Mulher gorda não pode transar?

A tal cena de Empire, que tomou o Twitter de amor e ódio ao mostrar uma mulher negra e gorda transando.

Sempre que um casal faz sexo em seriados a internet não pára de comentar a respeito, e essa semana não podia ser diferente: no seriado Empire a personagem Becky (interpretada pela linda Gabourey Sidibe, mais conhecida pelo seu trabalho no filme “Preciosa“) transou com o cantor J. Poppa (interpretado por Mo McRae). Até aí normal né? Só que não… o barulho todo que aconteceu na internet não foi pelo fato dos dois personagens terem transado, e sim pelo fato de que uma mulher gorda estava fazendo sexo na TV.

São esses momentos que fazem a gente perder ainda mais a fé na humanidade. É 2015, jura mesmo que temos que falar sobre isso? Infelizmente temos.

Eu pessoalmente nunca assisti ao seriado, mas depois do burburinho de ontem à noite resolvi me informar sobre. A série fala de Lucious Lyon (Terrence Howard) que prosperou no mundo da música e criou a gravadora Empire, mas quando ele descobre que tem uma doença grave ele tem que passar o seu império para um de seus três filhos, e ao mesmo tempo lidar com sua ex-esposa que acaba de sair da prisão decidida a recuperar tudo o que perdeu.

A personagem Becky, que trabalha na gravadora, teve no episódio de ontem uma noite agitada com o J. Poppa – e o Twitter ficou coalhado de comentários preconceituosos e nojentos a respeito do corpo da atriz. Gente… gente gorda transa também, hello? Sério mesmo que isso espanta? A gente tá na quinta série, por acaso?

É por isso que precisamos de mais cenas calientes e personagens gordas fortes nas séries/filmes/Hollywood/tudo, para que acabe esse estranhamento imposto pela mídia, que só retrata como seres sexuais aqueles que são magros e convencionalmente belos. Todo mundo tem direito a uma vida sexual bacana, e as pessoas acima do peso não são diferentes do resto.

Acorda.

Escrito por
Mais de Fernanda Ozilak

O Fat Shaming de Nicole Arbour

 
A essa hora todo mundo já deve ter visto a polêmica que o vídeo da Nicole Arbour, Dear Fat People, causou na internet. Acho que o único – ÚNICO – aspecto positivo desse vídeo ofensivo e horroroso foi despertar um diálogo sobre a existência do Fat Shaming.

 

 
Eu, como pessoa gorda, fiquei extremamente incomodada com a garota magra dizendo que “essa coisa de Fat Shaming” não existe porque… meu deus, é claro que existe. Até quem é magra consegue sofrer isso – vide celebridades que ao ganhar alguns quilinhos já estão sendo xingadas de tudo quanto é nome nos tablóides. Se é assim pras pessoas magras, imagina pra quem é gorda como eu – e como um monte de gente por aí? Fat shaming é algo real e extremamente doloroso.

Um lindo vídeo de resposta que surgiu na internet foi o da Whitney Way Thore – que tem um programa na TLC chamado “My Big Fat Fabulous Life” sobre sua vida e peso – no qual ela diz o que eu não consegui dizer devido a minha raiva ao ver algo tão hediondo sendo dito por essa Nicole.

 


You go, girl!!!

 
Parafraseando a Whitney Way Thore, você não consegue, olhando pra uma pessoa, saber sobre a saúde dela. Só de olhar não dá pra saber os motivos dela ter sobrepeso ou ser obesa: você não sabe se ela tem realmente todas as doenças que atribuem erroneamente somente aos gordos (como diabetes, pressão alta e outras), você não sabe se ela se exercita, você não sabe se ela acabou de perder peso.

 
Whitney Way Thore <3
 
Você simplesmente não sabe, então APENAS PARE de fingir que se importa com “a nossa saúde”. Juro, não é dessa forma que uma pessoa deve expressar ~preocupação~ com outra. O efeito atingido é exatamente o oposto – e que pessoa gorda, nos dias de hoje, não sabe sobre os possíveis efeitos do sobrepeso? É xingando ela, fazendo piada que você vai fazer com ela emagreça – ou é assim que você vai deixá-la pra baixo, fazê-la desenvolver algum distúrbio alimentar? Acho que a última parte é mais provável.

Leia mais
e o Twitter ficou coalhado de comentários preconceituosos e nojentos a respeito do corpo da atriz. Gente… gente gorda transa também, hello? Sério mesmo que isso espanta? A gente tá na quinta série, por acaso?

É por isso que precisamos de mais cenas calientes e personagens gordas fortes nas séries/filmes/Hollywood/tudo, para que acabe esse estranhamento imposto pela mídia, que só retrata como seres sexuais aqueles que são magros e convencionalmente belos. Todo mundo tem direito a uma vida sexual bacana, e as pessoas acima do peso não são diferentes do resto.

Acorda.

" />