Maxine Waters e o racismo no trabalho

#BlackWomenAtWork

Durante um programa da FOX News, Bill O’Reilly (um babaca notório) resolveu zuar o cabelo de Maxine Waters, uma congressista negra do partido democrata.

Antes de qualquer coisa, aqui está uma listinha singela de algumas coisas que vocês precisam saber sobre a Maxine:

  • Ela se formou em Sociologia na California State University;
  • Ela é congressista desde 1991;
  • Aliás, ela é a mais antiga mulher negra congressista servindo atualmente;
  • Ela sempre se opôs à Guerra do Iraque;
  • Ela era contra o embargo imposto à Cuba pelos EUA;
  • Ela criticou o envolvimento do Governo Americano no processo de golpe de estado no Haiti em 2004 e;
  • Ela foi uma das integrantes da African-American Women for Reproductive Freedom, uma organização de mulheres negras pelos direitos sexuais e reprodutivos.

Depois de escutar uma fala da congressista na Câmara dos Deputados em um programa da FOX News, o “””jornalista””” reagiu dizendo que “não havia escutado uma palavra, pois estava muito distraído com a peruca de James Brown dela”. Não é necessário apontar o quão misógino e racista esse cara tava sendo, ao deslegitimar a fala e a opinião intelectual de uma mulher negra com base em sua aparência física, né???

Imediamente, muitas pessoas reagiram aos comentários nojentos de Bill O’Reilly e passaram a denunciar seu comportamento machista e racista em posts no Twitter. Desde o incidente, mulheres negras estão compartilhando suas experiências com preconceito racial e misoginia no ambiente de trabalho, usando a hashtag #BlackWomenatWork.

[caption id="attachment_14500" align="alignnone" width="624"] *Meu pai manda presente para o meu escritório. Chefe diz: “Não sabia que você tinha pai!” #BlackWomenatWork[/caption]  
A própria Maxine compartilhou alguns tweets com a hashtag:

[caption id="attachment_14499" align="alignnone" width="624"] “Eu sou uma mulher negra forte. Eu não serei intimidada, e não vou sair daqui #BlackWomenAtWork”[/caption]  
Em uma entrevista, a Maxine aconselha: “Eu gostaria de dizer para as mulheres por aí: não permitam que essas cabeças falantes de direita, essas pessoas desonradas, te intimidem ou te assustem! Sejam vocês mesmas! Façam o que quiserem! E vamos seguir juntas discutindo as questões reais desse país!”

[caption id="attachment_14502" align="alignnone" width="800"] Maxine segue plena, inteligente, congressita, articulada, intelectual. :*[/caption]  
Então, é isso, meninas. Vamos seguir o conselho da Maxine e direcionar nossas energias em construir coisas maravilhosas e relevantes para a nossa realidade. :*

#BlackWomenAtWork!

 

Mais de Bárbara Paes

Identidades multiculturais em Berlim

Em abril deste ano, a Amelia Umuhire lançou uma websérie chamada Polyglot, que retrata a vida de jovens poliglotas em Berlim.

A Amelia notou que na mídia alemã as pessoas negras só aparecem de forma marginalizada, então o Polyglot é muito centrado em explorar melhor e mais profundamente a vida de pessoas em Berlim que cresceram com mais de uma cultura.

Dá uma olhada no trailer:
 

 
Uma das atrizes da websérie é a poeta, atriz e rapper, Amanda Mukasonga, também conhecida como Babiche Papaya. Ela também é irmã da Amelia Umuhire. As duas nasceram em Ruanda, cresceram em uma cidadezinha no oeste alemão e se mudaram para Berlim em 2013. Elas falam alemão, inglês, francês e kinyarwanda (uma das línguas mais faladas de Ruanda).

 
polyglot
 
Nesta entrevista que as duas irmãs deram pra NPR Berlin, a Babiche Papaya conta que se ela estivesse atuando em um programa de TV, sua personagem não seria tão real e profunda. No primeiro episódio da série, acompanhamos a Babiche em sua busca por um apartamento barato:
 

 
Ao longo da websérie vamos conhecer mais personagens poliglotas! Se você quer conhecer mais sobre o projeto, dá uma olhada nesse link do OkayAfrica. Não esquece também de acompanhar o Facebook do projeto.

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