Bela, Recatada e do Lar, minha orelha!

Aí que um grande veículo de comunicação foi lá e fez um perfil da Marcela Temer, mulher do ainda vice-presidente Michel Temer. A reportagem a mostra como sendo uma moça “bela, recatada e do lar”. Até aí tudo bem. Ela pode ser o que ela bem quiser. Aliás, os comentários misóginos que ela sofreu quando apareceu pela primeira vez na grande mídia, na época da posse da presidente Dilma, foram de embrulhar o estômago.

O problema não é a Marcela. Cada mulher deve seguir o modelo que mais lhe agrada. O problema é a exaltação do padrão de vida que ela escolheu como sendo O mais adequado para mulheres. Dizem que ela é uma “mulher de sorte” por ter um marido romântico que a levou para jantar no mês passado. *Nhó *Escorre uma lágrima. Por ser uma mulher bela, que se veste bem, que é low profile… #ANossaGraceKelly QUE SORTE DO TEMER, não é mesmo?

[caption id="attachment_10517" align="aligncenter" width="964"]cerveja queimada Em vez de foto, eles podiam logo ter ilustrado com uma publi dos anos 50. *”Não se preocupe, querida. Você não queimou a cerveja!”[/caption]

 

Chega! Apenas parem!

Ninguém aguenta mais. E graças à Deusa, a internet tem deixado isso bem claro nos últimos dias. Um tsunami de fotos maravilhosamente cagadas invadiram as redes zombando dos padrões aceitados pela #TradicionalFamíliaBrasileira. A hashtag #BelaRecatadaEDoLar virou um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta quarta-feira (20/04). E claro que as melhores já viraram Tumblr porque a internet é magnânima.

Este post do Face resume bem o porquê de tudo isso ser machista:

que lokura
Pra terminar, as fotos mais Belas, Recatadas e do Lar de algumas Ovelhas.

barbaramalagoli

barbarawagner
fernandagarcia raphaela_salles

nina tais_bravo estelarosa

anna

Ah, e tó mais essa playlist pra dançar usando saias de tons claros no joelho.

 

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Diário de viagem: Nã pela China

Meu nome é Ana Carolina Matsusaki, conhecida pelos amigos como . Antes, a China para mim era um shopping cheio de lojinhas com produtos pirateados na Avenida Paulista ou na 25 de março. O yakisoba era o prato oficial do país, e provavelmente o biscoito da sorte devia ser a sobremesa tradicional deles.

 
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De repente, fui parar na China e tudo mudou. Era 2012 e estávamos eu e meu namorado em uma trip de 5 meses pela Ásia. Passamos pela Tailândia, Camboja, Vietnã, Laos, mas nenhum foi tão marcante em termos de choque cultural quanto foi a China. Gosto de comparar nossa viagem à Ásia a um videogame, sendo os países do Sudeste Asiático o nível fácil. A China é o Chefão.

 
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E por que falar justamente da China? Até hoje, quando penso na China, quando falo sobre a China, é como se eu estivesse contando um sonho. Como encaixar na minha realidade as noites dormidas nos trens me alimentando com macarrão instantâneo, os dumplings no café da manhã, os chineses de cócoras jogando xadrez chinês, suas sopas quentes e perfumadas, os bebês com suas bundinhas de fora, chineses levantando da mesa do restaurante e deixando sobras que alimentariam 10 pessoas, os seus barcos de bambu, seus olhos curiosos nos sondando o tempo todo?

 
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Durante 45 dias viajamos por montanhas, campos de arroz e cidades com lanternas vermelhas. Foram cerca de 10 cidades: Yangshuo, Longsheng, Dali, Lijiang, Shangri-la, Chengdu, Leshan, Xiaan, Luoyang, Pingyao e Beijing.

 
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Tínhamos acabado de passar uma semana em Hong Kong quando colocamos nosso pé pela primeira vez na China de fato. Estávamos em Guanzhou, uma “pequena cidade” de 14 milhões de habitantes. Até então eu e meu namorado tínhamos viajado por 3 meses pela Ásia sem fazer nenhuma reserva de hotel. Chegávamos nas cidades e procurávamos na hora ou íamos até um hotel indicado pelo nosso guia de viagens. Na China percebemos que teríamos que mudar o nosso esquema, questão de sobrevivência. No primeiro hotel onde batemos à porta, ninguém falava inglês, e não havia vagas. Desespero. Eu já queria ir embora do país. Ainda bem que ficamos.

 

6 sabedorias milenares para pisar na China

 

Hospede-se em hostels

Na maioria dos hotéis não se fala inglês, e acredite, qualquer pessoa que fale inglês na China é uma pessoa em potencial para resolver 90% dos seus problemas. Nós sempre pedíamos para os recepcionistas dos hostels onde ficávamos, anotarem em papeizinhos tudo o que precisávamos: lugares que queríamos ir, nomes de remédios e o mais imprescindível para mim – a frase “sem pimenta, por favor”.
 

Vá de trem

Seguros e confortáveis são a forma mais divertida de se viajar pela China. Pássavamos horas conversando com os outros passageiros através de mímica. E eles costumam ser generosos, oferecendo – quase obrigando – comidinhas ao longo da viagem. Pode ser um milho cozido, pode ser uma lata de cerveja quente. Lembrando que você, mulher, provavelmente ficará de fora da oferta da cerveja quente e de alguns cigarros. Sim, a China é um país machista. Sim, vale a pena ficar fora da oferta de cerveja quente.
 

