É muito difícil falar de selfie. É um tema polêmico, que mexe com as nossas entranhas de um jeito esquisito, seja doce ou amargo. É um tema que nos visita nas nossas timelines, dashboards e nos mais diversos cantinhos de nossos lares virtuais.
Como eu já falei aqui antes, as selfies tiveram um papel importante no resgate da minha autoestima. Eu cresci ouvindo que era feia – vindo das mais diversas pessoas e das mais diversas formas – e me forcei minha aparência goela abaixo, uma foto de cada vez. Se eu não gostava do meu perfil, fotografava-o. Uma, duas, infinitas vezes – o necessário até eu aceitar aquela parte de mim. Fui me gostando e me criando nessas fotos – que, na época, iam parar no fotolog.
Numa sociedade em que nossa aparência é constantemente escrutinada, uma foto pode significar um mergulho em direção ao amor próprio.
Compartilhar, para mim, era um desafio. Uma coragem de me colocar na frente do mundo, quando eu estava tão acostumada a me esconder. Hoje minha autoestima está bem melhor e a relação com a câmera certamente teve papel nisso.
Partindo da minha própria experiência eu vejo possibilidades incrivelmente empoderadoras na selfie. Numa sociedade em que nossa aparência é constantemente escrutinada, uma foto pode significar um mergulho em direção ao amor próprio. Um aceitar não precisar ser [ INSIRA NOME DE ATRIZ CONSIDERADA GATA AQUI ] para ser válida. É ter a coragem de se sentir bonita quando se é criada para receber essa validação de outros.
Além disso, a selfie permite que mulheres se vejam. Permite que tenhamos contato com outras possibilidades de beleza e expressão. A linda @hantisedeloubli, por exemplo, é uma constante inspiração de estilo. Negra e gorda, nós dificilmente a veríamos na mídia tradicional. No tumblr e instagram, porém, ela segue nos fazendo indagar padrões.
Por mais que eu ache a selfie uma ferramenta poderosa acredito que não podemos nos fechar em apenas um de seus aspectos. Virar a câmera para si não é uma fórmula mágica de empoderamento e, numa sociedade na qual cada vez mais somos motivadas a nos tornar uma marca para o consumo de outrem nas mídias sociais, a selfie pode ser um passo em direção ao esvaziamento.
Pausa para dizer que não acho a internet ou as redes sociais malignas, advindas das profundezas do inferno para destruir as relações interpessoais, o “todo poderoso” olho no olho (ugh), yada yada. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu sou apaixonada por tecnologia e por sua miríade de possibilidades – e que eu tenho profundo ódio pela punhetagem nostalgica. Acho é que nossa discussão das tecnologias tende a ser maniqueísta, preconceituosa e – desculpem a arrogância e agressividade – meio burra, reduzindo sem número de portas a uma.
Ferramentas tem essa característica versatilidade. São o que a gente faz delas. E tem uma caralhada de gente pra fazer. Zero sentido, então, defini-las em uma única coisa. Especialmente quando boa parte dessas definições do que, afinal, é a tecnologia nas nossas vidas, vem de gente com contato limitado com elas.
Não esqueço do meu professor no último ano de psicologia fazendo um ode às cartas e demonstrando seu desprezo pelas novas tecnologias de comunicação. Ele mal sabia usar e-mail – o que dizia com orgulho! – revelando estar criticando algo por uma fração minúscula que ele mal conhece. Parabéns, brother. Assim mesmo que se faz.
Por mais que eu ache a selfie uma ferramenta poderosa acredito que não podemos nos fechar em apenas um de seus aspectos. Virar a câmera para si não é uma fórmula mágica de empoderamento (…)
Mas ok, voltando para o assunto selfie!
Uma das possibilidades que eu vejo nas redes sociais é a de transformar pessoas em marcas. Isso acontece com diversas celebridades, que tem sua humanidade dissolvida para que possamos consumi-los como entretenimento. Algo exigido muitas vezes, inclusive, de pessoas que ganham a repentina atenção ou fama por um viral qualquer: que se comportem como se tivessem toda uma equipe de relações públicas ou morram apedrejadas por tweets. Que mantenham sua imagem imaculada àquilo que foi associada, pronta a ser julgada a qualquer desvio ou tropeço. Que deixem de ser gente e virem uma coca-cola.
Não quero discutir a cultura de celebridades, mas é importante entender que elas influenciam pessoas e comportamentos e, portanto, incluo aí comportamentos virtuais. Vejo que às vezes arriscamos mimetizar esse “ser-marca”. E mimetizar a selfie como algo “agregador” à marca.
