Nesse meu momento de estreia como mãe e de corrente do “desafio da maternidade”, também fui convidada por algumas amigas a participar. Coincidindo com esse turbilhão de novas percepções que estou sentindo e de questionamentos que tenho acompanhado por aqui no feminismo fico pensando que é um momento incrível pra ter um bebê e viver esse turbilhão! Incrível porque está no ar uma grande discussão sobre a maternidade compulsória e todos os pesos que o patriarcado nos impõe. Contextualizo isso rasamente pra situar sobre o meu ponto de vista, mas quem quiser saber mais, é só fuçar nos grupos feministas por aí que a coisa tá pegando fogo!
Fato é que pra mim é incrível esse momento porque bem quando eu estava mergulhada no assunto e me aproximando do feminismo radical, engravidei, topei levar essa parada a cabo e como se não bastasse, dei a luz a um ser com pênis! Hahaha, Martín já veio chacoalhando os princípios dessa mãe feminista!
Me tornar mãe foi e está sendo uma elaboração difícil. Amorosa, mas dolorosa, como imagino que seja pra todas, mas sobre a qual nem todas falam. Eu sou privilegiada, estou tendo todo o apoio, afetivo e financeiro pra bancar essa situação. Por isso, me identifico com as mães apaixonadas e encantadas por serem mães de seus bebês, mas também me reconheço muito nas falas das mães amarguradas, cheias de dores, complicações de saúde, carências emocionais, limitações na vida que antes foi construída tão independentemente. Nem imagino o que seja ser mãe-solo, ou que está doente, ou que tem o filho doente, ou que sofre violência, ou que está em qualquer outra situação de risco, enfim, todo o respeito e solidariedade, sem julgamento, à essas mães.
Dividida entre essas posições, prefiro não tomar um só partido, até porque se estou entendendo um pouco do que é a maternidade é que ela é multifacetada. Tem dores e delícias. A alegria de ver seu filho sorrir, aprender a controlar as mãozinhas, a fazer novos barulhos, e a angústia de estar com ele chorando sem saber o que fazer pra passar a dor, ou de não poder fazer nem um quinto das coisas que eu podia antes dele chegar.
Por isso, aproveito essa corrente pra homenagear o outro lado da maternidade: a minha mãe. Não tem maior verdade do que aquela que diz que a gente vai entender e dar razão à nossa mãe quando tiver um filho. Eu sempre soube disso, mas agora eu sinto isso. Ao longo da gravidez, no meu parto e agora no puerpério eu fui acompanhando o nascimento da minha mãe como avó e o renascimento dela como mãe também. Renascimento porque nossa relação se renovou. Eu fico tão comovida ao ver o quanto ela se dedicou à mim (agora e sempre) e se dedica ao Martín, com todo amor, dispondo de todo o tempo, energia e recursos pra ver a gente bem.
Fico pensando em como foi na vez dela, o que foi ser mãe sem ter a dela por perto. Imagino a dureza que foi. Eu acho que não conseguiria sem ela aqui. Agora eu entendo as decisões que ela tomou, as coisas que teve que abrir mão e vejo que ela fez o melhor que pode. Mesmo nas cobranças, nas reclamações, nos vícios, mesmo errando, ela tava tentando acertar. Se eu for metade da mãe que ela é, já vou estar bem satisfeita.
Escrevi isso tudo pra você mãe, e é um pouco de tudo que venho percebendo nos últimos meses e da gratidão e do amor que sinto transbordando em mim.
*Mayra Oi trabalha há 10 anos com educação e arte. Tem um amor enorme pelas matrizes africanas e indígenas do Brasil, além da nave-mãe nipônica. É filha de Oxum e mãe do Martín.
Por Mayra Oi*
Nesse meu momento de estreia como mãe e de corrente do “desafio da maternidade”, também fui convidada por algumas amigas a participar. Coincidindo com esse turbilhão de novas percepções que estou sentindo e de questionamentos que tenho acompanhado por aqui no feminismo fico pensando que é um momento incrível pra ter um bebê e viver esse turbilhão! Incrível porque está no ar uma grande discussão sobre a maternidade compulsória e todos os pesos que o patriarcado nos impõe. Contextualizo isso rasamente pra situar sobre o meu ponto de vista, mas quem quiser saber mais, é só fuçar nos grupos feministas por aí que a coisa tá pegando fogo!
