Menstruação censurada

Rupi Kaur - Period. | Ovelha

Rupi Kaur é uma poeta e artista indiana radicada no Canadá considerada umas das jovens escritoras feministas mais importantes da atualidade. É seguida por milhares no Tumblr e recentemente lançou seu primeiro livro de poemas, Milk and Honey.

Essa semana ela se tornou o atual assunto nas redes sociais (pelo menos na rede feminista). O motivo? Uma foto do seu ensaio fotográfico, entitulado Period. (que, no inglês, tanto pode significar menstruação como “ponto final”), foi deletada do Instagram da artista. Simplesmente por mostrar uma mancha de sangue menstrual.
 
Rupi Kaur - Period. | Ovelha
 
As fotos, feitas em conjunto com sua irmã Prabh, traduzem a realidade e intimidade da mulher durante o período de menstruação: o sangue, a cólica, os vazamentos, as manchas.

Junto com as fotos, Rupi escreve (original em inglês, tradução livre):
 
“eu sangro todos os meses para fazer a humanidade possível. meu útero é a casa do divino. uma fonte de vida para a nossa espécie. seja eu disposta a criá-la ou não. mas poucas são as vezes que é visto assim. nas civilizações antigas esse sangue era considerado sagrado. em algumas ainda é. mas uma maioria de pessoas. sociedades. e comunidades evitam esse processo natural. algumas são mais confortáveis com a pornificação da mulher. a sexualização da mulher. a violência e degradação da mulher – que isso. eles não podem ser incomodados para expressar seu desgosto sobre tudo aquilo. mas vão ter raiva e incômodo por isso. nós menstruamos e eles veem como sujeira. como forma de chamar a atenção. doente. um fardo. como se esse processo fosse menos natural que respirar. como se não houvesse uma ponte entre este universo e o anterior. como se esse processo não fosse amor. trabalho. vida. altruísta e impressionantemente belo.”
 

Rupi Kaur - Period.
 
Essa é mais uma evidência de que, para a sociedade, o sangue feminino é motivo de vergonha, é algo nojento que deve ser escondido. Me lembro de quando estava no colégio e via as coleguinhas, quando tinham que ir ao banheiro para trocar o absorvente, sussurrarem para as amigas: “hey… você tem ab-sor-ven-te?” com medo de alguém ouvir. E aí pegavam o pacotinho como se fosse alguma droga, como se fosse algo errado e humilhante, olhavam para os lados e então enfiavam no bolso, marchando com pressa.

Não podemos mais ter vergonha do nosso sangue. Da nossa menstruação. É algo natural que faz parte do ciclo da vida. Sigamos o exemplo da Rupi. Abaixo, um desenho desenho em homenagem à ela feito pela artista Geffen Rafaeli, do Instagram @dailydoodlegram:
 
@dailydoodlegram + @rupikaur_

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Exercício físico é para todos os corpos

Uma academia nos EUA chamada Blink Fitness acabou de lançar uma campanha que contempla todos os corpos. “Every Body Happy” traz pessoas de diferentes cores, tamanhos e idades se mostrando muito felizes em mexer seus corpinhos.

 

 
Pode parecer bobo, mas a gente SABE como é incrível poder ver diferentes pessoas representadas em uma propaganda fitness. O que vemos normalmente de academias e marcas esportivas são aqueles corpos sarados, trabalhados e que parecem estar bem cheirosos, apesar de todo o esforço físico. Parece até que quem vai à academia são só pessoas com “tudo no lugar”. Imagina eu, gorda, ali no meio? Imagina eu, toda travada, tentado fazer alongamento ao lado dessa gente! Imagina eu, fracote, tentado puxar ferro? Imagina eu, desengonçada, tentando um pole dance?

Mas felizmente, de uns tempos pra cá, com toda a buena onda de coletivos e manifestações que celebram a autoestima e exigem uma maior representatividade do que é real e diverso entre as pessoas, vemos que muitas iniciativas incríveis.