Entrar nisso pode ter diversas origens. Pode ser uma necessidade movida pelo receio de ter sua vida invadida e vasculhada por patrões ou potenciais empregadores, tornando importante construir certa imagem nas redes. Pode ser movida pela ansiedade de que a crush vai olhar seu perfil e você precisa parecer “perfeita”. Pode ser movida por querer ser um dia uma dessas celebridades virtuais, oras. Pode ser movida por qualquer angústia que se imponha como barreira à autenticidade.
E aí me vem outra possibilidade da selfie: sintoma. Ela deixa de ser ferramenta empoderadora, de apropriar-se de si, para afastar dessa apropriação, construindo um você artificial para silenciar alguma dor ou desejo.
A selfie pode ser um escudo às nossas vulnerabilidades. Àquilo que não gostamos. Às nossas fragilidades. Pode ser revelarmos apenas o nosso melhor, não porque queremos aprender a enxergá-lo, mas porque não suportamos que outros vejam qualquer outra parte nossa.
Há uma pessoa na minha vida que ilustra isso claramente. Essa pessoa não é muito interessada em arte ou museus. Sempre que acompanha sua amiga a esses locais, fica profundamente irritada. Mal olha as obras.
Sempre, porém, fotografa uma obra. A mais icônica, de preferência. Posta então nas redes sociais com alguma citação de alguém importante. Diz ter amado o passeio. Quem a acompanha sempre fica um pouco confusa: amou onde?
A foto ali, que poderia ser uma selfie, tanto faz, vem agregar à marca da pessoa. Nas redes, ela é outra – porque precisa ser. Porque há uma imagem a ser construída, mantida. Por que quem conhece uma pessoa intelectual que não gosta de arte? – Porque a autenticidade ali a tornaria vulnerável.
A selfie pode ser um escudo às nossas vulnerabilidades. Àquilo que não gostamos. Às nossas fragilidades. Pode ser revelarmos apenas o nosso melhor, não porque queremos aprender a enxergá-lo, mas porque não suportamos que outros vejam qualquer outra parte nossa.
E, por mais que eu esteja falando de selfie aqui, essa questão da insegurança, da angústia e da “marca” pode estar presente nas mais diversas fotos e comportamentos online.
Outro lado “negativo” da selfie é que ela pode impor novos padrões de beleza e perfeição. Padrões esses por vezes mais cruéis, por serem construídos por pessoas ‘reais’, que, em teoria, não tem auxílio de estúdios ou de photoshop profissional. Que representam algo “atingível”.
Volta e meia vejo alguma garota que sigo no instagram postar fotos sem maquiagem para acalmar suas seguidoras que dizem que gostariam de ser “perfeitas” como elas. Ou revelarem editar suas imagens, pelo mesmo motivo.
“Calma” – elas dizem – “eu também não sou perfeita”.
Ainda com todos os receios e possibilidades negativas que rondam as selfies, eu gostaria de dizer que acredito sermos capazes de construir mais caminhos positivos do que negativos com elas.
O próprio fato de diversas mulheres revelarem suas imperfeições quando os outros não as enxergam – de dizerem também não serem ideais – revela uma solidariedade na busca por amor próprio, bem como maiores possibilidades de desconstruir padrões e ideais (ao revelar que são apenas construções, maquiagens e edições), o que a mídia tradicional ainda tem bastante dificuldade em fazer. A selfie está na mão de pessoas – de gente – e isso abre muito mais portas para que humanidades escapem e se revelem.
Vejo a selfie, portanto, como uma multiplicidade que está em constante construção e descontrução. Algo que estamos fazendo, montando, descobrindo. Algo sem direção definida. Imperfeita, cheia de riscos, mas cheia de potências. Não a discutamos, portanto, por prismas que a limitam – seja a aspectos apenas positivos, seja (o mais comum) a aspectos apenas negativos.
O importante é, ao virarmos a câmera para nós, compreendermos e nos abrirmos àquilo que queremos nos dizer e dizer aos outros.
É muito difícil falar de selfie. É um tema polêmico, que mexe com as nossas entranhas de um jeito esquisito, seja doce ou amargo. É um tema que nos visita nas nossas timelines, dashboards e nos mais diversos cantinhos de nossos lares virtuais.
Como eu já falei aqui antes, as selfies tiveram um papel importante no resgate da minha autoestima. Eu cresci ouvindo que era feia – vindo das mais diversas pessoas e das mais diversas formas – e me forcei minha aparência goela abaixo, uma foto de cada vez. Se eu não gostava do meu perfil, fotografava-o. Uma, duas, infinitas vezes – o necessário até eu aceitar aquela parte de mim. Fui me gostando e me criando nessas fotos – que, na época, iam parar no fotolog.
Numa sociedade em que nossa aparência é constantemente escrutinada, uma foto pode significar um mergulho em direção ao amor próprio.
Compartilhar, para mim, era um desafio. Uma coragem de me colocar na frente do mundo, quando eu estava tão acostumada a me esconder. Hoje minha autoestima está bem melhor e a relação com a câmera certamente teve papel nisso.