Fato é que pra mim é incrível esse momento porque bem quando eu estava mergulhada no assunto e me aproximando do feminismo radical, engravidei, topei levar essa parada a cabo e como se não bastasse, dei a luz a um ser com pênis! Hahaha, Martín já veio chacoalhando os princípios dessa mãe feminista!
Me tornar mãe foi e está sendo uma elaboração difícil. Amorosa, mas dolorosa, como imagino que seja pra todas, mas sobre a qual nem todas falam. Eu sou privilegiada, estou tendo todo o apoio, afetivo e financeiro pra bancar essa situação. Por isso, me identifico com as mães apaixonadas e encantadas por serem mães de seus bebês, mas também me reconheço muito nas falas das mães amarguradas, cheias de dores, complicações de saúde, carências emocionais, limitações na vida que antes foi construída tão independentemente. Nem imagino o que seja ser mãe-solo, ou que está doente, ou que tem o filho doente, ou que sofre violência, ou que está em qualquer outra situação de risco, enfim, todo o respeito e solidariedade, sem julgamento, à essas mães.
Dividida entre essas posições, prefiro não tomar um só partido, até porque se estou entendendo um pouco do que é a maternidade é que ela é multifacetada. Tem dores e delícias. A alegria de ver seu filho sorrir, aprender a controlar as mãozinhas, a fazer novos barulhos, e a angústia de estar com ele chorando sem saber o que fazer pra passar a dor, ou de não poder fazer nem um quinto das coisas que eu podia antes dele chegar.
Por isso, aproveito essa corrente pra homenagear o outro lado da maternidade: a minha mãe. Não tem maior verdade do que aquela que diz que a gente vai entender e dar razão à nossa mãe quando tiver um filho. Eu sempre soube disso, mas agora eu sinto isso. Ao longo da gravidez, no meu parto e agora no puerpério eu fui acompanhando o nascimento da minha mãe como avó e o renascimento dela como mãe também. Renascimento porque nossa relação se renovou. Eu fico tão comovida ao ver o quanto ela se dedicou à mim (agora e sempre) e se dedica ao Martín, com todo amor, dispondo de todo o tempo, energia e recursos pra ver a gente bem.
Fico pensando em como foi na vez dela, o que foi ser mãe sem ter a dela por perto. Imagino a dureza que foi. Eu acho que não conseguiria sem ela aqui. Agora eu entendo as decisões que ela tomou, as coisas que teve que abrir mão e vejo que ela fez o melhor que pode. Mesmo nas cobranças, nas reclamações, nos vícios, mesmo errando, ela tava tentando acertar. Se eu for metade da mãe que ela é, já vou estar bem satisfeita.
Escrevi isso tudo pra você mãe, e é um pouco de tudo que venho percebendo nos últimos meses e da gratidão e do amor que sinto transbordando em mim.
*Mayra Oi trabalha há 10 anos com educação e arte. Tem um amor enorme pelas matrizes africanas e indígenas do Brasil, além da nave-mãe nipônica. É filha de Oxum e mãe do Martín.
Colagem feita com exclusividade por Bárbara Malagoli (Baby C)
Por Mayra Oi*
Nesse meu momento de estreia como mãe e de corrente do “desafio da maternidade”, também fui convidada por algumas amigas a participar. Coincidindo com esse turbilhão de novas percepções que estou sentindo e de questionamentos que tenho acompanhado por aqui no feminismo fico pensando que é um momento incrível pra ter um bebê e viver esse turbilhão! Incrível porque está no ar uma grande discussão sobre a maternidade compulsória e todos os pesos que o patriarcado nos impõe. Contextualizo isso rasamente pra situar sobre o meu ponto de vista, mas quem quiser saber mais, é só fuçar nos grupos feministas por aí que a coisa tá pegando fogo!
Fato é que pra mim é incrível esse momento porque bem quando eu estava mergulhada no assunto e me aproximando do feminismo radical, engravidei, topei levar essa parada a cabo e como se não bastasse, dei a luz a um ser com pênis! Hahaha, Martín já veio chacoalhando os princípios dessa mãe feminista!
