Kathleen Hanna lê o Manifesto Riot Grrrl

[caption id="attachment_4749" align="aligncenter" width="498"]Riot Grrrl Manifesto, publicado no zine Bikini Kill (1991) Riot Grrrl Manifesto, publicado no zine Bikini Kill (1991)[/caption]

Antes de falar sobre o que interessa – Kathleen Hanna, aka a eterna inspiração – gostaria de me apresentar. Sou Carla, também Bored Carla, e há 9 anos escrevo o blog Cabeça Tédio, que fala sobre contracultura a partir de uma perspectiva feminista. Fui convidada pela Nina para colaborar com a Ovelha e cá estou. Escrevo muito sobre música, contracultura e Riot Grrrl, mas aqui espero me aventurar por outros temas e formas de escrita.

Uma das mulheres icônicas do movimento Riot Grrrl, Kathleen Hanna, leu, há dois anos, o manifesto que escreveu para o movimento político-cultural que transformou o punk rock e a participação das mulheres na contracultura. Publicado no zine Bikini Kill (1991), o Riot Grrrl Manifesto é um documento empoderador e que alerta as garotas sobre suas potencialidades e sobre não se contentar em ser o que os outros falaram de nós.

O Riot Grrrl foi uma resposta orgânica à realidade – machista e sexista – que as garotas da cena musical do Noroeste do Pacífico norte-americano viviam. Bandas, zines, convenções, performances, artistas: muitas surgiram e se engajaram a partir da ideia do “Don’t Need You”. Das garotas não precisarem dos caras para produzirem artisticamente, e assim, tomarem os meios para realizarem seus projetos e criarem sua própria cultura, representando milhares de outras minas neste role.

Em 2013 eu traduzi o Riot Grrrl Manifesto e postei no Cabeça Tédio. Hoje, compartilho ele com vocês na Ovelha. Que seja inspirador para vocês também!
 
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RIOT GRRRL MANIFESTO

Texto: Kathleen Hanna
Tradução: Carla Duarte

Manifesto Riot Grrrl
PORQUE nós garotas desejamos fazer discos e livros e fanzines que falem a NÓS e que NÓS nos sentimos incluídas e possamos entender isso de nossas próprias maneiras.

PORQUE nós queremos facilitar para garotas verem/ouvir o trabalho uma das outras, para que a gente possa compartilhar estratégias e criticar-aplaudir umas às outras.

PORQUE nós devemos assumir os meios de produção parar criarmos nosso barulho.

PORQUE vendo nosso trabalho como sendo conectado com as vidas reais e as políticas das nossas amigas é essencial que entendamos estamos impactando, refletindo, perpetuando ou ROMPENDO com o status quo.

PORQUE nós reconhecemos fantasias da Revolução de Machos Armados como mentiras impraticáveis para apenas nos manter sonhando, ao invés de nos tornarmos nossos sonhos E ASSIM procurar criar uma revolução em nossas próprias vidas, todos os dias, ao visualizar e criar alternativas a merda do caminho cristão capitalista de fazer coisas.

PORQUE nós queremos e precisamos encorajar e sermos encorajadas em face de todas as nossas inseguranças, em face do macho-roqueiro-cerveja que nos diz que nós não podemos tocar nossos instrumentos, em face das “autoridades” que dizem que nossas bandas/zines/etc são as piores nos Estados Unidos e

PORQUE nós não queremos assimilar o padrão de outra pessoa (garotos) de o que é e o que não é.

PORQUE nós estamos sem vontade de hesitar diante as alegações que nós somos reacionárias “sexismo reverso” e não AS GUERREIRAS COM ALMA PUNK ROCK QUE NÓS SABEMOS que nós somos de verdade .

PORQUE nós sabemos que a vida é muito mais do que sobrevivência física e nós estamos muito cientes que a ideia do punk rock “você pode fazer o que quiser” é crucial para a chegada da revolução de garotas que nós buscamos para salvar a vida psíquica e cultural de garotas e mulheres de todos os lugares, de acordo com os termos delas, não os nossos.

PORQUE nós estamos interessadas em criar formas não hierárquicas de ser E fazer música, amigos e comunidades baseadas em comunicação + entendimento, ao invés de competição + bom/ruim categorizações.

PORQUE fazendo/lendo/vendo/ouvindo coisas legais que validam e nos desafiam podem nos ajudar a ganhar força e senso de comunidade que nós precisamos, para entender como merdas como racismo, capacitismo*, etarismo, especismo, classicismo, padrões de beleza*, sexismo, anti-semitismo e heterosexismo funcionam em nossas vidas.  

