Quando eu tinha uns 5 anos, estava passeando com a moça que cuidava de mim quando um homem me trombou na rua e continuou andando. Continuamos andando também até que atrás de mim, um rapaz que tinha visto a cena, deu com o pé nas costas do cara que me trombou e enquanto dava porrada nele e gritava “seu filho da puta, é só uma criança”. Aquilo me marcou muito, mesmo eu sendo muito pequena. Anos mais tarde, soube que existe essa prática de trombar crianças para passar a mão nelas e fingir que foi sem querer. Acho que essa foi a primeira de muitas vezes que eu fui abusada sexualmente ao longo da minha vida.
A cultura do estupro é uma coisa seríssima. Nascemos sob seus cuidados, crescemos com sua prática e vivemos, nós, mulheres, com medo por suas consequências a cada esquina que viramos. No Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. Na televisão, casos de estupro são relevados em nome da cultura popular do grande irmão. Na imprensa, casos mais do que confessos são tratados como supostos. Na política, candidatos com denúncia de espancamento à mulheres, não são apenas cogitados, mas apoiados em suas campanhas e muitos eleitos. No cotidiano, nossas lamentações e reações são tratadas como histerias, agressividades, patologias. Na lei, não temos pertencimento sobre nossos próprios corpos, nem se formos violadas.
Pudemos acompanhar toda a campanha anti Dilma que veio agregada a muita misoginia e cultura do estupro. Na votação na câmara dos deputados, seu estuprador e torturador foi relembrado com orgulho. Na mídia, apenas a reação do oprimido foi reprimida, um cuspe bem dado. Obrigada Jean. Agora sem Dilma, estamos sem mulheres nos ministérios, sem negrxs, sem a menor representatividade.
Faz dois anos que estou na militância feminista e conheço muitas mulheres que foram violadas. Acompanho com aperto no coração, empatia e amor, seus “aniversários de estupro”, uma data que remete a um aniversário de morte, que, anualmente, bate na porta dessas mulheres. A depressão que segue, a força intermitente, mas que ainda há resquícios para seguir falando sobre esse assunto e muitas vezes ajudar às próximas. Penso na dor que elas estão sentindo e penso na dor, no abalo psicológico da irmã que passou pelo pior no último final de semana. Espero nunca saber o seu nome e ainda assim quero te aninhar. Espero que você consiga se reerguer psicologicamente. Agora é hora de autocuidado. Nós vamos e estamos lutando por você.
Existe uma hipocrisia sobre os homens que se revoltam com a generalização masculina. Somos estigmatizadas todas como loucas, frescas, fracas, inferiores, histéricas. Quando damos cara um opressor, é o que ele representa. O opressor da mulher, é o homem, da mulher negra, o homem e a mulher branca, e assim segue. Basta ter empatia para entender que sabemos que não são todos os homens que estupram, mas nós temos medo de todos os homens se estamos andando sozinhas na rua. Sim, de todos.
Li muitos relatos que poderia assinar embaixo, li mulheres que ideologicamente são pacifistas, bradando morte aos estupradores. O ódio coletivo nos atingiu com racionalidade. Precisamos gritar mais alto, não nos ouvem. Precisamos fazer mais barulho. Precisamos aprender a nos defender, o que aconteceu não é uma barbaridade, se chama patriarcado. Esse sim é o monstro. Contra ele, muita luta, treino de autodefesa, rodas de autocuidado e empatia. Muita empatia.
Hoje eu andava na rua, ainda estarrecida com a notícia de ontem, vi uma camiseta andante que nela estava escrito contra a violência machista, sorri antes de ver quem vestia, subi o olhar e era uma mulher com seus 60 anos que já sorria pra mim por eu estar feliz com a camiseta. Nós não nos falamos, nunca mais nos veremos, mas temos uma cumplicidade única em sermos mulheres e sabermos que eu já herdei a luta dela e vou e preciso passar pra frente a nossa luta. Não estamos sozinhas, temos uma a outra. Respeitando todos os recortes e suas hierarquias de urgências, precisamos nos unir e nos mobilizar.
Quando eu tinha uns 5 anos, estava passeando com a moça que cuidava de mim quando um homem me trombou na rua e continuou andando. Continuamos andando também até que atrás de mim, um rapaz que tinha visto a cena, deu com o pé nas costas do cara que me trombou e enquanto dava porrada nele e gritava “seu filho da puta, é só uma criança”. Aquilo me marcou muito, mesmo eu sendo muito pequena. Anos mais tarde, soube que existe essa prática de trombar crianças para passar a mão nelas e fingir que foi sem querer. Acho que essa foi a primeira de muitas vezes que eu fui abusada sexualmente ao longo da minha vida.