Me tornar mãe foi e está sendo uma elaboração difícil. Amorosa, mas dolorosa, como imagino que seja pra todas, mas sobre a qual nem todas falam. Eu sou privilegiada, estou tendo todo o apoio, afetivo e financeiro pra bancar essa situação. Por isso, me identifico com as mães apaixonadas e encantadas por serem mães de seus bebês, mas também me reconheço muito nas falas das mães amarguradas, cheias de dores, complicações de saúde, carências emocionais, limitações na vida que antes foi construída tão independentemente. Nem imagino o que seja ser mãe-solo, ou que está doente, ou que tem o filho doente, ou que sofre violência, ou que está em qualquer outra situação de risco, enfim, todo o respeito e solidariedade, sem julgamento, à essas mães.
Dividida entre essas posições, prefiro não tomar um só partido, até porque se estou entendendo um pouco do que é a maternidade é que ela é multifacetada. Tem dores e delícias. A alegria de ver seu filho sorrir, aprender a controlar as mãozinhas, a fazer novos barulhos, e a angústia de estar com ele chorando sem saber o que fazer pra passar a dor, ou de não poder fazer nem um quinto das coisas que eu podia antes dele chegar.
Por isso, aproveito essa corrente pra homenagear o outro lado da maternidade: a minha mãe. Não tem maior verdade do que aquela que diz que a gente vai entender e dar razão à nossa mãe quando tiver um filho. Eu sempre soube disso, mas agora eu sinto isso. Ao longo da gravidez, no meu parto e agora no puerpério eu fui acompanhando o nascimento da minha mãe como avó e o renascimento dela como mãe também. Renascimento porque nossa relação se renovou. Eu fico tão comovida ao ver o quanto ela se dedicou à mim (agora e sempre) e se dedica ao Martín, com todo amor, dispondo de todo o tempo, energia e recursos pra ver a gente bem.
[caption id="attachment_9333" align="aligncenter" width="700"] Essa imagem é dela caminhando ao meu lado no hospital, durante o trabalho de parto. Minha mãe me ajudando a virar mãe também.[/caption]
Fico pensando em como foi na vez dela, o que foi ser mãe sem ter a dela por perto. Imagino a dureza que foi. Eu acho que não conseguiria sem ela aqui. Agora eu entendo as decisões que ela tomou, as coisas que teve que abrir mão e vejo que ela fez o melhor que pode. Mesmo nas cobranças, nas reclamações, nos vícios, mesmo errando, ela tava tentando acertar. Se eu for metade da mãe que ela é, já vou estar bem satisfeita.
Escrevi isso tudo pra você mãe, e é um pouco de tudo que venho percebendo nos últimos meses e da gratidão e do amor que sinto transbordando em mim.
*Mayra Oi trabalha há 10 anos com educação e arte. Tem um amor enorme pelas matrizes africanas e indígenas do Brasil, além da nave-mãe nipônica. É filha de Oxum e mãe do Martín.
Aí que um grande veículo de comunicação foi lá e fez um perfil da Marcela Temer, mulher do ainda vice-presidente Michel Temer. A reportagem a mostra como sendo uma moça “bela, recatada e do lar”. Até aí tudo bem. Ela pode ser o que ela bem quiser. Aliás, os comentários misóginos que ela sofreu quando apareceu pela primeira vez na grande mídia, na época da posse da presidente Dilma, foram de embrulhar o estômago.
O problema não é a Marcela. Cada mulher deve seguir o modelo que mais lhe agrada. O problema é a exaltação do padrão de vida que ela escolheu como sendo O mais adequado para mulheres. Dizem que ela é uma “mulher de sorte” por ter um marido romântico que a levou para jantar no mês passado. *Nhó *Escorre uma lágrima. Por ser uma mulher bela, que se veste bem, que é low profile… #ANossaGraceKelly QUE SORTE DO TEMER, não é mesmo?
Chega! Apenas parem!
Ninguém aguenta mais. E graças à Deusa, a internet tem deixado isso bem claro nos últimos dias. Um tsunami de fotos maravilhosamente cagadas invadiram as redes zombando dos padrões aceitados pela #TradicionalFamíliaBrasileira. A hashtag #BelaRecatadaEDoLar virou um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta quarta-feira (20/04). E claro que as melhores já viraram Tumblr porque a internet é magnânima.
Este post do Face resume bem o porquê de tudo isso ser machista:
Pra terminar, as fotos mais Belas, Recatadas e do Lar de algumas Ovelhas.