PORQUE nós vemos apoio a comunidade de garotas e garotas que são artistas de todos os tipos integralmente a esse processo.

PORQUE nós odiamos o capitalismo de todas as formas e temos como nosso principal objetivo compartilhar informações e nos mantermos vivas, ao invés de dar lucros sendo legal de acordo com os padrões convencionais.

PORQUE nós estamos com raiva da sociedade que nos diz que Garotas = Idiotas, Garotas = ruim, Garotas = fracas.

PORQUE nós não estamos dispostas a permitir que nossa raiva real e válida seja espalhada e/ou jogada contra nós via sexismo internalizado, como nós temos visto no ciúme entre garotas e comportamentos auto-destrutivos.

PORQUE eu acredito com todomeucoraçãocabeçacorpo que garotas constituem uma força revolucionário que podem, e irão, mudar o mundo de verdade.

 
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*Nota da tradutora – nesse ponto do manifesto, Hanna fala sobre a importância de se entender como diversos preconceitos operam em nós mesmas. Alguns termos não traduzi ao pé da letra, porque acredito que eles poderiam ser interpretados de maneira controversa.

O texto original diz: BECAUSE doing/reading/seeing/hearing cool things that validate and challenge us can help us gain the strength and sense of community that we need in order to figure out how bullshit like racism, able-bodieism*, ageism, speciesism, classism, thinism*, sexism, anti-semitism and heterosexism figures in our own lives.

“Able-bodieism” significa discriminação contra pessoas que tem uma doença física ou mental. Segundo o American Heritage Dictionary, o termo significa, “discrimination, prejudice against or disregard for people with disabilities, especially physical disabilities.” Ao pé da letra, able-bodieism, também chamado de ableism, pode ser entendido “corpo capaz” ou “capacidades corpóreas”, o que não faz muito sentido para nós, não é mesmo? O Questões Plurais traduz o termo como “capacitismo”, e por ser melhor do que a tradução literal, foi o termo que escolhamos utilizar nesta tradução.

“Thinism”, é uma referência a “thin”, que significa magro. Ser magro não é, essencialmente, uma coisa ruim. Ruim é quando uma parte da sociedade torna esta característica uma regra que deve ser perseguida por todxs, a despeito de qualquer coisa. Talvez essa expressão tenha outro significado em inglês, e eu não sei. Mas, para evitar qualquer interpretação errada, escolhi na tradução utilizar o termo “padrões de beleza”, que apesar de ser mais genérico não leva ao erro.

Mais de Carla Duarte

Ouça: Ive Seixas

E quando você percebe está ouvindo, sentindo a beleza e remexendo de forma pausada e fluida. Isto é o que sempre acontece quando eu ouço Ive Seixas, cantora e musicista das ruas, dos palcos, da natureza e de todo os lugares. Há mais de um ano ela abandonou tudo da rotina tradicional, colocou a mochila nas costas e o violão também, e saiu cantando pelo Brasil.

Em seu primeiro EP, Andorinha Só, mostra para o mundo o seu timbre único. Canta os percalços, clama os augúrios, faz dançar com notas que remetem ao que acho que chamam de ‘Nova Música Popular Brasileira’. No Sul Fluminense (região Sul do Rio de Janeiro), especialmente entre Resende, Barra Mansa e Volta Redonda todos já têm múltiplos afetos pelo seu cantar e a sua ciranda, que sempre finaliza seus shows. O mesmo tanto que ela é real – no que vive, que canta, que sente – ela é mágica, e sua música carrega isso.

 

 
A maioria de suas apresentações é pelas ruas das cidades, de forma acústica. Mas claro, ela também faz shows elétricos, nos palcos, acompanhada por uma super banca. O EP é muito bem gravado e as três músicas dão um ‘gostinho de quero mais’. Depois de lançá-lo, ela disponibilizou o single ‘Praia no Inverno’, que dá aquela vontade de com um outro alguém, lançar dois passos para cá e dois para lá.

 

 
Com Erico Junqueira, o Valentin, ela teve o projeto Viajeros, de canções e viagensparacantar dos dois. Eles fizeram um tour que passou por algumas cidades do Sul e do Nordeste no ano passado.