A cultura do estupro é uma coisa seríssima. Nascemos sob seus cuidados, crescemos com sua prática e vivemos, nós, mulheres, com medo por suas consequências a cada esquina que viramos. No Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. Na televisão, casos de estupro são relevados em nome da cultura popular do grande irmão. Na imprensa, casos mais do que confessos são tratados como supostos. Na política, candidatos com denúncia de espancamento à mulheres, não são apenas cogitados, mas apoiados em suas campanhas e muitos eleitos. No cotidiano, nossas lamentações e reações são tratadas como histerias, agressividades, patologias. Na lei, não temos pertencimento sobre nossos próprios corpos, nem se formos violadas.
Pudemos acompanhar toda a campanha anti Dilma que veio agregada a muita misoginia e cultura do estupro. Na votação na câmara dos deputados, seu estuprador e torturador foi relembrado com orgulho. Na mídia, apenas a reação do oprimido foi reprimida, um cuspe bem dado. Obrigada Jean. Agora sem Dilma, estamos sem mulheres nos ministérios, sem negrxs, sem a menor representatividade.
Faz dois anos que estou na militância feminista e conheço muitas mulheres que foram violadas. Acompanho com aperto no coração, empatia e amor, seus “aniversários de estupro”, uma data que remete a um aniversário de morte, que, anualmente, bate na porta dessas mulheres. A depressão que segue, a força intermitente, mas que ainda há resquícios para seguir falando sobre esse assunto e muitas vezes ajudar às próximas. Penso na dor que elas estão sentindo e penso na dor, no abalo psicológico da irmã que passou pelo pior no último final de semana. Espero nunca saber o seu nome e ainda assim quero te aninhar. Espero que você consiga se reerguer psicologicamente. Agora é hora de autocuidado. Nós vamos e estamos lutando por você.
Existe uma hipocrisia sobre os homens que se revoltam com a generalização masculina. Somos estigmatizadas todas como loucas, frescas, fracas, inferiores, histéricas. Quando damos cara um opressor, é o que ele representa. O opressor da mulher, é o homem, da mulher negra, o homem e a mulher branca, e assim segue. Basta ter empatia para entender que sabemos que não são todos os homens que estupram, mas nós temos medo de todos os homens se estamos andando sozinhas na rua. Sim, de todos.
Li muitos relatos que poderia assinar embaixo, li mulheres que ideologicamente são pacifistas, bradando morte aos estupradores. O ódio coletivo nos atingiu com racionalidade. Precisamos gritar mais alto, não nos ouvem. Precisamos fazer mais barulho. Precisamos aprender a nos defender, o que aconteceu não é uma barbaridade, se chama patriarcado. Esse sim é o monstro. Contra ele, muita luta, treino de autodefesa, rodas de autocuidado e empatia. Muita empatia.
Hoje eu andava na rua, ainda estarrecida com a notícia de ontem, vi uma camiseta andante que nela estava escrito contra a violência machista, sorri antes de ver quem vestia, subi o olhar e era uma mulher com seus 60 anos que já sorria pra mim por eu estar feliz com a camiseta. Nós não nos falamos, nunca mais nos veremos, mas temos uma cumplicidade única em sermos mulheres e sabermos que eu já herdei a luta dela e vou e preciso passar pra frente a nossa luta. Não estamos sozinhas, temos uma a outra. Respeitando todos os recortes e suas hierarquias de urgências, precisamos nos unir e nos mobilizar.
Quando eu tinha uns 5 anos, estava passeando com a moça que cuidava de mim quando um homem me trombou na rua e continuou andando. Continuamos andando também até que atrás de mim, um rapaz que tinha visto a cena, deu com o pé nas costas do cara que me trombou e enquanto dava porrada nele e gritava “seu filho da puta, é só uma criança”. Aquilo me marcou muito, mesmo eu sendo muito pequena. Anos mais tarde, soube que existe essa prática de trombar crianças para passar a mão nelas e fingir que foi sem querer. Acho que essa foi a primeira de muitas vezes que eu fui abusada sexualmente ao longo da minha vida.
A cultura do estupro é uma coisa seríssima. Nascemos sob seus cuidados, crescemos com sua prática e vivemos, nós, mulheres, com medo por suas consequências a cada esquina que viramos. No Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. Na televisão, casos de estupro são relevados em nome da cultura popular do grande irmão. Na imprensa, casos mais do que confessos são tratados como supostos. Na política, candidatos com denúncia de espancamento à mulheres, não são apenas cogitados, mas apoiados em suas campanhas e muitos eleitos. No cotidiano, nossas lamentações e reações são tratadas como histerias, agressividades, patologias. Na lei, não temos pertencimento sobre nossos próprios corpos, nem se formos violadas.
