Kbela: Filme sobre transição capilar e identidade ganha primeiro teaser

As histórias de transição capilar ou mesmo da resistência e luta de mulheres pelo direito de ter sua beleza natural sem intervenção da indústria e da opinião da sociedade são tão fortes e inspiradoras que podem ser facilmente transformadas em enredos para filmes. E foi isso que fez a estudante de Comunicação Social Yasmin Thayná, que roteirizou e dirigiu o filme Kbela. O primeiro teaser já foi divulgado, e com previsão de estreia. Dá o play lá em cima!

Yasmin contou a Ovelha que o filme busca refletir sobre o lugar da mulher negra na sociedade contemporânea, os atuais padrões de beleza, sua expressão, autoimagem e identidade. Ela define: “Temos dito que é uma experiência sobre ser mulher e tornar-se negra. O filme é uma sequência de metáforas presentes no cotidiano de boa parte das mulheres negras do mundo”.
 
[caption id="attachment_2640" align="aligncenter" width="1024"]Kbela, o filme | Foto: Alile Dara Onawale. Atriz: Isabel Martins Zua. A atriz Isabel Martins Zua. Foto por Alile Dara Onawale. [/caption]  
O roteiro do filme é baseado no conto da MC K_bela, que narra a história de uma menina negra, moradora da Baixada Fluminense, que passou por um processo de embranquecimento durante a sua vida e decidiu se libertar disso, deixando o cabelo natural crescer de novo, se livrando das interferências químicas.

“Essa foi a maneira que MC K_bela achou para se sentir bonita, poder olhar para si sem qualquer estranhamento”, conta Yasmin.

O conto da MC K_bela foi publicado pela editora Aeroplano, e adaptado para o teatro, até que em 2013 com o apoio de alguns amigos, Yasmin resolveu ir a internet convocar mulheres com a história parecida com a da Mc K_bela para contar. “Em três dias mais de 100 mulheres de todo o Brasil responderam à convocação, contando suas histórias e manifestando interesse em participar do filme”, disse.
 
[caption id="attachment_2638" align="aligncenter" width="1024"]Kbela, o filme | Foto: Alile Dara Onawale. Atriz: Thamyris Capela A atriz Thamyris Capela. Foto por Alile Dara Onawale.[/caption]  

Representatividade e a busca por igualdade

Dessas inscrições, sete mulheres negras, atrizes e não atrizes, foram escolhidas e aceitaram desafios cênicos para entregar a equipe a realizar o curta-metragem. Equipe esta da qual Yasmin fala com orgulho.

“Sou muito preocupada com representação. Nos festivais de cinema que vou a maioria dos diretores são homens brancos. Eu disse: quem tem que fazer esse filme são mulheres negras. O Kbela tem em sua equipe cerca de 80% de mulheres negras fazendo o filme. Elas são produtoras, atrizes, diretoras de núcleos diversos”.
 
[caption id="attachment_2637" align="aligncenter" width="1024"]Kbela, o filme | Foto: Alile Dara Onawale. Turbante: Sol. O turbante. Foto por Alile Dara Onawale.[/caption]  
No quesito representatividade, o filme ainda conta com uma atriz transexual* no elenco. Na página oficial do filme no Facebook, a equipe fala da importância da participação de Maria Clara Araújo:

“Fizemos questão de ter nesse time Maria Clara Araújo, pernambucana que com apenas 18 anos vem se destacando na luta por empoderamento das mulheres trans no Brasil, com discurso e ativismo atravessados pela questão racial. Vibramos quando ela aceitou participar, é um prazer para toda equipe tê-la entre as atrizes que encararam essa produção que é metade suor e metade coração. Não dá para enfrentar o racismo sem discutir o transfeminismo negro”.
 
[caption id="attachment_2636" align="aligncenter" width="1024"]Kbela, o filme | Foto: Alile Dara Onawale. Atriz: Maria Clara Araújo A atriz Maria Clara Araújo. Foto por Alile Dara Onawale.[/caption]  
Yasmim destaca ainda a contribuição do material para discussões sociais. “Sei que tenho grandes responsabilidades com as mulheres negras. E sendo assim, tenho o dever de devolver um trabalho que some na discussão das desigualdades raciais. Talvez o que Kbela queira passar já esteja passando: mais mulheres negras no cinema brasileiro”.
 
[caption id="attachment_2630" align="aligncenter" width="1024"]Yasmin Thayná e algumas das Kbelas durante gravação do filme Yasmin Thayná e algumas das Kbelas durante gravação do filme[/caption]  

Um novo formato

Kbela vem em um formato diferente e impactante, que não segue necessariamente a trajetória da personagem principal, mas agrega as histórias das mulheres que participam dele ao conto.