Não tem mistério, pai rico ou patrono. É com o que recebe das suas apresentações que ela vive e produz suas músicas. A música é o alimento que a alimenta, por isso, sempre que a vejo jogo o cascalho no chapéu, valorizando o trabalho que admiro.  Como ela mesmo diz – e obrigada por repetir isso – ‘coragem é agir com o coração’.
 

Se você a encontrar por aí, aproveite para se encantar!

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Cabeça Tédio, que fala sobre contracultura a partir de uma perspectiva feminista. Fui convidada pela Nina para colaborar com a Ovelha e cá estou. Escrevo muito sobre música, contracultura e Riot Grrrl, mas aqui espero me aventurar por outros temas e formas de escrita.

Uma das mulheres icônicas do movimento Riot Grrrl, Kathleen Hanna, leu, há dois anos, o manifesto que escreveu para o movimento político-cultural que transformou o punk rock e a participação das mulheres na contracultura. Publicado no zine Bikini Kill (1991), o Riot Grrrl Manifesto é um documento empoderador e que alerta as garotas sobre suas potencialidades e sobre não se contentar em ser o que os outros falaram de nós.

O Riot Grrrl foi uma resposta orgânica à realidade – machista e sexista – que as garotas da cena musical do Noroeste do Pacífico norte-americano viviam. Bandas, zines, convenções, performances, artistas: muitas surgiram e se engajaram a partir da ideia do “Don’t Need You”. Das garotas não precisarem dos caras para produzirem artisticamente, e assim, tomarem os meios para realizarem seus projetos e criarem sua própria cultura, representando milhares de outras minas neste role.

Em 2013 eu traduzi o Riot Grrrl Manifesto e postei no Cabeça Tédio. Hoje, compartilho ele com vocês na Ovelha. Que seja inspirador para vocês também!
 

RIOT GRRRL MANIFESTO

Texto: Kathleen Hanna
Tradução: Carla Duarte

Manifesto Riot Grrrl
PORQUE nós garotas desejamos fazer discos e livros e fanzines que falem a NÓS e que NÓS nos sentimos incluídas e possamos entender isso de nossas próprias maneiras.

PORQUE nós queremos facilitar para garotas verem/ouvir o trabalho uma das outras, para que a gente possa compartilhar estratégias e criticar-aplaudir umas às outras.

PORQUE nós devemos assumir os meios de produção parar criarmos nosso barulho.

PORQUE vendo nosso trabalho como sendo conectado com as vidas reais e as políticas das nossas amigas é essencial que entendamos estamos impactando, refletindo, perpetuando ou ROMPENDO com o status quo.

PORQUE nós reconhecemos fantasias da Revolução de Machos Armados como mentiras impraticáveis para apenas nos manter sonhando, ao invés de nos tornarmos nossos sonhos E ASSIM procurar criar uma revolução em nossas próprias vidas, todos os dias, ao visualizar e criar alternativas a merda do caminho cristão capitalista de fazer coisas.

PORQUE nós queremos e precisamos encorajar e sermos encorajadas em face de todas as nossas inseguranças, em face do macho-roqueiro-cerveja que nos diz que nós não podemos tocar nossos instrumentos, em face das “autoridades” que dizem que nossas bandas/zines/etc são as piores nos Estados Unidos e

PORQUE nós não queremos assimilar o padrão de outra pessoa (garotos) de o que é e o que não é.

PORQUE nós estamos sem vontade de hesitar diante as alegações que nós somos reacionárias “sexismo reverso” e não AS GUERREIRAS COM ALMA PUNK ROCK QUE NÓS SABEMOS que nós somos de verdade .

PORQUE nós sabemos que a vida é muito mais do que sobrevivência física e nós estamos muito cientes que a ideia do punk rock “você pode fazer o que quiser” é crucial para a chegada da revolução de garotas que nós buscamos para salvar a vida psíquica e cultural de garotas e mulheres de todos os lugares, de acordo com os termos delas, não os nossos.

PORQUE nós estamos interessadas em criar formas não hierárquicas de ser E fazer música, amigos e comunidades baseadas em comunicação + entendimento, ao invés de competição + bom/ruim categorizações.

PORQUE fazendo/lendo/vendo/ouvindo coisas legais que validam e nos desafiam podem nos ajudar a ganhar força e senso de comunidade que nós precisamos, para entender como merdas como racismo, capacitismo*, etarismo, especismo, classicismo, padrões de beleza*, sexismo, anti-semitismo e heterosexismo funcionam em nossas vidas.  

PORQUE nós vemos apoio a comunidade de garotas e garotas que são artistas de todos os tipos integralmente a esse processo.