Partindo da minha própria experiência eu vejo possibilidades incrivelmente empoderadoras na selfie. Numa sociedade em que nossa aparência é constantemente escrutinada, uma foto pode significar um mergulho em direção ao amor próprio. Um aceitar não precisar ser [ INSIRA NOME DE ATRIZ CONSIDERADA GATA AQUI ] para ser válida. É ter a coragem de se sentir bonita quando se é criada para receber essa validação de outros.
Além disso, a selfie permite que mulheres se vejam. Permite que tenhamos contato com outras possibilidades de beleza e expressão. A linda @hantisedeloubli, por exemplo, é uma constante inspiração de estilo. Negra e gorda, nós dificilmente a veríamos na mídia tradicional. No tumblr e instagram, porém, ela segue nos fazendo indagar padrões.
Por mais que eu ache a selfie uma ferramenta poderosa acredito que não podemos nos fechar em apenas um de seus aspectos. Virar a câmera para si não é uma fórmula mágica de empoderamento e, numa sociedade na qual cada vez mais somos motivadas a nos tornar uma marca para o consumo de outrem nas mídias sociais, a selfie pode ser um passo em direção ao esvaziamento.
Pausa para dizer que não acho a internet ou as redes sociais malignas, advindas das profundezas do inferno para destruir as relações interpessoais, o “todo poderoso” olho no olho (ugh), yada yada. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu sou apaixonada por tecnologia e por sua miríade de possibilidades – e que eu tenho profundo ódio pela punhetagem nostalgica. Acho é que nossa discussão das tecnologias tende a ser maniqueísta, preconceituosa e – desculpem a arrogância e agressividade – meio burra, reduzindo sem número de portas a uma.
Ferramentas tem essa característica versatilidade. São o que a gente faz delas. E tem uma caralhada de gente pra fazer. Zero sentido, então, defini-las em uma única coisa. Especialmente quando boa parte dessas definições do que, afinal, é a tecnologia nas nossas vidas, vem de gente com contato limitado com elas.
Não esqueço do meu professor no último ano de psicologia fazendo um ode às cartas e demonstrando seu desprezo pelas novas tecnologias de comunicação. Ele mal sabia usar e-mail – o que dizia com orgulho! – revelando estar criticando algo por uma fração minúscula que ele mal conhece. Parabéns, brother. Assim mesmo que se faz.
Por mais que eu ache a selfie uma ferramenta poderosa acredito que não podemos nos fechar em apenas um de seus aspectos. Virar a câmera para si não é uma fórmula mágica de empoderamento (…)
Mas ok, voltando para o assunto selfie!
Uma das possibilidades que eu vejo nas redes sociais é a de transformar pessoas em marcas. Isso acontece com diversas celebridades, que tem sua humanidade dissolvida para que possamos consumi-los como entretenimento. Algo exigido muitas vezes, inclusive, de pessoas que ganham a repentina atenção ou fama por um viral qualquer: que se comportem como se tivessem toda uma equipe de relações públicas ou morram apedrejadas por tweets. Que mantenham sua imagem imaculada àquilo que foi associada, pronta a ser julgada a qualquer desvio ou tropeço. Que deixem de ser gente e virem uma coca-cola.
Não quero discutir a cultura de celebridades, mas é importante entender que elas influenciam pessoas e comportamentos e, portanto, incluo aí comportamentos virtuais. Vejo que às vezes arriscamos mimetizar esse “ser-marca”. E mimetizar a selfie como algo “agregador” à marca.
Entrar nisso pode ter diversas origens. Pode ser uma necessidade movida pelo receio de ter sua vida invadida e vasculhada por patrões ou potenciais empregadores, tornando importante construir certa imagem nas redes. Pode ser movida pela ansiedade de que a crush vai olhar seu perfil e você precisa parecer “perfeita”. Pode ser movida por querer ser um dia uma dessas celebridades virtuais, oras. Pode ser movida por qualquer angústia que se imponha como barreira à autenticidade.
E aí me vem outra possibilidade da selfie: sintoma. Ela deixa de ser ferramenta empoderadora, de apropriar-se de si, para afastar dessa apropriação, construindo um você artificial para silenciar alguma dor ou desejo.
A selfie pode ser um escudo às nossas vulnerabilidades. Àquilo que não gostamos. Às nossas fragilidades. Pode ser revelarmos apenas o nosso melhor, não porque queremos aprender a enxergá-lo, mas porque não suportamos que outros vejam qualquer outra parte nossa.
Há uma pessoa na minha vida que ilustra isso claramente. Essa pessoa não é muito interessada em arte ou museus. Sempre que acompanha sua amiga a esses locais, fica profundamente irritada. Mal olha as obras.
