Eu nunca quis casar. Nunca mesmo, ou se quis foi sempre um desejo muito entranhado e nunca externado na vida. Como quando eu era criança aqui no Rio e na praia eu fazia alguns amiguinhos novos, alguém lançava a ideia de brincar de Power Rangers e eu tentava dizer primeiro “EU SOU A AMARELA!”, eu queria ser a rosa, lá no fundo, eu queria ser a rosa. Mas todo mundo queria ser a rosa, aliás, todas as meninas queriam ser a rosa e isso me dava no saco.
Eu fui criada pelo meu pai, ele nunca casou, logo, eu não via o menor sentido naquilo tudo. Claro que quando eu era criança gostava das Princesas, a Ariel sempre foi a minha favorita, juntamente com a Úrsula (que mais tarde eu fui descobrir que foi inspirada na Divine <3). Portanto, a construção social do ‘felizes para sempre’ ou mesmo do ‘final feliz’ sempre me perseguiu e creio que persiga a maioria das mulheres da minha geração.
Isso é engraçado porque eu sempre ‘lidei’ com frustrações, rejeição e angústia desde muito cedo, mas nunca soube colocar em palavras o que eu estava sentindo, eu tentava explicar com uns 6, 7 anos: “É como se um Elefante e uma formiga levantassem vôo ao mesmo tempo”, e contrapondo o pesado e o leve eu tentava expor minha angústia. Mas mesmo com a perseguição inóspita do ‘felizes para sempre’, sempre desconfiei de que houvesse algo errado. Concluí que havia algo errado quando a conotação de ~ borboletas no estômago ~ para outros era algo bom e pra mim sempre foi péssimo, muito forte, eu sabia que tinha algum descompasso, o que mais tarde, bem mais tarde, viria a entender meu problema real com ansiedade.
De qualquer forma, por ironias do destino, me caso em 4 dias. Meu pai ontem mesmo me disse: “Te criei pra ser atéia e não casar, olha só no que deu!”, hahaha! Sou espírita com períodos otimistas e pessimistas intermitentes e caso na quarta-feira dia 22. O negócio é o seguinte, eu já moro com meu companheiro há 3 anos e meio e vamos nos mudar pra Barcelona no final do ano. Estamos guardando dinheiro faz 1 ano para isso e de acordo com todas as especificidades a serem cumpridas pelo consulado espanhol é incrivelmente mais fácil adentrar à família tradicional brasileira para conseguir um visto temporário para morar fora, infelizmente. “Vamos casar, então!”, pensei. Estava tudo bem, estava tudo muito bem, eu casaria por causa de papéis para poder ir viver o sonho, ESTAVA TUDO BEM.
Pretendia casar de chinelo mesmo, minha indumentária favorita. Não iria fazer nada, fazer alguma coisa pra quê? Só estava cumprindo uma tabela, gastar dinheiro com isso quando posso juntar mais dinheiro pra viajar? E aí começou a vir a galera que grita primeiro “EU SOU A ROSA!”, e aquele desejo entranhado de ser a rosa eu já tinha conseguido desconstruir, mas mesmo sendo a amarela, ainda eram Power Rangers, se é que você me entende. Fui convencida por amigos e familiares à ser a amarela, porque a rosa já estava distante demais e todos sabiam disso. Depois do cartório, resolvi fazer um almocinho para poucos e bons e depois uma festa no melhor estilo Felipe Dylon, cada um paga o seu, mas vamos lá beber juntos porque a vida é uma só e como futura historiadora (quem sabe), assumo que rituais são momentos importantes.
O problema é que comecei a ver isso tudo faltando uns 15 dias pro casamento e aí um novo personagem na saga de animação (auto) destruidora adentrou a lista do superego que já contava com a Power Ranger rosa suprimida, a amarela, a Ariel e a Úrsula (com certeza tem outras), chegou então, a BRIDEZILLA. Que já era o contraponto em si, a bridezilla é a mocinha e a bandida na mesma personagem. Além de uma fobia social gigalesca, ela é auto sabotadora.
Saí da terapia na terça-feira passada com duas opções, comprar um ansiolítico e um tampão de ouvido para tentar dormir melhor. Tentei o tampão primeiro, funcionou. Hoje começou a insônia e acho que agora, pela primeira vez na minha vida, vou introduzir um remédio pra ajudar a passar por esses últimos 4 dias de pesadelo, ainda não me decidi. Ontem fui tentar comprar uma roupinha nova, quando eu disse que tinha um vestido que eu gostava e tinha usado no casamento de um amigo, criticaram. “O vestido é preto, ninguém casa de preto, tem que comprar uma roupa nova!”, essas coisas nos consomem, a gente acaba fazendo um dia como outro qualquer num cartório, que é um serviço do qual abomino um pouquinho, um dia especial, em que muitas expectativas são impostas, só que a maior lição da vida adulta para todes nós sempre foi suprimir as expectativas, então não sei lidar com momentos como esse. Já pensei em desistir mil vezes, todos os filmes estadunidenses de pessoas que querem fugir dos seus casamentos caíram como uma luva, estou vivendo o estereótipo.