Pudemos acompanhar toda a campanha anti Dilma que veio agregada a muita misoginia e cultura do estupro. Na votação na câmara dos deputados, seu estuprador e torturador foi relembrado com orgulho. Na mídia, apenas a reação do oprimido foi reprimida, um cuspe bem dado. Obrigada Jean. Agora sem Dilma, estamos sem mulheres nos ministérios, sem negrxs, sem a menor representatividade.
Faz dois anos que estou na militância feminista e conheço muitas mulheres que foram violadas. Acompanho com aperto no coração, empatia e amor, seus “aniversários de estupro”, uma data que remete a um aniversário de morte, que, anualmente, bate na porta dessas mulheres. A depressão que segue, a força intermitente, mas que ainda há resquícios para seguir falando sobre esse assunto e muitas vezes ajudar às próximas. Penso na dor que elas estão sentindo e penso na dor, no abalo psicológico da irmã que passou pelo pior no último final de semana. Espero nunca saber o seu nome e ainda assim quero te aninhar. Espero que você consiga se reerguer psicologicamente. Agora é hora de autocuidado. Nós vamos e estamos lutando por você.
Existe uma hipocrisia sobre os homens que se revoltam com a generalização masculina. Somos estigmatizadas todas como loucas, frescas, fracas, inferiores, histéricas. Quando damos cara um opressor, é o que ele representa. O opressor da mulher, é o homem, da mulher negra, o homem e a mulher branca, e assim segue. Basta ter empatia para entender que sabemos que não são todos os homens que estupram, mas nós temos medo de todos os homens se estamos andando sozinhas na rua. Sim, de todos.
Li muitos relatos que poderia assinar embaixo, li mulheres que ideologicamente são pacifistas, bradando morte aos estupradores. O ódio coletivo nos atingiu com racionalidade. Precisamos gritar mais alto, não nos ouvem. Precisamos fazer mais barulho. Precisamos aprender a nos defender, o que aconteceu não é uma barbaridade, se chama patriarcado. Esse sim é o monstro. Contra ele, muita luta, treino de autodefesa, rodas de autocuidado e empatia. Muita empatia.
Hoje eu andava na rua, ainda estarrecida com a notícia de ontem, vi uma camiseta andante que nela estava escrito contra a violência machista, sorri antes de ver quem vestia, subi o olhar e era uma mulher com seus 60 anos que já sorria pra mim por eu estar feliz com a camiseta. Nós não nos falamos, nunca mais nos veremos, mas temos uma cumplicidade única em sermos mulheres e sabermos que eu já herdei a luta dela e vou e preciso passar pra frente a nossa luta. Não estamos sozinhas, temos uma a outra. Respeitando todos os recortes e suas hierarquias de urgências, precisamos nos unir e nos mobilizar.
Não vou mentir, fui assistir Wild porque uma amiga e minha terapeuta além de me recomendarem, disseram que se lembraram de mim. Apesar da Reese Witherspoon ter feito papéis fortes como June em Walk The Line, eu não tinha uma memória afetiva dela pra querer assistir a um filme seu, talvez por não associar a filmes bons. Mas não me alonguei, acendi um e assisti o filme. Com certeza já posso virar essa página sobre Reese por muitos motivos.
A trama é auto-biográfica, Cheryl Strayed teve uma infância relativamente difícil e sofre com a morte prematura de sua mãe por causa de um câncer. Depois de alguns anos lidando com esse sentimento, decide fazer a trilha Pacific Crest Trail, apelidada de PCT, como um ato simbólico de ressurreição e empoderamento pessoal. A atuação de Reese está arrebatadora. Não é a toa que foi indicada em mais de 15 prêmios diferentes.
O filme, apesar de não fazer corte de classe e raça (e eu só perdôo porque é auto-biográfico), é feminista por algumas razões, não curto listar, mas acho que hoje é um bom dia pra fazer isso, haha.
1) Lida com a sexualidade de forma natural.
2) Retrata disfunções da vida de forma natural.
3) Mostra o corpo de uma forma real, não objetificada ou sexualizada.
4) Respeita a história e não transforma em um filme sobre mulheres, não universaliza experiências.
5) Não menospreza a experiência de uma mulher que viaja sozinha (não tô dizendo que personagens não o fazem, afinal, é uma história verídica).