Sempre, porém, fotografa uma obra. A mais icônica, de preferência. Posta então nas redes sociais com alguma citação de alguém importante. Diz ter amado o passeio. Quem a acompanha sempre fica um pouco confusa: amou onde?
A foto ali, que poderia ser uma selfie, tanto faz, vem agregar à marca da pessoa. Nas redes, ela é outra – porque precisa ser. Porque há uma imagem a ser construída, mantida. Por que quem conhece uma pessoa intelectual que não gosta de arte? – Porque a autenticidade ali a tornaria vulnerável.
A selfie pode ser um escudo às nossas vulnerabilidades. Àquilo que não gostamos. Às nossas fragilidades. Pode ser revelarmos apenas o nosso melhor, não porque queremos aprender a enxergá-lo, mas porque não suportamos que outros vejam qualquer outra parte nossa.
E, por mais que eu esteja falando de selfie aqui, essa questão da insegurança, da angústia e da “marca” pode estar presente nas mais diversas fotos e comportamentos online.
Outro lado “negativo” da selfie é que ela pode impor novos padrões de beleza e perfeição. Padrões esses por vezes mais cruéis, por serem construídos por pessoas ‘reais’, que, em teoria, não tem auxílio de estúdios ou de photoshop profissional. Que representam algo “atingível”.
Volta e meia vejo alguma garota que sigo no instagram postar fotos sem maquiagem para acalmar suas seguidoras que dizem que gostariam de ser “perfeitas” como elas. Ou revelarem editar suas imagens, pelo mesmo motivo.
“Calma” – elas dizem – “eu também não sou perfeita”.
Ainda com todos os receios e possibilidades negativas que rondam as selfies, eu gostaria de dizer que acredito sermos capazes de construir mais caminhos positivos do que negativos com elas.
O próprio fato de diversas mulheres revelarem suas imperfeições quando os outros não as enxergam – de dizerem também não serem ideais – revela uma solidariedade na busca por amor próprio, bem como maiores possibilidades de desconstruir padrões e ideais (ao revelar que são apenas construções, maquiagens e edições), o que a mídia tradicional ainda tem bastante dificuldade em fazer. A selfie está na mão de pessoas – de gente – e isso abre muito mais portas para que humanidades escapem e se revelem.
Vejo a selfie, portanto, como uma multiplicidade que está em constante construção e descontrução. Algo que estamos fazendo, montando, descobrindo. Algo sem direção definida. Imperfeita, cheia de riscos, mas cheia de potências. Não a discutamos, portanto, por prismas que a limitam – seja a aspectos apenas positivos, seja (o mais comum) a aspectos apenas negativos.
O importante é, ao virarmos a câmera para nós, compreendermos e nos abrirmos àquilo que queremos nos dizer e dizer aos outros.
Ilustração feita com exclusividade por Julia Balthazar.
É muito difícil falar de selfie. É um tema polêmico, que mexe com as nossas entranhas de um jeito esquisito, seja doce ou amargo. É um tema que nos visita nas nossas timelines, dashboards e nos mais diversos cantinhos de nossos lares virtuais.
Como eu já falei aqui antes, as selfies tiveram um papel importante no resgate da minha autoestima. Eu cresci ouvindo que era feia – vindo das mais diversas pessoas e das mais diversas formas – e me forcei minha aparência goela abaixo, uma foto de cada vez. Se eu não gostava do meu perfil, fotografava-o. Uma, duas, infinitas vezes – o necessário até eu aceitar aquela parte de mim. Fui me gostando e me criando nessas fotos – que, na época, iam parar no fotolog.
Numa sociedade em que nossa aparência é constantemente escrutinada, uma foto pode significar um mergulho em direção ao amor próprio.
Compartilhar, para mim, era um desafio. Uma coragem de me colocar na frente do mundo, quando eu estava tão acostumada a me esconder. Hoje minha autoestima está bem melhor e a relação com a câmera certamente teve papel nisso.
Partindo da minha própria experiência eu vejo possibilidades incrivelmente empoderadoras na selfie. Numa sociedade em que nossa aparência é constantemente escrutinada, uma foto pode significar um mergulho em direção ao amor próprio. Um aceitar não precisar ser [ INSIRA NOME DE ATRIZ CONSIDERADA GATA AQUI ] para ser válida. É ter a coragem de se sentir bonita quando se é criada para receber essa validação de outros.
Além disso, a selfie permite que mulheres se vejam. Permite que tenhamos contato com outras possibilidades de beleza e expressão. A linda @hantisedeloubli, por exemplo, é uma constante inspiração de estilo. Negra e gorda, nós dificilmente a veríamos na mídia tradicional. No tumblr e instagram, porém, ela segue nos fazendo indagar padrões.