Voltando para a roupinha, fui a dois shoppings aqui no Rio. Gostei de uma blusa que era um pouco mais curta e uma calça com a cintura um pouco alta mas nem tanto.
– Moça, você pode me ajudar?
Gostaria de experimentar aquela blusa ali da vitrine!
– Claro, qual é o seu tamanho?
– É 42 ou 44!
– Ah, nós só fazemos peças até o 42!
Agradeci e não quis nem experimentar o 42. Esse tipo de coisa me deixa triste, brava, frustrada, insegura pra caralho, tudo ao mesmo tempo. Quis ir embora. Não sou o padrão há muito tempo e hoje em dia luto para me sentir confortável não sendo padrão e luto para que outras possam ser felizes fora do padrão. Já entendi que familiares não entendem isso e externam de uma forma que machuca mas que no fundo querem o seu bem, “Você precisa ser padrão porque a sociedade só aceita o padrão!” é o que eles querem dizer, eles todos que na grande maioria tomam anti-depressivos e ansiolíticos e não são padrão e tentam se encaixar desesperadamente mesmo que isso precise fazer eles tomarem mais remédios e passar mais fome e gastar mais dinheiro. A verdade é que também são vítimas, se não é quebrado o ciclo da opressão com empoderamento e consciência, ela é reproduzida. De qualquer forma, acredito piamente que quem se sente completamente feliz e encaixado nessa sociedade doente é quem tem mais problemas, se anula, é muito 1984 pra mim.Padrão é mais uma construção social, apenas. Entendam isso, lidem com isso, sou linda e sou gorda e sou saudável e sou vegetariana. As proteínas estão bem, obrigada.
Enfim, caso em 4 dias. Hoje acordei 5:40 por pura e espontânea ansiedade. A cada “Parabéns!” recebido, meu estômago revira. Amigos me chamam de ‘noiva’ por puro bullying do milho verde. Hahaha! Eu não estou acostumada a ser o centro das atenções, isso me deixa nervosa. Outro dia fiz um cineclube no dia das bruxas na minha casa para eu e as amigas verem ‘Jovens Bruxas‘ e tomar ‘margaritas da meia noite’, fui a primeira a ficar bêbada e capotar, às vezes vou com sede ao pote como se ainda tivesse 7 anos tentando explicar os contrapontos de tamanho e peso para as minhas angústias.
Ainda assim, até esses meus 29 anos, tem valido a pena. Vou com sede ao pote, capoto, mas levanto, haha! Fico extremamente feliz por ser lembrada pelas minhas piadas sem graça e risada altíssima. Siga la pelota, 8h30 vou tomar café da manhã, beixota!
Eu nunca quis casar. Nunca mesmo, ou se quis foi sempre um desejo muito entranhado e nunca externado na vida. Como quando eu era criança aqui no Rio e na praia eu fazia alguns amiguinhos novos, alguém lançava a ideia de brincar de Power Rangers e eu tentava dizer primeiro “EU SOU A AMARELA!”, eu queria ser a rosa, lá no fundo, eu queria ser a rosa. Mas todo mundo queria ser a rosa, aliás, todas as meninas queriam ser a rosa e isso me dava no saco.
Eu fui criada pelo meu pai, ele nunca casou, logo, eu não via o menor sentido naquilo tudo. Claro que quando eu era criança gostava das Princesas, a Ariel sempre foi a minha favorita, juntamente com a Úrsula (que mais tarde eu fui descobrir que foi inspirada na Divine <3). Portanto, a construção social do ‘felizes para sempre’ ou mesmo do ‘final feliz’ sempre me perseguiu e creio que persiga a maioria das mulheres da minha geração.
Isso é engraçado porque eu sempre ‘lidei’ com frustrações, rejeição e angústia desde muito cedo, mas nunca soube colocar em palavras o que eu estava sentindo, eu tentava explicar com uns 6, 7 anos: “É como se um Elefante e uma formiga levantassem vôo ao mesmo tempo”, e contrapondo o pesado e o leve eu tentava expor minha angústia. Mas mesmo com a perseguição inóspita do ‘felizes para sempre’, sempre desconfiei de que houvesse algo errado. Concluí que havia algo errado quando a conotação de ~ borboletas no estômago ~ para outros era algo bom e pra mim sempre foi péssimo, muito forte, eu sabia que tinha algum descompasso, o que mais tarde, bem mais tarde, viria a entender meu problema real com ansiedade.