PORQUE nós odiamos o capitalismo de todas as formas e temos como nosso principal objetivo compartilhar informações e nos mantermos vivas, ao invés de dar lucros sendo legal de acordo com os padrões convencionais.

PORQUE nós estamos com raiva da sociedade que nos diz que Garotas = Idiotas, Garotas = ruim, Garotas = fracas.

PORQUE nós não estamos dispostas a permitir que nossa raiva real e válida seja espalhada e/ou jogada contra nós via sexismo internalizado, como nós temos visto no ciúme entre garotas e comportamentos auto-destrutivos.

PORQUE eu acredito com todomeucoraçãocabeçacorpo que garotas constituem uma força revolucionário que podem, e irão, mudar o mundo de verdade.

 

*Nota da tradutora – nesse ponto do manifesto, Hanna fala sobre a importância de se entender como diversos preconceitos operam em nós mesmas. Alguns termos não traduzi ao pé da letra, porque acredito que eles poderiam ser interpretados de maneira controversa.

O texto original diz: BECAUSE doing/reading/seeing/hearing cool things that validate and challenge us can help us gain the strength and sense of community that we need in order to figure out how bullshit like racism, able-bodieism*, ageism, speciesism, classism, thinism*, sexism, anti-semitism and heterosexism figures in our own lives.

“Able-bodieism” significa discriminação contra pessoas que tem uma doença física ou mental. Segundo o American Heritage Dictionary, o termo significa, “discrimination, prejudice against or disregard for people with disabilities, especially physical disabilities.” Ao pé da letra, able-bodieism, também chamado de ableism, pode ser entendido “corpo capaz” ou “capacidades corpóreas”, o que não faz muito sentido para nós, não é mesmo? O Questões Plurais traduz o termo como “capacitismo”, e por ser melhor do que a tradução literal, foi o termo que escolhamos utilizar nesta tradução.

“Thinism”, é uma referência a “thin”, que significa magro. Ser magro não é, essencialmente, uma coisa ruim. Ruim é quando uma parte da sociedade torna esta característica uma regra que deve ser perseguida por todxs, a despeito de qualquer coisa. Talvez essa expressão tenha outro significado em inglês, e eu não sei. Mas, para evitar qualquer interpretação errada, escolhi na tradução utilizar o termo “padrões de beleza”, que apesar de ser mais genérico não leva ao erro.

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Cabeça Tédio, que fala sobre contracultura a partir de uma perspectiva feminista. Fui convidada pela Nina para colaborar com a Ovelha e cá estou. Escrevo muito sobre música, contracultura e Riot Grrrl, mas aqui espero me aventurar por outros temas e formas de escrita.

Uma das mulheres icônicas do movimento Riot Grrrl, Kathleen Hanna, leu, há dois anos, o manifesto que escreveu para o movimento político-cultural que transformou o punk rock e a participação das mulheres na contracultura. Publicado no zine Bikini Kill (1991), o Riot Grrrl Manifesto é um documento empoderador e que alerta as garotas sobre suas potencialidades e sobre não se contentar em ser o que os outros falaram de nós.

O Riot Grrrl foi uma resposta orgânica à realidade – machista e sexista – que as garotas da cena musical do Noroeste do Pacífico norte-americano viviam. Bandas, zines, convenções, performances, artistas: muitas surgiram e se engajaram a partir da ideia do “Don’t Need You”. Das garotas não precisarem dos caras para produzirem artisticamente, e assim, tomarem os meios para realizarem seus projetos e criarem sua própria cultura, representando milhares de outras minas neste role.

Em 2013 eu traduzi o Riot Grrrl Manifesto e postei no Cabeça Tédio. Hoje, compartilho ele com vocês na Ovelha. Que seja inspirador para vocês também!
 

RIOT GRRRL MANIFESTO

Texto: Kathleen Hanna
Tradução: Carla Duarte

Manifesto Riot Grrrl
PORQUE nós garotas desejamos fazer discos e livros e fanzines que falem a NÓS e que NÓS nos sentimos incluídas e possamos entender isso de nossas próprias maneiras.

PORQUE nós queremos facilitar para garotas verem/ouvir o trabalho uma das outras, para que a gente possa compartilhar estratégias e criticar-aplaudir umas às outras.

PORQUE nós devemos assumir os meios de produção parar criarmos nosso barulho.

PORQUE vendo nosso trabalho como sendo conectado com as vidas reais e as políticas das nossas amigas é essencial que entendamos estamos impactando, refletindo, perpetuando ou ROMPENDO com o status quo.