Por mais que eu ache a selfie uma ferramenta poderosa acredito que não podemos nos fechar em apenas um de seus aspectos. Virar a câmera para si não é uma fórmula mágica de empoderamento e, numa sociedade na qual cada vez mais somos motivadas a nos tornar uma marca para o consumo de outrem nas mídias sociais, a selfie pode ser um passo em direção ao esvaziamento.
Pausa para dizer que não acho a internet ou as redes sociais malignas, advindas das profundezas do inferno para destruir as relações interpessoais, o “todo poderoso” olho no olho (ugh), yada yada. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu sou apaixonada por tecnologia e por sua miríade de possibilidades – e que eu tenho profundo ódio pela punhetagem nostalgica. Acho é que nossa discussão das tecnologias tende a ser maniqueísta, preconceituosa e – desculpem a arrogância e agressividade – meio burra, reduzindo sem número de portas a uma.
Ferramentas tem essa característica versatilidade. São o que a gente faz delas. E tem uma caralhada de gente pra fazer. Zero sentido, então, defini-las em uma única coisa. Especialmente quando boa parte dessas definições do que, afinal, é a tecnologia nas nossas vidas, vem de gente com contato limitado com elas.
Não esqueço do meu professor no último ano de psicologia fazendo um ode às cartas e demonstrando seu desprezo pelas novas tecnologias de comunicação. Ele mal sabia usar e-mail – o que dizia com orgulho! – revelando estar criticando algo por uma fração minúscula que ele mal conhece. Parabéns, brother. Assim mesmo que se faz.
Por mais que eu ache a selfie uma ferramenta poderosa acredito que não podemos nos fechar em apenas um de seus aspectos. Virar a câmera para si não é uma fórmula mágica de empoderamento (…)
Mas ok, voltando para o assunto selfie!
Uma das possibilidades que eu vejo nas redes sociais é a de transformar pessoas em marcas. Isso acontece com diversas celebridades, que tem sua humanidade dissolvida para que possamos consumi-los como entretenimento. Algo exigido muitas vezes, inclusive, de pessoas que ganham a repentina atenção ou fama por um viral qualquer: que se comportem como se tivessem toda uma equipe de relações públicas ou morram apedrejadas por tweets. Que mantenham sua imagem imaculada àquilo que foi associada, pronta a ser julgada a qualquer desvio ou tropeço. Que deixem de ser gente e virem uma coca-cola.
Não quero discutir a cultura de celebridades, mas é importante entender que elas influenciam pessoas e comportamentos e, portanto, incluo aí comportamentos virtuais. Vejo que às vezes arriscamos mimetizar esse “ser-marca”. E mimetizar a selfie como algo “agregador” à marca.
Entrar nisso pode ter diversas origens. Pode ser uma necessidade movida pelo receio de ter sua vida invadida e vasculhada por patrões ou potenciais empregadores, tornando importante construir certa imagem nas redes. Pode ser movida pela ansiedade de que a crush vai olhar seu perfil e você precisa parecer “perfeita”. Pode ser movida por querer ser um dia uma dessas celebridades virtuais, oras. Pode ser movida por qualquer angústia que se imponha como barreira à autenticidade.
E aí me vem outra possibilidade da selfie: sintoma. Ela deixa de ser ferramenta empoderadora, de apropriar-se de si, para afastar dessa apropriação, construindo um você artificial para silenciar alguma dor ou desejo.
A selfie pode ser um escudo às nossas vulnerabilidades. Àquilo que não gostamos. Às nossas fragilidades. Pode ser revelarmos apenas o nosso melhor, não porque queremos aprender a enxergá-lo, mas porque não suportamos que outros vejam qualquer outra parte nossa.
Há uma pessoa na minha vida que ilustra isso claramente. Essa pessoa não é muito interessada em arte ou museus. Sempre que acompanha sua amiga a esses locais, fica profundamente irritada. Mal olha as obras.
Sempre, porém, fotografa uma obra. A mais icônica, de preferência. Posta então nas redes sociais com alguma citação de alguém importante. Diz ter amado o passeio. Quem a acompanha sempre fica um pouco confusa: amou onde?
A foto ali, que poderia ser uma selfie, tanto faz, vem agregar à marca da pessoa. Nas redes, ela é outra – porque precisa ser. Porque há uma imagem a ser construída, mantida. Por que quem conhece uma pessoa intelectual que não gosta de arte? – Porque a autenticidade ali a tornaria vulnerável.
A selfie pode ser um escudo às nossas vulnerabilidades. Àquilo que não gostamos. Às nossas fragilidades. Pode ser revelarmos apenas o nosso melhor, não porque queremos aprender a enxergá-lo, mas porque não suportamos que outros vejam qualquer outra parte nossa.
E, por mais que eu esteja falando de selfie aqui, essa questão da insegurança, da angústia e da “marca” pode estar presente nas mais diversas fotos e comportamentos online.