De qualquer forma, por ironias do destino, me caso em 4 dias. Meu pai ontem mesmo me disse: “Te criei pra ser atéia e não casar, olha só no que deu!”, hahaha! Sou espírita com períodos otimistas e pessimistas intermitentes e caso na quarta-feira dia 22. O negócio é o seguinte, eu já moro com meu companheiro há 3 anos e meio e vamos nos mudar pra Barcelona no final do ano. Estamos guardando dinheiro faz 1 ano para isso e de acordo com todas as especificidades a serem cumpridas pelo consulado espanhol é incrivelmente mais fácil adentrar à família tradicional brasileira para conseguir um visto temporário para morar fora, infelizmente. “Vamos casar, então!”, pensei. Estava tudo bem, estava tudo muito bem, eu casaria por causa de papéis para poder ir viver o sonho, ESTAVA TUDO BEM.
Pretendia casar de chinelo mesmo, minha indumentária favorita. Não iria fazer nada, fazer alguma coisa pra quê? Só estava cumprindo uma tabela, gastar dinheiro com isso quando posso juntar mais dinheiro pra viajar? E aí começou a vir a galera que grita primeiro “EU SOU A ROSA!”, e aquele desejo entranhado de ser a rosa eu já tinha conseguido desconstruir, mas mesmo sendo a amarela, ainda eram Power Rangers, se é que você me entende. Fui convencida por amigos e familiares à ser a amarela, porque a rosa já estava distante demais e todos sabiam disso. Depois do cartório, resolvi fazer um almocinho para poucos e bons e depois uma festa no melhor estilo Felipe Dylon, cada um paga o seu, mas vamos lá beber juntos porque a vida é uma só e como futura historiadora (quem sabe), assumo que rituais são momentos importantes.
O problema é que comecei a ver isso tudo faltando uns 15 dias pro casamento e aí um novo personagem na saga de animação (auto) destruidora adentrou a lista do superego que já contava com a Power Ranger rosa suprimida, a amarela, a Ariel e a Úrsula (com certeza tem outras), chegou então, a BRIDEZILLA. Que já era o contraponto em si, a bridezilla é a mocinha e a bandida na mesma personagem. Além de uma fobia social gigalesca, ela é auto sabotadora.
Saí da terapia na terça-feira passada com duas opções, comprar um ansiolítico e um tampão de ouvido para tentar dormir melhor. Tentei o tampão primeiro, funcionou. Hoje começou a insônia e acho que agora, pela primeira vez na minha vida, vou introduzir um remédio pra ajudar a passar por esses últimos 4 dias de pesadelo, ainda não me decidi. Ontem fui tentar comprar uma roupinha nova, quando eu disse que tinha um vestido que eu gostava e tinha usado no casamento de um amigo, criticaram. “O vestido é preto, ninguém casa de preto, tem que comprar uma roupa nova!”, essas coisas nos consomem, a gente acaba fazendo um dia como outro qualquer num cartório, que é um serviço do qual abomino um pouquinho, um dia especial, em que muitas expectativas são impostas, só que a maior lição da vida adulta para todes nós sempre foi suprimir as expectativas, então não sei lidar com momentos como esse. Já pensei em desistir mil vezes, todos os filmes estadunidenses de pessoas que querem fugir dos seus casamentos caíram como uma luva, estou vivendo o estereótipo.
Voltando para a roupinha, fui a dois shoppings aqui no Rio. Gostei de uma blusa que era um pouco mais curta e uma calça com a cintura um pouco alta mas nem tanto.
– Moça, você pode me ajudar?
Gostaria de experimentar aquela blusa ali da vitrine!
– Claro, qual é o seu tamanho?
– É 42 ou 44!
– Ah, nós só fazemos peças até o 42!
Agradeci e não quis nem experimentar o 42. Esse tipo de coisa me deixa triste, brava, frustrada, insegura pra caralho, tudo ao mesmo tempo. Quis ir embora. Não sou o padrão há muito tempo e hoje em dia luto para me sentir confortável não sendo padrão e luto para que outras possam ser felizes fora do padrão. Já entendi que familiares não entendem isso e externam de uma forma que machuca mas que no fundo querem o seu bem, “Você precisa ser padrão porque a sociedade só aceita o padrão!” é o que eles querem dizer, eles todos que na grande maioria tomam anti-depressivos e ansiolíticos e não são padrão e tentam se encaixar desesperadamente mesmo que isso precise fazer eles tomarem mais remédios e passar mais fome e gastar mais dinheiro. A verdade é que também são vítimas, se não é quebrado o ciclo da opressão com empoderamento e consciência, ela é reproduzida. De qualquer forma, acredito piamente que quem se sente completamente feliz e encaixado nessa sociedade doente é quem tem mais problemas, se anula, é muito 1984 pra mim.Padrão é mais uma construção social, apenas. Entendam isso, lidem com isso, sou linda e sou gorda e sou saudável e sou vegetariana. As proteínas estão bem, obrigada.