“O filme é muito forte imageticamente falando”, define Yasmin. “Pode te causar um estranhamento, um impacto. Mas o que ele destaca é a questão da transição capilar e toda a beleza nesse renascimento, de que pra nós, mulheres negras, o céu é o limite”.
 
[caption id="attachment_2639" align="aligncenter" width="1024"]Kbela, o filme | Foto: Alile Dara Onawale. Atrizes: Dandara Raimundo, Isabel Martins Zua, Lívia Laso, Daí Ramos As atrizes Dandara Raimundo, Isabel Martins Zua, Lívia Laso, Daí Ramos. Foto: Alile Dara Onawale.[/caption]  
Como divulgado no primeiro teaser do filme, Kbela tem previsão de estreia para o mês de agosto. Você pode acompanhar e obter outras informações no site oficial ou na página do filme no Facebook.

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Nicki Minaj e o feminismo branco

Quando comecei a rascunhar alguma coisa sobre toda essa ~ discussão ~ entre Nicki Minaj e Taylor Swift, percebi que foquei todo o meu desabafo em uma delas… E que não era bem por aí. Há muito tempo eu pensava em escrever e problematizar a simbologia feminista que Taylor Swift vem desenvolvendo e como acaba representando mulheres iguais a ela e suas BFFs, apesar de o discurso ser o contrário.

Para mim, Taylor é a cara do feminismo branco, que não consegue reconhecer seu privilégio e finge que racismo ou mesmo as mulheres negras não existem no movimento como um todo. E a forma com que ela rebateu os tweets de Nicki Minaj sobre a falta de valorização da cultura negra na indústria musical, só comprovaram isso.

A forma como ela acaba se colocando como vítima e acusando Nicki de vitimismo, deslegitimando o discuso da colega. Leva para o lado pessoal assumindo uma posição hierárquica que a mídia lhe dá muito mais por sua aparência do que pela sua música e ainda dá uma de sinhá piedosa.

É muito legal que Taylor consiga combater o sexismo na indústria da música e fortaleça a ideia de parceria feminina, mas isso tem beneficiado a quem além de outras mulheres brancas? Eu nunca me atreveria a contestar a necessidade de nenhuma mulher no feminismo e o quanto Taylor cresceu com relação ao movimento, mas ela ainda precisa aprender tanto sobre seus privilégios e outras minorias…

As palavras da rapper nem foram direcionadas a ela, mas poderiam ter sido. Uma vez que Taylor já fez suas farras de apropriação cultura (ta aí uma das coisas da minha lista de problematização sobre a cantora) e se beneficiou disso exatamente como Nicki disse em um de seus tweets. A cultura negra é adorada, porém só é aprovada quando uma mulher a “traduz” para um jeito branco de fazer e pensar, quase que a tornando boa para consumo.

Então eu percebi que toda a minha atenção estava sendo direcionada a Taylor Swift, como tem acontecido na mídia e como acontece na vida real. Nicki provavelmente sentiu isso na infância, sente isso atualmente em seu trabalho, apesar de todo o seu talento, e nós, mulheres negras, sentimos em nosso convívio social todos os dias.

Minha preocupação e de muitas outras mulheres acaba sendo direcionada a Taylor Swift, para que ela cresça com sua representatividade. Mas enquanto isso, Nicki ainda está sendo reduzida por causa de sua aparência e do seu gênero, continua sendo desvalorizada como artista.

A mídia machista se aproveitou da situação sim para criar mais um boom de acessos e cliques baseados em uma briga entre mulheres que nem existe realmente, mas e o lado racista de suas atitudes nas últimas horas? Será que as palavras de Nicki teriam sido ouvidas e repercutidas da mesma forma, se Taylor não tivesse se intrometido na história?

E nem deveríamos estar agradecidas por isso, é aí que está a preocupação: Mesmo quando luta pela falta de protagonismo, a mulher negra não é ouvida como protagonista.

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foi publicado pela editora Aeroplano, e adaptado para o teatro, até que em 2013 com o apoio de alguns amigos, Yasmin resolveu ir a internet convocar mulheres com a história parecida com a da Mc K_bela para contar. “Em três dias mais de 100 mulheres de todo o Brasil responderam à convocação, contando suas histórias e manifestando interesse em participar do filme”, disse.
 

 

Representatividade e a busca por igualdade

Dessas inscrições, sete mulheres negras, atrizes e não atrizes, foram escolhidas e aceitaram desafios cênicos para entregar a equipe a realizar o curta-metragem. Equipe esta da qual Yasmin fala com orgulho.