Like a superstar

Não faz tanto tempo assim que a China se abriu para o mundo. Turistas ocidentais ainda são raros por lá, principalmente fora de Beijing e Shanghai. Se o seu biotipo é diferente do dos chineses prepare-se para ser o centro das atenções. Os chineses vão querer tirar fotos com você (e inclusive fazer fila para isso), tocar seu cabelo (especialmente se você tiver dreads) e ficar na tua cola o tempo todo. Quando eu e meu namorado estávamos nas estações de trem jogando xadrez chinês para passar o tempo, não era raro nos vermos envoltos por uma multidão de curiosos.
 

Cadê meu yakisoba?

Embora você não encontre o yakisoba como conhecemos no Brasil (e com esse nome), há pratos muito similares. As comidas de lá são bem temperadas, muitas com molho agridoce e eles comem bastante sopa com noodles no dia a dia. Não dispenso e vou junto. Os deliciosos dumplings cozidos ao vapor em cestinhas de bambu são o pau pra toda obra. E para os mais lariquentos a dica é carregar sempre alguns potes de macarrão instantâneo com você, os boilers com água fervendo estão espalhados por todos os lados – trens, hotéis, hostels, estações de trem e de ônibus.
 

Internet controlada

Sim, é verdade que o acesso a sites como Facebook ou Instagram é censurado no país. Quem vê as lojinhas abarrotadas de turistas em cidades como Yangshuo ou Lijiang não diz que a China é um país comunista. Mas quanto mais viajávamos por lá, mais nos dávamos conta da triste mão de ferro que controla o país. Chineses totalmente desinformados (alguns não sabiam dos conflitos no Tibet), controle rigoroso para pisar na Praça da Paz Celestial (raio X e muitas câmeras) e boatos de que nosso guia poderia ser confiscado (por não mostrar Taiwan como parte da China).
 

Talvez doa em você

Escarrar no chão é normal. O tempo todo. Homens e mulheres. E dentro do restaurante, dentro do aeroporto, quando não tem placa proibindo. É a sinfonia da cidade. Além disso, em cidades pequenas, era comum ver crianças pequenas com roupas com uma abertura no bumbum <3 . Para facilitar o processo. Na rua mesmo.    

Cinco momentos maravilhosos para se viver na China

 

Pedalar de bicicleta em Shangri-la, uma pequena cidade próxima ao Tibet

 

Navegar de bambu boat pelo rio Amarelo em Yangshuo

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O famoso bairro 798 de Beijing

 

O bairro muçulmano em Xiaan, a cidade com os guerreiros de Terracota

 

Os terraços de arroz em Longsheng, conhecido como A Espinha do Dragão

 

Onde fiquei: China
Quanto tempo: 45 dias
Com quem: meu namorado
Quanto gastei:
Passagens (via Bangkok): R$ 2.400
Média de preço do hostel: $14 para duas pessoas
Média de gastos diário por pessoa: 20 a 30 dólares

Conclusão: Não é para os fracos. Volto em breve.


 
Nã Matsusaki é designer, ilustradora, mãe da pug Bullying e colaboradora Ovelha. Se você se apaixonou pela viagem dela, leia os relatos e mais fotos incríveis da sua viagem em seu blog, Ásia de Mochila.

Leia mais
perfil da Marcela Temer, mulher do ainda vice-presidente Michel Temer. A reportagem a mostra como sendo uma moça “bela, recatada e do lar”. Até aí tudo bem. Ela pode ser o que ela bem quiser. Aliás, os comentários misóginos que ela sofreu quando apareceu pela primeira vez na grande mídia, na época da posse da presidente Dilma, foram de embrulhar o estômago.

O problema não é a Marcela. Cada mulher deve seguir o modelo que mais lhe agrada. O problema é a exaltação do padrão de vida que ela escolheu como sendo O mais adequado para mulheres. Dizem que ela é uma “mulher de sorte” por ter um marido romântico que a levou para jantar no mês passado. *Nhó *Escorre uma lágrima. Por ser uma mulher bela, que se veste bem, que é low profile… #ANossaGraceKelly QUE SORTE DO TEMER, não é mesmo?

 

Chega! Apenas parem!

Ninguém aguenta mais. E graças à Deusa, a internet tem deixado isso bem claro nos últimos dias. Um tsunami de fotos maravilhosamente cagadas invadiram as redes zombando dos padrões aceitados pela #TradicionalFamíliaBrasileira. A hashtag #BelaRecatadaEDoLar virou um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta quarta-feira (20/04). E claro que as melhores já viraram Tumblr porque a internet é magnânima.

Este post do Face resume bem o porquê de tudo isso ser machista:

que lokura
Pra terminar, as fotos mais Belas, Recatadas e do Lar de algumas Ovelhas.

barbaramalagoli

barbarawagner
fernandagarcia raphaela_salles

nina tais_bravo estelarosa

anna

Ah, e tó mais essa playlist pra dançar usando saias de tons claros no joelho.

 

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