Enfim, caso em 4 dias. Hoje acordei 5:40 por pura e espontânea ansiedade. A cada “Parabéns!” recebido, meu estômago revira. Amigos me chamam de ‘noiva’ por puro bullying do milho verde. Hahaha! Eu não estou acostumada a ser o centro das atenções, isso me deixa nervosa. Outro dia fiz um cineclube no dia das bruxas na minha casa para eu e as amigas verem ‘Jovens Bruxas‘ e tomar ‘margaritas da meia noite’, fui a primeira a ficar bêbada e capotar, às vezes vou com sede ao pote como se ainda tivesse 7 anos tentando explicar os contrapontos de tamanho e peso para as minhas angústias.
Ainda assim, até esses meus 29 anos, tem valido a pena. Vou com sede ao pote, capoto, mas levanto, haha! Fico extremamente feliz por ser lembrada pelas minhas piadas sem graça e risada altíssima. Siga la pelota, 8h30 vou tomar café da manhã, beixota!
Eu nunca quis casar. Nunca mesmo, ou se quis foi sempre um desejo muito entranhado e nunca externado na vida. Como quando eu era criança aqui no Rio e na praia eu fazia alguns amiguinhos novos, alguém lançava a ideia de brincar de Power Rangers e eu tentava dizer primeiro “EU SOU A AMARELA!”, eu queria ser a rosa, lá no fundo, eu queria ser a rosa. Mas todo mundo queria ser a rosa, aliás, todas as meninas queriam ser a rosa e isso me dava no saco.
[caption id="attachment_5230" align="aligncenter" width="700"] Trinity ♡ (mas a que eu realmente amei foi a do Matrix)[/caption]
Eu fui criada pelo meu pai, ele nunca casou, logo, eu não via o menor sentido naquilo tudo. Claro que quando eu era criança gostava das Princesas, a Ariel sempre foi a minha favorita, juntamente com a Úrsula (que mais tarde eu fui descobrir que foi inspirada na Divine <3). Portanto, a construção social do ‘felizes para sempre’ ou mesmo do ‘final feliz’ sempre me perseguiu e creio que persiga a maioria das mulheres da minha geração.
Isso é engraçado porque eu sempre ‘lidei’ com frustrações, rejeição e angústia desde muito cedo, mas nunca soube colocar em palavras o que eu estava sentindo, eu tentava explicar com uns 6, 7 anos: “É como se um Elefante e uma formiga levantassem vôo ao mesmo tempo”, e contrapondo o pesado e o leve eu tentava expor minha angústia. Mas mesmo com a perseguição inóspita do ‘felizes para sempre’, sempre desconfiei de que houvesse algo errado. Concluí que havia algo errado quando a conotação de ~ borboletas no estômago ~ para outros era algo bom e pra mim sempre foi péssimo, muito forte, eu sabia que tinha algum descompasso, o que mais tarde, bem mais tarde, viria a entender meu problema real com ansiedade.
[caption id="attachment_5233" align="aligncenter" width="500"] Ariel também foi criada pelo pai, representatividade importa![/caption]
De qualquer forma, por ironias do destino, me caso em 4 dias. Meu pai ontem mesmo me disse: “Te criei pra ser atéia e não casar, olha só no que deu!”, hahaha! Sou espírita com períodos otimistas e pessimistas intermitentes e caso na quarta-feira dia 22. O negócio é o seguinte, eu já moro com meu companheiro há 3 anos e meio e vamos nos mudar pra Barcelona no final do ano. Estamos guardando dinheiro faz 1 ano para isso e de acordo com todas as especificidades a serem cumpridas pelo consulado espanhol é incrivelmente mais fácil adentrar à família tradicional brasileira para conseguir um visto temporário para morar fora, infelizmente. “Vamos casar, então!”, pensei. Estava tudo bem, estava tudo muito bem, eu casaria por causa de papéis para poder ir viver o sonho, ESTAVA TUDO BEM.
[caption id="attachment_5235" align="aligncenter" width="500"] HAHAHA! Não me levem a mal, nos amamos muitíssimo e eu tenho a maior sorte de estar casando com meu melhor amigo![/caption]
Pretendia casar de chinelo mesmo, minha indumentária favorita. Não iria fazer nada, fazer alguma coisa pra quê? Só estava cumprindo uma tabela, gastar dinheiro com isso quando posso juntar mais dinheiro pra viajar? E aí começou a vir a galera que grita primeiro “EU SOU A ROSA!”, e aquele desejo entranhado de ser a rosa eu já tinha conseguido desconstruir, mas mesmo sendo a amarela, ainda eram Power Rangers, se é que você me entende. Fui convencida por amigos e familiares à ser a amarela, porque a rosa já estava distante demais e todos sabiam disso. Depois do cartório, resolvi fazer um almocinho para poucos e bons e depois uma festa no melhor estilo Felipe Dylon, cada um paga o seu, mas vamos lá beber juntos porque a vida é uma só e como futura historiadora (quem sabe), assumo que rituais são momentos importantes.
