Um encontro com Kathleen Hanna

Acostumada a entrevistar e escrever sobre a vida e a carreira dos outros, fiquei tímida quando percebi o tom confessional que minha coluna de estreia na Ovelha teria! Além de me apresentar com uma pequena história/impressão pessoal, gostaria de compartilhar que a ideia é trazer dicas de músicas e entrevistas que sigam a seguinte regra: Falar apenas de artistas mulheres. Sim.

A vontade de colaborar com um trabalho jornalístico musical e feminista eu tenho comigo há anos. E me lembro muito bem daquele sábado pós-grunge, lá por volta de 1996, quando fui acertada no coração por uma reportagem de jornal que apresentava – com um certo atraso, é verdade -, o movimento punk vibrante e encantador das Riot Grrrls.

Naquela época, o Bikini Kill, grupo liderado por Kathleen Hanna que foi um dos que mais se destacou na mídia (falarei dela em outro momento), já lançava seu terceiro disco. Considerado como parte da terceira onda feminista, o movimento Riot Grrrl surgiu nos Estados Unidos, no começo dos anos 1990, e polemizou dentro do cenário alternativo com letras sobre temas como aborto, estupro, racismo e abuso doméstico.

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Quando perguntada sobre sua importância na cena riot, Kathleen, que foi retratada no ótimo documentário “The Punk Singer”, fala ao The Guardian com modéstia. “Não me sinto como um ícone, me sinto mais como uma cantora de um trabalho social ou uma pessoa com um passado bizarro. Sou tipo um Forrest Gump do indie rock”, explica, fazendo referência às constantes fugas e combates que as mulheres enfrentam diariamente.

Graças ao Bikini Kill, fui pegando amor por mais bandas que compartilhavam dessa “rebeldia feminina”, como Sleater-Kinney e L7. Passei ainda a idolatrar as “meninas das bandas”, como Kim Gordon (Sonic Youth), Kim Deal (Pixies/Breeders), D’Arcy Wretzky (Smashing Pumpkins) por sentir que elas representavam as mulheres (e a mim!) dentro de um cenário tão masculino como o rock.

Além da “música de protesto”, as grrrls, ou melhor, as meninas na música de um modo mais amplo, ainda me ensinam a identificar melhor os preconceitos externos e a ponderar, por exemplo, minhas próprias inseguranças. Com as grrrls, aprendi também a valorizar os talentos das outras mulheres em vez de me preocupar com competições ou comparações vazias.

Não muito diferentes da atualidade, as revistas para as jovens dos anos 1990 me ensinavam a ficar bonita (dentro dos padrões pré-estabelecidos) para conquistar os colegas da sala. Já as músicas das grrrls, desde aquela época, me ensinavam a ser como eu quisesse para conquistar o que eu tivesse vontade! E isso era reconfortante.

Segue uma playlist com 10 sons dos projetos da Kathleen Hanna:

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