Um exemplo disso é a campanha “This Girl Can“, do início de 2015. Uma pesquisa da Sport England, que é um órgão ligado ao Ministério de Cultura, Mídia e Esporte da Inglaterra, descobriu que as mulheres não são tão fisicamente ativas quanto os homens porque elas se preocupam sobre como seus corpos serão percebidos. Para incentivá-las a serem mais ativas, a organização lançou um vídeo da campanha que apresenta as mulheres se divertindo em atividades físicas sem vergonha de sua aparência, mostrando uma variedade de formas e tamanhos de corpo trabalhando ao máximo. Seja na pratica de um esporte, dança ou academia, o anúncio celebra a força e a alegria do ato de se mover.

 

 
A campanha da Nike Women, do ano passado, tem um apelo mais sarcástico e ao mesmo tempo bastante honesto. Mesmo tropeçando na falta de diversidade do casting (afinal, só tem mulheres magras e bonitinhas no filme da campanha), a iniciativa #DesperteSeuMelhor (no inglês, Better For It) tem como objetivo inspirar as mulheres a serem ativas e aceitarem novos desafios, mesmo quando é difícil se manter focada no exercício (porque é difícil sim, principalmente pra quem não tem o costume de movimentar seu corpitcho).

 
https://www.youtube.com/watch?v=A9bawGd_e5g
 
Ainda falando da Nike (sempre ela), outra campanha bastante real e poderosa é como uma continuação do que iniciou com “Find Your Greatness“, de 2012. No filme “Last”, a câmera faz um lento tracking reverso para mostrar aquela parte da maratona que ninguém presta atenção: os últimos colocados. Ao som de “Every Little Bit Hurts” (nome mais adequado impossível), cantada por Aretha Franklin, vemos uma garota que não desistiu de correr, mesmo tendo ficado para trás. Não sei vocês, mas eu me identifico com ela.

 

 

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Rupi Kaur é uma poeta e artista indiana radicada no Canadá considerada umas das jovens escritoras feministas mais importantes da atualidade. É seguida por milhares no Tumblr e recentemente lançou seu primeiro livro de poemas, Milk and Honey.

Essa semana ela se tornou o atual assunto nas redes sociais (pelo menos na rede feminista). O motivo? Uma foto do seu ensaio fotográfico, entitulado Period. (que, no inglês, tanto pode significar menstruação como “ponto final”), foi deletada do Instagram da artista. Simplesmente por mostrar uma mancha de sangue menstrual.
 
Rupi Kaur - Period. | Ovelha
 
As fotos, feitas em conjunto com sua irmã Prabh, traduzem a realidade e intimidade da mulher durante o período de menstruação: o sangue, a cólica, os vazamentos, as manchas.

Junto com as fotos, Rupi escreve (original em inglês, tradução livre):
 
“eu sangro todos os meses para fazer a humanidade possível. meu útero é a casa do divino. uma fonte de vida para a nossa espécie. seja eu disposta a criá-la ou não. mas poucas são as vezes que é visto assim. nas civilizações antigas esse sangue era considerado sagrado. em algumas ainda é. mas uma maioria de pessoas. sociedades. e comunidades evitam esse processo natural. algumas são mais confortáveis com a pornificação da mulher. a sexualização da mulher. a violência e degradação da mulher – que isso. eles não podem ser incomodados para expressar seu desgosto sobre tudo aquilo. mas vão ter raiva e incômodo por isso. nós menstruamos e eles veem como sujeira. como forma de chamar a atenção. doente. um fardo. como se esse processo fosse menos natural que respirar. como se não houvesse uma ponte entre este universo e o anterior. como se esse processo não fosse amor. trabalho. vida. altruísta e impressionantemente belo.”
 

Rupi Kaur - Period.
 
Essa é mais uma evidência de que, para a sociedade, o sangue feminino é motivo de vergonha, é algo nojento que deve ser escondido. Me lembro de quando estava no colégio e via as coleguinhas, quando tinham que ir ao banheiro para trocar o absorvente, sussurrarem para as amigas: “hey… você tem ab-sor-ven-te?” com medo de alguém ouvir. E aí pegavam o pacotinho como se fosse alguma droga, como se fosse algo errado e humilhante, olhavam para os lados e então enfiavam no bolso, marchando com pressa.

Não podemos mais ter vergonha do nosso sangue. Da nossa menstruação. É algo natural que faz parte do ciclo da vida. Sigamos o exemplo da Rupi. Abaixo, um desenho desenho em homenagem à ela feito pela artista Geffen Rafaeli, do Instagram @dailydoodlegram:
 
@dailydoodlegram + @rupikaur_

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