[caption id="attachment_5242" align="aligncenter" width="700"] Muita gente riu e criticou na época, mas apoio 100% esse tipo de iniciativa![/caption]
O problema é que comecei a ver isso tudo faltando uns 15 dias pro casamento e aí um novo personagem na saga de animação (auto) destruidora adentrou a lista do superego que já contava com a Power Ranger rosa suprimida, a amarela, a Ariel e a Úrsula (com certeza tem outras), chegou então, a BRIDEZILLA. Que já era o contraponto em si, a bridezilla é a mocinha e a bandida na mesma personagem. Além de uma fobia social gigalesca, ela é auto sabotadora.
Saí da terapia na terça-feira passada com duas opções, comprar um ansiolítico e um tampão de ouvido para tentar dormir melhor. Tentei o tampão primeiro, funcionou. Hoje começou a insônia e acho que agora, pela primeira vez na minha vida, vou introduzir um remédio pra ajudar a passar por esses últimos 4 dias de pesadelo, ainda não me decidi. Ontem fui tentar comprar uma roupinha nova, quando eu disse que tinha um vestido que eu gostava e tinha usado no casamento de um amigo, criticaram. “O vestido é preto, ninguém casa de preto, tem que comprar uma roupa nova!”, essas coisas nos consomem, a gente acaba fazendo um dia como outro qualquer num cartório, que é um serviço do qual abomino um pouquinho, um dia especial, em que muitas expectativas são impostas, só que a maior lição da vida adulta para todes nós sempre foi suprimir as expectativas, então não sei lidar com momentos como esse. Já pensei em desistir mil vezes, todos os filmes estadunidenses de pessoas que querem fugir dos seus casamentos caíram como uma luva, estou vivendo o estereótipo.
[caption id="attachment_5238" align="aligncenter" width="700"] pra que casar de branco, gente? aff, me deixa ser gótica ~[/caption]
Voltando para a roupinha, fui a dois shoppings aqui no Rio. Gostei de uma blusa que era um pouco mais curta e uma calça com a cintura um pouco alta mas nem tanto.
– Moça, você pode me ajudar?
Gostaria de experimentar aquela blusa ali da vitrine!
– Claro, qual é o seu tamanho?
– É 42 ou 44!
– Ah, nós só fazemos peças até o 42!
Agradeci e não quis nem experimentar o 42. Esse tipo de coisa me deixa triste, brava, frustrada, insegura pra caralho, tudo ao mesmo tempo. Quis ir embora. Não sou o padrão há muito tempo e hoje em dia luto para me sentir confortável não sendo padrão e luto para que outras possam ser felizes fora do padrão. Já entendi que familiares não entendem isso e externam de uma forma que machuca mas que no fundo querem o seu bem, “Você precisa ser padrão porque a sociedade só aceita o padrão!” é o que eles querem dizer, eles todos que na grande maioria tomam anti-depressivos e ansiolíticos e não são padrão e tentam se encaixar desesperadamente mesmo que isso precise fazer eles tomarem mais remédios e passar mais fome e gastar mais dinheiro. A verdade é que também são vítimas, se não é quebrado o ciclo da opressão com empoderamento e consciência, ela é reproduzida. De qualquer forma, acredito piamente que quem se sente completamente feliz e encaixado nessa sociedade doente é quem tem mais problemas, se anula, é muito 1984 pra mim.Padrão é mais uma construção social, apenas. Entendam isso, lidem com isso, sou linda e sou gorda e sou saudável e sou vegetariana. As proteínas estão bem, obrigada.
Enfim, caso em 4 dias. Hoje acordei 5:40 por pura e espontânea ansiedade. A cada “Parabéns!” recebido, meu estômago revira. Amigos me chamam de ‘noiva’ por puro bullying do milho verde. Hahaha! Eu não estou acostumada a ser o centro das atenções, isso me deixa nervosa. Outro dia fiz um cineclube no dia das bruxas na minha casa para eu e as amigas verem ‘Jovens Bruxas‘ e tomar ‘margaritas da meia noite’, fui a primeira a ficar bêbada e capotar, às vezes vou com sede ao pote como se ainda tivesse 7 anos tentando explicar os contrapontos de tamanho e peso para as minhas angústias.
