A marcha das mulheres gamers na Coréia do Sul

Mulheres marchando em Seoul no último dia 21 de janeiro, com uma bandeira contendo o emblema de coelho da personagem D.Va - via @marchseoul
D.Va é uma personagem importante e simbólica para as mulheres gamers da Coréia do Sul

A Women’s March aconteceu não só nos Estados Unidos, mas também em muitas capitais pelo mundo. Seoul foi uma delas. Só que uma característica peculiar da marcha sul-coreana chamou a atenção: o coelhinho emblema da D.Va, personagem de Overwatch, estampou muitas bandeiras, cartazes, bottons e adesivos como símbolo da luta das mulheres. Ao redor dele, haviam os dizeres “The rise of the nation = The rise of the women” (traduzindo: o avanço da nação = o avanço das mulheres).
 


 


 
Isso que aconteceu é resultado de um movimento chamado 전국 디바 협회 (Associação Nacional D.Va), que começou no Twitter por uma conta anônima e que rapidamente reuniu um grande número de jogadoras coreanas que estão exaustas da discriminação das mulheres na cena. Porque ao mesmo tempo que a Coréia do Sul é conhecida por ser um dos melhores países em e-esportes, as mulheres gamers enfrentam uma discriminação RIDÍCULA. O número de jogadores do sexo feminino que participam da MLG (Major League Gaming) coreana é alarmantemente pequeno (até mesmo nenhum, em alguns jogos). As mulheres gamers são mais do que capazes de competir no MLG, mas são constantemente afastadas da cena porque os povo acredita que os homens são inerentemente melhores nos jogos (biologicamente falando – essa merda é séria, eles acreditam nisso mesmo) e, mesmo quando participam, sofrem muito mais assédio e haters do que seus companheiros homens. Se elas mandam bem, seu sucesso é minimizado. Se não, seu fracasso é automaticamente atribuído ao seu gênero.
 

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E isso não se limita apenas a torneios! Toda a cena gamer na Coréia é horrível para as mulheres em geral (não somente na Coréia): quase todas as mulheres gamers já sofreram de algum tipo de assédio sexual só porque iniciaram voicechat em partidas online. Por assédio sexual, não estamos falando apenas de cat-calling, mas de AMEAÇAS REAIS de você-sabe-o-que e outras coisas nojentas e violentas. E é bom frisar que os homens que assistem a estas ações de seus colegas em silêncio não estão sendo imparciais, muito pelo contrário: estão contribuindo para que essa atmosfera violenta com as mulheres pareça normal. Tem gente (lê-se: macho) que até pode argumentar cultura de jogos coreana é violento m geral, independentemente do sexo, porque os jogadores são muito competitivos. Independentemente do sexo? FAÇA ME O FAVOR.

Um pouco agora sobre a personagem D.Va: seu nome é Hana Song, uma ex-gamer profissional super popular que sabe como usar suas habilidades para pilotar um mecha de última geração na defesa de sua cidade natal na Coréia do Sul. Ela é uma personagem que aguenta tranco pilotando um robô rosa que parece um coelho. Ela é competitiva, feminina e adorada em seu país.
 

 
A “Associação Nacional D.Va” está lutando para tornar o país um lugar melhor para garotas como a personagem Hana Song, que podem um dia estar inseridas em uma cultura de jogo que não desencoraja as mulheres a jogar, onde as mulheres podem competir igualmente com os homens, onde as mulheres podem realmente estar no topo sem serem estigmatizadas ou diminuídas por seu gênero. Elas querem que o respeito e a fama da personagem possa existir de verdade para as gamers coreanas.

Vale lembrar que ano passado uma jogadora coreana profissional de Overwatch, conhecida como “Gegury”, de apenas 17 anos, venceu 80% das mais de 420 partidas que disputou com a personagem Zarya. Seu desempenho foi tão bom que diversos jogadores a denunciaram por achar que ela trapaceava usando bots. A Blizzard veio em defesa da jogadora, indicando que não encontrou hacks em suas partidas. Mas ela foi além: provou suas habilidades por meio de uma transmissão ao vivo, com “uma performance digna de repetição”, como diria a Symmetra. Mas mesmo assim, isso a atingiu: na entrevista feita na seqüência, ela se emocionou ao tentar explicar como se sentiu ao ter sua habilidade questionada.
 
[caption id="attachment_13580" align="alignnone" width="800"] Gegury em sua transmissão ao vivo[/caption]  
Por isso que o emblema da D.Va na marcha poderia ser apenas um símbolo de coelho fofinho, poderia ser apenas um auê dos fãs de Overwatch. Mas a verdade é que este símbolo é simbólico: representa a luta das mulheres gamers da Coréia do Sul. A existência de D.Va como um personagem significa muito para as coreanas. Obrigada Blizzard pela existência da Hana Song, que mais do que entreter, tornou-se também inspiração e força para as gamers do mundo todo.
 
[caption id="attachment_13582" align="alignnone" width="800"] “Pede pra nerfar, noob!”[/caption]  
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Texto elaborado a partir da tradução deste post.
 

Mais de Nina Grando

Igualdade de gênero = Biquini de peitinhos

Duas alemãs foram para a delegacia após nadarem topless (sem cobrir os peitos) no lago de Michigan. O guarda local disse à elas que nos Estados Unidos a ação era proibida — sendo que o próprio estava sem camisa.

Ao ouvir essa história, um casal de mulheres de Chicago resolveram chamar a atenção para esse sexismo moralista de uma maneira muito bem-humorada. Surgia então o TaTa Top.

O biquinin top traz uma estampa ultra realista de – uh, polêmica – peitos e seus mamilos. Assim, as mulheres passam a impressão de estar topless na praia ou piscina sem quebrar nenhuma lei.

As criadoras Robyn e Michelle Lytle defendem a ideia pela libertação do corpo da mulher, já que proibir o topless é mais um controle do Estado patriarcal. Essa ideia vem na onda da campanha #FreeTheNipple, que já chamou a atenção de celebridades como Rihanna, Iggy Azalea e Cara Delevingne.

E a censura é tamanha que a marca ainda teve problemas com suas fotos no Facebook e Instagram, tendo suas contas banidas diversas vezes. Esta ação é mais um movimento pela igualdade de gênero que pode ajudar a trazer mais liberdade para os peitos femininos. Chega com esse puritanismo, né? Ah! Pra ser ainda mais legal, parte do valor das vendas do Tata Top vai para as ONGs que lutam contra o câncer de mama. Fofas.

(imagens via Tata Top Instagram)

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