A vez dos pais

Foto por Johan Bävman

É curioso ver como a questão de gênero é encarada de jeitos tão diferentes em cada país. Enquanto aqui no Brasil… ainda ouvimos muito marmanjo dizendo que quem cuida dos filhos é a mulher e também muita mulher dizendo que “o marido é um máximo, ajuda muito em casa, ele até troca fralda de vez em quando”. {Gata, ele não está fazendo nada mais do que a obrigação. Não precisa encher a bola}

… Lá na Suécia acabou de ser aprovado um aumento de 30 dias na licença-paternidade. Isso significa que agora o pessoal de lá têm direito a três meses de licença remunerada. E esse benefício é amplamente utilizado, por cerca de 90% dos homens com filhos. Os dias de afastamento podem ser usados até a criança completar 8 anos e são acumulados para cada filho que nasce ou é adotado. {achei legal grifar porque achei interessante}

Enquanto tirava licença paternidade, o fotógrafo sueco Johan Bävman decidiu documentar outros homens na mesma situação. O resultado foi esse ensaio fofo que ele batizou de Pais Suecos (Swedish Dads). Em uma entrevista na gringa, ele disse que, durante essa época, tinha dificuldade de encontrar qualquer coisa que fosse escrita para ele como pai. “Então eu tive a ideia de  documentar pais durante a licença paternidade, de ouvir por que eles queriam estar em casa com seus filhos e o que eles esperavam aprender disso”, disse Johan.

Para quem não sabe, aqui no Brasil a licença paternidade garantida pela legislação trabalhista é de míseros 5 dias. Algumas cidades já vêm tentando aumentar esse prazo para 15 dias, mas a regra ainda é essa. Alguns projetos de lei para estender essa licença tramitam no Congresso a passos lentos. Um deles para 15 dias (parado no Senado), outro para 30 (travado na Câmara).

No setor privado, algumas empresas garantem por conta própria esse benefício ampliado. Mas isso ainda é coisa fina e só se encontra nas de setores endinheirados. Na farmacêutica Pfizer, por exemplo, a licença é de 10 dias. Lá fora, encontra-se casos mais incríveis como o da Virgin: homens e mulheres que trabalhem nos escritórios da empresa em Londres ou Genebra há mais de quatro anos, podem tirar até 1 ano de licença RE-MU-NE-RA-DA. Quem trabalha há menos de dois anos também pode tirar, mas só ganha 25% do salário. Tudo bem que só cerca de 2% da empresa se encaixa nos requisitos, mas não deixa de ser notável.

Todas essas ações tem impacto, mas o mais importante é a mudança na mentalidade. Na Suécia, já se entende que a criação dos filhos é uma responsabilidade de ambos os pais. Não à toa, o país é considerado um dos países mais igualitários em questões de gênero pelo Fórum Econômico Mundial.

Por aqui, a ONG Instituto Papai trabalha para com objetivo de equiparar a licença paternidade com a licença maternidade. Em uma entrevista à EBC, Ricardo Castro, coordenador geral do instituto, disse que a disparidade entre as licenças causa a falsa impressão de que as mulheres são as únicas cuidadoras das crianças. “Buscamos garantias legais para o homem estar mais tempo em casa”. Além disso, Ricardo ressalta a necessidade da licença-paternidade se estender a outras formações de famílias, como o pai solteiro e o casal homossexual.

Cade vez mais as empresas, mesmo por aqui, têm se preocupado – pelo menos no discurso – com o bem estar dos funcionários. E isso não quer dizer que elas sejam boazinhas, apenas faz parte da estratégia delas para reter funcionários. Se a pessoa quer mais direitos e benefícios, precisa pedir pro RH da empresa. Pode não acontecer nada, mas vai que…
 

Informações via Revista Você SA, Agência Câmara de Notícias e EBC

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