[caption id="attachment_5241" align="aligncenter" width="500"] Twin Peaks, melhor série ♡[/caption]
Ainda assim, até esses meus 29 anos, tem valido a pena. Vou com sede ao pote, capoto, mas levanto, haha! Fico extremamente feliz por ser lembrada pelas minhas piadas sem graça e risada altíssima. Siga la pelota, 8h30 vou tomar café da manhã, beixota!
Muitas amigas postaram no Facebook, em meados de Junho, assuntos sobre Gilmore Girls e contando que estavam revendo a série. Falavam sobre as experiências nostálgicas, identificações com a Rory por ter a mesma idade na época em que foi lançada, por serem tímidas, por lidarem com assuntos escolares, primeiros amores, etc. Decidi então começar a ver também para poder interagir com o assunto e ter essa memória coletiva com minhas amigas.
Preciso avisar que vai ter spoiler, será?
Quando vi a abertura pela primeira vez, há mais ou menos três meses, achei que fosse ser uma série muito tosca. Vamos combinar, não há nada mais ano dois mil do que uma abertura em sépia com uma música cafonérrima (e o armário da Lorelai, risos), certo? Mal sabia que, pelas próximas três semanas, eu veria as 7 temporadas e não pularia a abertura para bater palmas no ritmo da música, aquela, cafonérrima.
Antes de começar, eu estava com medo porque sabia um pouco do mote e não tive um relacionamento muito bom com a minha mãe durante boa parte da minha vida. Talvez por isso eu tivesse evitado essa série 15 anos atrás, tinha medo da série me gerar gatilhos emocionais fortes por causa disso. Os gatilhos aconteceram, por mais que eu tenha esperado 15 anos, mas por motivos que eu jamais iria imaginar.
Comecei a assistir a série e muito resumidamente, eu era a Lorelai, hahaha. Eu estava ali me vendo, vendo meu humor sarcástico, irônico e rápido (com piadas ruins sim, haha) ser usado em defesa de babaquices atuais e traumas de infância. Eu estava vendo a personagem que, desde de que saiu de casa, não conseguiu se relacionar construtivamente com seus pais. Tanto eu quanto Lorelai carregávamos uma sensação de justiça misturada com culpa e auto salvação nesse tal ~ sair de casa. Até mesmo o meu pai é ao mesmo tempo o Richard e a Emily (pais da Lorelai e avôs da Rory), a semelhança é muito gritante em muitos aspectos. Isso foi bastante surpreendente, e é claro que eu não me identificaria com a Rory, eu tenho 30 anos, eu me identifiquei com a Lorelai (que tem 32 quando a série começa) na hora, haha. A adolescente problema, expansiva, que começou a transar cedo, beber e quebrar impostos padrões de comportamento e ser bastante julgada por isso.
Acho que já estamos íntimas o suficiente para chamar Gilmore Girls de GG, risos.
Percebi que, mesmo não tendo lido nada sobre a série antes, GG havia sido criada e escrita por uma mulher. Os motivos eram todos óbvios, o mote principal é uma mãe solteira que teve sua filha adolescente. Os personagens masculinos são personagens muito reais aos olhos de uma mulher, falhas reais, diálogos tão reais que chegam a gatilhar relacionamentos passados. As personagens secundárias não ficam para trás, mulheres fortíssimas como as apaixonantes e diferentes Lane e Paris, a maravilhosa Sookie e as personagens femininas mais distantes do núcleo principal tão maravilhosas quanto, Miss Patty, uma mulher grande e lasciva, Babete com sua incrível voz e por que não, Gipsy? A mecânica da cidade. Uma mulher mecânica. Quem não gostaria de se mudar para Stars Hollow?
Inclusive, fiquei um tempão pensando, “cara, da onde eu conheço essa menina (Paris)?”, perguntei pro meu companheiro e ele matou a charada: de HTGAWM! Cara, se é pra tombar, tombei, hahaha! Inclusive, tirei uns prints de algumas pessoas que conheci fora da série e aí elas surgiram e eu ficava: “AH MAS OLHA ALI FULANO DE NUM SEI ONDE!”. Vem comigo para alguns prints reveladores, risos.