Eu me entreguei. Amo viajar, nunca fiz com o mesmo propósito, mas querendo ou não é sempre empoderador e eu amo viajar sozinha. Também tive problemas com a minha mãe, quem não teve? Até onde chequei, Freud ainda está sendo bem requisitado, hahaha. Mas é completamente diferente da vida de Cheryl. A aproximação acontece por afidamento. A própria trilha não acontece sem aperreio, claro, situações de misoginia latente, medo de ser abusada e/ou estuprada, sentir-se sozinha num mundo que te pressiona pra ter bom humor todos os dias da sua vida, acontecem. Então é natural se identificar e sentir empatia.
Cinematograficamente me foi surpreendente. A direção de arte e a fotografia são boas, mas senti bastante falta de tomadas abertas, que mostrassem mais a trilha e a pequenez da personagem diante da imensidão da natureza, das dificuldades da trilha, correlacionando à muitas questões da vida e história da personagem, foi uma onda minha. A trilha sonora não é nada demais, achei ok. Gostei bastante de terem colocado First Aid Kit e Portishead, uma das minhas bandas favoritas. Gostei do filme não ter o selo Hollywoodiano. Creio que a maioria já associa Reese à Hollywood, mas é um filme indie.
Agora, a página que eu tinha da Reese virou completamente quando eu soube que ela havia produzido o filme. E muito mais do que isso, ela sentiu a necessidade de há algum tempo atrás criar a produtora Pacific Standard Productions com a Bruna Papandrea. A decisão veio para criar e gerar material de conteúdo feminino no cinema. Quando Reese se tocou em algum momento que havia apenas um estúdio recrutando mulheres acima de 30 anos para um papel, decidiu “se ocupar”. E ainda bem que se ocupou, a produtora já conta com três filmes produzidos em três anos de existência, entre eles o polêmico Gone Girl, e pelo que eu pude pesquisar, a lista de produções futuras é extensa. Vida longa à Pacific Standard Productions! Abaixo, palavras da miss Witherspoon:
Minha filha tinha 13 anos, eu queria que ela visse filmes com líderes femininas e heroínas e histórias de vida
campanha anti Dilma que veio agregada a muita misoginia e cultura do estupro. Na votação na câmara dos deputados, seu estuprador e torturador foi relembrado com orgulho. Na mídia, apenas a reação do oprimido foi reprimida, um cuspe bem dado. Obrigada Jean. Agora sem Dilma, estamos sem mulheres nos ministérios, sem negrxs, sem a menor representatividade.
Faz dois anos que estou na militância feminista e conheço muitas mulheres que foram violadas. Acompanho com aperto no coração, empatia e amor, seus “aniversários de estupro”, uma data que remete a um aniversário de morte, que, anualmente, bate na porta dessas mulheres. A depressão que segue, a força intermitente, mas que ainda há resquícios para seguir falando sobre esse assunto e muitas vezes ajudar às próximas. Penso na dor que elas estão sentindo e penso na dor, no abalo psicológico da irmã que passou pelo pior no último final de semana. Espero nunca saber o seu nome e ainda assim quero te aninhar. Espero que você consiga se reerguer psicologicamente. Agora é hora de autocuidado. Nós vamos e estamos lutando por você.
Existe uma hipocrisia sobre os homens que se revoltam com a generalização masculina. Somos estigmatizadas todas como loucas, frescas, fracas, inferiores, histéricas. Quando damos cara um opressor, é o que ele representa. O opressor da mulher, é o homem, da mulher negra, o homem e a mulher branca, e assim segue. Basta ter empatia para entender que sabemos que não são todos os homens que estupram, mas nós temos medo de todos os homens se estamos andando sozinhas na rua. Sim, de todos.
Li muitos relatos que poderia assinar embaixo, li mulheres que ideologicamente são pacifistas, bradando morte aos estupradores. O ódio coletivo nos atingiu com racionalidade. Precisamos gritar mais alto, não nos ouvem. Precisamos fazer mais barulho. Precisamos aprender a nos defender, o que aconteceu não é uma barbaridade, se chama patriarcado. Esse sim é o monstro. Contra ele, muita luta, treino de autodefesa, rodas de autocuidado e empatia. Muita empatia.
Hoje eu andava na rua, ainda estarrecida com a notícia de ontem, vi uma camiseta andante que nela estava escrito contra a violência machista, sorri antes de ver quem vestia, subi o olhar e era uma mulher com seus 60 anos que já sorria pra mim por eu estar feliz com a camiseta. Nós não nos falamos, nunca mais nos veremos, mas temos uma cumplicidade única em sermos mulheres e sabermos que eu já herdei a luta dela e vou e preciso passar pra frente a nossa luta. Não estamos sozinhas, temos uma a outra. Respeitando todos os recortes e suas hierarquias de urgências, precisamos nos unir e nos mobilizar.