“Sou muito preocupada com representação. Nos festivais de cinema que vou a maioria dos diretores são homens brancos. Eu disse: quem tem que fazer esse filme são mulheres negras. O Kbela tem em sua equipe cerca de 80% de mulheres negras fazendo o filme. Elas são produtoras, atrizes, diretoras de núcleos diversos”.
 

 
No quesito representatividade, o filme ainda conta com uma atriz transexual* no elenco. Na página oficial do filme no Facebook, a equipe fala da importância da participação de Maria Clara Araújo:

“Fizemos questão de ter nesse time Maria Clara Araújo, pernambucana que com apenas 18 anos vem se destacando na luta por empoderamento das mulheres trans no Brasil, com discurso e ativismo atravessados pela questão racial. Vibramos quando ela aceitou participar, é um prazer para toda equipe tê-la entre as atrizes que encararam essa produção que é metade suor e metade coração. Não dá para enfrentar o racismo sem discutir o transfeminismo negro”.
 

 
Yasmim destaca ainda a contribuição do material para discussões sociais. “Sei que tenho grandes responsabilidades com as mulheres negras. E sendo assim, tenho o dever de devolver um trabalho que some na discussão das desigualdades raciais. Talvez o que Kbela queira passar já esteja passando: mais mulheres negras no cinema brasileiro”.
 

 

Um novo formato

Kbela vem em um formato diferente e impactante, que não segue necessariamente a trajetória da personagem principal, mas agrega as histórias das mulheres que participam dele ao conto.

“O filme é muito forte imageticamente falando”, define Yasmin. “Pode te causar um estranhamento, um impacto. Mas o que ele destaca é a questão da transição capilar e toda a beleza nesse renascimento, de que pra nós, mulheres negras, o céu é o limite”.
 

 
Como divulgado no primeiro teaser do filme, Kbela tem previsão de estreia para o mês de agosto. Você pode acompanhar e obter outras informações no site oficial ou na página do filme no Facebook.

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foi publicado pela editora Aeroplano, e adaptado para o teatro, até que em 2013 com o apoio de alguns amigos, Yasmin resolveu ir a internet convocar mulheres com a história parecida com a da Mc K_bela para contar. “Em três dias mais de 100 mulheres de todo o Brasil responderam à convocação, contando suas histórias e manifestando interesse em participar do filme”, disse.
 

 

Representatividade e a busca por igualdade

Dessas inscrições, sete mulheres negras, atrizes e não atrizes, foram escolhidas e aceitaram desafios cênicos para entregar a equipe a realizar o curta-metragem. Equipe esta da qual Yasmin fala com orgulho.

“Sou muito preocupada com representação. Nos festivais de cinema que vou a maioria dos diretores são homens brancos. Eu disse: quem tem que fazer esse filme são mulheres negras. O Kbela tem em sua equipe cerca de 80% de mulheres negras fazendo o filme. Elas são produtoras, atrizes, diretoras de núcleos diversos”.
 

 
No quesito representatividade, o filme ainda conta com uma atriz transexual* no elenco. Na página oficial do filme no Facebook, a equipe fala da importância da participação de Maria Clara Araújo:

“Fizemos questão de ter nesse time Maria Clara Araújo, pernambucana que com apenas 18 anos vem se destacando na luta por empoderamento das mulheres trans no Brasil, com discurso e ativismo atravessados pela questão racial. Vibramos quando ela aceitou participar, é um prazer para toda equipe tê-la entre as atrizes que encararam essa produção que é metade suor e metade coração. Não dá para enfrentar o racismo sem discutir o transfeminismo negro”.
 

 
Yasmim destaca ainda a contribuição do material para discussões sociais. “Sei que tenho grandes responsabilidades com as mulheres negras. E sendo assim, tenho o dever de devolver um trabalho que some na discussão das desigualdades raciais. Talvez o que Kbela queira passar já esteja passando: mais mulheres negras no cinema brasileiro”.
 

 

Um novo formato

Kbela vem em um formato diferente e impactante, que não segue necessariamente a trajetória da personagem principal, mas agrega as histórias das mulheres que participam dele ao conto.

“O filme é muito forte imageticamente falando”, define Yasmin. “Pode te causar um estranhamento, um impacto. Mas o que ele destaca é a questão da transição capilar e toda a beleza nesse renascimento, de que pra nós, mulheres negras, o céu é o limite”.
 

 
Como divulgado no primeiro teaser do filme, Kbela tem previsão de estreia para o mês de agosto. Você pode acompanhar e obter outras informações no site oficial ou na página do filme no Facebook.

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