Quero fazer um belo adendo aqui sobre a personagem Sookie. Ela é gorda, ela emagrece, ela engravida duas vezes, ela engorda e em NENHUM momento da série, NENHUM, alguém fala sobre o corpo dela. Eu sei porque, como sou gorda, fiquei esperando esse momento chegar e nunca chegou, gordofobia, não há. Obrigada a todos os envolvidos. <3
Nos primeiros episódios já senti que viriam incríveis temporadas à frente. Apesar de achar que GG reproduz bastante machismo, é uma série muito real, de situações e relacionamentos reais, com diálogos reais e portanto, apesar de ficcional, o ambiente é a nossa sociedade patriarcal. Porém, como já disse, logo nos primeiros capítulos, Rory lança a maravilhosa frase, que me fez escalonar o amor pela série rapidamente:
É o nome da minha mãe também (Rory falando com Dean). Ela me nomeou por causa de seu nome. Ela estava deitada no hospital pensando como homens nomeavam garotos com o nome deles todo o tempo, sabe, então por que mulheres também não poderiam? Ela disse que o feminismo dela meio que tomou conta
Falando em Dean, vi que muitas pessoas estão escolhendo times de possíveis maridos para a Rory. POR QUE, GENTE? POR QUE? Apesar da série ter diferentes pares românticos para cada uma das personagens principais, o mais importante são os relacionamentos de amizade, de mãe e filha, são os sentimentos puros entre as mulheres da série! Eu sou #teamRory, #teamLorelai! Até porque, é muita (falta de) sacanagem você delimitar o futuro companheiro da Rory entre os 3 primeiros caras com quem ela se relacionou, PLMDDS, ponha-se no lugar dela! Não sei vocês, mas as três primeiras pessoas com quem eu me relacionei podem ficar guardadinhas na memória lá no meu passado, muito obrigada, de nada, vamos cancelar agora mesmo o churrasco da escola, valeu?
Pisciana que sou, apesar de achar estranho todo esse revival da série entre as minhas amigas em meados de junho, só depois de ter terminado as 7 temporadas e chorado por pelo menos 2 minutos com a cara afundada no travesseiro que eu fui saber que teria a volta de GG em novembro. Acredite ou não, história verídica, hahaha. Isso valeu por mais 2 minutos de choradas no travesseiro. Agora faltam apenas 7 dias para os 4 episódios de 90 min. cada de Gilmore Girls. Já combinei de ver junto cazamiga, já mandei fazer camiseta (juro), já estamos selecionando todas as comidas deliciosas que vamos pedir e bom, acho que depois a gente conversa pra saber se as expectativas foram alcançadas, não é mesmo?
Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.
Eu nunca quis casar. Nunca mesmo, ou se quis foi sempre um desejo muito entranhado e nunca externado na vida. Como quando eu era criança aqui no Rio e na praia eu fazia alguns amiguinhos novos, alguém lançava a ideia de brincar de Power Rangers e eu tentava dizer primeiro “EU SOU A AMARELA!”, eu queria ser a rosa, lá no fundo, eu queria ser a rosa. Mas todo mundo queria ser a rosa, aliás, todas as meninas queriam ser a rosa e isso me dava no saco.
Eu fui criada pelo meu pai, ele nunca casou, logo, eu não via o menor sentido naquilo tudo. Claro que quando eu era criança gostava das Princesas, a Ariel sempre foi a minha favorita, juntamente com a Úrsula (que mais tarde eu fui descobrir que foi inspirada na Divine <3). Portanto, a construção social do ‘felizes para sempre’ ou mesmo do ‘final feliz’ sempre me perseguiu e creio que persiga a maioria das mulheres da minha geração.
Isso é engraçado porque eu sempre ‘lidei’ com frustrações, rejeição e angústia desde muito cedo, mas nunca soube colocar em palavras o que eu estava sentindo, eu tentava explicar com uns 6, 7 anos: “É como se um Elefante e uma formiga levantassem vôo ao mesmo tempo”, e contrapondo o pesado e o leve eu tentava expor minha angústia. Mas mesmo com a perseguição inóspita do ‘felizes para sempre’, sempre desconfiei de que houvesse algo errado. Concluí que havia algo errado quando a conotação de ~ borboletas no estômago ~ para outros era algo bom e pra mim sempre foi péssimo, muito forte, eu sabia que tinha algum descompasso, o que mais tarde, bem mais tarde, viria a entender meu problema real com ansiedade.
De qualquer forma, por ironias do destino, me caso em 4 dias. Meu pai ontem mesmo me disse: “Te criei pra ser atéia e não casar, olha só no que deu!”, hahaha! Sou espírita com períodos otimistas e pessimistas intermitentes e caso na quarta-feira dia 22. O negócio é o seguinte, eu já moro com meu companheiro há 3 anos e meio e vamos nos mudar pra Barcelona no final do ano. Estamos guardando dinheiro faz 1 ano para isso e de acordo com todas as especificidades a serem cumpridas pelo consulado espanhol é incrivelmente mais fácil adentrar à família tradicional brasileira para conseguir um visto temporário para morar fora, infelizmente. “Vamos casar, então!”, pensei. Estava tudo bem, estava tudo muito bem, eu casaria por causa de papéis para poder ir viver o sonho, ESTAVA TUDO BEM.