Outro lado “negativo” da selfie é que ela pode impor novos padrões de beleza e perfeição. Padrões esses por vezes mais cruéis, por serem construídos por pessoas ‘reais’, que, em teoria, não tem auxílio de estúdios ou de photoshop profissional. Que representam algo “atingível”.
Volta e meia vejo alguma garota que sigo no instagram postar fotos sem maquiagem para acalmar suas seguidoras que dizem que gostariam de ser “perfeitas” como elas. Ou revelarem editar suas imagens, pelo mesmo motivo.
“Calma” – elas dizem – “eu também não sou perfeita”.
Ainda com todos os receios e possibilidades negativas que rondam as selfies, eu gostaria de dizer que acredito sermos capazes de construir mais caminhos positivos do que negativos com elas.
O próprio fato de diversas mulheres revelarem suas imperfeições quando os outros não as enxergam – de dizerem também não serem ideais – revela uma solidariedade na busca por amor próprio, bem como maiores possibilidades de desconstruir padrões e ideais (ao revelar que são apenas construções, maquiagens e edições), o que a mídia tradicional ainda tem bastante dificuldade em fazer. A selfie está na mão de pessoas – de gente – e isso abre muito mais portas para que humanidades escapem e se revelem.
Vejo a selfie, portanto, como uma multiplicidade que está em constante construção e descontrução. Algo que estamos fazendo, montando, descobrindo. Algo sem direção definida. Imperfeita, cheia de riscos, mas cheia de potências. Não a discutamos, portanto, por prismas que a limitam – seja a aspectos apenas positivos, seja (o mais comum) a aspectos apenas negativos.
O importante é, ao virarmos a câmera para nós, compreendermos e nos abrirmos àquilo que queremos nos dizer e dizer aos outros.
Uma das questões presentes por muito tempo na minha vida era que eu nunca soube dizer se eu sou bonita. Talvez isso não seja uma questão para todos, mas me incomodava. Eu sou ou não sou bonita?
Eu sofri bullying na adolescência e um de seus principais enfoques era este: que eu não era, nem nunca seria, bonita. Tomei pedrada, fui perseguida com garrafas cheias de areia, tudo por isso – ah, e por homofobia! Suspeitavam que eu fosse lésbica, claro. Não erraram muito, hoje sei que sou bissexual, mas naqueles tempos eu só era uma menina esquisita. E nada mais esquisito, para os tradicionais, do que romper com a heteronormatividade, o que logo nomeou a minha esquisitice.
Meu cabelo era um liso no processo de tornar-se cacheado, sempre armado e cheio de frizz. Da minha pele destacavam-se fundas olheiras e um punhado de veias esverdeadas. Eu era quieta, cabisbaixa e infantil – apesar de madura para algumas coisas. Mantinha o nojo dos meninos e uma intensa misoginia internalizada, considerando qualquer feminilidade fútil.
Quando os cachos terminaram de se formar eu tive de usar aparelho, para compensar na aparência, mas também passei a usar a câmera para descobrir meu rosto. Fotos e mais fotos, repetidas, buscando aceitar aquela cara que era minha. Essa busca acabou por tornar-se uma busca por mim e fui aos poucos me encontrando, sendo um dos primeiros passos a entrada subcultura Gótica.
Mudei-me. Hoje meus cabelos são lisos, por vontade das águas de São Paulo, vermelhos e com ambas laterais raspadas – máquina zero, quando a preguiça não é grande. Passei a usar maquiagem, antiga inimiga, para transformar meu rosto em um hibridismo de Morticia e Elvira. A pergunta, porém, permanecia: sou ou não sou bonita? Eu gostava do meu reflexo no espelho, mas isso, por algum motivo, não respondia. E aí vem a questão: o que raios responde?
Somos seres complexos e existimos expostos e em companhia de outros. Somos também, portanto, aos olhos dos outros. Muito de nós, porém, não é acessível a grande parte desses outros que tem, no máximo, nossa aparência como mensagem sobre nós. Talvez a certeza de que esta é bonita, agradável, apazigue um pouco a ansiedade de não ser capaz de transmitir aquelas coisas que nos agradam sobre nós mesmos. De não podermos controlar nossa primeira impressão.
E a minha impressão é que ser bonita fica, justamente, muito a cargo dos outros. Na verdade, é bastante difícil adjetivar-se num geral, mas enquanto podemos “ouvir” ou “ver” nossos pensamentos e ideias, sentir nossos sentimentos, só temos acesso à nossa imagem através de reflexos ou registros fotográficos. Nossa aparência é, principalmente, diante de olhos outros.
Mas esses outros não são unanimidade. A beleza é uma construção cultural, mas também pessoal – o que resulta em avaliações bastante subjetivas e inconstantes. Ninguém pode dar a resposta definitiva de que uma pessoa é ou não bonita, portanto. Apenas que pessoas acham ela bonita, que pessoas acham ela feia e talvez motivos para essas impressões.
