Meu corpo não é público

O ônibus é público. Nosso corpo NÃO.

Se você que está lendo isso aqui é mulher também deve estar furiosa, frustrada e decepcionada porém não surpresa com a decisão do juiz de liberar o agressor que ejaculou no pescoço de uma mulher em um ônibus na cidade de São Paulo. O homem foi preso em flagrante e depois foi descoberto que ele já tinha passagem por outros crimes sexuais: seis acusações de tentativa de estupro e dezesseis de assédio em transporte público.

Mas para o juiz, ele não cometeu um crime. E ainda adicionou: “Entendo que não houve constrangimento tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco de ônibus, quando foi surpreendida pela ejaculação do indiciado”.

Isso é humilhante. Isso é revoltante. E isso é PERIGOSO. Para esta e outras vítimas de assédio e violência sexual. PARA TODAS NÓS. Clara Averbuck relatou ainda essa semana em seu Facebook o estupro que sofreu dentro de um Uber. E claro, ouviu muitas críticas, como ter escolhido não ir diretamente para a Delegacia da Mulher prestar queixa. Como ela mesma escreveu: “estou decidindo se quero me submeter à violência que é ir numa delegacia da mulher ser questionada, já que a violência sexual é o único crime que a vítima é que tem que provar. não quero impunidade de criminoso sexual mas também não quero me submeter à violência de estado. justamente por ter levado tantas mulheres na delegacia é que eu sei o que me espera.”

Ela não está errada em estar desiludida com o sistema (que afina, é patriarcal). Nossa “justiça” acabou de liberar mais um agressor, preso em flagrante com outras passagens pela polícia. A justiça brasileira espera espancar, matar. Aí sim, crime. Mas enfiar o dedo na vagina de uma mulher sem seu consentimento ou ejacular no pescoço da vítima no transporte público tá TUDO CERTO, né?

É com essa raiva e inquietação que um grupo de mulheres profissionais de criação no Facebook, o Mad Women, usou a criatividade para fazer barulho. Elas criaram a hashtag #MeuCorpoNãoÉPúblico e uma série de posters feitos colaborativamente. As redatoras escreveram as frases, as ilustradoras e designers as transformaram em pôster.

Clique no centro da imagem para navegar pela galeria:
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Arte de Adriana Sampaio, texto de Ana Mattioni

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Arte de Rita de Cássia, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Rita de Cássia, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Rita de Cássia, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Anelise Bôa, texto de Ana Dellabarba

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Arte de Natasha Büchler‎, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Mildredy Ventorin‎, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Adriana Sampaio‎, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Natasha Büchler‎, texto de Carol Betella

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Arte de Jéssica Miranda‎, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Rita de Cassia‎, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte da nossa Ovelha, Marcela Assef‎. Texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Marina Ribeiro, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Juliana de Mello, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Michelle Monteiro‎, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Natasha Büchler‎, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

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Arte de Talita Cardozo, texto criado colaborativamente pelo grupo Mad Women

 
O intuito é colar os posters dentro do ônibus e nos pontos. Você mesma pode baixar as artes em alta e imprimir numa gráfica ou mesmo na sua casa. O importante é espalhar essa indignação e mostrar que estamos, mais do que nunca, unidas contra nosso silenciamento.

Acesse meu-corpo-nao-e-publico.tumblr.com e confira todas as artes!
Baixe, imprima e cole pela sua cidade!

#MEUCORPONÃOÉPÚBLICO

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