Pretendia casar de chinelo mesmo, minha indumentária favorita. Não iria fazer nada, fazer alguma coisa pra quê? Só estava cumprindo uma tabela, gastar dinheiro com isso quando posso juntar mais dinheiro pra viajar? E aí começou a vir a galera que grita primeiro “EU SOU A ROSA!”, e aquele desejo entranhado de ser a rosa eu já tinha conseguido desconstruir, mas mesmo sendo a amarela, ainda eram Power Rangers, se é que você me entende. Fui convencida por amigos e familiares à ser a amarela, porque a rosa já estava distante demais e todos sabiam disso. Depois do cartório, resolvi fazer um almocinho para poucos e bons e depois uma festa no melhor estilo Felipe Dylon, cada um paga o seu, mas vamos lá beber juntos porque a vida é uma só e como futura historiadora (quem sabe), assumo que rituais são momentos importantes.
O problema é que comecei a ver isso tudo faltando uns 15 dias pro casamento e aí um novo personagem na saga de animação (auto) destruidora adentrou a lista do superego que já contava com a Power Ranger rosa suprimida, a amarela, a Ariel e a Úrsula (com certeza tem outras), chegou então, a BRIDEZILLA. Que já era o contraponto em si, a bridezilla é a mocinha e a bandida na mesma personagem. Além de uma fobia social gigalesca, ela é auto sabotadora.
Saí da terapia na terça-feira passada com duas opções, comprar um ansiolítico e um tampão de ouvido para tentar dormir melhor. Tentei o tampão primeiro, funcionou. Hoje começou a insônia e acho que agora, pela primeira vez na minha vida, vou introduzir um remédio pra ajudar a passar por esses últimos 4 dias de pesadelo, ainda não me decidi. Ontem fui tentar comprar uma roupinha nova, quando eu disse que tinha um vestido que eu gostava e tinha usado no casamento de um amigo, criticaram. “O vestido é preto, ninguém casa de preto, tem que comprar uma roupa nova!”, essas coisas nos consomem, a gente acaba fazendo um dia como outro qualquer num cartório, que é um serviço do qual abomino um pouquinho, um dia especial, em que muitas expectativas são impostas, só que a maior lição da vida adulta para todes nós sempre foi suprimir as expectativas, então não sei lidar com momentos como esse. Já pensei em desistir mil vezes, todos os filmes estadunidenses de pessoas que querem fugir dos seus casamentos caíram como uma luva, estou vivendo o estereótipo.
Voltando para a roupinha, fui a dois shoppings aqui no Rio. Gostei de uma blusa que era um pouco mais curta e uma calça com a cintura um pouco alta mas nem tanto.
– Moça, você pode me ajudar?
Gostaria de experimentar aquela blusa ali da vitrine!
– Claro, qual é o seu tamanho?
– É 42 ou 44!
– Ah, nós só fazemos peças até o 42!
Agradeci e não quis nem experimentar o 42. Esse tipo de coisa me deixa triste, brava, frustrada, insegura pra caralho, tudo ao mesmo tempo. Quis ir embora. Não sou o padrão há muito tempo e hoje em dia luto para me sentir confortável não sendo padrão e luto para que outras possam ser felizes fora do padrão. Já entendi que familiares não entendem isso e externam de uma forma que machuca mas que no fundo querem o seu bem, “Você precisa ser padrão porque a sociedade só aceita o padrão!” é o que eles querem dizer, eles todos que na grande maioria tomam anti-depressivos e ansiolíticos e não são padrão e tentam se encaixar desesperadamente mesmo que isso precise fazer eles tomarem mais remédios e passar mais fome e gastar mais dinheiro. A verdade é que também são vítimas, se não é quebrado o ciclo da opressão com empoderamento e consciência, ela é reproduzida. De qualquer forma, acredito piamente que quem se sente completamente feliz e encaixado nessa sociedade doente é quem tem mais problemas, se anula, é muito 1984 pra mim.Padrão é mais uma construção social, apenas. Entendam isso, lidem com isso, sou linda e sou gorda e sou saudável e sou vegetariana. As proteínas estão bem, obrigada.
Enfim, caso em 4 dias. Hoje acordei 5:40 por pura e espontânea ansiedade. A cada “Parabéns!” recebido, meu estômago revira. Amigos me chamam de ‘noiva’ por puro bullying do milho verde. Hahaha! Eu não estou acostumada a ser o centro das atenções, isso me deixa nervosa. Outro dia fiz um cineclube no dia das bruxas na minha casa para eu e as amigas verem ‘Jovens Bruxas‘ e tomar ‘margaritas da meia noite’, fui a primeira a ficar bêbada e capotar, às vezes vou com sede ao pote como se ainda tivesse 7 anos tentando explicar os contrapontos de tamanho e peso para as minhas angústias.
Ainda assim, até esses meus 29 anos, tem valido a pena. Vou com sede ao pote, capoto, mas levanto, haha! Fico extremamente feliz por ser lembrada pelas minhas piadas sem graça e risada altíssima. Siga la pelota, 8h30 vou tomar café da manhã, beixota!