranquilo, ter que lidar com várias pessoas me fez aprender bastante, em cada etapa do projeto era um novo aprendizado, e isso foi o que eu mais gostei.

Mazô: A melhor parte foi quando me desenharam! Foi incrível, me senti contemplada no sonho infantil de virar um personagem. Fora isso, foi muito, muito gratificante ver o resultado gráfico. Como o processo foi praticamente virtual, eu estava meio alienada da produção. Rola uma distância e eu não quis nem criar expectativas, não porque eu não confiava nas outras, pelo contrário, mais pra não estragar o momento da surpresa. Aconteceu exatamente como esperado: eu peguei pra ler os quadrinhos e fiquei de cara. Tem uma coisa nas pinturas da Julia, que vão criando uma atmosfera deliciosa, eu quase vejo como uma animação de tanto que eu entro naquilo. A Baby C é deleite puro, o que ela faz com grafismo é destruição. Eu já esperava cores quando eu pensava em Baby, foi tipo conhecer uma alteridade completamente diferente da minha (risos), porque eu não imaginava que dava pra fazer tanto com ciano e magenta! Maga total. O trabalho da Puiupo, foi muito louco pra mim porque eu amo o desenho dela. Você se espelha no desenho de alguém e fica até meio difícil de ver além dele. Quem me abriu os olhos pra umas coisas na história foi a Tatá, quando a gente tava conversando em Brasília e na noite antes do lançamento eu fiquei lendo o livro várias vezes… tem uma fineza de construção muito intensa, eu fiquei abismada com o que ela conseguiu dessa vez.

A Tatá foi uma surpresa também, porque eu nunca tinha visto algo tão grande dela e quando ela falou que tava se animando pra fazer mil quadros por página eu fiz uma expectativa X – porque ela disse que tinha pensado no meu quadrinho pro Badboyfriends, e eu fiquei com essa imagem na cabeça. Acontece que a mente da Tatá funciona de maneiras muito peculiares rs e deu no que deu, total um mundo a parte, eu adoro o senso de humor dela, e eu amei várias transições de quadros que ela fez, onde as estradas se transformavam em céu a partir do branco.

Por fim, a história da Gabi fechou total minha ideia de que o Topografias parecia um sonho muito louco. Quando eu li, ainda mais na sequência de histórias que a Lívia e a Tata escolheram, eu achei que tava perfeito. Era uma conclusão magistral, até porque a Gabi é uma quadrinista super de peso, e eu adoro quando ela trabalha no lápis. Ali existia relação entre as mulheres que refletia o nosso próprio projeto, que a relação que a gente cria é muito complexa, cheia de meandros, e também é autônoma, independente do mundo. Pra fechar, a capa por conta da Kita ficou demais. Super deu um toque irresistível que vai fazer todo mundo comprar o livro todos os dias da vida (risos)!

Ovelha: Topografias é um lançamento do selo independente Piqui, da Taís Koshino, uma das autoras, e da Livia Viganó, que fez o projeto gráfico. Vocês planejam criar mais coisas com o selo? Podemos esperar um novo volume ano que vem?

Tais Koshino: O Selo Piqui existe desde 2011 e sempre foi um selo de auto-publicação, o Topografias é a nossa primeira publicação que conta com outras autoras, eu vejo isso como um passo no processo de se tornar uma editora. Os planos são de lançar novas publicações, chamar outras autoras para participar, ir crescendo. Estamos muito animadas com o Topografias, mas vamos com calma, um ano que vem? quem sabe!

Lovelove6: Publicar pelo selo Piqui foi uma decisão posterior à de fazer o Topografias, mas que fez todo o sentido. Se a Tais e a Livia decidirem transformar isso numa série, seria muito legal com certeza. Eu pessoalmente desejo fazer novas antologias com essas mesmas autoras, mas também com outras autoras que eu admiro, como a Brendda Lima, Sirlanney, Aline Lemos, Ellie, Amanda Paschoal, Natalia Schiavon… Enfim, tem autoras pra muitas novas antologias.

Pra você que ficou animada pra ter em mãos essa publicação incrível, saiba que o lançamento em São Paulo rola sábado, dia 16, na Gibiteria. Depois, as meninas lançam no 2º Encontro Lady’s Comics em Belo Horizonte, nos dias 29, 30 e 31 de julho. Mas também é possível comprar o livro na loja virtual do Selo Piqui.

Pra matar a curiosidade, dá pra ver como é o livro no vídeo abaixo (;

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Baby C: Site / Tumblr / Facebook
Julia Balthazar: Tumblr / Facebook / Cargo
Lovelove6: Site / Facebook
Mazô: Tumblr / Facebook
Puiupo: Tumblr / Facebook / Cargo
Taís Koshino: Cargo
Ingrid Kita (capa): Site

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