No máximo poderíamos nos comparar às imagens propostas-impostas como ideais pela mídia, porém como se comparar a outro ser humano? Isso é realmente possível? Afinal, se a Angelina Jolie é bonita, ser bonita como ela significaria, de certa forma, ser ela. Afinal, não pode ser apenas uma característica da pessoa que a define como tal. O que a torna bonita não é, por exemplo, a boca. Eu imagino que eu, com a boca dela, resultaria numa imagem completamente diferente. É a totalidade da aparência dela – e, ainda assim, para muitos ela não será considerada bonita. Como já disse: o troço é bastante subjetivo.
Se ser bonita é, portanto, ser como os modelos impostos, isto é impossível, porque só podemos ser quem somos e, mesmo através de cirurgias plásticas, dificilmente podemos transformarmo-nos no outro. E, mesmo que teçamos “regras gerais” destas imposições, como ser magra, branca, loira e de nariz-da-Disney, nada garante que estas possam ser aplicadas à miríade de aparências e corpos existentes – em outras palavras – que esse visual te caia bem! Além disso, é loucura limitar beleza a um espectro tão restrito, diante da infinitude de aparências humanas possíveis.
Mesmo no aspecto da aparência – e muito além dele – poucas coisas são mais importantes do que gostar de si. Isto cabe apenas a nós. E deve ser feito, na medida do possível, sem o comparar-se com o outro – que sempre será outro e, alem disso, único.
Isso me levou a conclusão básica de que ser bonita é impossível. Pelo menos como veredicto definitivo. Você sempre será bonita pra uns, feia pra outros. Não há resposta para a pergunta: “eu sou bonita?” – não é à toa que ela me encafifava tanto! E não é à toa que eu sofria com a ideia que tanto perseguimos de “sentir-se bonita” – independente dos padrões, porque é algo que parece residir muito fora da gente.
Uma pergunta que me parece um tanto mais respondível, porém, é se você gosta de você. E, na verdade, é uma pergunta muito mais importante do que a primeira. Porque outra coisa que, bem, não dá tempo de abordar é que ninguém precisa ser bonito. Há mais a que se oferecer, ainda que nem sempre acessível a uma primeira impressão, e há mais a que se esperar das pessoas. Mas, mesmo no aspecto da aparência – e muito além dele – poucas coisas são mais importantes do que gostar de si. Isto cabe apenas a nós. E deve ser feito, na medida do possível, sem o comparar-se com o outro – que sempre será outro e, alem disso, único.
E hoje, bem, eu não quero ser bonita – isso me parece um objetivo pouco alcançável – eu quero é ser alguém que eu gosto. Alguém que eu me orgulhe. Alguém, por mais estranho que isso vá soar, que me represente.
@hantisedeloubli, por exemplo, é uma constante inspiração de estilo. Negra e gorda, nós dificilmente a veríamos na mídia tradicional. No tumblr e instagram, porém, ela segue nos fazendo indagar padrões.
Por mais que eu ache a selfie uma ferramenta poderosa acredito que não podemos nos fechar em apenas um de seus aspectos. Virar a câmera para si não é uma fórmula mágica de empoderamento e, numa sociedade na qual cada vez mais somos motivadas a nos tornar uma marca para o consumo de outrem nas mídias sociais, a selfie pode ser um passo em direção ao esvaziamento.
Pausa para dizer que não acho a internet ou as redes sociais malignas, advindas das profundezas do inferno para destruir as relações interpessoais, o “todo poderoso” olho no olho (ugh), yada yada. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu sou apaixonada por tecnologia e por sua miríade de possibilidades – e que eu tenho profundo ódio pela punhetagem nostalgica. Acho é que nossa discussão das tecnologias tende a ser maniqueísta, preconceituosa e – desculpem a arrogância e agressividade – meio burra, reduzindo sem número de portas a uma.
Ferramentas tem essa característica versatilidade. São o que a gente faz delas. E tem uma caralhada de gente pra fazer. Zero sentido, então, defini-las em uma única coisa. Especialmente quando boa parte dessas definições do que, afinal, é a tecnologia nas nossas vidas, vem de gente com contato limitado com elas.
Não esqueço do meu professor no último ano de psicologia fazendo um ode às cartas e demonstrando seu desprezo pelas novas tecnologias de comunicação. Ele mal sabia usar e-mail – o que dizia com orgulho! – revelando estar criticando algo por uma fração minúscula que ele mal conhece. Parabéns, brother. Assim mesmo que se faz.
Por mais que eu ache a selfie uma ferramenta poderosa acredito que não podemos nos fechar em apenas um de seus aspectos. Virar a câmera para si não é uma fórmula mágica de empoderamento (…)
Mas ok, voltando para o assunto selfie!