PORQUE nós reconhecemos fantasias da Revolução de Machos Armados como mentiras impraticáveis para apenas nos manter sonhando, ao invés de nos tornarmos nossos sonhos E ASSIM procurar criar uma revolução em nossas próprias vidas, todos os dias, ao visualizar e criar alternativas a merda do caminho cristão capitalista de fazer coisas.

PORQUE nós queremos e precisamos encorajar e sermos encorajadas em face de todas as nossas inseguranças, em face do macho-roqueiro-cerveja que nos diz que nós não podemos tocar nossos instrumentos, em face das “autoridades” que dizem que nossas bandas/zines/etc são as piores nos Estados Unidos e

PORQUE nós não queremos assimilar o padrão de outra pessoa (garotos) de o que é e o que não é.

PORQUE nós estamos sem vontade de hesitar diante as alegações que nós somos reacionárias “sexismo reverso” e não AS GUERREIRAS COM ALMA PUNK ROCK QUE NÓS SABEMOS que nós somos de verdade .

PORQUE nós sabemos que a vida é muito mais do que sobrevivência física e nós estamos muito cientes que a ideia do punk rock “você pode fazer o que quiser” é crucial para a chegada da revolução de garotas que nós buscamos para salvar a vida psíquica e cultural de garotas e mulheres de todos os lugares, de acordo com os termos delas, não os nossos.

PORQUE nós estamos interessadas em criar formas não hierárquicas de ser E fazer música, amigos e comunidades baseadas em comunicação + entendimento, ao invés de competição + bom/ruim categorizações.

PORQUE fazendo/lendo/vendo/ouvindo coisas legais que validam e nos desafiam podem nos ajudar a ganhar força e senso de comunidade que nós precisamos, para entender como merdas como racismo, capacitismo*, etarismo, especismo, classicismo, padrões de beleza*, sexismo, anti-semitismo e heterosexismo funcionam em nossas vidas.  

PORQUE nós vemos apoio a comunidade de garotas e garotas que são artistas de todos os tipos integralmente a esse processo.

PORQUE nós odiamos o capitalismo de todas as formas e temos como nosso principal objetivo compartilhar informações e nos mantermos vivas, ao invés de dar lucros sendo legal de acordo com os padrões convencionais.

PORQUE nós estamos com raiva da sociedade que nos diz que Garotas = Idiotas, Garotas = ruim, Garotas = fracas.

PORQUE nós não estamos dispostas a permitir que nossa raiva real e válida seja espalhada e/ou jogada contra nós via sexismo internalizado, como nós temos visto no ciúme entre garotas e comportamentos auto-destrutivos.

PORQUE eu acredito com todomeucoraçãocabeçacorpo que garotas constituem uma força revolucionário que podem, e irão, mudar o mundo de verdade.

 

*Nota da tradutora – nesse ponto do manifesto, Hanna fala sobre a importância de se entender como diversos preconceitos operam em nós mesmas. Alguns termos não traduzi ao pé da letra, porque acredito que eles poderiam ser interpretados de maneira controversa.

O texto original diz: BECAUSE doing/reading/seeing/hearing cool things that validate and challenge us can help us gain the strength and sense of community that we need in order to figure out how bullshit like racism, able-bodieism*, ageism, speciesism, classism, thinism*, sexism, anti-semitism and heterosexism figures in our own lives.

“Able-bodieism” significa discriminação contra pessoas que tem uma doença física ou mental. Segundo o American Heritage Dictionary, o termo significa, “discrimination, prejudice against or disregard for people with disabilities, especially physical disabilities.” Ao pé da letra, able-bodieism, também chamado de ableism, pode ser entendido “corpo capaz” ou “capacidades corpóreas”, o que não faz muito sentido para nós, não é mesmo? O Questões Plurais traduz o termo como “capacitismo”, e por ser melhor do que a tradução literal, foi o termo que escolhamos utilizar nesta tradução.

“Thinism”, é uma referência a “thin”, que significa magro. Ser magro não é, essencialmente, uma coisa ruim. Ruim é quando uma parte da sociedade torna esta característica uma regra que deve ser perseguida por todxs, a despeito de qualquer coisa. Talvez essa expressão tenha outro significado em inglês, e eu não sei. Mas, para evitar qualquer interpretação errada, escolhi na tradução utilizar o termo “padrões de beleza”, que apesar de ser mais genérico não leva ao erro.

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