Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.
Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.
[infobox maintitle="Não-blog sobre viver no exterior" subtitle="O RAINHA DA SU CASA é uma série de posts sobre a experiência de ir morar no exterior com cachorro, gatos, namorado e tudo mais. Clique aqui para ler os posts anteriores!" bg="purple" color="black" opacity="on" space="30" link="http://ovelhamag.com/author/barbarella/"]
Para quem acompanhou a saga da saída do Brasil para a Espanha e todo o rolê que foi para viajar com minhas mascotas, agora vem a parte 2!
Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
[caption id="attachment_10555" align="aligncenter" width="500"] quando a sopinha chegou be like HAHAHA (malz galera, amo filme gore)[/caption]
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
[caption id="attachment_10458" align="aligncenter" width="450"] uma voltinha rápida pelas Presillas Bajas (com direito a um dedo meu em uma das fotos risos)[/caption]
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
[caption id="attachment_10453" align="alignright" width="225"] apelidado: dr. bostinha (hahaha)[/caption]
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
[caption id="attachment_10441" align="aligncenter" width="559"] moramos no deserto, lindão, né? na primeira foto dá pra ver um pedacinho do mar e na terceira, nossa “””cidade””” fica no pé da montanha, na esquerda, dá pra ver um pouquim![/caption]
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
[caption id="attachment_10456" align="aligncenter" width="558"] só um pouco da maravilha que é esse lugar <3[/caption]
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
[caption id="attachment_10556" align="aligncenter" width="600"] muito frio mas nada como duas gatinhas pra esquentar, prrprrprr[/caption]
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.
Como não jornalista que sou, porém muito curiosa nas artes da escrita, fui ousada e alegre em fazer uma entrevista. O problema de não ter nenhuma graduação em jornalismo é não ter um parâmetro de como entrevistar alguém (entre muitos outros problemas, risos), mas também pode ser uma grande virtude porque pode quebrar o formato academicista e quadrado. Tenho certeza que não sou pioneira, mas fiz essa introdução apenas para te confirmar que as coisas sairão dos trilhos nos próximos parágrafos, tá, querida? #AquiÉfreeStaile
Provavelmente conheci a Luiza em 2014 quando, no Rio de Janeiro, estavam bombando os encontros de coletivos e grupos virtuais de feminismo. Nos esbarramos várias vezes, entre eventos feministas, marchas, feiras de arte gráfica independente. Depois de um período sem internet no começo do ano, quando a luz do http voltou à minha vida, descobri com o maior sorrisão no rosto que ela havia aberto um canal no YouTube. Sem mais delongas, postarei nossa conversa maravilhosa em forma de uma entrevista desconstruída (palavra do ano, amo).
Tá, Querida, #RumoAos15k
(Quem está lendo a entrevista em 2020 está rindo com o #RumoAos15k, certeza)
Ovelha: Oi miga, tudo bem? Desculpa a demora para te mandar a entrevista, é que é muito difícil entrevistar alguém que, apesar de você já conhecer pessoalmente e ter compartilhado ambientes de luta, admira tanto pode acabar sendo um empecilho, hahaha. Então na verdade eu não estava atribulada não, só chupando o dedo tentando não parecer uma idiota, fazendo perguntas mais do mesmo.
O que me leva à primeira pergunta. Como mulheres, sabemos que temos inseguranças mil e você trabalha muito bem a segurança de nossos corpos. Se você puder contar um pouco como foi realizar o seu trabalho de conclusão de curso, tenho certeza que muitas de nós vamos amar saber sobre!
Tá, Querida: quando eu fui num rolê que você tava fiquei muito besta de ver que a gente era tipo migas hahahahahaha. Enfim…fiquei muito feliz de saber que é um amor louco mútuo!!! <3 haha. Agora vamos as perguntas que eu tbm amei!!!! <3333
A história é meio longa. Vou tentar resumir. Em 2013 eu fiz um intercâmbio de 1 ano para a Inglaterra. Como era uma bolsa do Ciências Sem Fronteiras eu precisaria executar um projeto durante o intercâmbio para apresentar ao CNPQ. O projeto que fiz foi o #curtadocumentárioexperimental Espelho Torcido. O curta se trata de imagens de partes do meu corpo pelado, mostrando todas aos pedaços que mais odiava em mim. A ideia era tentar de alguma forma me forçar a encarar meu próprio corpo. Eu coloquei o vídeo na internet e tive uma ótima repercussão! Saiu em blogs, páginas, tumblrs etc. A partir daí várias pessoas me procuraram com depoimentos maravilhosos de como o filme havia ajudado em seus processos de empoderamento. E dessa forma eu acabei me empoderando também. E foi maravilhoso! Esse projeto serviu de partida inicial para eu depois vir a desenvolver meu TCC, um curta documentário chamado GORDA.
A ideia era tentar proporcionar a outras mulheres o mesmo processo que aconteceu comigo. Ao se deixarem ser filmadas, elas poderiam de alguma forma conseguir enxergar beleza em seus corpos. Sendo assim, o documentário trata da relação de 3 mulheres gordas com seus próprios corpos.