Uma das possibilidades que eu vejo nas redes sociais é a de transformar pessoas em marcas. Isso acontece com diversas celebridades, que tem sua humanidade dissolvida para que possamos consumi-los como entretenimento. Algo exigido muitas vezes, inclusive, de pessoas que ganham a repentina atenção ou fama por um viral qualquer: que se comportem como se tivessem toda uma equipe de relações públicas ou morram apedrejadas por tweets. Que mantenham sua imagem imaculada àquilo que foi associada, pronta a ser julgada a qualquer desvio ou tropeço. Que deixem de ser gente e virem uma coca-cola.
Não quero discutir a cultura de celebridades, mas é importante entender que elas influenciam pessoas e comportamentos e, portanto, incluo aí comportamentos virtuais. Vejo que às vezes arriscamos mimetizar esse “ser-marca”. E mimetizar a selfie como algo “agregador” à marca.
Entrar nisso pode ter diversas origens. Pode ser uma necessidade movida pelo receio de ter sua vida invadida e vasculhada por patrões ou potenciais empregadores, tornando importante construir certa imagem nas redes. Pode ser movida pela ansiedade de que a crush vai olhar seu perfil e você precisa parecer “perfeita”. Pode ser movida por querer ser um dia uma dessas celebridades virtuais, oras. Pode ser movida por qualquer angústia que se imponha como barreira à autenticidade.
E aí me vem outra possibilidade da selfie: sintoma. Ela deixa de ser ferramenta empoderadora, de apropriar-se de si, para afastar dessa apropriação, construindo um você artificial para silenciar alguma dor ou desejo.
A selfie pode ser um escudo às nossas vulnerabilidades. Àquilo que não gostamos. Às nossas fragilidades. Pode ser revelarmos apenas o nosso melhor, não porque queremos aprender a enxergá-lo, mas porque não suportamos que outros vejam qualquer outra parte nossa.
Há uma pessoa na minha vida que ilustra isso claramente. Essa pessoa não é muito interessada em arte ou museus. Sempre que acompanha sua amiga a esses locais, fica profundamente irritada. Mal olha as obras.
Sempre, porém, fotografa uma obra. A mais icônica, de preferência. Posta então nas redes sociais com alguma citação de alguém importante. Diz ter amado o passeio. Quem a acompanha sempre fica um pouco confusa: amou onde?
A foto ali, que poderia ser uma selfie, tanto faz, vem agregar à marca da pessoa. Nas redes, ela é outra – porque precisa ser. Porque há uma imagem a ser construída, mantida. Por que quem conhece uma pessoa intelectual que não gosta de arte? – Porque a autenticidade ali a tornaria vulnerável.
A selfie pode ser um escudo às nossas vulnerabilidades. Àquilo que não gostamos. Às nossas fragilidades. Pode ser revelarmos apenas o nosso melhor, não porque queremos aprender a enxergá-lo, mas porque não suportamos que outros vejam qualquer outra parte nossa.
E, por mais que eu esteja falando de selfie aqui, essa questão da insegurança, da angústia e da “marca” pode estar presente nas mais diversas fotos e comportamentos online.
Outro lado “negativo” da selfie é que ela pode impor novos padrões de beleza e perfeição. Padrões esses por vezes mais cruéis, por serem construídos por pessoas ‘reais’, que, em teoria, não tem auxílio de estúdios ou de photoshop profissional. Que representam algo “atingível”.
Volta e meia vejo alguma garota que sigo no instagram postar fotos sem maquiagem para acalmar suas seguidoras que dizem que gostariam de ser “perfeitas” como elas. Ou revelarem editar suas imagens, pelo mesmo motivo.
“Calma” – elas dizem – “eu também não sou perfeita”.
Ainda com todos os receios e possibilidades negativas que rondam as selfies, eu gostaria de dizer que acredito sermos capazes de construir mais caminhos positivos do que negativos com elas.
O próprio fato de diversas mulheres revelarem suas imperfeições quando os outros não as enxergam – de dizerem também não serem ideais – revela uma solidariedade na busca por amor próprio, bem como maiores possibilidades de desconstruir padrões e ideais (ao revelar que são apenas construções, maquiagens e edições), o que a mídia tradicional ainda tem bastante dificuldade em fazer. A selfie está na mão de pessoas – de gente – e isso abre muito mais portas para que humanidades escapem e se revelem.
Vejo a selfie, portanto, como uma multiplicidade que está em constante construção e descontrução. Algo que estamos fazendo, montando, descobrindo. Algo sem direção definida. Imperfeita, cheia de riscos, mas cheia de potências. Não a discutamos, portanto, por prismas que a limitam – seja a aspectos apenas positivos, seja (o mais comum) a aspectos apenas negativos.
O importante é, ao virarmos a câmera para nós, compreendermos e nos abrirmos àquilo que queremos nos dizer e dizer aos outros.