Quando fechei a ideia do projeto, coloquei na internet um formulário para a seleção das personagens! Em duas semanas, obtive 554 inscrições! Eu fechei imediatamente com medo de não dar conta do volume de depoimentos que teria para ler. (Os depoimentos desse formulário são maravilhosos, inclusive. Valeria fazer uma página só disso! haha) Fiquei uns bons meses debruçada nesses depoimentos para selecionar as personagens! Foi um processo bem difícil e demorado. As gravações também foram complicadas.
Produzi tudo praticamente sozinha entre arranjar locação, comprar figurino, conseguir equipamento, alimentação… Tudo saindo do meu bolso. Mas em compensação, tive uma rede de apoio imensa na internet. Toda a equipe do filme foi formada por mulheres que conheci na internet! Isso sem contar todas as outras que ajudaram compartilhando, apoiando e dando amor e força pra continuar! Foi um processo super difícil e desgastante, mas hiper recompensador e maravilhoso. Nunca havia experimentado tanto amor em uma relação de trabalho assim! Só pra falar que as minas são ABSOLUTAS! Enfim… O filme ainda não está pronto, mas vai sair! Se tudo certo até o final do ano eu lanço ele bem lindão no YouTube! A ideia é que todas as gordas (e as não gordas tbm) assistam! Como eu sei que não tô só, tenho fé que esse filme vai fazer muito barulho na interweb e vai ajudar muitas minas!
Ovelha: Como eu sempre queimo a largada, me conta, qual o seu nome, o que você faz, quantos anos você tem, onde você mora, de onde você é, qual o seu signo (brinks, sei que você não acredita) etc? Resumidamente, WHO ARE YOU IN THE LINE OF THE BREAD, Risos.
Tá, Querida: Meu nome é Luiza Santos Junqueira Ribeiro, eu trabalho como editora de vídeo (e trocentas outras coisinhas) no Canal Curta! que é um canal muito massa e um dos únicos independentes da TV brasileira. Tenho 24 anos. Moro no Rio de Janeiro. Sou de São José dos Campos – SP. Não acredito muito em signo (mas acredito um pouco haha), sou aquariana com os outros dois coisos em libra e um monte de outros coisos em capricórnio também. Eu curto muito comida! Acho que é isso!
Ovelha: Eu, como você, também migrei e isso mudou muita coisa em mim. Conhecer uma nova realidade, fazer parte dessa nova realidade e conhecer pessoas novas fora da minha zona de conforto mudou muito a minha cabeça. Como foi para você sair de Sanja City (São José dos Campos) para o Rio de Janeiro?
Tá, Querida: Meus primeiros 3 anos fora de casa foram bem difíceis. Nunca fui diagnosticada com depressão (porque nunca fui em psicólogo infelizmente), mas acredito que nessa época vivi uma depressão bem complicada. Não fiz muitos amigos, mas amadureci um monte também. Depois dessa época eu fui fazer intercâmbio e foi aí que deu restart na minha vida. O fato de você sair do país e poder ver as coisas de longe ajuda muito. Sou imensamente grata por ter tido esse privilégio. Durante o intercâmbio eu tinha muito tempo livre então comecei a ficar mais ativa em grupos do facebook. Nesses ambientes conheci pessoas, novas realidades e o feminismo. Melhorei e me desconstruí muito naquele ano. Voltei pro Brasil com outra cabeça e daí sim consegui aproveitar a distância de casa para abrir ainda mais minha cabeça pra um mundo bem diferentão do que era o meu em Sanja City!
Ovelha: Qual foi o seu primeiro contato com o feminismo e como ele se desenvolveu na sua luta/militância (eu considero que muito orgânica e maravilhosamente haha)?
Tá, Querida: Meu primeiro contato com feminismo foi em grupos do Facebook sobre o assunto. Eu consumo muito literatura de Facebook. Aprendi muito em grupos com depoimentos de várias minas. Aprendi sobre a importância dos recortes dentro do feminismo e principalmente me empoderei. Grupos como Zine XXX, Selfless Poirtrait das minas (que entrei por um acaso) e todas as outras vertentes de grupos das minas foram minha escola feminista. Nunca li Simone de Beauvoir! Nunca nem conseguiria pois não me dou muito bem com literatura tradicional. (medo de assumir isso aqui e perder minha carteirinha de feminista hahaha mas é a verdade). Mas foi o feminismo que me tirou do buraco que eu estava. O feminismo salva! Amém! Então acaba que tudo o que eu faço tem alguma mensagem feminista por trás. Mas não me considero militante justamente pelo meu afastamento em relação aos movimentos e tal. Acho que é isso mesmo que você falou. O feminismo se desenvolveu organicamente nos meus discursos porque eu absorvi muito dele na internet! Mas militante mesmo eu não sou. Nem de facebook hahaha (sou daquelas lê tudo e não dá um piu).
Ovelha: É difícil perguntar alguma coisa específica sobre o seu canal porque já vi todos os seus vídeos, mas qual a chamada que você gostaria de fazer para as leitoras da Ovelha conhecerem seu canal? Qual é o vídeo que você mais gostou de fazer?
Tá Querida: Oi, Querida! Eu tenho um canal no YouTube que é uma das coisas que mais amo na vida! O Tá, Querida aborda empoderamento feminino, auto estima, receitinhas mara, cabelo colorido, cultura pop diferentona e mais um monte de coisas que não necessariamente tem relação uma com a outra. É o meu canal e eu faço o que eu quero (no ritmo de It’s My Party). Meu vídeo preferido é o que eu ensino limpar a bunda com rolinho de papel em casos emergenciais.
Ovelha: Sabemos que você estudou cinema. Qual é a sua rotina de trabalho e pesquisa para o Tá, Querida? Para alguém que quer fazer um canal, o que você indica/sugere (material e coragi)?
Tá, Querida: Minha rotina é bem orgânica (adorei essa palavra, miga hahaha). As ideias dos vídeos vão surgindo a partir das sugestões dxs queridxs. Eu vou anotando tudo, meio desorganizada, mas anoto tudo. Como eu trabalho durante a semana, uso o final de semana para gravar os vídeos e aproveitar a luz do dia. Mas as vezes me enrolo e tenho que gravar dia de semana de noite. Deixo para editar durante a semana, depois que chego do trabalho. É BEM cansativo e às vezes eu penso em diminuir isso. Mas ao mesmo tempo é tão divertido e gratificante que eu acho que estou viciada! Por enquanto sigo firme!
Pra quem fez cinema dá sempre medinho de colocar qualquer produto audiovisual na internet e chover críticas. Mas a real é que raramente isso vai acontecer, e se acontecer, foda-se! Claro que eu prezo pela qualidade audiovisual do meu canal pois eu sou formada nisso e ele meio que funciona como meu portfolio. Mas no fundo eu sei que ninguém precisa ser bonzão em audiovisual pra fazer um ótimo canal no YouTube. Eu acho que acima de tudo, o canal tem que ser feito pra própria pessoa. Faça vídeos porque você gosta de fazer vídeos, porque você gosta de assistir seus vídeos! Assim, mesmo que ninguém mais goste, será divertido e gratificante!
Ovelha: Miga, se você pudesse indicar 5 canais no YouTube, quais seriam eles? Ah, obrigada por ter indicado o Dario, eu sou apaixonada por ele! Hahaha.
Tá, Querida: Conheço muito mais de 5 canais maravilhoooosos que eu indicaria, mas de supetão indico:
– Mariri (vídeos lindos de um ponto de vista hiper sensível que é da mariri! É maravilhoso)
– FaM (Isabella e Felipe postam vídeos TODO DIA do cotidiano deles. Os vídeos são absurdos com edição maravilhosa, imagens incríveis e o que há de mais topper shower em SP.)
– Vinni Zone (acho que é um dos meus favoritos. Tenho muito orgulho de ser amiga desse menino. Os vídeos são MUITO engraçados. A edição é impecável e ele tem um jeito com a câmera maravilhoso. Fala sobre cultura pop e coisas diversas e sempre me faz rir muito)
– Jana Viscardi (uma deusa maravilhosa que fala sobre comunicação e linguagem. É muita desconstrução e amor. Sem contar que as vezes rolam umas diquinhas de mercado de trabalho BAPHO)
– Dario (Meu preferido sem dúvidas. Ele posta de dois a três vídeos POR DIA! Ele faz vídeos virais e essas coisas de internet (DIY, 100 camadas de alguma coisa…) mas com o jeitinho mais cativante do universo. Ele é muito engraçado, honesto e singelo. Não tem como não amar o Dário. Sou fã tiéte mesmo.
Só temos a agradecer essa pessoa maravilhosa que a Luiza é. Ela tem uma percepção de que o trabalho dela não é um tipo de militância, mas miga, aqui sem tréplicas, é sim, haha! Falar sobre empoderamento feminino, mostrar que podemos ter escolhas dentro desse universo capitalista cheios de padrões inalcançáveis, quebrar isso é sem dúvida um tipo muito impactante de militância. Principalmente com o o trabalho de áudio, onde você mostra seu rosto e abre para pessoas que você nunca viu, quem você é. Apenas muito orgulho do seu trabalho, desejo que você tenha cada vez mais inscritos e seja felizona nessa vida de minha Deusa! Digo mais, você poderia pegar aqueles todos depoimentos e montar um livro, tenho certeza que ficaria incrível.
E se você curtiu a Luiza e alguns dos vídeos que postamos dela aqui, vai lá se inscrever no canal dela, mostra para as miga e sejamos todas felizes juntas! #migas Ai, vou deixar mais um vídeo dela aqui porque amo. Hahaha.
a saga da saída do Brasil para a Espanha e todo o rolê que foi para viajar com minhas mascotas, agora vem a parte 2!
Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.